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The Cloverfield Paradox é bom, mas não tanto | Review

| José Victor | , ,
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Desde 2008, quando fomos apresentados ao monstro de Cloverfield, ficamos com uma certa curiosidade sobre sua origem: como ele foi parar em Nova York? De onde ele surgiu? Felizmente a Netflix nos surpreendeu lançando The Cloverfield Paradox, terceiro longa da franquia, no dia 5 de Fevereiro logo após o soltarem o teaser no Super Bowl.

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Diferente de seus antecessores, o novo longa da franquia se passa no espaço e sua trama é até bem simples: enquanto a Terra está com falta de energia, um grupo de cientistas vai para o espaço a bordo do acelerador de partículas Shepard com o objetivo de gerar energia ilimitada para o planeta e, obviamente, tudo dá errado. Quando foi anunciado que esse filme não se passaria na Terra, eu fiquei com receio de ser uma trama genérica de SciFi, com uma forma de vida estranha na nave que acaba caindo no nosso planeta, cresce e vira o monstro que conhecemos. Felizmente, fui surpreendido com uma trama que envolve dimensões paralelas e explica de onde vieram o monstro e as naves que aparecem no segundo longa da franquia. Em suma, a trama é até que boa mas não consegue ser algo que impressione e isso se deve muito ao roteiro fraquíssimo. Outro fator que colabora pra isso é a direção, tudo bem que não tinha como fazer milagres com um roteiro desses mas, assim, podia ter tido algum esforço para isso.

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Repleto de furos e frases forçadas por parte dos personagens, o roteiro de The Cloverfield Paradox é algo bem superficial e manjado que parece não confiar na inteligência do telespectador, dando uma forma de explicar tudo logo nos minutos iniciais do longa (inclusive, colocando uma entrevista de um cara explicando tudo que poderia acontecer com a ligação do acelerador de partículas enquanto eles estão acionando o acelerador, e o pior, assistindo a entrevista- o que poderia dar de errado?). Além disso, toda a sequência de consequências dos acontecimentos poderia ter sido melhor explorada – não dizendo que não gostei, mas podiam dar sentido ao cara perder o braço e ver ele se mexendo sozinho pela nave. A atuação é outro ponto negativo, não há carisma por parte dos atores e eles nem fazem esforço para isso. O destaque mesmo vai para Gugu Mbatha-Raw, que interpreta Hamilton, e para o seu arco no filme. Outro ponto positivo é a troca de perspectiva muito bem feita durante o longa: enquanto acompanhamos a tensão de Hamilton na estação espacial, vemos seu marido na Terra fugindo do ataque em Nova York e seu desespero pela situação da esposa.

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No fim das contas, o filme cumpre o seu papel principal que é explicar de onde vieram os monstros vistos nos filmes anteriores. Inclusive, The Cloverfield Paradox prova que J.J. Abrams é um gênio, e não tem outra palavra para descrevê-lo. Vamos lá, o cara criou esse universo cinematográfico incrível onde cada filme é individual e se complementa: o primeiro é uma found footage de sobrevivência, o segundo um terror psicológico bem desenvolvido e agora uma ficção científica. Isso torna cada filme da franquia único, inclusive esse, que pode ser um filme fraco mas possui uma premissa brilhante: criar um multiverso.

É certo que The Cloverfield Paradox não irá agradar todos os telespectadores e nem aos fãs da franquia em si, mas é inegável dizer que é um filme mediano e que consegue responder – mesmo que de forma forçada – certas perguntas e abrir novos horizontes para a franquia, que é uma de minhas preferidas atualmente. Mesmo diante de todos os defeitos possíveis, vale a pena dar uma conferida no longa e tirar suas próprias conclusões.

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