Hibike! Euphonium ou como não julgar um livro pela capa

| Tiago Amorim |

Hibike! Euphonium é uma novel de 2013, de autoria de Ayano Takeda, posteriormente adaptada para anime em 2015 em 13 episódios pela Kyoto Animation, estúdio consagradíssimo no mercado e que foi responsável por algumas das obras mais conhecidas dos últimos anos, como K-On! e Suzumiya Haruhi no Yūutsu. Obras estas que dividem muito as opiniões dos fãs, de fato, se hoje temos uma cultura tão forte do moe devemos muito a esse estúdio.

O anime tem uma temporada completa, e terá sua segunda temporada iniciada dia 6 de Outubro. Como se trata de um anime realmente bom e estamos na iminência de uma continuação preparei este artigo para tentar “espalhar a palavra” para aqueles que ainda não desfrutaram da obra.


Olhe bem para essas garotas fofinhas… Já fica claro o motivo de muitos terem preconceitos para com Hibike! Euphonium, seu visual remete o telespectador a K-On!, uma série sobre o dia-à-dia de garotas fofas e eventualmente as atividades de seu clube de música. Isto não poderia estar mais errado, enquanto K-On! não é centrado em música, temos aqui uma autêntica obra sobre música orquestral e ainda com personagens e tramas muito mais interessantes.

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A série começa com a apresentação do resultado da competição de bandas escolares da regional de Kyoto, este é um momento de grande tensão para os alunos pois as melhores bandas tem a chance de seguir na competição no nível nacional. Nós somos então apresentados a duas importantes protagonistas da história, Kumiko Omae e Kousaka Reina, que reagem de formas diametralmente opostas, enquanto Kumiko descaradamente diz que não esperava que a banda fosse chegar as nacionais e não demonstra estar chateada, Reina fica abaladíssima e até chora, demonstrando até raiva pela reação da companheira de banda. Esse momento demonstra bem as personalidades das personagens, uma dissimulada que sofre por muitas vezes deixar escapar o que pensa, e outra extremamente ambiciosa no que faz.

Após esse momento Kumiko entra para o Ensino Médio, onde conhece Kazuki e Midori, que acabam incentivando-a a entrar na banda marcial da escola, esse tipo de banda costuma se apresentar em forma de marchas e é formada predominantemente por instrumentos de sopro, como o trompete, a tuba e o eufônio (instrumento que Kumiko toca). Ela está meio receosa, até porquê já tinha ouvido a banda antes e achado-a horrível mas acaba por entrar afinal, logo descobrimos que Reina também está lá e a tensão entre elas segue (muito por culpa de Kumiko, que se sente culpada pelo que fez).

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Somos então apresentados ao conselheiro recém-nomeado da banda, Noboru Taki, que já no inicio apresenta uma polêmica questão aos jovens, irão querer apenas se divertir com a banda ou almejar as nacionais? Nesse momento um tanto maquiavélico alguns alunos levantam a mão para as investir nas nacionais e apenas uma aluna para não. Após esse resultado pitoresco ele começa a preparar a todos para vencer com uma rigidez com a qual os alunos não estavam acostumados, muitos inclusive estavam apenas preocupados em marchar no próximo festival, o Sunfest, mesmo que com um desempenho fraco.

E assim vai se estabelecendo uma dinâmica que mais parece de um anime de esportes, em que todos os personagens tem seus próprios problemas, mas unem-se num objetivo comum no que acaba por ser um grande “arco de treinamento”. Mas Hibike! Euphonium vale a pena mesmo ser assistido? Vou elencar alguns pontos importantes mas sem spoilar.

Hibike! Euphonium grita que foi feito por pessoas que sabem o que estão fazendo, tanto na música quanto no storytelling e na animação. Está última é absolutamente primorosa, quando se fala em Kyoto Animation sempre se pensa em trabalhos bem produzidos, aqui não foi diferente, é tudo tão bem feito que você não sente preguiça em apreciar cada frame, com destaque para algumas cenas absolutamente majestosas, como as entre Reina e Kumiko que tanto causaram furor na internet.

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A obra tem todo um cuidado com a parte musical, que sempre soa genuína, destaque para como a série não a trata de forma expositiva. Um exemplo é quando num momento chave da obra, vemos uma disputa entre duas alunas para quem irá tocar um importante solo na apresentação, uma delas toca o instrumento de forma boa, já a outra toca-o divinamente e percebemos essa diferença não por comentários escancarados mas pura e simplesmente pela música, que passa essa mensagem mesmo para o ouvinte leigo.

Como que um reflexo da música assim são os personagens, muito bem trabalhados e únicos, vemos tramas se desenvolvendo que não soam artificiais e clichês batidos sendo evitados, como num momento que um suposto triângulo amoroso é rapidamente resolvido sem episódios e mais episódios de dúvidas tolas que todos os personagens compartilham, menos nós que enxergamos através da obviedade da situação que já vimos em tantos outros animes.

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Para aqueles que assistiram o excelente Whiplash é impossível não estabelecer um paralelo com a obra, principalmente quando vemos as personagens se dedicando extremamente para serem melhores, e muitas vezes falhando no processo. No entando é importante ressaltar que são duas obras diferentes, não vá assistir Hibike! Euphonium esperando a insanidade e o catártico final que o filme traz, mas não sairá decepcionado de qualquer forma, pois o anime traz também interessantes pontos.

Enfim vamos ao veredicto da obra:

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Narrativa – Excelente, bons personagens e boas tramas, destaque para a dinâmica entre Kumiko e Reina que vai ficando cada vez mais interessante com tempo, quem já assistiu sabe muito bem a que me refiro. O anime com certeza fisga desde o começo e no final de cada episódio você irá querer ir imediatamente para o próximo.

Trilha Sonora – Excepcional, agradará ainda mais os fãs de música clássica e jazz.

Animação – Lindíssima, vários momentos enchem os olhos.

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Vale a pena assistir? – Ainda tem dúvidas? Hibike! Euphonium é com toda certeza um dos melhores animes de 2015 e estou super ansioso para a próxima temporada.

Fiquem com esta imagem que reflete muito bem a quebra de expectativa da obra com direito à uma referência a Whiplash, filme já citado.

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