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| Nathália Gonçalves | ,

Tomb Raider – A Origem: fãs da Lara Croft podem respirar aliviados | Review

A Lara Croft já passou por muitas mudanças desde suas estreia ligeiramente pixelada no game de 1996, Tomb Raider. Entre a sexy e quase superpoderosa versão para as telonas interpretada por Angelina Jolie, que rendeu muitas versões em games e animações de proporções surreais e maquiagem carregada nos anos 2000, até a sobrevivente suja de lama e com design inovadoramente realista do reboot do game de 2013. Lara é quase como um exemplo ambulante do que é uma heroína no imaginário popular através dos anos. Tomb Raider – A Origem, a mais nova encarnação desse ícone feminino popular para as telonas, apresenta uma Lara vagamente baseada nas suas últimas versões de vídeo games e brutalmente real. A versão interpretada por Alicia Vikander, apesar de algumas suspensões de descrença necessárias, é o mais próximo do real que uma mulher forte e bem treinada e com senso de exploradora perdida na floresta e lutando contra homens gananciosos pode ser, e absolutamente não foge dos gritos e da cara de dor que viriam junto no mundo real.

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O filme é uma história de origem, a Lara apresentada aqui ainda está longe der ser uma arqueóloga ou ter verdadeiro conhecimento sobre as curiosas relíquias espalhadas pelo mundo. Aqui ela é uma jovem inteligente, com uma excelente criação, um particular senso de aventura, mas principalmente um desejo insaciável de reunir sua família. Depois de 7 anos do desaparecimento do seu pai, ao finalmente tentar encarar a morte dele ela se depara com pistas sobre para onde ele estava indo na época de seu desaparecimento, é a busca pelo pai que a faz ir parar em uma ilha no Japão, onde a tumba de uma imperatriz está localizada.

Com tamanha chance de apagar Lara nas sombras dos feitos e descobertas de seu pai, o filme surpreendentemente faz um bom trabalho em formar a heroína como sua própria mulher. Demora um pouco a engatar, para que seja possível compreende-la sem a sombra das memórias do homem que a deixou pra trás e a ensinou tanto, mas o espectador se pega torcendo por ela e de repente, quando você percebe, a personagem se liberta do seu pai brilhantemente. A verdade é que o filme segue uma estrutura da jornada do herói bem simples e seu pai ocupa perfeitamente o papel do mestre. Ainda que a estrutura esteja bem escondida pelas particularidades do universo de Lara e sua família, é um roteiro bem simples e uma história de origem básica para construção de qualquer herói das telonas.

Alicia Vikander cumpre seu papel com competência, o treinamento pesado para que seu corpo aguentasse e convencesse ao passar pelas provações de Lara Croft é visível. Mas o mais importante mesmo é que, em meio a um filme ação com vilões relativamente genéricos e tantos elementos acontecendo ao mesmo tempo, Vikander é uma atriz de verdade e traz realidade para o filme. A relação cheia de peso entre pai e filha, por exemplo, só é segurada por ela. Não que Dominic West faça um trabalho ruim, mas em meio a loucura de seu personagem, Richard Croft soa caricato em determinados momentos, mas Vikander vende cada lágrima e suor entregue pelo tumultuado histórico entre pai e filha. A atriz sueca não é tão carismática como Angelina Jolie e está longe de estar no topo do seu potencial na posição de estrela de ação, as frases de efeito e piadinhas olhando pra câmera não funcionam quase que em momento nenhum, mas ela é tão competente quanto necessário na ação e a emoção que ela traz para o filme já é suficiente para considerá-la uma boa Lara Croft.

Talvez seja por falta de dinheiro para caprichar na computação gráfica, talvez seja o medo de mesmo tentando caprichar não ficar real, mas o elemento que mais incomoda em Tomb Raider é sua fotografia. Há cenas de luta que dão dor de cabeça e muitas cenas de ação em um escuro quase completo, as cenas na tumba em especial não dá pra enxergar absolutamente nada. Por um lado, tudo é bastante realístico e a ação é muito efetiva em causar tensão e preocupação pela vida dos personagens. Ainda que no fundo eu soubesse que jamais matariam a protagonista do filme, não houve um momento de alto risco em que eu não tenha verdadeiramente temido pela vida de Lara. Por outro lado, eu gostaria de ter enxergado tudo, especialmente nos cenários com potencial de serem os mais interessantes como os da tumba.

Um outro problema é o quão vagos e genéricos os vilões do filme são. Vogel, interpretado por Walton Goggins, é praticamente o único membro da misteriosa organização Trinity que conhecemos no filme. Tudo que sabemos é que ele quer abrir a tumba da imperatriz japonesa e que está escravizando pessoas para fazer seu trabalho sujo, não sabemos o que ele quer da tumba ou exatamente porque, no final do terceiro ato há algumas sugestões de que uso ela teria para ele e a organização para que ele trabalhar, mas ainda assim na maior parte do tempo ele é apenas mal porque é mal e não causa muito conflito interno para a protagonista.

Tomb Raider – A Origem é um bom recomeço para Lara Croft nos cinemas, faria bem ter algum personagem centrado e carismático além da protagonista e eu fico particularmente decepcionada por terem desperdiçado o potencial de Lu Ren, interpretado por Daniel Wu, mas a sua mistura de ação e emoção funciona o suficiente. Não é nada de especial ou inovador, mas diverte e prende o espectador, e com um nível tão baixo para adaptações cinematográficas de vídeo games, não é difícil dizer que esse é facilmente uma das melhores adaptações de games para o cinema e, sinceramente, um alívio para fãs da Lara Croft.

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