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Power Rangers: Battle for the Grid — sua porta de entrada para os Fighting Games | Review

A meia dúzia de pessoas que regularmente lê meus artigos para este site (oi, mãe) deve me conhecer como “aquele doido fissurado em robôs gigantes e jogos de Estratégia em Tempo Real”, o que é uma descrição simplista demais na minha opinião. Pois então, acontece que também sou o mais próximo que o site possui de um “especialista” em jogos de luta. Ah, e também tem outra coisa… eu gosto de Power Rangers até hoje.

Power Rangers Battle for the Grid
GO GO POWER RANGERS!!!

Minha Experiência com Jogos de Luta

Eu sequer sabia ler quando me apresentaram (oi de novo, mãe) ao gênero das trocações francas virtuais através de Battle Arena Toshinden — só fui descobrir esse nome muitos anos depois — e desde então os jogos de luta têm sido uma presença quase constante na minha vida.

Embora quisesse ter tido a oportunidade de me aperfeiçoar em um jogo específico e entrar na cena competitiva durante a infância e adolescência, minha experiência com fighting games nessa época consistiam basicamente em conhecer cada uma das inúmeras adições ao gênero e o que elas tinham a oferecer. Podemos dizer que sou um “casual de longa data”.

Agora, se você for como eu, vai concordar com a afirmação de que os jogos de luta no geral não são muito acessíveis para iniciantes (isso quando eles têm um pingo de acessibilidade pra começo de conversa). Sei que não sou a primeira pessoa que diz isso e estou longe de ser a última, mas isso é algo que deve ser dito então tanto faz.

Esse problema não é de agora, mas vem ficando cada vez mais gritante com o passar dos anos e a evolução da tecnologia. Capítulos mais recentes de franquias já estabelecidas como Killer Instinct e Guilty Gear têm incluído mecânicas e tutoriais bastante elucidativos com o objetivo de facilitar o aprendizado dos novatos, mas isso não necessariamente torna esses jogos “casual-friendly“.

O que falta nesse cenário é um jogo que sirva como “porta de entrada” para o gênero como um todo. Um jogo com mecânicas simples e intuitivas, mas que ainda assim proporcione uma variedade praticamente ilimitada de estratégias a quem estiver interessado em descobri-las. Um jogo onde um iniciante possa desenvolver suas habilidades livremente, permitindo que seu aprendizado nos demais fighting games seja exponencialmente mais tranquilo.

Em outras palavras, o que faltava nesse cenário era um jogo como Power Rangers: Battle for the Grid.

Power Rangers: Battle for the Grid
Anubis “Cachorrinho” Cruger e Lorde Zedd são parte do primeiro Season Pass, que vem incluso na edição de colecionador de Battle for the Grid

Mas o que é Power Rangers: Battle for the Grid?

Power Rangers: Battle for the Grid é um jogo de luta originalmente lançado em 2019, desenvolvido pela nWay Inc. e baseado na franquia homônima criada pela Saban Entertainment — que por sua vez consiste em localizações de tokusatsus japoneses, mas isso não vem ao caso. Agora, meu amigo, vou te explicar por que um jogo dos Power Rangers é o jogo perfeito para você que deseja ingressar na FGC (fighting game community) mas se sente intimidado pela barreira de entrada que costuma ser bem alta nos jogos do gênero.

Em linhas gerais, Battle for the Grid (vou abreviar para BFTG de agora em diante) é um tag-team fighter nos moldes de Marvel vs Capcom onde você vai à luta com um grupo de três personagens e pode alternar entre eles — assim como chamar seus “reservas” para executar um golpe assist — a qualquer momento da luta com o toque de um botão.

Power Rangers: Battle for the Grid
Da esquerda para a direita: o Ranger Azul do período cenozóico; a Trini em uma armadura que nunca é explicada; e Udonna, da temporada Mystic Force (que não cheguei a assistir)

Mas qual a desculpa que a nWay inventou para colocar esses personagens no mesmo jogo e fazê-los lutarem entre si? Bom, a trama de BFTG é uma adaptação livre de Shattered Grid, um evento crossover das HQs de Power Rangers publicado pela editora Boom! Studios entre fevereiro e agosto de 2018.

Tanto no jogo quanto nos quadrinhos que o inspiraram, a trama começa quando Lord Drakkon — o Tommy Oliver de uma realidade alternativa onde os Power Rangers não conseguiram trazê-lo de volta ao lado do bem — conquista sua versão da Terra sob a liderança da vilã Rita Repulsa. Isso não basta para saciar a ganância de Lord Drakkon, então ele decide matar Rita e parte em uma cruzada para conquistar o multiverso e destruir (ou escravizar) todos os rangers existentes.

O Story Mode de BFTG, onde essa narrativa é vivenciada em primeira mão, tem uma duração bem curta e uma qualidade mediana (embora existam alguns lampejos de grandeza que sinalizam um potencial que não pôde ser realizado devido ao baixo orçamento do jogo), mas é uma ótima introdução às mecânicas do jogo e às coisas que você pode fazer com as diferentes composições de time possíveis.

E isso nos leva à jogabilidade, que é o principal atrativo de qualquer jogo de luta. Cada partida de um fighting game consiste em uma série ridiculamente rápida de decisões que envolvem estratégia e adaptação, e alguns veteranos da FGC argumentam que essa sequência de decisões começaria até antes da partida com a seleção de personagens. Eu concordo com essa perspectiva, e BFTG exemplifica muito bem o porquê.

Power Rangers: Battle for the Grid
O uso de “assists” pode deixar as batalhas bastante caóticas, com até seis personagens simultaneamente dando cambalhotas e soltando faíscas na tela.

Como eu falei antes, em BFTG você monta um time de três personagens para levar à luta. Atualmente o elenco do jogo é composto por 18 (12 inclusos no jogo base + 6 vendidos como DLC) heróis e vilões, desde aqueles que você certamente reconhecerá de algumas das 27 temporadas de Power Rangers até alguns que apareceram originalmente nas HQs.

Embora o esquema de controles simplificado do jogo teoricamente corra o risco de deixar os personagens muito parecidos uns com os outros, isso definitivamente não é o caso em BFTG. Cada personagem tem mecânicas e estilo de jogo únicos, sem falar nas inúmeras sinergias possibilitadas por cada uma das centenas de combinações diferentes.

Ah, vale mencionar também que alguns membros do elenco original da série Mighty Morphin’ Power Rangers — a saber, Jason David Frank, Austin St. John e David J. Fielding — voltaram como dubladores em BFTG, reprisando seus respectivos papéis de Tommy Oliver (Ranger Verde/Lord Drakkon), Jason Lee Scott (Ranger Vermelho) e Zordon.

Após escolher seu trio de lutadores, é hora de escolher um megazord. Esses gigantes que viraram sinônimo de Power Rangers não fazem aparições de corpo inteiro durante as batalhas, mas podem ser chamados uma vez por partida como um “botão de pânico”, habilitado a partir do momento que um dos seus personagens é nocauteado, e lançam ataques devastadores no seu oponente por um tempo limitado.

No momento há quatro megazords disponíveis no jogo (um quinto será adicionado de graça em breve), e cada um deles possui um arsenal diferente para te ajudar a mudar o rumo do confronto.

Power Rangers: Battle for the Grid
Megazords são armas poderosíssimas que podem mudar totalmente o rumo da batalha. Isto é, se você souber usá-los adequadamente.

Agora, sobre o combate em si, não há muito que eu possa dizer sem acabar repetindo o que já foi dito a respeito da simplicidade e versatilidade, mas lá vai:

Primeiramente, BFTG possui quatro botões de ataque (leve, médio, forte e especial), e os golpes são diferentes dependendo de qual botão direcional você estiver segurando ao ativar determinado ataque. Não há comandos complexos como na maioria dos jogos de luta, e o sistema de combos mais aberto também ajuda bastante.

Além disso, há dois botões dedicados a chamar outros membros do grupo para o combate. É bem simples: aperte uma vez para seu aliado usar um golpe assist, daí aperte novamente (enquanto ele ainda estiver na arena) para assumir o controle desse personagem. Pressionar os dois botões ao mesmo tempo ativa o megazord. Simples, né?

Por fim, há botões específicos para ataques devastadores que consomem o medidor “Super“, que é compartilhado entre todos do time: um deles é chamado “super”, e consiste basicamente em um auto-combo que consome um terço do medidor; o outro golpe é chamado EX Special, consome dois terços do medidor e tem uma animação única que remete àqueles bombásticos ataques finais dos Power Rangers nas séries de TV.

Apesar da facilidade em executá-los, nenhum desses super-golpes é uma vitória garantida, e podem ser bloqueados ou evitados por um oponente esperto. O uso inteligente da barra de Super é crucial para a vitória.

O EX Special do Lorde Zedd é basicamente chamar os Putty Patrollers pra descer a porrada no oponente enquanto ele senta no trono e assiste o espetáculo.

As lutas em BFTG são travadas em uma variedade de modos offline e online. Além do Story Mode que eu mencionei antes, a parte offline do jogo inclui o clássico modo Arcade e um Versus local para dois jogadores, além de modos de treinamento para quem quiser praticar combos e diferentes composições de time.

A parte online inclui duas opções de matchmaking — casual e “ranqueado” — e um sistema de lobbies simples mas eficaz, onde até 8 jogadores podem participar de uma sala e lutar uns contra os outros à vontade. Tudo isso é cross-platform e sustentado pelo sistema GGPO, que é o melhor netcode já criado para jogos de luta.

Enfim, o que eu achei de Power Rangers: Battle for the Grid?

Um trailer dos três personagens que serão lançados ao longo da Season 3, incluindo o tão aguardado retorno da vilã Scorpina para o meio audiovisual. Ela por acaso será a primeira personagem com animações faciais em BFTG, sinalizando que o jogo está de fato em constante evolução, e que podemos esperar coisas ainda melhores no futuro.

Todos sabemos que Power Rangers sempre priorizou o público infantil desde seus primórdios na década de 90, e até mesmo um fã que cresceu assistindo aquela mistura de tokusatsu e galhofa noventista todo sábado na saudosa TV Globinho não esperaria muito de um jogo de luta oficial.

Felizmente os caras da nWay sabem muito bem o que estão fazendo, e o design de BFTG traz um equilíbrio praticamente perfeito entre acessibilidade e profundidade. Além de ser uma experiência adequada para as crianças e pré-adolescentes que compõem o público-alvo almejado pela Saban, o jogo é igualmente divertido para adultos e pessoas que não são fãs de Power Rangers graças à versatilidade dos controles e da amplitude de estratégias que suas mecânicas possibilitam.

Power Rangers: Battle for the Grid é uma recomendação certa tanto para novatos e veteranos nos fighting games. Independentemente do seu grau de familiaridade com a franquia, se você estiver procurando um jogo de luta divertido e original, que seja ao mesmo tempo fácil de aprender e difícil de dominar, Battle for the Grid é o jogo pra você.

Power Rangers: Battle for the Grid está disponível para PC via Steam (hoje é o último dia da promoção de férias então você tem menos de 24 horas para pegar o jogo e as DLCs com 50% de desconto) e XBOX Game Pass, além dos consoles XBOX ONE, Playstation 4 e Nintendo Switch e a plataforma de streaming de jogos Google Stadia.

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