| Tiago Amorim | , ,

Hibike! Euphonium 2 ou como criamos falsas esperanças

Recentemente a segunda temporada de Hibike! Euphonium teve o seu fim, este que foi um dos animes com maior production values do ano, sendo extremamente notável a qualidade da animação, direção, trilha sonora e, ironicamente, manipulação dos nossos sentimentos. Para você que não sabe nada sobre a obra o site conta com uma review sem spoilers da primeira temporada: Clique aqui! O mesmo não se pode dizer sobre este review, que visa discutir exatamente o plot da segunda temporada e não vai poupar spoilers.

Subplots a vista

Qual seria o grande mote por trás de Hibike! Euphonium? Depois do fim dessa segunda temporada e sem perspectivas para uma terceira dá pra concluir que é a realização dos personagens principais tanto musicalmente quanto sentimentalmente, mais especificadamente Kumiko, Reina e Asuka. O resto simplesmente acaba não importando tanto. Mas temos 13 episódios sendo o primeiro duplo, todo esse tempo de tela foi usado para desenvolver isso? Não, como veremos a seguir.

Nem Hibike! escapa do clichê do episódio da praia

Logo o primeiro arco visa resolver um conflito que vem desde a primeira temporada, embora tenha sido pouco explorado lá: Quando vários membros do primeiro ano da banda marcial da escola Kitauji deram rage quit em resposta ao desinteresse dos alunos do terceiro ano. Agora com o sucesso da banda, que vem conseguindo avançar pela primeira na competição nacional de bandas escolares, uma estudante anteriormente pouco citada tenta voltar a banda, a Nozomi.

Para tal ela quer a aprovação da Asuka, a vice presidente, mas isso entra em conflito com a antiga dela, a Mizore, uma garota retraída que toca o oboé, que se sentiu traída quando ela abandonou a banda. E assim, vários episódios são usados, com direito a um episódio de praia (no caso uma piscina) obviamente utilizado para o fan service. A questão é que estes personagens não são tão interessantes, a Mizore não recebe destaque nenhum na primeira temporada, a impressão que eu tive é que ela entrou na banda agora. O que queremos mesmo ver vai ficando um pouco para depois…

Espera, era isso que a gente queria ver?

Agora vamos a um ponto crucial dessa review, quais as cenas mais marcantes de Hibike! Euphonium? É claro que são as cenas de enorme tensão sexual (eu não consigo interpretar de outra forma) entre a Reino e a Kumiko, o anime força na gente esse casal e nós torcemos por ele. Porém, o que o anime mostra não é realmente o que ele quer mostrar!? Embaralhou a mente? Eu também!

Beija logo!

O que é canônico, ou seja, o que está no material original, é que o interesse amoroso da Reina é o professor Taki, que rege a banda, e o interesse amoroso da Reina é o Shuuichi, o trombonista. Então o anime, ao mesmo tempo que mantêm a tensão entre as duas personagens, literalmente brincando com nossas expectativas, continua desenvolvendo regularmente a história tal como ela é nos livros (ou aproximadamente, não li para saber). A Reina continua muito apaixonada pelo professor e temos que lidar com isso, este que ganha bastante desenvolvimento nesta segunda parte do anime, quando conhecemos um pouco mais sobre a sua esposa e a sua motivação para reger a banda. Quanto ao Shuuichi…

Eu tenho pena desse cara

A Kumiko simplesmente parece não ligar pras investidas óbvias do personagem, provavelmente para não tirar ainda mais as expectativas que temos com o shipping que o anime cria (não nós) entre a Kumiko e a Reina. Temos aqui um caso clássico em que teoricamente os dois se gostam mas ninguém fala nada. Quando o anime acaba não avançamos um milimetro neste romance. E então a trama toma um caminho bem diferente a medida que chegamos perto do fim…

A melhor personagem

A Asuka é provavelmente a personagem que mais faz sucesso no anime, pelo seu jeito divertido, irônico e misterioso, quando Shuuichi diz que não sabe o quanto dela é atuação e o quanto é sincero ele acaba por defini-la muito bem. O anime pega o arco final para dar grande destaque a ela e a Kumiko, temos duas tramas: A irmã de Kumiko desiste do curso que estava fazendo motivada pelos pais para seguir seu próprio sonho, causando conflitos familiares inclusive com a própria Kumiko. E a Asuka, membro importantíssimo da banda, vê-se forçada pela mãe a abandoná-la, mesmo tão próxima da apresentação principal, para que foque nos estudos e consiga entrar numa universidade de qualidade.

A Kumiko e a Asuka passam a interagir muito, sendo objetivo da primeira convencer a segunda a retornar a banda, a Reina é posta totalmente de escanteio por uma boa gama de episódios. Acabamos descobrindo que o pai da Asuka, que ela nunca tinha conhecido, é um dos jurados da competição nacional, e que o grande desejo dela era apresentar-se para ele. Mostrando que na verdade ela não era a pessoa tão altruísta como a imagem que vinha construindo. E então concluímos essa parte com uma belíssima cena em que a Kumiko mostra seu desejo sincero de que a Asuka toque na banda e que ela está sendo boba em querer bancar a adulta sempre, pois o que era realmente queria era se apresentar e se arrependeria depois de não fazê-lo. Eis que surge um novo shipping para os fãs…

A melhor cena do anime

Tá, mas e o foco na música? Na banda se apresentando pelo nacional, o anseio de todos os alunos da escola Kitauji de finalmente conquistar o ouro, isto tudo é importantíssimo para a obra não é? Nem tanto. O grande peso de Hibike! fica mesmo na jornada, no desenvolvimento dos personagens, tanto é que o anime simplesmente pula a apresentação da banda na competição nacional.

A grande apresentação, mais uma expectativa quebrada

No final, temos dois momentos que cortam mais ainda as expectativas que o expectador vinha alimentando, a Reina confessa seus sentimentos para o professor aos berros de uma forma que o teatro todo ouviu, e a Kumiko, posteriormente ao se despedir da Asuka, em uma cena que traz inúmeras interpretações diametralmente opostas (assim como todas as insinuações que o anime vinha construindo), diz que a ama. Esse amor é um amor romântico? Não sabemos.

O que dá pra concluir com tudo isso é que Hibike! brincou com a dinâmica visual de duas personagens, injetando nos telespectadores uma anseio para que no final elas ficassem juntas como um casal. Para a trama o que ele fez foi desnecessário, uma vez que não usou na prática para nada, houveram confissões dúbias só para criar ainda mais dúvidas mas não houve nada claro, nenhum beijo, o romance não aflorou de fato. Mas para o marketing, foi com certeza eficiente, muita gente assistiu o anime do começo ao fim esperando mais das duas, e a grande maioria se decepcionou quanto a esse aspecto. No final, pelo menos tivemos algumas cenas interessantes e um grande crescimento das personagens da Reina, Kumiko e Asuka, que com certeza amadureceram ao longo da obra.

Veredicto:

Narrativa – Não tão fluida quanto a primeira temporada, porém melhor do que a média, tramas bem trabalhadas, grande desenvolvimento de personagens e várias cenas icônicas, destaque para o desabafo da Yuuko e da Kumiko, no começo e no fim da temporada.

Trilha Sonora – O mesmo da primeira temporada, boas músicas instrumentais.

Animação – Um crime.

Vale a pena assistir? – A primeira temporada vale muito a pena assistir, e uma vez assistida acredito ser essencial ver a segunda por complementar bastante a história. É obrigatório recomendar um anime tão bem produzido, com personagens tão interessantes e claro, muita música de qualidade. O romance acaba decepcionando? Sem sombra de dúvida, mas não creio isso ser suficiente para estragar a obra, ela ainda merece crédito mas que não sirva de exemplo a forma como ela brinca com nossas esperanças…

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