Injustice: Deuses Entres Nós é tão ruim assim?

| Tiago Amorim | ,

Modificar a síntese de certos personagens sempre pode dar errado.  É óbvio que histórias únicas podem derrapar em certos momentos, mas na maior parte do tempo ainda resta os resquícios de um personagem extremamente caracterizado de uma maneira. E isso se fortalece com a DC Comics, onde há duas figuras que talvez sejam as mais profundas e debatidas no mundo dos quadrinhos, Batman e Superman. De uma maneira rasa, o Superman é nosso escoteiro, a esperança clara e luminosa que surge na luz do dia salvando a todos, ele representa o Messias, a figura que vem de outro local para guiar a humanidade para um ponto. E o Batman é o levante humano, a prova viva que nós mesmos humanos temos nossas visões e esperanças e embora não seja uma figura do dia (Morcegos, tsc tsc) ele tem um ideal que inspira uma legião de fervorosos fãs e personagens no interior de suas histórias.

Inspirada em um jogo de extremo sucesso (carregando o mesmo nome) Injustiça: Deuses Entre Nós conta com cinco anos de história, mas vamos nos redimir ao seu primeiro ano, o início de tudo. Com uma carga quase drogada de Os Novos 52, Superman e Batman invade as páginas dessa HQ mostrando um determinado período da história de uma outra dimensão onde o Coringa sequestra Lois Lane (Grávida) e Superman aciona a Liga da Justiça  procurando-a em todos os lugares, até que o Coringa em um plano memorável e doentio lança o temor de uma bomba nuclear em Metrópolis. Superman se encontra com Apocalipse e o leva para o espaço, mas logo se depara com Lois. Em determinado tempo o Coringa havia drogado o escoteiro e fez com que o herói tenha visto Apocalipse, mas na verdade era sua esposa. Lois morre  junto com a criança em sua barriga. Metrópolis explode com a bomba nuclear, a Liga salva grande parte da população e Superman assassina o Coringa em um momento visto por muitos de ouro.

E a partir disso o Superman em sua crise heroica começa uma jornada para acabar com todos os supervilões do mundo e os males que assolam a sua humanidade. Diferente de clássicos onde ele demonstra ideias de esperança, Superman parte para uma premissa um tanto extremista, doentia e sádica que é o homicídio, quase seguindo o “Bandido bom é bandido morto” da nossa sociedade.

O Batman então discordando cria outra legião de heróis que discordam daquela medida extremista do Superman e começa esse conflito entre dois ideais diferentes (talvez trocados) e uma história um tanto peculiar.

Se ignorássemos a falta de caráter esperançoso de Superman e todos os problemas que essa figura tem na HQ, Injustice ainda seria totalmente descartável, embalada pelo ritmo e da necessidade de lucrar, Injustice é um fenômeno crucial para o fim da era de HQs que mudam o paradigma de certos super heróis, mas mantem a qualidade. Seu roteiro formado por uma centena de escritores é raso, raramente temos blocos de palavras e frases que transformam uma HQ em uma literatura extremamente rica, não queremos um Sandman ou Watchmen, mas se bem que com uma história dessas cairia bem um bom roteiro não?

E Injustice embarca em mudanças de ideias básicas e rasas, momentos que podem se fixar na mente por uma arte exemplar e atual, personagens descaracterizados e colocações inúteis onde não levam a lugar nenhum e finaliza-se com uma necessidade de mudar um paradigma, mas faz de maneira ruim, mal acabada e só deixa ênfase para uma futura história pior, um deleite visual para fãs do Michael Bay ou quem sabe de Zack Snyder.

O que talvez salve essa falha grandiosa é sua arte, extremamente bem feita em certos momentos e em outros que mais se assemelham ao saudoso Frank Miller, a coloração da HQ segue linear e de uma forma até notável. Carregada por uma história meio fraca, um plot até salgado, mas com muita falta de tempero.

O Primeiro Ano de Injustice em si é ruim. Sua história é fraca, há falhas no roteiro e personagens totalmente caricatos e descaracterizados, uma história chula e com raros pontos positivos. Infelizmente só abre para mais 4 anos de histórias que seguem nessa originalidade péssima e de horrenda qualidade.

Nota: 2/10

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