Porque estamos vivendo a melhor (e pior) época dos animes.

| Tiago Amorim | ,

Bem, animes são desenhos japoneses, mas esse termo na realidade é bem recente.
Anime, animê ou animé (アニメ), significa “Animação” em japonês, ou seja, todas as animações são denominadas “animes” no Japão.

A origem da palavra anime é incerta. Alguns pesquisadores consideram que seja uma abreviação do inglês animation (“animação”), enquanto outros defendem que possa ter surgido a partir do francês animée (“animado”).

Mas enfim, o que vamos tratar aqui é: Porque estamos na melhor e pior época dos animes?

O anime, animação em si, não o anime japonês, foi ao ar através do cinema em 1908, quando a primeira animação foi exibida ao público, intitulada Fantasmagoire.
Apesar de que os primeiro registros de animações japonesas tenha sido datado de, estimasse, no século VI (Imagens em Movimento)

*Antes disso, houve um animação, que não foi ao cinemas, mas foi feita em um filme, intitulada Humorous Phases of Funny Faces.

Depois disso tivemos um progresso nas animações de forma exponencial absurda, mas vamos pular essa parte e ir pra japonesa.

Depois de 1920, os curtas japoneses foram influenciados pela animações americanas, principalmente pelas animações produzidas pela Disney, mas o estouro mesmo veio após a segunda guerra, quando a produção de longas metragens e séries animadas passou a receber grande dedicação, gerando companhias que de renome que perduram até hoje, como a Madhouse, Kyoto Animation e a Toei, e muitas outras.

“Legal, mas cara, o que essa história tem a ver com o artigo?”

Simples, naquela época, não existiam tantos escritores oferecendo seus trabalhos aos estúdios, pelo contrário, os estúdios corriam atrás de bons autores para que esses lhes concedessem o direito de animar suas histórias (mangás) e nem precisavam ser tão bons, era só ser novelista que escrevesse algo próprio.

Quando o sucesso de séries no exterior, como as da Mushi Production que produziu séries que foram aclamadas no ocidente, como Tetsuwan Atomu (Astroboy) e Janguru Taitei (Kimba ou Leão Branco), a busca por novos gêneros e séries foi imediata.

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Nessa época, já em 1960, numa verdadeira corrida pelo direito de animar uma série, tudo passou a ser usado para ser o tema da produção: Futebol, Robôs, aventura, suspense, drama, novelas, etc… Esse mercado começou a ficar disputado e acabou fazendo com que gêneros, ideias fossem exigidas. Foi ai que surgiu a ideia de batalhas entre robôs gigantes, ou popularmente conhecidos como Mecha.

Mazinger Z e Tetsujin 28-go foram os sucessos da época. Em 95 teríamos o retorno dos mechas com Evangelion e hoje temos Darling in the Franxx, outros animes do gênero surgiram, mas não fizeram sucessos como os citados. Esse é o ponto que queremos.

O que faz uma série, seja ela de qualquer gênero, ser atraente em primeiro lugar?
O escritor? A história? A qualidade dos traços no mangá e a qualidade da animação?

Bem, algumas pessoas escolhem um ou dois, outras escolhem todos e algumas nem um, apenas assistem o que vier, mas o que torna um anime em algo único hoje em dia? O que faz ele alcançar o sucesso?

A generalização dos gêneros é um problema. Até 2000, quem sabe 2005, quando não tínhamos outra escolha se não assistir os que passavam na televisão, os animes não eram tão disputados, pois faziam sucesso apenas no Japão, os que saiam de lá viravam febre instantaneamente, até mesmo porque a quantidade de animações por temporadas era pouca. Mas isso mudou.

Com a globalização, não ficamos mais presos a TV, podíamos navegar na internet e pesquisar sobre nossas séries favoritas, a qual no caminho descobrimos outras e sem perceber, nos tornamos degustadores críticos de animes.

Eu costumo comparar animes a culinária, onde cada prato igual consegue ser único caso feito com dedicação e esforço.

Muitos aventureiros tentaram cozinhar algumas babujas, usando na composição de temperos um Seinen ou Shounen, cozido ao molho aventura com uma pitada de drama, acompanhado de uma dose de superação e um final feliz como sobremesa.
De repente, vários pratos parecidos surgiram, e os comemos sem problemas.

Quando não tínhamos opções, comíamos qualquer coisa para saciar nossa gula por mais animes.

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Mas com o tempo, essa gula deu lugar ao enjoo, não queríamos mais comer a mesma comida, ficamos sem apetite, estávamos fartos disso, passamos a procurar novos estabelecimentos.

Não aceitávamos mais o que nos jogassem, nos recusamos a comer qualquer coisa mal cozinhada, nós passamos a exigir melhor qualidade, fazendo greve de fome. Então passamos a conhecer os grandes chef’s, como Kōhei Horikoshi, Kana Akatsuki, Yoshiro Togashi, Kentaro Miura, Tsugumi Ohba e muitos outros incontáveis.

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Quando estes nos ofereceram suas maiores criações, nós observamos o prato, a composição, seus traços, sua montagem, a qualidade de sua obra, se ele era rústico ou estilo livre, se as mudanças de seus frames eram constantes ou mínimas, se foi bem trabalhado e estruturado, sentimos o aroma de sua sinopse e degustamos o primeiro episódio, depois continuamos sem parar, apreciando a cada mordida semanal, o sabor da aventura, o doce da vitória e o amargor do drama, a acidez da violência e o contraste com a leveza de seus discursos, gerando um sabor agridoce quando víamos a reviravolta na história, sem aquele final feliz carregado de açúcar.

Eram iguarias deliciosas que mudariam nossa visão sobre o cardápio de animes.

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Em nossa busca por sabores únicos, passamos a estudar sobre seus temperos e tentamos recriar seus pratos, pegamos um bom pedaço de Shounen, salpicamos aventura, banhamos em óleo reviravolta e adicionamos uma pitada de superação. Deixamos no forno avaliação por 30 minutos e ficamos enojado com o resultado.
Usamos a mesma receita que outros chefs de renome fizeram, mas o resultado foi totalmente diferente.

Passaram a existir tantos pratos sendo feitos e refeitos, tantos sabores genéricos, tantos aspirantes a chef’s, que apenas um prato mal feito não era mais suficiente, então passamos a escolher os nosso pratos em vitrines, apontamos para aquele Mangá Seinen e degustamos sua entrada, quando gostamos, pedimos em fóruns de restaurantes que aquele prato seja feito em larga escala e quando somos atendidos, ficamos satisfeitos, na maioria das vezes pedimos bis, que nos é oferecido um ou dois anos depois, quando existem entradas suficientes para montar um novo prato principal.

Durante essa espera, começamos a viajar de temporada em temporada, esperando que os restaurantes possam nos oferecer prato sazonais marcantes, que nos deixem com um gostinho de quero mais enquanto esperamos que nosso prato favorito volte.

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A saturação de sabores genéricos no mercado de animes, nos fez procurar novas receitas, como as sátiras. One Punch Man nos ofereceu um prato comum, feito sem elegância e delicadeza, mas quando sentimos o sabor de suas piadas e a pontada picante de suas sátiras aos pratos genéricos, nós nos fartamos com avidez e felicidade.

Porque estamos vivendo a melhor (e pior) época dos animes.

Hoje estamos gordos de tanto apreciar receitas “novas” como Shingeki no Kyojin, One Punch Man, Nanatsu No Taizai, Made In Abyss, algumas com apenas uma opção de montagem do prato, como Inuyashiki, Rakudai Kishi no Cavalry e High School Hot The Dead,  e as antigas, mas que nunca deixamos de degusta-las e provar de seus derivados, como Naruto e seu derivado Boruto, Dragon Ball Z e seu derivado Dragon Ball Super, mesmo que estes tenham defeitos e sejam meio sem sabor, a nostalgia de sentir o gosto da receita original é o que nos faz consumi-los e dessa forma, acabamos por não experimentar novos sabores e ficando cada vez menos seletivos, desejando que outras obras recriem este universo de forma diferente mantendo a sua essência.

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Sorte a nossa que diversos chef’s surgiram e conseguem nos tentar com novas receitas usando os temperos básicos que já conhecemos.

Ah, mas se você acha que estes chef’s renomados apenas lhe ofereceram estes pratos por benevolência, saiba que em sua maioria, é apenas para que você passe a comprar os quitutes feitos com esse material que são oferecidos nas bancas. Nem sempre um prato sazonal acaba indo para no menu principal, então tenha isso sempre em mente quando estiver saboreando aquela sobremesa de final de temporada, pois pode ser que não tenha uma segunda vez.

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E é graças a essa variedade de escolhas e montagens que vivemos na melhor (e pior) época dos animes, pois ficamos entupidos com tantos pratos repetidos e sem valor, mas quando encontramos algo bom, ele é realmente único e fica marcado para sempre em nossos paladares.

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