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Sentimentos em Crise – 1 Real o Conto

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Leia a seguir o nosso conto autoral do 1 Real a Hora, intitulado de Sentimentos em Crise.

Sentimentos Em Crise – Contos A 1 Real
Foto Reprodução: Pinterest

A noite estava fria e pálida.

Porém, você deve compreender que isso é o comum de uma noite de lua cheia. Quando você está sozinho em uma noite como essa, tudo se torna ainda muito mais claro: a solidão se intensifica.

Assim como acontecia com William, que sentia como se o mundo inteiro coubesse em seu peito. Havia espaço para tudo, mas nada queria estar lá. Ninguém queria preencher o seu vazio infinito.

Mas havia algo que lhe ajudava, que sempre estava lá para ele após os dias infindáveis de trabalhos, correrias e estresses: o bom o velho Whisky mais barato que seu dinheiro podia comprar.

Essa era a sua rotina, trabalhar, se irritar, ir para casa e beber até adormecer. Uma vida chata, sem graça, mas não ruim. Ele gostava de seu ritmo; de sua vida sem sentido. Ainda que sentisse a falta de alguém para compartilhar seu silêncio.

Sua rotina era sempre a mesma, e mais uma vez ele a repetiu. Após servir uma boa dose de Whisky, em seu copo largo que ele tanto gostava, saiu em direção a seu pátio, acendendo um cigarro um pouco antes de atravessar a porta.

Um ato inútil, já que ao passar pelo lustroso marco de madeira, ele derrubou sua dose de nicotina no chão, devido ao enorme susto que levara.

E não era para menos. Seu pátio cinzento e sem vida feito de quatro paredes de reboco sem tinta não existia mais. Apenas uma vasta floresta se estendia a sua frente.

Mas, por mais incrível que pareça, ele não teve medo. Apenas teve um sentimento de “lá vamos nós mais uma vez”. Então, bufando, ele juntou seu cigarro e o reacendeu.

Antes de mais nada ele tentou entrar para sua casa novamente, apenas para descobrir que ela estava fechada; emperrada na verdade. A velha e enferrujada maçaneta de ferro nem sequer mexia.

– Ótimo! – Bufou claramente incomodado, para logo em seguida se virar para a floresta e adentra-la.

O caminho a sua frente era largo, e o cheiro de terra molhada preenchia suas narinas; ainda que ele não sentisse a umidade sob seus pés. Ele não havia levado nenhuma lanterna, então toda a iluminação que dispunha seria de seu isqueiro, se ele o tivesse ligado.

Tudo que passava em sua cabeça era que ele já estava dormindo, que apenas seguia em frente em um sonho comumente estranho. Então ele não precisava ter medo, já que logo acordaria e estaria de volta a sua longa e tediosa rotina.

Entretanto, houve o primeiro som que o deixou ansioso: alguma coisa correu atrás dele, produzindo um alto estalido de galhos partindo ao chão. Os passos que fizeram isso pareciam de um humano, mas ainda assim eles eram muito mais numerosos.

“Isso é só um sonho”, ele pensou. O que lhe deu forças para seguir em frente e se apegar ainda mais em seu cigarro, que agora se apagara, já que o fogo finalmente chegara ao filtro.

Isso fez ele jogar sua bituca ao chão, e tomar um longo gole de seu Whisky. Mesmo diante de todo seu tempo de bebedeira, aquilo ainda descia queimando. E, mesmo que fosse um sonho, a sensação ainda era a mesma; forte e incômoda.

Mas logo veio o seu segundo sentimento intenso da noite: a precaução. O que o fez derrubar seu copo preferido no chão, espatifando-o. O que era estranho pelo chão ser de terra e folhas, porém, ainda assim, foi o que aconteceu.

Dessa vez o som não foi o de passos, mas sim o de uma gargalhada. Uma longa e assustadora, que levou um balde de gelo de sua nuca até a ponta de seus pés. Ele não entendia o que estava acontecendo, mas com certeza não queria mais ficar ali; sabia que precisava acordar.

Por isso, ele deu um leve beliscão em seu braço. Ao ver que não teve efeito, ele aumentou a intensidade, deixando um vergão em sua pele parda e sensível a toques.

Mas isso não foi o suficiente, então William teve uma nova ideia. Ele tomou um dos cacos de vidro em que seu copo favorito se transformara em suas mãos. Então, com um grande receio, ele fez um corte na palma de sua mão esquerda.

O que foi suficiente somente para que ele entrasse em pânico. A dor lasciva corroeu todo o seu membro, e logo se espalhou pelos outros músculos de seu braço. Mesmo diante disso ele não acordou. O que, junto daquela voz, resultou no terceiro sentimento extremo da noite: O mais profundo e instintivo medo.

– Você sabe o que precisa fazer para acabar com essa dor. – Mais uma vez, uma longa gargalhada percorreu a cabeça daquele pobre homem. – Acabe com isso de uma vez, você sabe o que quer fazer.

Ele não entendia essas palavras, mas apertou firme o caco de vidro em suas mãos e correu. Correu o mais rápido que pode, deixando as risadas para trás e se aprofundando cada vez mais no verde profundo daquela floresta.

Mas a voz voltou mais uma vez, e agora falava diretamente em sua cabeça. Como se houvesse um chip produzindo algo dentre de sua mente; enlouquecendo-o.

– Você sabe que nada nunca irá mudar. Nada vai melhorar; não existe salvação. Apenas acabe com tudo, siga em frente para um novo momento.

E a quem ele podia enganar? No fim ele realmente sabia o que tinha que fazer, ainda que quisesse fugir disso; ainda que estivesse correndo desesperado, a esmo.

Foi assim que, sem perceber, ele tropeçou em um grande galho e acertou sua cara no chão. O caco de vidro que rasgara sua mão fora jogado para o lado, deixando-o desolado. A dor era o que fazia ele saber que tudo aquilo era real; ele precisava dela.

Porém tudo estava escuro, e ele não podia encontrar a realidade. Mais uma vez ele correu, enquanto o mundo ao seu redor parecia mudar. Enquanto ele parecia estar novamente em seu quarto solitário, esperando o alarme tocar.

A sua rotina tão amada, e ao mesmo tempo tão odiada. Tudo que ele queria agora, e tudo que ele queria afastar de si.

Mas ele sabia o que fazer, a voz estava certa. Já não havia mais salvação. A mudança era impossível. E ele teve certeza disso ao sentir a corda roçando seu pescoço, enquanto seus pés se debatiam, e as gargalhadas em sua mente se acalmavam.

A paz começou a tomar conta de seu corpo, de seu ser. Mas ainda havia um sentimento o incomodando. Algo estava faltando; algo importante, mas que parecia ter sumido há muito tempo.

“Claro!” Pensou ao levar sua mão ao bolso, e acender mais uma vez o seu isqueiro companheiro, com uma pequena chama estampada em seu corpo de metal. E uma pequena luz iluminou sua vida. A escuridão ainda o dominava, mas agora ele podia andar, se encontrar, enquanto dirigia seus passos para algo mais conhecido.

Ainda havia uma pequena chance, talvez? Provavelmente sim, e ele estava disposto a procurá-la. Mesmo que fosse algo mínimo, valia a pena buscar uma mudança. Ou era o que ele achava, não sabia exatamente o que poderia acontecer: não sabia nem mesmo como ele era de verdade.

Mas ainda assim havia algo confortável no meio disso, algo que ele conhecia muito bem. E que talvez pudesse lhe trazer um pouco de nostalgia; um pouco de alegria por ver algo tão comum. E foi isso que levou ele a olhar pela janela e perceber:

A noite estava fria e pálida.

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Sentimentos em crise – contos a 1 real

Samus e Alucard, protagonistas de Super Metroid e Symphony Of The Night. Ambos Metroidvanias.

Hoje irei abordar sobre o INCRÍVEL MUNDO DE GUMBALL METROIDVANIA, que para quem não tem perícia no assunto e caiu aqui de paraquedas irei explicar. O termo Metroidvania vem de Metroid e Castlevania, ambos jogos não lineares com junção de ambos nomes.

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