Coringa – Adentrando em uma mente perturbada | Review

Chocante, forte e intenso, são boas palavras para se descrever Coringa.

Dirigido por Todd Philips, o novo longa do Palhaço do Crime não é só um envolvente drama de origem, como também um profundo estudo de personagem.

Coringa já é um dos filmes mais polêmicos do ano por seus temas complexos e abordagem facilmente interpretáveis de maneira equivocada. Mas em sua síntese, Coringa é um complexo estudo de personagem que nos faz mergulhar em uma mente que é constantemente abalada não só pelo mundo ao seu redor, mas pela sua natural propensão a insanidade.

Os temas sociais abordados aqui são totalmente debativeis e relevantes até hoje, e sabendo das ações radicais de seu protagonista a mercê desses temas e situações, junto a uma representação antissistema que o personagem claramente vive na trama, o roteiro não se propõe a nenhum tipo de exaltação ou reprovação de suas atitudes, e sim vislumbrar o desenrolar da narrativa através dos olhos do protagonista. O que vemos, ouvimos e experienciamos, vem diretamente da mente perturbada de Arthur, e a partir disso é de nossa responsabilidade que saibamos assimilar isso.

Movimento social do qual faz parte do desenrolar da trama

O longa pode pecar em perder o potencial de construção de certos personagens secundários que por exemplo não tem muita voz ativa no longa, e também as vezes parecer simplista na sua ilustração de problemas sociais reais, porém essa impressão é aceitável a partir do ponto que temos consiência de que acompanhamos diretamente a visão deturpada de Arthur.

A atmosfera sombria e pessimista do filme se mostra como reflexo da visão de Arthur no mundo em que vive, algo que é construído de maneira meticulosa e cuidadosa para nos apresentar que não só as coisas a volta de Arthur são difíceis e complexas, mas sua própria mente.

A excelência da qual Joaquin Phoenix nos entrega no papel de Arthur Fleck, não só nos choca e desconforta (de maneira positiva), como também nos cativa de uma maneira profunda e complexa. O ator que está quase esquelético, junto as suas crises de risadas seguidas de uma clara expressão de sofrimento, consegue manejar todas as emoções complexas e conflituosas do personagem, trazendo um resultado magnífico. Algo que na minha opinião não deve passar em branco na temporada de premiações.

O filme não se limita a uma atmosfera sombria, usufruindo de um irônico humor inteligentemente relacionado a mitologia de seu personagem, junto a momentos chocantes que são como um soco no estômago. Assim sendo, as explosões de Arthur são espetaculares e chocantes, da direção que nos deixa apreensivos com a aura bizarra e imprevisível do personagem até a atuação excepcional de Phoenix.

Sua trilha sonora eleva toda a tensão e intensidade das sequências além de criar uma atmosfera mais clássica e irônica, trabalhando excelentemente em conjunto com a construção de momentos chave do longa, sem falar da belíssima fotografia que rende enquadramentos contemplativos com planos longos que nos fazem digerir de maneira mais crua cada situação e acontecimento.

Coringa – adentrando em uma mente perturbada | review
Belíssima cena da escada

De acordo com o diretor, a intenção não era fazer uma adaptação de quadrinhos, mas sim um filme próprio, e sim, ele é, mas é óbvio que muito da mitologia do personagem foi inserida diretamente dos quadrinhos, mesmo que de forma adaptada, e isso não se limita só a sua caracterização e acontecimentos, mas até o mundo a sua volta como por exemplo a história de Gotham e Bruce Wayne.

No fim, Coringa usufrui de sua famosa mitologia para integrar um roteiro bem escrito e executado, sendo não apenas um excelente thriller dramático, mas um profundo estudo de personagem que precisa de consciência para ser assimilado.

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