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Mr. Robot e a bolha da solidão | Análise (1ª Temporada)

| Tiago Amorim |
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Todos nós quando começamos Mr. Robot achando que a série é sobre um pensamento anarquista, que nossa sociedade é fechada dentro de uma bolha inundada de tecnologia, redes sociais e que todo mundo dentro disso está se alienando e vivendo desse jeito e que nunca mudará.

Começou com a televisão e se expandiu para as redes sociais, porém, se formos realmente analisar Elliot e tudo o que acontece nessa série incrível, vemos que todos possuímos um pouco de Elliot em nós.

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E não é no fato de confiarmos cegamente que nossa sociedade é fraca, quebrada. E sim na solidão do personagem.

Nós somos a sociedade que Elliot despreza, mas ao mesmo tempo todos nós temos algo muito em comum com ele: A solidão.

Durante a série, nós nos pegamos vendo uma filosofia anarquista vinda pelo próprio Mr Robot, o personagem que puxa Elliot para dentro da história e o que o coloca dentro da FSociety, uma organização que planeja destruir a sociedade como conhecemos através de um grande boom econômico.

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Mas conforme nós entramos dentro da série, pelo menos durante essa primeira temporada, nós vemos o quanto Elliot sofre com seus problemas e suas psicoses, e eu vejo que a série não se trata só de um personagem e seu grupo de hackers tentando quebrar a sociedade.

E sim sobre a solidão e como todos nós lidamos com nossas perdas e como todos nós temos problemas a esconder. Uma máscara que colocamos em nossas redes sociais.

Muitos só parecem felizes quando entram em seu facebook, certo? Você sempre vê aquelas fotos de balada, fotos em família. Mas você não sabe como essa pessoa é de verdade, você não se sabe se depois daquela foto abraçada com o Pai, os dois discutiram e foram cada um para seu canto. Nada é como a gente pensa que pode ser. Todos nós vemos a série pensando que Elliot é o personagem desprendido dessa bolha falha que se tornou nossa sociedade, mas ele é o mais envolvido nisso tudo. Ao achar que é sozinho e hackear as pessoas que ele conhece, Elliot cada vez mais se aliena dentro delas e no final, é ele que está alienado. Elliot está tão absorto em seus problemas, tão anestesiado da sociedade que ele não vê que se fecha em sua bolha de solidão. O Personagem distante, a principal máscara, é a dele. Durante toda a série ele se diz ser a pessoa que está olhando por cima de todos, aquele que acha que sabe todos os segredos, todos os pequenos detalhes das pessoas, mas é ele quem na verdade é o alienado, o pária, o que mais utiliza uma máscara, principalmente após os episódios finais.

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Mr. Robot não é sobre uma sociedade anarquista, não é sobre como eu e você estamos presos as nossas tecnologias. Sam Esmail nos trás uma série sobre solidão, sobre fraquezas, sobre pessoas com dramas tão intensos que se escondem através de seus próprios avatares reais, não só através de suas fotos no Facebook. Todo o discurso de liberdade que a série nos remete, na verdade é simplesmente um grande enredo sobre a Solidão vivida por Elliot, sobre como todos nós nos sentimos sozinhos, impotentes, fragilizados. Toda a questão da ideologia de que as corporações são ruins e que são elas os principais inimigos de nossa sociedade é para simplesmente nos fazer esquecer que nosso pior inimigo está todo dia quando estamos sozinhos. Ser sozinho é o principal medo de muitos. Seja no escuro (você não enxerga ninguém no escuro total), ou seja em simplesmente não ter mais nenhum vínculo social de qualquer jeito. O que a série na verdade te mostra é que quanto mais você se vê livre do que você acha ruim, dispensável, fútil, menos humano, e mais sozinho você é. A série vive jogando em sua cara de que a sociedade que se esconde atrás da tecnologia não é a real. Que seus amigos não são como eles são no facebook. Isso é verdade, mas é só mais um discurso ensaiado e clichê que está completamente de acordo com o que a série de verdade nos mostra. Elliot e Mr Robot (o personagem) são a prova de que por mais que você tente se mostrar limpo dos problemas fúteis de nossa sociedade, de que toda a corporação é malvada e que o Capitalismo é feito pra mostrar a sua face verdadeira, você ainda assim vai ter a maior falha e a maior máscara que todos nós carregamos. Todos nós somos sozinhos, todos nós temos medo de viver assim e por isso acabamos por colocar uma face feliz e tranquila quando estamos juntos aos outros. Ao colocar uma foto sorrindo no facebook, você sabe que tem outra pessoa tão sozinha quanto você olhando aquela foto e sentindo a mesma coisa que você sente ao ver os outros mostrando o quão felizes eles são. Que eles são sozinhos, possuem problemas e também escondem seus medos e seus segredos. A série em si, pelo menos nessa primeira temporada, não é levada unicamente no plano da FSociety, isso não é o foco e nunca foi desde o começo. O principal foco da série é mostrar como o ser humano é falho e sozinho. Como Elliot sofre com seus problemas de interação social. Isso tudo é uma desculpa de roteiro para potencializar algo que todos nós já sentimos alguma vez na vida e choramos que nem o próprio personagem: A solidão. A ideia da FSociety em ninguém se conhecer e saber o paradeiro de uns dos outros é por que simplesmente ali, eles só são avatares de algo que eles realmente são, sozinhos. Quantas vezes você já não esteve num grupo de pessoas e simplesmente parou pra pensar que não se encaixava ali? Que você deveria estar em casa, vendo seu Netflix. Eu e você temos muito em comum com Elliot e sua solidão, só que muitas vezes não deixamos isso tão externado quanto na série. E acredite, não só nosso querido personagem principal. Darlene, Angela, Trenton, Tyrell, Gideon, todos na série tentam se isolar ou até mesmo mostram sua verdadeira face quando a série os força a sentir algo além do que eles esperavam. Todos os personagens quando possuem seus problemas e não conseguem lidar com eles, acabam sozinhos, ou tentando esconder isso até mesmo de seus entes queridos. Sabe por quê? Todos nós gostamos de viver na nossa bolha de solidão, por mais que nós tentemos evitar admitir isso. Não é a tecnologia que nos afastas das pessoas e não nos deixa conhecê-las. Não caia nesse discurso de que a internet que esconde a verdadeira face da pessoa. Somos nós mesmos que não nos preocupamos e ultrapassar a barreira que cada um cria dentro de si. Todos nós temos segredos e problemas, porém poucos conseguem externar isso para fora da sua própria bolha, da sua própria solidão. Todos nós pensamos nos nossos problemas quando deitamos a cabeça no travesseiro, porém ao mandar aquele “Boa Noite Família”no Grupo do Whatsapp, para tentarmos nos mostrar OK e felizes com tudo, aí sim nós mostramos a verdadeira máscara. A Máscara da FSociety (que é baseada na Annonymus e no Guy Fawkes) é só mais uma camada de falsas idéias criadas para que nós pensemos que estamos livres naquele momento, mas estamos cada vez mais fechados dentro de nós.

Acredite quando eu digo que Mr. Robot não é uma série sobre um hacker ativista que descobre uma sociedade secreta tentando implementar o anarquismo. É uma série sobre os dramas que cada um vive e a solidão que você (e também o Elliot) enfrenta.

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Nota 10/10

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