Anuncio Publicitário

A narrativa como uma força mundial

| Paulo Queiroz |
Anuncio Publicitário

Por Jill Radsken, escritor da equipe da Harvard Gazette.

O novo livro de Martin Puchner, “The Written World: the power of stories to shape people, history, civilization”, inicia-se no espaço com o momento da dramática missão Apollo 8. A mais de 321.868,8 quilômetros da Terra, astronautas leem os primeiros versículos do Gênesis para uma audiência de 500 milhões de pessoas. Puchner foi atraído pelo conto devido àquele poderoso casamento entre narrativa tradicional e tecnologia, tema central de “Essential Works in World Literature”, do curso Humanities 12 que ele lecionou com David Damrosch.

Puchner é professor de Drama de Byron e Anita Wien e de Literatura Inglesa e Comparada, diretor fundador da Escola Mellon  de Pesquisa de Teatro e Desempenho na Harvard University, e editor da Norton Anthology of World Literature. Ele nos contou sobre livros que mudaram sua vida, indo para o Sul (dos Estados Unidos) pesquisar e o que as biografias de Donald Trump e Barack Obama têm em comum.

Anuncio Publicitário

HARVARD GAZETTE: “The Written World” nasceu de sua co-tutoria no curso Humanities 12 e do curso sobre o mesmo assunto no HarvardX. O livro foi uma extensão natural desses cursos?

PUCHNER: O estudo da literatura é comumente tão especializado que é difícil você conseguir deter todo o panorama literário. Quanto mais eu pensava sobre isso e via a questão numa perspectiva global, eu ficava fascinado. Não poderia encontrar livros que capturassem a história da literatura nessa escala. Então pensei: “acho que eu mesmo escreverei isso”.

HARVARD GAZETTE: Sua pesquisa levou-o ao mundo, mas também para vários estados do Sul (dos Estados Unidos), inclusive Geórgia e Alabama. Por que lá (no Sul)?

Anuncio Publicitário

PUCHNER: A segunda origem do livro é meu início como editor da Norton Anthology of World Literature há 12 anos. Isso me forçou a sair de minha especialidade e pensar, pela primeira vez, sobre o todo. Então aconteceu que vários dos maiores adeptos dessa antologia são do Sul, normalmente de pequenas universidades rurais. Por que há tantos cursos de Letras sendo ofertados no Sul? Acredito que seja porque, durante as guerras do cânone, as elitistas universidades costeiras desistiram de seus grandes cursos de letras. Esses cursos eram geralmente focados na literatura ocidental e com muitas poucas escritoras. Fora do conservadorismo, o Sul manteve esses cursos, mas os transformou de cursos sobre a literatura ocidental para os cursos de literatura mundial que temos hoje. O resultado é que escolas com cursos mundialmente robustos são aqueles das universidades do Sul. Tem sido instrutivo para mim saber um aspecto do ensino superior americano que eu não saberia de outra forma. Esses programas são cruciais porque professores estão, às vezes, lecionando para estudantes que nunca deixaram seus estados, que não têm passaporte, mas podem transmitir algo sobre o mundo através da literatura.

HARVARD GAZETTE: Quais livros mudaram sua vida?

PUCHNER: Eu não era um ávido leitor. Quando estava crescendo, literatura era valorizada, mas eu não estava particularmente interessado nisso. Talvez, por volta dos 15 ou 16 anos, não menos que isso, foi que a literatura me atraiu. Lembro de algumas experiências, como ler Senhor dos Anéis várias vezes. Isso me marcou, porém, mais importante, isso abriu portas para um novo mundo. Outra significativa leitura foi quando me encontrei no norte da Grécia aos meus 20 anos. Estava numa escola de verão em Tessalônica, passando uma semana no Monte Athos. Era um lugar totalmente estranho pertencente à Igreja Ortodoxa grega, fechado a turistas e mulheres. Era onde iria se quisesse se converter à Igreja Ortodoxa. Encontrei uma maneira de entrar e havia levado Ulisses, de James Joyce, livro esse que a Igreja não gostava. Estava num mundo medieval como o d’O Nome da Rosa, lendo secretamente. Essa experiência me fez mudar da Filosofia para Letras de uma vez por todas.

Anuncio Publicitário

HARVARD GAZETTE: Papel e impressão estão no coração de “The Written World”. E ainda no século XX a história da poeta Anna Akhmatova já era fascinante porque ela lutou para manter seu trabalho oral como uma forma de protegê-lo do totalitarismo soviético.

PUCHNER: Narrativas orais continuam a alimentar a literatura significativamente nos dias de hoje. Akhmatova foi fundamental para mim, mas também o foi o africano ocidental Épico de Sundiata, que foi transmitido oralmente por séculos. Só foi finalmente escrito no século XX. Ambos são importantes na história geral da tecnologia e sua influência na literatura. Não é apenas tecnologia melhorada que fez uma diferença. É quem o detinha e controlou. Os dois autores foram bons lembretes de que, tão entusiasmados quanto as vantagens do papel sobre o papiro e a impressão sobre livros manuscritos, sempre foi uma questão de como essas tecnologias foram usadas e suas consequências não desejadas. Eu simplesmente conversei com um bibliotecário sobre a tecnologia atual. É tão difícil preservar o e-mail porque não sabemos se poderemos lê-los em 20 anos; a obsolescência dessas formas virtuais é assombrosa.

HARVARD GAZETTE: Como a narrativa se encaixa na conversa nacional?

Anuncio Publicitário

PUCHNER: Veja as presidências de Donald Trump e Barack Obama. Isso me pareceu que eles, em ambos os casos, chamam a atenção do público em geral através de suas autobiografias (“A arte da Negociação” e “Dreams of My Father”). Ambos conseguiram forjar essas histórias sobre suas vidas que os levaram à Casa Branca. Esses dois livros são bastante diferentes, mas são ambos variantes do tipo americano de autobiografia – uma combinação de busca de identidade e realização profissional.

O(a) leitor(a) pode encontrar a entrevista completa, em Inglês, aqui.

Ultimas Notícias

Anuncio Publicitário

1 Real a Hora

Encontre Sua Trilha No Mundo Nerd!
1 Real a Hora - 2020 | Desenvolvido por Vedrak | Mantido online e operante em parceria com a Nixem Cloud