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Explorando The Expanse (Parte 2) – A Guerra de Calibã

| Márcio Moreira | | Deixe um comentário
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Se você está lendo isso, espero que você tenha honrado o compromisso que firmamos no final da primeira parte desta retrospectiva e assistido ao menos à primeira temporada da série The Expanse, porque haverão SPOILERS pra ela aqui.

Se não tiver visto ainda, volte à primeira parte da retrospectiva e/ou assista a primeira temporada dessa série sensacional (que está inteiramente disponível no serviço de streaming Amazon Prime Video) antes de ler o resto deste texto.

A nave Rocinante, que a esse ponto já passou por tanta coisa que pode ser considerada um protagonista.

Ok, agora podemos começar.

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Saudações, senhoras e senhores leitores do 1 Real a Hora! Bem-vindos à segunda parte na nossa retrospectiva da série The Expanse, onde eu (o fanboy residente) tenho o objetivo de rever e analisar cada uma das três temporadas já lançadas até a data da estreia da quarta temporada no dia 13 de dezembro.

Mês passado tentei convencer vocês a assistirem a primeira temporada da série, e agora irei cobrir a temporada seguinte e explicarei para vocês o motivo de ela ser o momento em que The Expanse deixou de ser apenas uma ótima série de ficção científica para se tornar algo verdadeiramente fodástico.

Dessa vez, a série conseguiu um orçamento mais generoso e a oportunidade de contar sua história em treze episódios ao invés dos dez fornecidos pela emissora para a temporada inicial. Isso abriu margem para a série explorar novos pontos de vista que foram apenas vislumbrados anteriormente, além de proporcionar cenas de ação mais elaboradas do ponto de vista técnico e um worldbuilding ainda mais meticuloso.

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Quatro fuzileiros marcianos observam a paisagem do Planeta Vermelho em processo de terraformação.

O Despertar da Guerra

A segunda temporada de The Expanse, estruturalmente, se divide em dois grandes arcos ao longo de seus treze episódios: os cinco primeiros lidam com a conclusão da trama do livro Leviatã Desperta (lançado no Brasil pela Editora Aleph); enquanto o restante da temporada adapta a primeira metade da sequência Caliban’s War (ainda sem versão brasileira). Ambos os arcos são conectados por uma trama que discute as diferentes maneiras que as pessoas têm de reagir à descoberta da “protomolécula”, a primeira evidência de vida extraterrestre.

Antes dos créditos iniciais do primeiro episódio, vislumbramos pela primeira vez o solo marciano do ponto de vista da nova heroína da série: Roberta “Bobbie” Draper (Frankie Adams), sargento de um esquadrão de fuzileiros da Marinha Marciana, composto por super-soldados que usam “Power Armor” (exoesqueletos com armas integradas inspirados nas armaduras do livro Tropas Estelares de Heinlein) em combate.

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O esquadrão de fuzileiros liderado por Bobbie Draper (Frankie Adams, no centro da foto)

Nessa cena situada durante uma sessão de treinamento, temos uma ideia bem clara da personalidade sonhadora de Bobbie e também dos relacionamentos entre os membros do esquadrão, que a sargento se esforça para manter unidos mesmo em face de ocasionais atritos violentos.

Daí a série continua de onde a temporada anterior parou: após contraírem doses letais de radiação e ficarem à beira da morte após o ocorrido na estação Eros, Joe Miller (Thomas Jane) e Jim Holden (Steven Strait) se recuperam a bordo da espaçonave Rocinante.

Com Julie Mao (Florence Faivre) morta pela protomolécula e toda a população de Eros tendo exterminada para servir de cobaia para um experimento envolvendo o organismo misterioso, a tripulação da Rocinante precisa lidar com as sequelas físicas e psicológicas deixadas por aqueles eventos enquanto busca uma forma de erradicar essa entidade alienígena com o fim de evitar mais mortes.

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Joe Miller (Thomas Jane) sendo fodão como sempre.

Enquanto isso na Terra, a subsecretária adjunta da ONU Chrisjen Avasarala (Shohreh Aghdashloo) sofre uma tentativa de assassinato após culpar publicamente o ativista Fred Johnson (Chad L. Coleman) pelo ataque à Donnager. Ao passo que uma guerra entre Terra e Marte se torna cada vez mais provável, Avasarala precisa utilizar seu conhecimento para expôr a aliança criminosa entre o subsecretário Sadavir Errinwright (Shawn Doyle) e o magnata industrial Jules-Pierre Mao (François Chau), assim evitando um conflito armado entre os dois mundos, à medida que mantém suas suspeitas em segredo pela própria segurança. 

Os primeiros cinco episódios funcionam como um longo clímax para a história da primeira temporada, com uma constante escalação de urgência e risco conforme segredos são revelados e reviravoltas vão acontecendo em momentos cruciais. A ambição de Avasarala, as dificuldades de Holden em lidar com um papel de liderança, e a iminente loucura de Miller são exploradas de forma impecável graças ao trabalho conjunto dos showrunners Mark Fergus e Hawk Ostby, que agora também dão espaço para os pontos de vista de personagens menos centrais na temporada anterior.

Chrisjen Avasarala (Shohreh Aghdashloo) acompanhada de Cotyar Ghazi (Nick E. Tarabay), um espião contratado por ela para investigar suas suspeitas a respeito de Errinwright.

O melhor exemplo que se pode dar desses personagens secundários da temporada anterior que adquiriram protagonismo na atual é a própria tripulação da Rocinante: depois de alguns vislumbres anteriormente, agora temos acesso às perspectivas de Naomi (Dominique Tipper), Alex (Cas Anvar) e Amos (Wes Chatham) fora do campo de visão de James Holden. Desde o esforço de Alex para reprimir o próprio estresse pós-traumático até a exploração da psiquê de Amos, o fato de podermos ver como esses personagens enxergam o mundo e também a forma como as experiências passadas os afetam ajuda a tornar a trama ainda mais envolvente.

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Além disso, um clímax não poderia ser um clímax se não tivesse ao menos uma setpiece carregada de tensão e espetáculo visual, e nesse caso há várias. Um destaque é a batalha entre a Rocinante e uma nave invisível no segundo episódio, que é provavelmente a representação mais realista que um combate entre espaçonaves poderia ter. Esse arco termina com um momento emocionante que não posso contar devido a spoilers, e estabelece as fundações para a etapa seguinte da narrativa de The Expanse.

A tripulação da Rocinante, da esquerda para a direita: Alex (Cas Anvar), Amos (Wes Chatham), Naomi (Dominique Tipper) e Jim (Steven Strait).

Do episódio 6 em diante, a série adquire um tom bem mais sombrio em comparação com o que veio antes. O episódio inicial desse arco consiste em um prólogo para o novo mistério apresentado no livro Caliban’s War, alternado com uma adaptação do conto Drive (disponível gratuitamente aqui), que narra a trágica história de Solomon Epstein, inventor do sistema de propulsão homônimo.

A inclusão desse conto é especialmente interessante pois encapsula de forma perfeita o tema central dessa temporada: como uma única descoberta científica pode mudar fundamentalmente uma sociedade inteira.

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A nave de Solomon Epstein em seu vôo inaugural, mais de 100 anos antes dos eventos principais da trama.

Nessa segunda fase, a personagem Bobbie Draper – que até então era uma personagem secundária e relativamente inconsequente no panorama geral da narrativa – assume de fato um papel de protagonista após se envolver por acaso em uma conspiração política interplanetária que gira em torno de um uso terrível e ganancioso das propriedades da protomolécula.

Os demais protagonistas não abaixaram a guarda após o clímax do arco anterior, pois ainda há pontas soltas tanto a respeito da natureza da protomolécula quanto das manobras que estão ocorrendo por baixo dos panos para iniciar uma guerra no sistema solar.

Nem preciso dizer que o resto é spoiler.

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Expandindo The Expanse

Como falei antes, o aumento no orçamento e o maior número de episódios possibilitaram que a série fosse ainda mais meticulosa na construção de seus mundos fictícios. Do ponto de vista de personagens novatos e veteranos, aprendemos mais sobre as diversas facetas do sistema solar no século XIV.

Logo de cara no primeiro episódio, vemos em primeira mão a superfície de Marte e o comportamento de seus habitantes. Essa facção militarista que, na primeira temporada, era acompanhada por uma aura de mistério com alguns vislumbres de humanidade em meio ao comportamento extremamente disciplinado dos poucos personagens mostrados até então, agora é apresentada com mais nuance e detalhes através dos olhos da personagem Bobbie Draper (isso sem falar na power armor absurdamente foda que eles usam).

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Uma projeção do solo marciano após 100 anos de terraformação, vista através do visor da power armor de Bobbie Draper.

A República de Marte que conhecemos aqui é de fato uma nação militarista que valoriza disciplina e união, fazendo jus à sua reputação, mas também vemos o comprometimento de seus membros com o grande sonho dos fundadores: transformar o Planeta Vermelho em uma “Nova Terra”. Mesmo duzentos anos após a colonização original, com as gerações mais novas nascendo e crescendo sem a menor ideia de como seria um céu azul, ainda há um esforço coletivo para manter esse sonho vivo.

Do lado da Terra, vemos pela primeira vez a realidade da população que não faz parte da elite política e diplomática. Devido à superpopulação e ao esgotamento dos recursos naturais (que motivou a colonização interplanetária), uma esmagadora maioria dos habitantes do nosso planeta são privados de oportunidades de emprego e mobilidade social. A solução que os governantes encontraram para contornar o problema foi prover a essa parcela da população uma “assistência básica” (comida, remédios e outros mantimentos apenas em quantidade estritamente necessária para a sobrevivência).

Bobbie Draper andando por uma das inúmeras favelas na Terra.

Como se pode imaginar, os beneficiários dessa “assistência básica” vivem em uma situação de pobreza extrema. Os detalhes de como essa realidade é retratada na série não posso dizer por causa de spoilers, mas é um contraste muito interessante com o cotidiano glamouroso da alta sociedade que estávamos acostumados a ver.

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Finalizando

Essa segunda etapa da retrospectiva acabou sendo mais curta do que eu gostaria, visto que o universo e os personagens da série já haviam sido introduzidos propriamente no texto do mês passado. Dessa forma, não sobrou muito do que falar a respeito disso além da 

No geral, a segunda temporada de The Expanse cumpre seu papel ao desenvolver e refinar os conceitos que a anterior nos apresentou, e faz com que a série consiga se desvencilhar por completo do estigma negativo que permeia as produções do canal SyFy ao deixar transparecer maiores ambições. 

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A vista de uma das luas de Júpiter.

A adição do ponto de vista da sargento Bobbie Draper contribui bastante para a diversidade de personagens e ideologias mostrada em The Expanse, mas a verdadeira missão de Fergus e Ostby nessa temporada é dar continuidade aos temas pré-existentes e torná-los o mais verossímil possível. E não há dúvidas de que essa missão foi MUITO bem-sucedida.

Para começar, a trama da protomolécula é trabalhada até se tornar uma das interpretações mais inusitadas e inteligentes da clássica narrativa do “Primeiro Contato”, com uma vibe quase lovecraftiana em alguns momentos devido às questões recorrentes acerca do “medo do desconhecido”.

Além disso, os novos ângulos pelos quais observamos as diferentes sociedades no futuro distante de The Expanse proporcionam alguns excelentes momentos de reflexão e ironia dramática que figuram entre os melhores que uma série de ficção científica pode oferecer.

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A Rocinante engaja em combate com uma nave invisível.

E isso não é tudo, pois os episódios finais da temporada elevam o mistério e a tensão de forma exponencial, culminando em cliffhangers que abrem possibilidades absurdas para o futuro de The Expanse, sejam elas demonstradas por uma exploração maior dos temas já abordados ou mesmo pela introdução de elementos inéditos que levam a série por rumos totalmente inesperados e, mesmo em face da magnitude da mudança que eles causam, se encaixam de forma perfeitamente orgânica na trama.

No entanto, isso é outra história que iremos discutir só mês que vem.Assista The Expanse no Amazon Prime Video, e eu te espero de volta mês que vem para continuarmos nosso aquecimento para a estreia da quarta temporada no dia 13 de Dezembro.

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