Blade Runner 2049 é uma obra de arte perfeccionista | Review

| Tiago Amorim |

Blade Runner 2049 não é um filme qualquer, não é uma ficção que usa uma trama clichê e tenta se passar por ‘inovador’. O longa consegue resgatar tudo o que há de melhor em seu antecessor, ou seja, simplesmente tudo e ainda criar coisas novas. Se você espera um filme que seja apenas explosões e lutas, pode ser um filme que não vá lhe agradar tanto.

blade2-3946741-6830264Um filme que consegue ser visualmente poético, com uma fotografia deslumbrante de Roger Deakins (Sicario) traz o ambiente já visto no seu primeiro filme, porém com uma evolução criada pelo diretor. Vemos mais do ambiente e a interação nele, o estilo cyberpunk consegue transformar o visual em uma chamativa e magnífica obra de arte. É possível ver em diversas cenas como a luz é muito importante, tanto para a beleza e como o filme decorre, tudo se encaixa como uma perfeita sinfonia. Uma direção e fotografia que fazem suspirar e querer fazer um quadro de todos os frames que passam na tela, é uma experiência e tanto para qualquer amante de cinema e fãs da saga. Para os fãs de carteirinha, podemos ver muitas cenas onde o diretor brinca com os quadrantes e planos do filme que fazem pontes com o original, como essa:

No roteiro criado por Hampton Fancher (Blade Runner, o Caçador de Androides) e Michael Green (Logan), é mostrado que após problemas com o Nexus 8, uma nova espécie de replicantes mais obedientes é criada por Niander Wallace (Jared Leto). Assim começa a história de K (Ryan Gosling), que é enviado para ‘aposentar’ os antigos replicantes ainda foragidos. No meio de sua missão, é necessário desvendar um mistério que pode desencadear uma guerra entre os replicantes e os humanos. A história é bastante complexa e consegue te prender do início ao fim, com reviravoltas e várias citações do passado, é um novo patamar que mostra como o longa é totalmente uma obra no mundo da ficção. (Optei não falar muito do enredo do filme, pois um dos pontos do filme é desvendar tudo, pouco a pouco. Não quero atrapalhar a experiência de ninguém.)

O que nos torna humanos? Essa é a moral e a dúvida introduzida no filme. O que diferencia os replicantes de humanos? A falta de uma alma? Os replicantes não querem mais se sentir excluídos por terem sido criados apenas para ser uma mão de obra, eles querem saber o que é sentir ter uma alma em si. A reflexão que o filme traz é intrigante e é a chave da trama, são esses detalhes que o tornam em si um filme tão poderoso.

A atmosfera criada pelos atores é ótima e harmoniosa, todos trabalham muito bem e conseguem mostrar realmente o papel de seus personagens, sendo ele humano ou replicante. As cenas de luta são muito bem coreografadas e dirigidas, mas conseguem se encaixar bem na trama. Você consegue sentir o peso de cada um na trama, se importar com uns e odiar outros. Conseguimos ver bastante a diferença dos protagonistas, o jeito de cada um de ver o mundo. Certos personagens podem ser mais mostrados no futuro, já que o filme está criado um universo próprio, que tem tudo para dar certo.

Os efeitos visuais conseguem ser incrivelmente realistas, um dos melhores pontos do filme. O diretor já havia dito que usaria bastante efeitos práticos, para deixar o mais real possível, e isso é algo que funciona. Por mais que você saiba que aquilo é ficção, é tão real que pode te confundir. É ótimo ver como eles trabalharam bastante em cenários reais, isso deu mais vida ao filme, assim como o CGI, é acerto atrás de acerto.

blade-runner-2049-two-new-posters-revealed_qfur-2194239-3583405Uma coisa muito marcante no filme é sua trilha-sonora, que é de fazer arrepiar o corpo da cabeça aos pés. Hans Zimmer e Benjamin Wallfisch criam algo muito similar ao do primeiro filme, mas tem uma certa evolução na música, e tem a marca de Zimmer nelas. O som futurista continua e consegue entrar em perfeita sincronia com o filme, é simplesmente lindo. Temos a presença também de músicos antigos, o que me deixou bem contente. Você pode conferir o trabalho aqui:

Geralmente não costumo a gostar tanto assim de um filme, mas Blade Runner 2049 consegue me conquistar completamente, na minha opinião, Denis Villeneuve não fez um filme, e sim uma obra de arte, onde tudo é precisamente bem trabalhado, harmonioso e magnífico. Assim como seu antecessor, esse irá marcar a história do cinema, e merece mesmo ser lembrado como uma das primeiras obras de arte do século 21. Pode ter certeza que entrou para minha lista de filmes preferidos e que eu ainda irei escrever muito sobre ele, assim como o primeiro marcou uma geração, a continuação não será diferente.

Recomendo que vejam o filme em IMAX, e queria ressaltar que a dublagem do filme também ficou incrível, tendo os mesmos dubladores do longa original.

Blade Runner 2049 lançou dia 5 de outubro de 2017 e já está passando em todo Brasil.                                Confira o trailer do longa e logo abaixo sua nota.

https://www.youtube.com/watch?v=OEW3gbptBZg

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