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Jogador N°1 e o retorno do Spielberg aos anos 80 | Review

| José Victor | ,

Quando foi anunciado que seria feita uma adaptação de Jogador Nº1 fiquei extremamente feliz – e também com um pouco de medo, assumo. Porém quando um dos meus diretores preferidos, Steven Spielberg, fora anunciado como diretor do longa eu perdi totalmente o medo de dar errado, afinal, em Spielberg nós devemos confiar. Assisti ao filme hoje e devo dizer que não me arrependo nem um pouco de ter tido essa confiança: o longa era exatamente o que eu esperava.

Jogador Nº1 é um livro de Ernest Cline publicado em 2011 e agora adaptado aos cinemas. Sua trama se passa em 2045, uma época na qual a fome e o desemprego estão em alta e a única forma de escapar disso é através do OASIS – um jogo de realidade virtual. Diante de tudo isso temos Wade Watts, o protagonista dessa história, que assim como todos procura fugir de sua realidade através do jogo. Após a morte de James Holliday, designer do jogo, é anunciado que ele deixou um Easter Egg que dá para quem o encontrar a sua fortuna e o controle total do OASIS, e nisso começa uma corrida em busca do prêmio. Além de Wade (Parzival no jogo) temos também Art3mis, Aech e muitos outros jogadores o procurando, inclusive uma empresa chamada IOI, comandada por Nolan Sorrento, que quer controle total do mundo de realidade virtual e fará de tudo para conseguir esse objetivo tanto no OASIS como no mundo real.

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Como já era o esperado o filme não é uma adaptação cem por cento fiel do livro, até porque não tem como resumir uma obra tão grande e repleta de informações em apenas duas horas e meia de filme, porém funciona muito bem assim. Houve mudanças bruscas, como por exemplo nos desafios em que os jogadores precisam passar para ganhar as chaves e chegar no Easter Egg. Essas mudanças foram positivas, tanto para causar um espetáculo visual como para deixar mais próximo do público jovem, visto que originalmente as referências são mais voltadas para a geração dos anos 80/90. Tirando essas mudanças positivas, tiveram algumas coisas que na minha opinião não deveriam ter sido alterados, como por exemplo o arco de Daito e Shoto – que acabam não tendo a importância que tinham no livro. Funcionou na trama? Sim, a trama do filme é excelente que nem a do livro, ambas tem suas qualidades. Porém o que foi bom podia ter sido ainda melhor com os elementos originais. Mas no fim das contas o resultado final foi uma excelente adaptação e um filme que vai agradar a todos.

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E já que estamos falando sobre adaptação, precisamos falar sobre as inúmeras referências ao longo do filme: se no livro já tinha várias, no longa então… são tantas referências que só assistindo mais de uma vez que vai dar para pegar todas elas, que vão desde O Iluminado até Overwatch. São inúmeros os personagens e outros elementos de quadrinhos, jogos e filmes presentes no longa. E o melhor de tudo é que não são referências jogadas apenas pra satisfazer o telespectador, elas estão lá com um objetivo. É tanta referência que o filme merecia uma cena pós-créditos do Capitão América falando que entendeu a referência, inclusive, Steve Rogers estaria orgulhoso.

O elenco do filme é bom mas deixa um pouco a desejar: Tye Sheridan, que interpreta Wade/Parzival, possui a mesma expressão em todo o filme que atua e nesse ele simplesmente só decide esboçar alguma emoção nos últimos dez minutos de filme, tirando isso é a mesma cara durante o filme todo. Ben Mendelsohn é responsável por dar vida ao vilão do filme e ele faz isso muito bem, mesmo com as alterações feitas, ele conseguiu entregar um vilão corporativo digno de aplausos. Olivia Cooke consegue nos entregar uma boa Art3mis também e os demais coadjuvantes entregam atuações boas que mereciam ter sido mais aproveitadas.

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E a direção de Spielberg dispensa elogios, ela continua com a mesma qualidade de sempre. O diretor conseguiu não só imprimir como homenagear diversos aspectos dos anos 80 durante todo o longa. Mesmo sendo futurista o filme todo é o mais nostálgico possível, e não é somente por causa diversas referências presentes mas também com a sua Trilha Sonora – não só as músicas como Jump de Van Halen e Stayin’ Alive de Bee Gees, como as trilhas compostas para o filme ajudar o filme a se tornar totalmente imersivo. Falando de imersão, preciso comentar rapidamente que assistir esse filme em IMAX 3D é uma experência que vale a pena e que realmente te coloca para dentro do clima do longa, então vale bastante a pena conferir o filme nesse formato.

Jogador Nº1 é uma boa adaptação e um ótimo filme. Spielberg nos entregou um prato cheio em um filme que parece ter saído diretamente da mesma fórmula de clássicos do diretor, como por exemplo Os Goonies, e nos entrega uma aventura que prende o público do início ao fim em uma experiência visual e sonora única. Além disso, ainda temos uma leve crítica da sociedade atual que vive conectada e desligada do mundo real – sutil, mas ainda está lá. Em suma, podemos resumir Jogador Nº1 como um espetáculo visual e nostálgico, fazendo jus ao que o livro é.

Jogador Nº1 estreia nessa quinta-feira, 29 de Março, nos cinemas.

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