The Lighthouse – Um mergulho na insanidade Lovecraftiana | Review

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The Lighthouse, traduzido no Brasil para O Farol, é o novo longa de Robert Eggers, diretor aclamado pelo seu primeiro longa, A Bruxa. Seguindo a linha de seu primeiro longa, sua nova aposta é em mais um terror/suspense dramático, e é a prova legítima de que Eggers é um dos nomes que podem ficar marcados nessa geração do horror.

The Lighthouse não é um filme fácil, mas sabemos que esse termo se aplica de diferentes maneiras a diferentes pessoas.

O longa se passa inteiramente em uma pequena ilha, onde há um farol do qual os dois personagens principais são responsáveis. Robert Pattinson é um “novato” designado para acompanhar o personagem de Willem Dafoe, que é um veterano em seu cargo de cuidar de um farol.

The Lighthouse

Robert Pattinson como Thomas Howard/Ephraim Winslow e Willem Dafoe como Thomas Wake

O trabalho e esforço da dupla principal é de se destacar, são poucas as vezes que contracenam com alguém diferente, sendo assim, a narrativa é quase que inteiramente contada com esses dois personagens.

A química e dinâmica entre os personagens existem desde o início do longa, e vai se desenvolvendo de maneira cuidadosa e interessante, mérito que claramente não é só do roteiro, que é bem escrito, mas também dos atores que entregam performances excelentes, se tornando uma dupla marcante e cativante.

O longa tem um ritmo balanceado com seus acontecimentos sendo montados de maneira intrincada para nos contar essa história, um choque e outro acontece para nos deixar confusos e desnorteados com o que está por vir. Do início até o terceiro ato temos uma meticulosa arquitetação de tudo, e é no terceiro ato é onde tudo “explode”.

The Lighthouse

Não se deve esperar uma explicação para o significado dos acontecimentos, algo linear e coerente a primeira vista, não recebemos nada do tipo durante a narrativa, sendo assim, The Lighthouse é um filme catártico, e até metafórico.

Em uma obra do tipo, o conceito de camadas é sempre importante, pois há a camada superficial, onde vemos e recebemos as informações diretas, e as outras camadas interpretativas ou catárticas. E aqui, é um fato que boa parte da experiência é perdida sem suas camadas mais profundas.

É algo que rende muitas discussões, pois não há apenas uma explicação definitiva para toda a obra. Tirando o fato de que o diretor não se pronunciou abertamente sobre todo o significado do longa, é de suma importância que saibamos que arte é subjetiva, e principalmente esse tipo de obra costuma receber de braços abertos as possibilidades interpretativas de todos que a consumam

Com pesquisas na internet e discussões com amigos, você pode sempre achar algo novo a dizer sobre a obra, assim, sempre renovando suas possibilidades de acordo com a coerência de tal obra.

Pois bem, onde quero chegar é que, The Lighthouse como um filme intrincado, catártico e metafórico funciona excelentemente bem, e é a isso que ele se propõe.

The Lighthouse

O terror e o suspense é construído de maneira atmosférica, trabalhando com o mistério e o desconforto a seu favor. Usufruindo não só das idéias já utilizadas em seu longa anterior, como o perturbador inquietamento psicológico de seus personagens em um lugar isolado, o diretor usufrui de técnicas como o uso do Preto e Branco e lentes de 35mm para construir uma atmosfera clássica na obra, que o faz ser executado com claras referências em homenagem aos filmes de época.

A opção de filmar com tal lente e a palheta de cores ser limitada a preto e branco é uma escolha feita não somente de maneira simbólica, mas com certeza pela estética que ajuda a dar uma atmosfera bem mais claustrofóbica e inquietante para o longa, com planos realçando o escuro ambiente, as enormes sombras projetadas de seus personagens pela iluminação ambiente, algo que é muito explorado pelo diretor.

The Lighthouse
Dupla principal conversando em um ambiente fechado

A mixagem de som também cria momentos asfixiantes e perturbadores, que amplificam momentos perturbadores mas também constituem a atmosfera inquietante do longa.

Tudo isso junto ao roteiro forma uma atmosfera aterrorizante e inquietante, que nos faz sempre duvidar sobre o que é real ou o que está realmente acontecendo e ansiar pelo que pode vir.

Seu terror psicológico é visceral, e não apenas na perturbadora profundidade da psique dos personagens, que transforma a experiência de assistir ao longa em quase que um estudo sobre isolamento e insanidade, mas também com os choques de violência que temos em poucas partes, mas que sempre nos inquietam ao assistir, em meio a toda essa jornada atmosférica.

The Lighthouse O Farol

No fim, The Lighthouse é um terror psicológico excelentemente bem arquitetado e guiado não só pelo diretor que constrói uma atmosfera lovecraftiana de mistério e horror psicológico mas também com a excepcional dupla de protagonistas que entregam personagens extremamente cativantes e com profundidade interpretativa.

Excelente