The Mandalorian – Uma nova esperança? | Review (Sem spoilers)

The Mandalorian é a primeira série live-action de Star Wars desde a loucura que foi o Especial de Natal, e ela não poderia ter chegado em um momento mais crítico para a franquia. Enquanto o Especial de Natal foi lançado entre os sucessos de “Uma Nova Esperança” e “O Império Contra-Ataca”, The Mandalorian chegou ao novo serviço de streaming Disney+ em meio a uma nova trilogia que nunca foi unanimidade entre os fãs.

Para ser bem sincero, é bem fácil dar crédito a série. The Mandalorian tem começo, meio e fim, e só por isso já é melhor que a nova trilogia. Mas a série vai um pouco mais além, e pode mostrar o caminho para o futuro da franquia Star Wars.

A série se passa diretamente após os eventos de O Retorno do Jedi e conta com o ator de Game of Thrones Pedro Pascal no papel principal, um caçador de recompensas mandaloriano de poucas palavras. The Mandalorian conta a história desse caçador enquanto ele tenta ganhar a vida em uma galáxia em crise, além dos limites da Nova República.

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Mando (Pedro Pascal) e IG-11 (Taika Waititi)

O criador da série Jon Favreau traz um grupo eclético de experientes e talentosos diretores como Taika Waititi (Thor: Ragnarok) e novatos como Bryce Dallas Howard. A série tem oito episódios no total, e se tornou um fenômeno cultural digno de Star Wars.

Um destaque óbvio é “A Criança” (apelidado carinhosamente de Baby Yoda), que desde que apareceu se tornou o assunto de diversos memes e discussões nas redes sociais. Além do óbvio apelo visual, os personagens de The Mandalorian são carismáticos o suficiente para ser memoráveis sem depender sempre de referências a elementos das trilogias originais (embora hajam vários desses elementos, como o próprio Baby Yoda).

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A Criança (Baby Yoda)

Nos primeiros episódios, as poucas palavras e a falta de expressão do protagonista interpretado do Pascal podem nos levar a ter um certo receio em relação ao seu personagem. Mas com o tempo, o bom roteiro e especialmente os relacionamentos que Mando desenvolve com os personagens secundários, que incluem figuras memoráveis como o divertido ugnaught Kuill (Nick Nolte), a ex-soldado da Aliança Rebelde Cara Dune (Gina Carano) e o droide caçador de recompensas IG-11 (Taika Waititi). Além destes, nosso mandaloriano tem que lidar com algumas figuras que não querem exatamente seu bem, como o Cliente (Werner Herzog) e moff Gideon (Giancarlo Esposito) e colegas de profissão com desavenças pessoais.

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Mando (Pedro Pascal) e Cara Dune (Gina Carano)

Sem as amarras usuais dos formatos de TV convencionais, Jon Favreau e a equipe de produção da série composta por Dave Filoni, Kathleen Kennedy e Colin Wilson optaram por apresentar The Mandalorian em 8 episódios sem duração bem definida, com 30 minutos em média cada. Os diferentes episódios também foram dirigidos por um rico elenco de diretores, que inclui Taika Waititi como o maior nome e outros diretores emergentes, como Deborah Chow (que será a responsável pela série de Obi-Wan Kenobi com Ewan McGregor), Rick Famuyiwa, Bryce Dallas Howard e do próprio Dave Filoni, que já dirigiu animações anteriormente.

A liberdade de formato dada pelo streaming é interessante, mas um ponto baixo da série acaba sendo a sensação de que alguns episódios poderiam ser melhor desenvolvidos. Enquanto a maioria dos episódios são pontos fortes para a série, alguns acabam causando uma certa estranheza e a sensação de que nada mudou. É triste, por exemplo, ver o talento de Ming-Na Wen acabar sendo desperdiçado no supérfluo episódio “The Gunslinger”. É possível que eventos desse episódio voltem a ser relevantes, uma vez que a série já tem uma segunda temporada confirmada, mas o efeito dele nessa temporada é quase nulo.

Por outro lado, a direção estética e criativa da série acerta em cheio. The Mandalorian é claramente inspirado em filmes de Velho Oeste, em especial os spaghetti western de Sergio Leone. Em alguns momentos, é bem fácil associar elementos do personagem Pedro Pascal com aqueles interpretados por Clint Eastwood. Um gênio pistoleiro de poucas palavras que sempre tem as ferramentas certas para o trabalho em sua frente e uma caracterização tão característica (O capacete de Mando e o chapéu de Clint) que chega ser parte da personalidade do personagem.

A trilha sonora composta pelo ganhador do Oscar Ludwig Göransson também é um ponto fortíssimo para a série. O compositor aceitou uma tarefa desafiador ao criar música para uma franquia em que a sombra de John Williams está sempre presente, mas ele é aprovador com louvor. Göransson traz um tema marcante para o protagonista e uma trilha sonora memorável que combina com a estética proposta pela série e lhe dá uma identidade única e ao mesmo tempo uma sensação de pertencimento no universo Star Wars.

Aqui, vale a pena comparar a trilha sonora de The Mandalorian com a de “Solo – Uma História Star Wars”. A direção da série tomou uma direção muito melhor que a do filme citado, que não conseguiu trazer algo novo para a mesa, vivendo muito a sombra das composições de Williams.

Os valores de produção também não decepcionam. A Disney+ realmente investiu em uma qualidade de cinema para a série e isso se mantém desde o primeiro até o último e eletrizante episódio. Toda a produção da série foi feita em alto nível e acaba sendo um statement para o futuro, tanto para novas produções da franquia quando para o serviço de streaming em si.

No geral, The Mandalorian é uma série bastante divertida, que nos leva de fato para o que conhecemos e reconhecemos como Star Wars, mas que ao mesmo tempo respeita o cânone principal, não depende dele para intrigar e causar interesse em suas tramas e traz uma experiência única em uma estética pouco explorada nesse universo tão vasto. O roteiro tem seus pontos fracos, mas acaba sendo compensado por uma trama bem amarrada e personagens aos quais conseguimos nos apegar e se importar. Vale a pena conferir.

Muito bom

The Mandalorian está disponível exclusivamente na Disney+. Uma segunda temporada da série já tem previsão de lançamento.

The Mandalorian e o futuro de Star Wars

Esse é um aspecto mais polêmico a respeito da série, por isso mesmo decidi separar do restante do review, porque merece ser discutido. O que The Mandalorian representa para o futuro da franquia Star Wars?

Com o lançamento de “A Ascenção Skywalker”, a Disney afirmou que a chamada “saga Skywalker” foi concluída. A história dos personagens que conhecemos na trilogia original, que cá entre nós já era um desfecho excelente, foi finalmente fechada nos cinemas e quaisquer que sejam as histórias que a Disney planeja para o futuro de Star Wars, elas não devem ter tanta relação assim com o cânone original. E The Mandalorian, se algo, mostrou que talvez seja essa a direção que a franquia deva seguir.

Ignorando todos os problemas de direção (e de falta de planejamento, de mudança de direção, de demissões de pessoas com bons históricos – e não, eu não estou falando de Rian Johnson) enfrentados pela nova trilogia dos cinemas, que certamente contribuíram para que ela fosse um desastre maior do que deveria ser, eu acredito ser da opinião de boa parte dos fãs que a Disney acabou “mexendo em um vespeiro” que não precisava mexer. É legal ver os personagens que amamos novamente no cinema, mas será que era necessário que eles tivessem papéis tão proeminentes, alterando tanto o legado deixado por eles?

Agora que a trilogia acabou, o sucesso de The Mandalorian pode e deve ser uma oportunidade para Kathleen Kennedy, a presidente da Lucasfilm, pensar bem na direção que a franquia rumará de agora em diante. Com um universo tão grande e cheio de possibilidades para explorar, pode ser a hora de deixar Rey e os personagens que restaram da nova trilogia um pouco de lado e explorar algumas histórias do passado (ou do futuro distante) na mitologia Star Wars, ou, como The Mandalorian mesmo fez, uma história concomitante ao que vimos nos cinemas, mas em uma galáxia um pouco mais distante. Material para isso não falta.

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