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O Legado de Júpiter é o “The Boys” da Netflix? (crítica sem spoilers)

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Após a HBO lançar Watchmen em 2019 e a Amazon Prime Video fazer uma dobradinha com The Boys e Invencível nos dois últimos anos, finalmente chegou a vez da Netflix lançar sua série de Herói com uma pegada mais “séria e realista”.

Essa pegada mais sombria e cínica em produções de super-heróis está virando uma tendência atualmente. Até as consolidadas Marvel e DC estão mostrando isso em suas obras audiovisuais mais recentes. WandaVision, Falcão e Soldado Invernal, Coringa e a Snyder Cut são bons exemplos disso.

A Netflix que conseguiu emplacar alguns bons títulos em parceria com a Marvel e popularizou a não tão conhecida The Umbrella Academy, agora entrou de vez com sua nova série de super-herói mais “adulta”, O Legado de Júpiter.

Ela surgi de uma parceria formada entre a plataforma de streaming e o selo de quadrinhos de Mark Millar, o Millarworld, negociada em 2017, no qual adaptará boa parte das obras do autor.

A série adapta uma HQ de mesmo nome, no qual mostra o choque de duas gerações de heróis que no final vira um drama shakespeariano com seres superpoderosos.

Na história, vemos um atual grupo de super-heróis veteranos servindo a Terra por muitos anos, ao mesmo tempo que monitora, treina e observa a nova geração de defensores que estão surgindo, muitos dos quais são formados pelos seus respectivos filhos.

Tudo começa a sair dos conformes a partir do momento em que o supervilão Estrela Negra (Tyler Mane) foge da penitenciária máxima para super-vilões, a Supermax, que acaba sendo mortalmente ferido pelo herói Paradigma (Andrew Horton), filho do poderoso e popular Utópico (Josh Duhamel).

Após isso, surgi um clima interno nada bom entre os heróis da velha e nova geração, no qual começam a discutir a respeito do código de ética deles, no qual não permitia matar.

E é nesse cerne que a obra tem seu alicerce, sendo guiada pela junção de reflexões sobre o código e a responsabilidade de ser um ente superpoderoso do bem com os problemas e dilemas familiares.

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O Legado De Júpiter | Série Nova De Heróis Da Netflix Tem Trailer Lançado
Foto Reprodução: Jovem Nerd

Narrativa lenta e monotemática

Aqui temos um dos principais pontos que incomodam na série, a produção possui uma trama que promete ser interessante de primeiro momento, na qual lembra bastante a HQ O Reino Amanhã, mas com alguns toques a mais, como a questão familiar.

Contudo, eles deixam os conflitos apresentados muito por alto e ao invés de dar uma conclusão para ele, acabam fazendo com que o estiquem mais e, consequentemente, a tornem mais chata e maçante de assistir-se.

Ela também não sabe bem escolher qual método utilizar para expor os problemas da vida heroica e os seus demais conflitos apresentados ao longo da história.

Fazendo uma comparação rápida com outras séries do gênero, como The Boys e Invencível, uma usa do artifício da comédia e o sarcasmo, enquanto a outra a ultra violência para escancarar mais ainda os conflitos e os problemas que ela pretende mostrar.

Já no caso de O Legado de Júpiter, ela tenta fazer isso por meio de flashbacks que mostram o passado dos heróis com dramas que assemelham-se bastante com os presentes na atualidade, mas que acabam exagerando na dose e usando esse recurso demais, tornando-lhe chato de se ver ao decorrer dos episódios.

Essa ausência de mais recursos de evidenciação do conflito é o principal responsável por tornar a sua narrativa lenta e monotemática que faz com que uma trama de muito potencial acabe não sendo muito bem explorada.

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O legado de júpiter é o “the boys” da netflix
Foto Reprodução: Netflix

Comparação com a obra base de “O Legado de Júpiter”

Sabemos bem que uma adaptação nunca será totalmente igual ao seu material original, mas que alguns elementos presentes nela são essenciais para se ter em sua outra versão.

No caso de O Legado de Júpiter, a estética é adaptada de forma perfeita, sendo quase um “CTRL + C e CTRL + V” da HQ.

A aparência dos trajes pode parecer muito cafona para quem não tem conhecimento de seu material base, mas ao persistir do alongamento da série você acaba percebendo que ela combina com a proposta daquele universo.

Mas um dos fatores mais interessantes presentes no quadrinho fez muita falta para sua adaptação ter sido melhor e marcante, sua narrativa simples e instigante.

Mark Millar conseguiu em sua obra apresentar tramas complexas de forma simples e interessante, na qual fez com que a mesma pudesse preparar bem o “terreno” para que o momento catártico aparecesse.

Vale ressaltar que isso ele conseguiu fazer por conta do número curto de capítulos que o quadrinho teve, algo que podia ser adaptado em duas horas e meia em uma obra audiovisual.

Isso ao meu ver foi o principal motivo da série não ter conseguido proporcionar uma experiência tão legal e imersiva ao assisti-la, pois ficou nítida que a falta de conclusão de alguns conflitos e a repetição dos recursos narrativos mais chatos só ocorreram por conta que a Netflix queria que a série perdurasse por meio de oito episódios longos.

O Legado De Júpiter É O “The Boys” Da Netflix? (Crítica Sem Spoilers)
Foto Reprodução: Sem Bilhete

Mira em “The Boys”, mas acerta em “Casos de Família”

Desde o momento em que anunciaram a série, foi inevitável fazer a comparação com The Boys. Ambas mostram super-heróis em situações não muito heroicas, mas somente isso, pois ambas usam de recursos diferentes para apresentar isso.

Enquanto a série da Prime Video é mais uma sátira com as histórias de heróis, a da Netflix é um drama familiar que possui heróis como segundo plano. Algo que acaba a tornando mais chato e desinteressante ainda.

Não há problemas com o fato de mesclar dramas familiares com heroicos, haja vista que Os Incríveis conseguiu fazer isso de forma brilhante em 2004, mas em O Legado de Júpiter isso é apresentado de forma chata, pois ele focam na parte mais chata desse trama, além de deixar as ações heroicas bem de segundo plano.

No fim, muitos que esperavam que ela seria mais uma ótima série de desconstrução do gênero de super-heróis que bateria de frente com The Boys, acabou se decepcionando, pois ela demostrou ser apenas um dramalhão chato de família do nível daqueles mostrados no programa Casos de Família do SBT.

O último episódio até mostrou algo interessante para a provável próxima temporada da série, mas que infelizmente não conseguiu suprir todos os defeitos apontados nos episódios anteriores dela.

Se fosse sugerir um contato com o contato do universo da obra, sugeriria que ela fosse feito mediante a leitura das Hq’s, não pela série. Caso você se interesse em querer lê-las, compre-as por aqui.

O legado de júpiter | série nova de heróis da netflix tem trailer lançado
Foto Reprodução: Netflix
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