Anuncio Publicitário

O que é crime de responsabilidade fiscal?

| Tiago Amorim |
Anuncio Publicitário

A rigor, não é crime, e sim a conduta ou comportamento de inteiro conteúdo narrativo e, comportamental, apenas tipificado e nomeado como crime, sem que tenha essa natureza. A sanção nesse caso é substancialmente figurativa: perda do cargo ou, eventualmente, inabilitação para exercício de cargo de mestre ou jogador, e inelegibilidade para futuras sessões. Afinal, este é um artigo sobre RPG! Abaixo serão mostrados exemplos e normas para evitar que uma noite divertida com seus amigos fuja de controle, e se torne algo desagradavelmente inesperado.

É intrínseco do ser humano contemporâneo relacionar problemas de quaisquer níveis de importância com a ficção. E por que não fazer essa relação com um dos jogos mais consagrados de todos os tempos? Precisamos discutir a figura do Mestre nas mesas de RPG, em diversos âmbitos e situações. A entidade suprema da narração, e que na maioria das vezes é o anfitrião, também deve ser posto em “xeque” eventualmente, quando deixa de cumprir com algumas responsabilidades pré-estabelecidas pela suprema corte dos jogadores de RPG.

Anuncio Publicitário

Kobolds me mordam! Mas que diabos eu acabei de ler?!

Precisamos de alguns protocolos sociais, regras não escritas para que a vida em sociedade não acabe entrando em colapso. Ao jogar RPG não seria diferente, porém não se trata de algo concreto num livro grande e velho esquecido em alguma biblioteca. Não são leis irrefutáveis ou algo imposto para ferir a diversão da aventura. Hoje não iremos apresentar toda uma constituição legisladora. Falaremos de um dos grandes vilões que comumente pode fazer ruir a melhor das sessões de Role-playing game. O que seria esse tal de crime de responsabilidade fiscal? Como isso teria aplicabilidade num jogo de estratégia e interpretação?

Anuncio Publicitário

PARTE PRIMEIRA

Do Dungeon Master e Jogadores

Art. 1º São crimes de responsabilidade os que esta lei especifica.

Anuncio Publicitário

Art. 2º Os crimes definidos nesta lei, ainda quando simplesmente tentados, são passíveis da pena de perda de cargo de Mestre ou Jogador titular, imposto por decisão e consenso da maioria.

Art. 3º A imposição da pena referida no artigo anterior não exclui o processo e julgamento.

Art. 4º São crimes de responsabilidade os atos do Mestre ou do (s) Jogador (es), que atentarem contra a harmonia do ambiente físico, narrativo, interpretativo, e, especificamente se compactuarem com:

Anuncio Publicitário

I – O Metagame

É completamente desprezível aos olhos de uma boa aventura, o prévio conhecimento e o uso de recursos que possam estragar o tom de verossimilidade, que o Mestre tentou encaixar na trama ou no combate. Tentativa de se beneficiar com alguma informação que seu personagem não deveria ter conhecimento, é passível de repreensão verbal por parte do Mestre, e, caso haja reincidência, o personagem sofrerá alguma perda relevante.

II – Negligências na Mesa

Anuncio Publicitário

Mestre e jogadores podem demonstrar, em algum ponto, um desinteresse sobre o que está acontecendo na aventura. Na maioria das vezes é alguém que resolveu dar mais atenção para aquela mensagem no celular que para o RPG em si, acarretando em ações preguiçosas. Conversas paralelas fora do tema também podem se tornar um infortúnio, caso ocorram com muita frequência em um curto intervalo de tempo, tirando o foco e a imersão. Aqui vale uma punição verbal enérgica para retomar o prumo da campanha ao mesmo tempo em que os possíveis negligentes possam se sentir coagidos, a entrarem no clima ou se retirarem do recinto – Mestre incluso. Caso o infrator seja o anfitrião do espaço, ele deve ser lembrado de que detêm a responsabilidade de manter o equilíbrio na mesa, pois numa próxima sessão ele pode perder seu cargo atual para alguém mais capacitado.

III – Rixas e Futilidades

Causar atritos fúteis, direta ou indiretamente com outros jogadores ou mestre, além de ser um ato deliberadamente descortês, pode tornar a sessão enfadonha e prejudicar o andamento da mesa. Tendo como objetivo o entretenimento e a diversão, Mestre ou jogador que for considerado pela maioria como “treteiro ou tretador”, deverá ser punido ou afastado, dependendo do grau da treta ou da recorrência. Vale ressaltar que o estímulo de rivalidades sadias, não deve ser confundido com a promoção de discórdia no grupo. Ao não saber diferenciar isso, favor consultar um psicólogo.

Anuncio Publicitário

IV – Corrupção

É de costume global a oferta de bônus para aqueles que usufruem de um bom role-play, para esse tipo de jogador, pode-se ofertar algum tipo de bônus proporcional ao nível de suas ações. O oposto disso é quando um jogador desempenha um papel nocivo para a mesa; seja por interpretação ruim, descaso, falta de comprometimento, preguiça ou má fé. Esse tipo de jogador deve ser punido também de forma proporcional aos seus atos. Quando algum bônus ou punição é aplicado de forma inesperada ou mal explicado, o Mestre poderá responder por crime de corrupção, algo que afeta diretamente toda a mesa, podendo encorajar bajulações ou discussões acaloradas.

[PARTE CHATA QUE NINGUÉM VAI LER]

Anuncio Publicitário

DEVERES E RESPONSABILIDADES

Art. 5º Sobre a divisão de responsabilidades e deveres entre Mestre e Anfitrião.

1 – É dever do Mestre se responsabilizar por tudo que envolver o jogo em si.

Anuncio Publicitário

2 – É dever do Anfitrião se responsabilizar por tudo que envolva o ambiente e os jogadores convocados.

3 – Caso Mestre e Anfitrião sejam o mesmo indivíduo, soma-se os dois deveres acima.

4 – Em casos de mais de um mestre, os mesmos determinam previamente as partes dentro do jogo as quais cada um irá se responsabilizar ou se compartilharão tudo.

Anuncio Publicitário

5 – Caso tenha mais de um anfitrião, os responsáveis pelo ambiente assumirão as decisões dependendo do grau de hierarquia deles dentro do local.

6 – Caso o ambiente for público ou comercial de livre acesso, todos os membros da mesa se responsabilizarão pela preservação e segurança tanto dos bens materiais utilizados quanto dos itens trazidos para o jogo.

[/PARTE CHATA QUE NINGUÉM VAI LER]

Anuncio Publicitário

Poderia ser feita uma enciclopédia só com comparações de nossa real constituição federal, simulando esses deslizes aos quais nos referimos como “crimes” neste artigo. Ainda assim, faltaria o exemplo maior para que tudo o que trouxemos aqui tenha sido útil. Se até agora, você, leitor ainda não estiver entendendo o que é crime de responsabilidade fiscal, preste atenção na estória a seguir:

Há um grupo de amigos que resolveram jogar RPG, mas eles não tinham livros e nem dados, miniaturas, fichas e coisas do tipo. Eles conheciam uma pessoa que já tinha experiência mestrando e o chamaram para ser o Mestre daquele grupo, pois era uma figura conhecida da turma. Inicialmente eles se propuseram a fazer uma vaquinha para comprar os materiais, e em troca, o Mestre iria gerir aquele dinheiro e se comprometer a comprar tudo nas lojas que ele conhecia – aqui temos uma relação de confiança baseada em relações pessoais.

Anuncio Publicitário

Depois de terem acumulado uma boa quantia, o grupo resolve entregar toda a grana para que o Mestre pudesse ir às lojas que só ele conhecia para comprar tudo e depois voltar para mestrar a mesa. Ele agiu de forma solitária e no dia seguinte ele retornou com os livros necessários, algumas fichas impressas e poucos dados. Ao ser questionado sobre as compras e o porquê dele ter comprado poucas coisas ele disse que faltou dinheiro para comprar o restante dos dados e as miniaturas. Os jogadores pediram a nota fiscal das compras, entretanto, o Mestre disse que a loja era de um cara que não trabalhava formalmente, logo não tinha como ter a nota fiscal. Eles aceitaram a desculpa e perguntaram quanto estava faltando para terem pelo menos o resto dos dados e algumas miniaturas baratas. Alguns dias depois o Mestre retorna com o que havia sido prometido, mas o número de miniaturas não era suficiente para todos os jogadores. Novamente questionado, mais uma vez o Mestre alegou que o dinheiro não deu.

Desconfiados, eles pediram para irem junto da próxima vez e o Mestre sempre dava uma desculpa: “Vamos combinar de ir lá”, “Qualquer dia a gente vai lá”, “Tá difícil pra eu sair por aquelas bandas agora”, “Semana de provas”, “Vou viajar”. Depois de tanta dor de cabeça, discussões e estresse, eles acusaram o Mestre de ter desviado parte do dinheiro da vaquinha para uso pessoal. Obviamente ele ficou extremamente ofendido e pediu para que eles provassem o que estavam falando. O caso passou anos apenas como uma rixa entre alunos da escola. Algumas pessoas acharam burrice confiar dinheiro, mesmo sendo um colega de escola, outros acreditaram na versão dos jogadores e também tinham aqueles que estavam do lado do Mestre, pois ficou provado que ele comprou o que foi pedido. Infelizmente, a loja que vendeu os produtos realmente existia, mas acabou fechando por algum motivo desconhecido e o máximo que aconteceu com esse Mestre foi seu afastamento do grupo, e consequentemente o caso gerou conflitos até mesmo entre curiosos que não estavam por dentro de todo o ocorrido.

Anuncio Publicitário

A diferença é que na vida real nós somos coagidos (pra não falar obrigados) a pagar impostos pra figura do Mestre e torcer para que o mesmo faça as compras corretamente – o que nunca acontece. E quando finalmente temos a chance de punir um desses “mestres”, pelo menos com um afastamento e inelegibilidade, valerá a pena torcer para que isso aconteça, apesar de não ser nem 1% da punição adequada para uma má gestão de dinheiro dos outros, pois o “mestre” está protegido por leis as quais não podemos nem ter o direito de discordar. Sem considerar que essa questão de responsabilidade fiscal teve consequências negativas em diversos setores de nosso país, mas isso fica para um próximo artigo (ou não).

1 Real a Hora

Encontre Sua Trilha No Mundo Nerd!
1 Real a Hora - 2020 | Desenvolvido por Vedrak | Mantido online e operante em parceria com a Nixem Cloud