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| Tiago Amorim | , ,

Os 13 Porquês: Os fantasmas de nossas próprias ações

Eu realmente penso nas consequências das minhas decisões? Já machuquei outra pessoa com algo que considerei uma piada? Já ajudei a fomentar um rumor por achar não ser nada demais? Já vi alguém sofrendo e deixei de ajudar? O objetivo de Os 13 Porquês é nos colocar de cara com nossas próprias atitudes (ou a falta delas). Assim como faz com cada um de seus personagens que são obrigados à encarar o resultado imutável de suas ações, “sem promessa de retorno, sem bis e sem atender aos pedidos da plateia”: O suicídio de Hannah Baker.

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O bestseller, escrito por Jay Asher e lançado em 2007, ganhou a adaptação que merecia dirigida por Tom McCarthy e adaptada por Brian Yorkey. Com uma fotografia incrível e duas histórias intercaladas (pré e pós suicídio), a série da Netflix tocou o coração e principalmente a consciência de seus espectadores.

Mas, por incrível que pareça, o tema principal da série não é o suicídio, e sim o efeito borboleta dentro da Teoria do Caos. O enredo tenta mostrar de forma simplificada e cotidiana que “o bater de asas de uma simples borboleta pode provocar um tufão do outro lado do mundo”. O ponto certo da história não é te fazer sentir pena da personagem, mas colocar a mão na própria consciência e pensar: Quantas vezes EU fui um por quê?

Resumidamente, em Os 13 Porquês, Hannah Baker deixa, como é descrito por ela mesma (no livro), um bilhete de suicídio às avessas. Ela grava 7 fitas (com lado A e B) com os atos, simples ou pesados, de 13 pessoas que levaram à sua morte. Não só ao suicídio propriamente dito, Hannah explica a sensação como “algo difícil de dizer em voz alta e ainda mais assustador quando você sente que pode estar falando serio”, o momento em que ela reparou que não tinha mais razões pra continuar viva.

Os porquês passam desde motivos que achamos “leve” como espalhar rumores mentirosos que criam uma reputação maldosa, ajudar a impulsionar essa reputação ou mesmo não conseguir se impor por alguém até motivos pesados como negar ajuda, ocultar um crime por um amigo e até violência sexual.

A série cumpre seu papel em abordar depressão, bullying, machismo, ato e consequência, solidão, desesperança. A reação dos personagens da série se relaciona à reação dos seus espectadores. O desespero de Clay, que quando é exposto aos motivos de forma clara, tem os olhos abertos ao mundo cruel no qual vive e quer fazer algo porque apesar de não poder mudar o resultado, quer que as pessoas aprendam com os erros e assumam responsabilidade. A reviravolta de Alex, que passa por estágios entre a aflição de esconder o que fez pra não ser julgado até o discernimento de que seu erro causou algo muito maior e que esconder não ajudaria em nada. A negação de Justin que prefere se fazer acreditar que a Hannah estava mentindo, aumentando e apenas dramatizando coisas que acontecem com todo mundo ao invés de compreender que a Hannah nunca escolheu ter depressão e nunca mereceu sentir o que sentiu. A indiferença de Bryce, que fazia o que queria com quem queria por achar ser inatingível e inabalável e nunca chegou a se sensibilizar. E até da própria Hannah, quantas “Hannah” não passaram pela nossa vida? Quantos de nós em algum momento já não fomos a Hannah?

Ao contrário da reação de algumas pessoas, a série não glamouriza ou embeleza o suicídio e a autoflagelação em nenhum momento. A Hannah passa da garota que não precisava de um motivo pra sorrir ou ser gentil até com pessoas que um dia foram cruéis com ela, que tinha planos pro futuro e vontade de ser, fazer e estar, pra uma pessoa sem esperança, que não consegue pensar à frente por não se sentir mais viva. Desolada, Hannah morre sozinha.

“Você não sabem o que se passa na vida de ninguém, a não ser na sua. E quando estragam uma parte da vida de uma pessoa, não estão estragando apenas aquela parte. Infelizmente, não dá para ser tão preciso ou seletivo. Quando você estraga uma parte da vida de alguém, você estraga a vida inteira da pessoa. Tudo é afetado.”

*Utilidade pública: Se você ou alguém que você conhece estiver precisando de ajuda, pensando em suicídio ou em crise de depressão, o CVV (Centro de Valorização da Vida) é disponível. Se precisar conversar ou de apoio emocional pode ligar para 141 em qualquer parte do país (exceto no Rio Grande de Sul, que atende pelo número 181). Você não está sozinho!

Igor Pontes

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