Sonic: O Filme — Lá Vem, Com Todo o Gás | Review

Você com toda a certeza já ouviu falar do Sonic. Sabe o raio azul, que vai de norte a sul e é o mais veloz que há? Então, estamos falando dele mesmo. Aparentemente algum executivo na Paramount achou que seria uma boa ideia produzir um filme live-action estrelando o icônico ouriço alienígena da SEGA, e essa ideia foi concretizada.

Sabendo o histórico… imperfeito… das adaptações de jogos eletrônicos para as telonas do cinema, fui assistir Sonic: O Filme com os dois pés atrás esperando um desastre. Na pior das hipóteses, pelo menos o balde de pipoca que veio junto ao combo do filme era legal. Ele tem um LED azul na base, achei muito bonitinho e não resisti. Ok, onde estávamos?

Credo.

OPA, SONIC ERRADO!

Esqueci de mencionar uma última coisinha sobre esse filme antes de começar: originalmente, o design do Sonic era (por falta de um termo melhor) horroroso, como vocês podem observar na imagem acima.

A reação do público foi ridiculamente negativa, como vocês podem imaginar, e o diretor Jeff Fowler respondeu às críticas adiando o lançamento do filme e mobilizando a equipe de efeitos visuais para fazer um redesign completo do personagem. O esforço extra rendeu bons frutos, como dá pra ver na imagem em destaque desse review.

Por falar em review, já está passando da hora de começar, então mãos à obra!

Bem melhor agora, né?

Comecemos resumindo minha experiência com uma revelação bombástica que provavelmente mudará toda a sua percepção sobre o universo: Sonic: O Filme é um ótimo blockbuster produzido com evidente amor pelo material-base e que conta com uma narrativa divertida e bem-executada que pode ser apreciada por toda a família. Aposto que vocês não esperavam por essa, né?

O filme começa in medias res com o nosso herói azul fugindo do maligno Doutor Ivo Robotnik (interpretado por ninguém menos que Jim Carrey) nas ruas de San Francisco. Antes que você possa terminar de formular a pergunta “como as coisas chegaram a esse ponto?”, o próprio Sonic nos dá a resposta e conta sobre como foi parar na Terra.

Basicamente, o velocista azul nasceu com um poder cobiçado por “criaturas do mal” dotadas de uma espantosa semelhança com outro personagem da franquia e precisou fugir para o nosso planeta ainda criança através de um “anel-portal” (a forma que eles arrumaram pra adaptar os “anéis de pontuação” dos jogos clássicos).

Ele podia muito bem estar recitando Shakespeare nesse momento.

Aqui na Terra, o ouriço azul se escondeu nos arredores da pacata cidade de Green Hills (temos que admirar a sutileza desse fan service) e literalmente vive na companhia de si mesmo desde então, limitando suas interações com os habitantes a “amizades” unilaterais. Certo dia, Sonic fica bem frustrado com sua solidão e provoca um blecaute gigantesco. O governo dos EUA fica preocupado com a natureza desse apagão e aciona o Doutor Robotnik para encontrar a fonte porque motivos.

Ao descobrir que está sendo perseguido, Sonic vai à casa do xerife Tom Wachowski (James Marsden), que acidentalmente atira no ouriço com um dardo tranquilizante e faz com que ele tropece e derrube sua bolsa de anéis através de um portal (também criado por acidente) para a cidade de San Francisco. Com essa premissa, você já pode imaginar praticamente tudo que acontece posteriormente no enredo.

É uma narrativa simples, sem muitas surpresas e que opera sob uma lógica flexível que pode ser comparada a desenhos matinais, mas a sinceridade e a consistência na execução dessa narrativa são justamente o que torna Sonic: O Filme uma experiência tão prazerosa no cinema.

Sonic e Tom “Lorde Donut” Wachowski viajam para San Francisco sem a menor ideia do que está logo atrás deles.

Nesta época onde uma profusão de blockbusters baseados em propriedades intelectuais icônicas sofrem com os mesmos problemas graves de ritmo, Sonic surpreende ao destilar a fórmula road trip ao máximo, resultando em um enredo que se move em um ritmo rápido (até por que se não fosse rápido seria bem irônico) e constante ao longo de todas as suas “viradas”.

Claro, o mero fato de ser um filme road trip com uma estrutura sólida não basta para te convencer a assistir Sonic. Mas se você já não for fã da franquia e ainda está em dúvida sobre assistir o longa, deixe-me dizer duas palavras para te motivar: Jim Carrey.

Essa é provavelmente a performance mais hilária do cara desde que ele protagonizou O Máskara, e é visível que Jim está se divertindo horrores como o maquiavélico Dr Robotnik. Cada cena protagonizada pelo vilão transborda energia, e é impossível não sorrir quando Jim Carrey prova com tranquilidade que, aos 58 anos, ainda é capaz de atuar com uma fisicalidade comparável à que ele possuía no auge de sua carreira.

Esse cara sozinho já justifica o preço do ingresso. Sim, ele é bom DAQUELE tanto.

Resumindo: O Que Achei de Sonic?

Não há muito mais a se dizer sobre Sonic: O Filme. É uma história simples para ser apreciada com toda a família, que dá vida a um personagem clássico de forma que respeita os fãs e o material-base mas não proporciona grandes surpresas, se sustentando nas interações entre os personagens e (principalmente) no carisma magnético de Jim Carrey para carregar a história.

O fato de terem optado por uma estrutura mais simples certamente funcionou a favor desse filme, abrindo margem para que a Paramount decida assumir maiores riscos em uma eventual sequência.

No entanto, aconselho uma coisinha: se você for assistir a esse filme, aguarde até depois dos créditos para algo capaz de levar qualquer fã de Sonic à loucura. Digo isso porque o fanboy dentro de mim veio à loucura instantaneamente (quando cheguei em casa para escrever esse texto, acabei reinstalando Sonic Mania sem querer), e também porque aquela revelação é uma maravilhosa promessa para o futuro tanto dessa franquia quanto das demais adaptações de jogos para o cinema.