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Maria e João – Um Rico Visual Para Uma Rasa Narrativa | Review

| Gabriel Galdino | ,

Dirigido por Oz Perkins, Maria e João é um longa de horror que adapta o conto original conhecido como “João e Maria“, sendo assim, parte da mesma premissa de dois irmãos que saem de casa a procura de um futuro farto e logo depois encontram uma casa misteriosa porém bastante atraente onde vive uma idosa também misteriosa que os acolhe e os alimenta.

É difícil não conhecer o conto de João e Maria, sendo assim é muito difícil não saber o plot por trás da história da qual consiste na idosa que acolheu os irmãos ser uma bruxa que quer comê-los, e é claro, não vou dizer aqui se essa adaptação segue ou não em suma todo o conto original, mas é necessário que minha argumentação seja guiada por um fator importante que é a tentativa de autoralidade da direção.

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O roteiro nos apresenta a mesma premissa do conto original mas com uma direção que aposta em dois tipos de horror, o mais comum conhecido como terror imediato, do qual é usufruído pelos grandes blockbusters de terror do cinema atualmente, e o terror psicológico que aposta mais em construção de atmosfera do que propriamente assustar o espectador. O que poderia ser uma mesclagem interessante, acaba por levar a uma narrativa com tons esquizofrênicos na sua maneira de se contar e tentar vender sua proposta.

A direção é excelentemente eficiente em sua parte técnica, a fotografia que nos sufoca junto aos personagens que estão sempre incertos do que exatamente está acontecendo com a ajuda de uma iluminação rústica e ambiente, a trilha sonora que nos causa um desconforto contínuo ao acompanhar essa jornada de incertezas, a ambientação que eleva a solidão dos 3 personagens principais em uma dinâmica estranha e aflitiva. Tudo isso cria uma atmosfera horripilante de que algo sobrenatural existe ali, de que há sempre algo mau está pairando no ar.

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Infelizmente toda essa excelentíssima ambientação acaba por ser desperdiçada em uma narrativa que não nos apresenta um tom consistente, não sabe o que dizer e nem sabe para onde vai. A dúvida que ficamos em todo o longa é “Onde esse filme quer chegar?”, e sim, isso é algo válido e interessante de se ter em uma narrativa, mas aqui não é um desses casos a partir do ponto que você continua com as mesmas perguntas quando o filme acaba.

A turbulência causada pela instabilidade da narrativa deixa tudo menos interessante, as dúvidas causadas não cativam o suficiente, uma hora ou outra somos jogados em sequências de horror que não causam medo e não levam a lugar nenhum, tudo isso contribui para deixar a experiência mais cansativa e sem propósito.

Sendo assim o toque de autoralidade do longa foi uma tentativa que foi por água abaixo, tendo em mente o quantas possibilidades existem a partir desse clássico conto que já é bem bizarro por si só.

O elenco principal não carrega a trama para lugares mais profundos, assim permanecendo na superfície do que é contado. Tendo em vista de que isso é um problema maior do roteiro e da direção, Sammy Leakey e Alice Krige são os que conseguem apresentar um pouco mais de densidade a seus personagens, o mérito de Sammy sendo um ator estreante é destacável, mas principalmente Alice que é a responsável por boa parte do estranhamento e dúvidas causadas no público com sua personagem peculiar e excêntrica.

Sammy e Alice em cena.

No fim, Maria e João é um longa de horror que hora tenta ser mais autoral, hora tenta assustar com um terror mais imediato, tendo um visual belíssimo mas que nunca sai do lugar e nunca chega a lugar nenhum.

Avaliação: 2.5 de 5.

Mediano

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