Midsommar – Adentrando a uma perturbadora naturalidade | Review

O novo longa de Ari Aster, diretor do bem comentado horror/terror Hereditário, chega com sua grande autoralidade, bizarrices, cultos e idosas nuas.

Midsommar não é um filme para qualquer um, e acredito que seja um filme mais difícil até do que Hereditário, pois mesmo com o diretor entregando um filme com toda sua autoralidade conhecida e direção meticulosa, é um filme mais longo e mais difícil de acompanhar.

Isso não é necessariamente um detalhe ruim, o que o longa faz é construir toda a história aos poucos calmamente, amarrando acontecimentos, nos mostrando possibilidades, aprofundando seus personagens e desenvolvendo a narrativa, tudo feito da maneira mais clara até a mais sutil.

Os artificios usados pelo diretor para contar a história são muito mais do que só seu roteiro pela superfície, ao adentrarmos as simbologias e prestarmos atenção nos mínimos detalhes conseguiremos chegar nas outras camadas que o filme precisa para uma compreensão completa, chegando assim à alegorias, metáforas e interpretações que servem para enfim uma experiência completa. Tudo isso existe em Hereditário, porém aqui é de uma maneira mais agressiva.

O diretor apresenta todas as simbologias e alegorias usufruindo de sua grande habilidade e noção cinematográfica, aqui temos um espetáculo audiovisual nas suas questões técnicas, onde o filme consegue nos provocar, desconfortar, atordoar e amedrontar, tudo isso utilizando apenas as ferramentas da fotografia, trilha sonora, do enquadramento e da montagem. Não há jumpscares ou algum terror imediato para assustar o espectador, o horror e terror aqui são explorados de uma maneira eu diria, antropológica.

Midsommar – adentrando a uma perturbadora naturalidade | review
Pintura simbólica local apresentada durante o longa

Com as sequências perturbadoras e situações desconfortáveis que o longa nos faz vivenciar, nos passa não só essas alegorias e metáforas mas também um estudo que serve para reflexão sobre humanidade e costumes. Um vislumbre disso é a comunidade sueca retratada com costumes totalmente diferentes do “comum” na sociedade em que vivemos, sendo ela um tipo de culto que naturaliza todos os atos de abuso e violência que cometem para benefício próprio. O ponto que quero chegar é que o longa não demoniza ou condena a comunidade desde o princípio, e sim nos dá um reflexo de como no mundo existem milhares de culturas diferentes umas das outras, onde atos condenáveis como os do longa são algo comum.

Midsommar – adentrando a uma perturbadora naturalidade | review
Cena da “dor coletiva”

As vezes os acontecimentos e sequências parecem beirar o ridículo, e acabar arrancando risadas do espectador, porém é tudo pelo fato de não estarmos naturalizados com nada daquilo que é apresentado (e ainda bem, diga-se de passagem).

Toda essa mistura é perfeitamente conduzida pelo habilidoso diretor com elenco que nos entrega caracterizações sólidas e com camadas. Os personagens secundários tem suas personalidades e motivações bem apresentadas e construídas de maneira orgânica nos fazendo se aproximar de cada um. Florence Pugh que interpreta Dani, a personagem principal é a mais passível de destaque junto a Jack Reynor que interpreta seu namorado Christian, ambos nos entregando todos os extremos de seus personagens de maneira estupenda.

Vilhelm Blomgren como Pelle, Florence Pugh como Dani, Jack Reynor como Christian, William Jackson Harper como Josh e Will Poulter como Mark

No fim, Ari Aster nos entrega mais um filme que utiliza meticulosamente todos os recursos visuais e narrativos a seu dispor para nos contar uma história, a desenvolver com camadas, nos perturbar, desnortear e horrorizar, com uma narrativa de gênero fora do comum e que com certeza merece ser revisitada.

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