| Tiago Amorim |

Resenha | O Rei do Inverno

Quando falamos sobre cultura medieval ou literatura fantástica grande parte das pessoas tem em mente épicos medievais, bastante similares aos RPGs. Essa cultura épica é totalmente tragada de uma perspectiva Tolkineana visto que o autor foi a figura primordial para a criação dessa cultura. Dungeons and Dragons que pode ser considerado um dos maiores RPGs já criados é totalmente baseado nesse fenômeno criado pelo grandioso J.R.R. Tolkien. Após Tolkien, uma dezena de autores se basearam em suas obras para criarem diversas outras sagas, trilogias e livros muito importantes para a contemplação mais ampla desse gênero que é uma ficção grandiosa, atrativa e profundamente agradável. Bernard Cornwell, nascido em 1944 é um dos maiores autores britânico da atualidade. A construção histórica criada pelo autor é de uma eloquência grandiosa tão ampla que chega a ser transcendental, enquanto muitos criam seus universos místicos, Cornwell dá uma ênfase mítica e histórica para a história da Inglaterra que é gigantesca. Desde o domínio Romano sobre a Ilha Inglesa até a Guerra do Cem Anos. Cornwell cria personagens, toma alguns da literatura antiga e em uma pesquisa histórica grandiosa ele relaciona esses dois sentimentos, dá uma ênfase mítica em certas histórias que envolvem a magia como núcleo, mas ainda mantem uma fidelidade histórica, extremamente importante para a história fluir.

The Winter King, ou O Rei do Inverno é o primeiro livro da trilogia As Crônicas de Artur que narram uma das maiores, se não a maior história do grandioso Artur. Expurgando totalmente o misticismo de uma Espada da Pedra ou da eloquência grandiosa de um rei sagrado, Cornwell nos oferece uma história relacionada com o cru histórico daquele período, transformando Artur em um comandante de guerra que lutava contra os saxões.

O livro inicia com a narrativa ao ponto de vista de Derfel Cadarn, um membro do clero inglês que a mandado de uma nobre local começa a narrar a história de Artur, no formato de um livro. O livro é dividido em partes e de início somos apresentados a esse Derfel que narra sua jornada desde que era um garoto qualquer nos antigos tempos até conhecer Artur e começar toda essa história monstruosamente bem conexa e narrada.

Mais precisamente a trama de fato inicia com o nascimento de uma criança no inverno, Mordred. Essa criança é filha de Uther, o atual rei da Dummonia que é uma região sulista da Inglaterra. Se há uma concepção extremamente interessante de ambientação é de uma Inglaterra no séc. V pós a saída de Roma, então temos crises políticas, senhores feudais que desejam poder e constante evangelização das religiões, enquanto muitos ainda cultuam os deuses antigos que de fato pertence a uma mitologia Druida há uma constante cristianização dos locais, então temos esse choque de crenças que é fundamental para entendermos o que está acontecendo durante toda a narrativa. Se revelar mais detalhes sobre essa trama com toda certeza alguns pontos do livro terão certo sentimento de falta de graça, ou seja, isso é tudo que você precisa saber. A conexão criada pelo autor entre os personagens, lugares sagrados, reais ou fictícios é muito ampla, completa e grandiosa para analisarmos, ou seja, leia o livro e entenda toda a trama.

Se há outro aspecto positivo é como o autor cria o ponto de vista, somos apresentados a esse personagem já velho, Derfel. Totalmente cristão e vemos em seu passado que era um “pagão”, um membro constante dos cultos Druidas e com uma forte relação com o mago Merlin, que é o maior Druida da Inglaterra. Somos apresentados a essa perspectiva em point of view e isso facilita bastante na questão do aprofundamento das ações, batalhas, falas e concepções de personagens. O quão seria difícil para Cornwell transmitir tudo o que Artur é em um ponto de vista dele? Ou seja, Derfel é próximo a Artur e se há algo grandioso e interessante em fazer é mostrar a questão opinativa desses personagens próximos sobre o senhor da guerra.

E por fim, mas não menos importante temos a ação. Bernard Cornwell é um gênio militar em termos de narrativas. Enquanto George R.R. Martin arrisca com a política e as conspirações medievais e Tolkien nos presenteia com batalhas místicas, com criaturas e magia rolando como uma orgia megalomaníaca, Cornwell nos dá algo cru e extremamente violento, temos uma batalha medieval verídica onde parede de escudos, militarismo estratégico e violência dão uma ênfase climática extremamente satisfatória. Para um fã de cultura medieval é um presente, um deleite a visão ler tamanha grandiosidade narrativa e literária que o autor exprime e com toda certeza uma trama muito bem ambientada e construída.

Se você é fã de cultura medieval, parede de escudos, sagas que tem essa temática e batalhas estrondosas para a leitura e que passam na sua mente em uma profundidade e com toda certeza se banquetear com mulheres, cerveja e uma boa carne, leia O Rei do Inverno!

O Rei do Inverno é o primeiro livro da trilogia As Crônicas de Artur, e é seguido por O Inimigo de Deus e Excalibur.

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