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YouTubers na Bienal do livro, o que está certo e errado?

| Tiago Amorim |

Então é Agosto em um ano de final Par, os amantes de literatura (seja lá de qualquer gênero) já ficam animados com a maior feira de livros da América latina realizada aqui em São Paulo. Diversas editoras, sessões de autógrafos, livros novos a se descobrir. É uma festa para nós que amamos ler.

Um lugar na onde a cultura exala dos estandes e que Deus salve as salas dos professores com aqueles amendoins, água e brindes (melhor coisa do mundo é ser filho de professora nessa época).

Mas esse ano tivemos uma surpresa no evento que algumas pessoas receberam de bons olhos, mas a grande maioria de leitores cults, intelectuais, que amam Jorge Amado ou se perdem nas desventuras dos moradores daquele Cortiço odiou. Sim, YouTubers Teens “invadiram” a Bienal do livro – É o que dizem esses leitores Cults.

Exemplos de livros de Youtubers. Reprodução: Garota Cotidiana

Essa invasão se deve a grande popularidade que essas pessoas têm com o público jovem (o que os mais velhos não entendem, pois, o conteúdo deles é feitos para as crianças e pré-adolescentes) faz com que as empresas que organizam os eventos possam usa-las para atrair mais público, gerando mais renda e lucro. Isso é a coisa mais normal do mundo. Uma questão de Marketing.

Porém, não é somente o motivo. Hoje em dia trabalhar com mídias digitais é uma tarefa árdua e quem não sabe sobreviver, fracassa. E esses grandes caras e moças sabem disso e sabem também, como manter uma renda que aumenta cada mês, pois, YouTuber não ganha somente do Adsense da Google e por isso criam outros produtos para vender e continuarem a trabalhar colhendo o fruto que plantaram.

Bem, explicado o motivo de o porquê de se ter tamanha publicidade e produtos feitos/vendidos por eles, é bom explicar o porquê de eles terem, hoje em dia, uma importância absurda na entrada de seu público alvo no mundo da literatura, é bem simples.

Faça o teste, joga na frente da criança ou pré-adolescente um livro clássico da literatura brasileira e me conta o que aconteceu depois. Mas eu já me adianto: Ela deixou pra lá o Capitães da Areia e foi assistir um vídeo de Minecraft. Parace que ela desprezou um grande clássico de nossa literatura, mas não foi isso que aconteceu. Vou explicar com um simples trecho do livro: A linguagem do livro é maçante sendo um Português mais complexo e cheio de palavras que uma pessoa que está a aprender a ler ainda não consegue consumir, é uma leitura difícil.

Não digo que não se deva mostrar os clássicos da nossa literatura para eles, mas sim, não forçar a ler, porque pode ser que ocorra a desistência da leitura muito rapidamente e aquela experiência que deveria ser boa acaba se tornando ruim, distanciando-se ainda mais da leitura.

E é por isso que se deve aliar o que eles gostam junto com uma leitura leve e feita especialmente para esse tipo de público. Lembrando-se que: Nós não somos o público alvo, portanto, um livro do Rezende em que ele é transportado para o mundo de Minecraft realmente não é feito para nós.

Obviamente os pais devem ajudar os filhos no aprendizado, fazendo com que eles se interessem também por outros títulos baseados em seu atual nível de leitura, seja ele leve, médio ou complexo até chegar numa idade em que os novos leitores estarão aptos a ler de tudo um pouco. E isso ocorre com o tempo.

Eu sei disso pois tenho dois primos pequenos, uma ama ler (sua série favorita é Diários de um Banana) e o outro guri, odeia. E é por isso que vou dar de presente para ele, dois livros de histórias baseadas no mundo do jogo que ele mais ama para tentar dar a oportunidade de se criar um gosto pela leitura.

Mas uma coisa não nego, o principal problema é de a criança ou pré-adolescente ficar somente nesse tipo de leitura, não partir para próximos níveis e tentar ler coisas novas. Eu mesmo mudei com o tempo; antes amava Literatura Fantástica, mas agora estou lendo mais Distopias, críticas sociais como 1984, Fundação, Admirável Mundo Novo, entre outros. Ou seja, tento ler sempre um pouco de tudo para absorver conhecimento enquanto outras pessoas ficam presas em só gênero literário. E esse é o meu maior temor.

Lembrem-se, portanto, de uma coisa, é melhor termos essa diversidade literária para todos os públicos e ir se aperfeiçoando aos poucos do que viver num mundo descrito por Ray Bradbury em seu livro Fahrenheit 451, em que os livros são queimados e a população alienada.

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