Autor: Gabriel Galdino

A Vastidão Da Noite – Uma Espirituosa Ficção Científica na Escuridão | Review

O novo original Amazon Prime “A Vastidão Da Noite” vem dando o que falar dentro da comunidade crítica, logo após ser rejeitado por 18 festivais de cinema e depois ser exibido no Slamdance, em 2019, assim recebendo o prêmio do público na categoria Melhor Narrativa.

E não é à toa, já que o longa dirigido pelo estreante Andrew Patterson nos leva a uma experiência misteriosa e mega cativante, que consegue guiar o espectador em uma narrativa simples mas excelentemente bem executada.

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O baixo orçamento é algo a se enfatizar pela qualidade do trabalho aqui feito, principalmente em questões técnicas. Durante todo o longa temos uma fotografia que nos inunda com seus cenários urbanos e escuros de uma noite em uma pequena cidade Estadunidense nos anos 50. Temos aqui alguns planos sequenciais que permanecem durante boa parte do longa, e que sempre conseguem nos prender a atenção, e mesmo assim, o diretor executa cortes precisos para nos movimentar junto com a intensidade de cada momento, algo que no fim se torna muito eficaz.

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A imersão é tamanha, que mesmo com apenas longos diálogos acontecendo durante longos minutos, uma idéia que pode parecer um tanto monótona, na prática, não nos deixa piscar diante da tela. O longa já é iniciado com um longo diálogo enquanto outras situações se desenrolam, de um jeito dinâmico, somos sempre levados ao ritmo dos personagens, nos fazendo ficar cada vez mais atentos aos diálogos e ansiando pelo que poderá nos ser revelado durante eles.

A dupla principal de A Vastidão Da Noite interpretada por Sierra McCormick e Jake Horowitz são o coração da narrativa, sua dinâmica nos envolve com maestria, suas interações rápidas e cativantes sempre nos levam a algum lugar diferente, sempre nos aproximando cada vez mais do mistério que paira no ar e sua busca por respostas. A dupla carrega uma hora e meia de narrativa e ainda conseguem nos deixar com gostinho de “quero mais”.

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Jake Horowitz como Everett e Sierra McCormick como Fay Crocker

Não sendo apenas o roteiro e a fotografia que nos envolvem, a trilha sonora e a mixagem de som são essenciais para a experiência por completo, é como se sem ela, a história não pudesse ser contada. A trilha tem a tendência de não só nos situar naquele tempo e naquele espaço, mas também combina de maneira peculiar com o seu momento escolhido no longa. E além disso, a intensificação de momentos chave na trama são todos construídos com base na trilha sonora de maneira excelentemente cativante.

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No fim, A Vastidão da Noite chega como uma bela surpresa, que mesmo sendo uma homenagem à obras de época do gênero, é muito mais do que apenas isso, e nos entrega uma obra nova, interessante, com uma abordagem original e excelentemente bem executada, o que torna o longa essencial para quem é fã de uma boa ficção científica, ou até um filme de suspense com mistérios.

Avaliação: 5 de 5.

Excelente

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É Oficial! Henry Cavill irá voltar ao papel de Superman para diversos filmes da DC

A informação dada pela Warner através da Deadline foi a confirmação de que o ator Henry Cavill está oficialmente em negociações para retornar como o Super Herói nas telonas.

Infelizmente não há informações sobre uma continuação de Homen De Aço, que ainda continua sem movimentação. Portanto, não temos nenhuma informação de Cavill possivelmente estrelando algum próximo filme da DC.

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Cena onde Henry Cavill apareceria como Superman em Shazam!, mas não aconteceu por conta de conflitos de agenda.

O papel do herói no DCEU será apenas de participações (Semelhante ao Hulk nos filmes da Marvel), entre os longas que Henry Cavill estará presente estão “Shazam! 2“, “Adão Negro” e até “Aquaman 2

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Há alguns meses, Henry Cavill já havia declarado que continuaria no papel e estava empolgado para enfim explorar “o verdadeiro significado” do Superman.

Gris é uma obra prima de sensações | Review

Como primeiro lançamento da produtora independente Nomada Studio, Gris é um game de aventura que explora mecânicas em uma gameplay 2D com um grande foco artístico.

Um breve resumo apenas para apresentar Gris é algo difícil de se fazer, pois há muitas formas diferentes de se apresentar essa obra para diferentes tipos de jogadores.

Gris não é um jogo muito longo, com uma duração de aproximadamente 3 horas de jogatina. Porém não há desvantagem nesse sentido, tudo a que o game se propõe é perfeitamente executado nesse tempo, mesmo que há quem prefira experiências mais longas.

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Não há uma palavra dita em Gris, toda sua narrativa é apresentada e desenvolvida a partir de seu belíssimo visual que consegue cativar o jogador assim que ele começa a jogatina, e com suas mecânicas que vão sendo exploradas cada vez mais que o jogador avança. A junção de visual e mecânicas para contar sua história é a base de Gris, que tem a intenção de nos levar a uma jornada sensorial sobre assuntos pessoais de cada um.

Diretamente, podemos dizer que Gris aborda temas como perda, depressão e vazio, e são sim interpretações válidas para essa experiência, porém não podemos nos prender apenas à isso. Gris sendo uma obra sensorial, desperta e cativa cada jogador de uma maneira única, sendo assim, florescendo em cada um uma experiência única. Não há uma verdade universal, uma interpretação definitiva, nada do tipo. O que há são diferentes experiências.

O seu incrível visual que evolui junto à narrativa é como um quadro vivo, e seu Game Design muito bem construído nos apresenta cenários que não nos dizem diretamente para onde ir, mas nos induz a andar e explorar as belíssimas ruínas bidimensionais de maneira que é difícil de acabar se perdendo, mesmo que pareça fácil.

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A trilha sonora não é só perfeitamente atmosférica, como é excelentemente bem incluída na jogatina de forma que sem ela, a gameplay seria uma experiência totalmente diferente. A intensificação de momentos fortes e a sensibilidade de momentos mais contemplativos, é tudo perfeitamente executado com a junção da trilha sonora e os visuais.

Não sendo à toa seu prêmio conquistado na The Game Awards 2019 como melhor jogo impactante, Gris é um game que consegue casar mecânica, visual e trilha sonora para entregar toda sua proposta de uma maneira magnífica, que mesmo tendo pouco tempo de jogatina, é uma experiência que pode ficar com o jogador por muito mais tempo.

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Avaliação: 5 de 5.

Excelente

Adoráveis Mulheres é uma desconstrução necessária | Review

O longa Adoráveis Mulheres que ganhou holofotes durante a temporada de premiações de 2020, conta a história das irmãs March nos anos de 1860 e foi dirigido pela notória Greta Gerwig (de Lady Bird por exemplo).

A narrativa tem como foco a história dessas irmãs que são interpretadas por Saoirse Ronan, Emma Watson, Florence Pugh e Eliza Scanlen. Sempre que estão juntas em cena, o foco do momento é explorar sua química e nos aproximar cada vez mais das personagens como um coletivo, algo que funciona muito bem e sempre aquece nossos corações ao ver a família March reunida.

À parte, temos uma outra trama sendo contada, que é a das mesmas irmãs, porém, já adultas no presente. O longa está sempre alternando entre passado e presente para nos contar essa história, algo que de início pode nos deixar confusos, mas inteligentemente a montagem nos apresenta uma estrutura de cena totalmente diferente para cada linha do tempo em que o filme se passa.

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Irmãs March reunidas.

Para o atual momento das irmãs na fase adulta, temos uma palheta de cores acinzentada e uma fotografia menos acolhedora, formando uma atmosfera fria. Já no passado, temos uma fotografia mais acolhedora, uma paleta de cores mais quente e uma atmosfera que nos acolhe junto com aquelas personagens vivendo suas vidas simples e cheias de amor.

Com essa alternância de tempo, a narrativa tem como um de seus temas base o amadurecimento e o crescimento para a fase adulta, o que fica cada vez mais claro com a evolução da narrativa, algo que casa muito bem com o ritmo do longa já que junto a esse esclarecimento de tema, já estamos cada vez mais próximos das personagens e se importando cada vez mais com elas.

É claro, o longa não se limita a ser apenas uma história sobre amadurecimento, e além de explorar a relação das irmãs, tem em seu contexto histórico uma importante tarefa que é levado como ponto principal pela diretora. Desconstruir a imagem da mulher em uma história e dar à elas sua devida diversidade narrativa.

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É claro que isso já foi feito em obras anteriormente, mesmo que pouco, porém o diferencial de Adoráveis Mulheres é usar sua metalinguagem para comentar diretamente sobre esse assunto, além de já desconstruir esses papéis que infelizmente muitas pessoas esperam de mulheres em histórias, sejam elas em livros, filmes, ou quaisquer outros formatos de se contar uma história.

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Mesmo que Saoirse seja uma clara protagonista com sua personagem Jo March da qual tem um foco a mais no roteiro, todas as irmãs também são as estrelas do longa e entregam ótimas performances com uma verdade encantadora que nos aproxima muito de cada uma e de sua relação familiar. O elenco ao todo é de peso, contando com Maryl Streep que mesmo com um papel não tão grande consegue ser fenomenal, Laura Dern como a doce mãe das irmãs March, e até Timothée Chalamet como o cativante e interessante Laurie.

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Apesar do longa usar seu contexto histórico para criticar boa parte dos problemas patriarcais, a diversidade narrativa com as personagens nos leva a outros lugares além de uma história sobre amadurecimento e representações com relevância social, como também um romance clássico que chega a admirar a beleza , que, apesar de tudo, havia nessa época. Com sua excelente ambientação de época, isso é algo que pode parecer como um conflito de ideias, porém o filme apresenta toda sua diversidade narrativa de maneira orgânica de modo que cada sequência encaixa e flui perfeitamente.

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No fim, Adoráveis Mulheres é um filme que não só nos apresenta um denso romance sobre amadurecimento e família, mas também é uma obra que desconstrói e critica diretamente arquétipos históricos sobre a representação feminina no modo de contar uma história.

Avaliação: 5 de 5.

Excelente

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Fratura – Uma Ambiguidade Que Se Esforça Para Ser Empolgante | Review

Fratura é um filme de suspense psicológico dirigido por Brad Anderson e distribuído pela Netflix.

O longa conta a história de Ray Monroe (Sam Worthington) e sua família após um acidente em meio a uma parada em uma viagem de carro. Logo de início somos colocados em uma atmosfera fria e sem vida, o que causa no telespectador um desconforto contínuo.

As cenas de conversação dentro do carro, as externas na estrada, o ambiente onde o filme se passa, todos são frios e passam uma sensação de desolamento contínuo. A atmosfera é pouco alternada durante a trama, mesmo quando os acontecimentos começam a desencadear e o filme propõe um respiro de alívio daquela atmosfera, esses momentos são poucos, porém oportunos e funcionam na proposta da narrativa.

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Lily Rabe como Joanne Monroe que entrega uma boa performance com seu desconfortável e contínuo olhar.

Apesar da atmosfera funcionar bem, há momentos em que a direção se mostra pouco habilidosa em causar impacto em acontecimentos importantes na trama. Esse impacto visual é completamente perdido em cenas que são executadas de maneira desleixadas e pouco eficazes. O maior exemplo que temos com esse problema é a cena do acidente com a filha de Ray (Lucy Capri).

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E é ao final do primeiro ato que temos a grande ambiguidade do longa sendo explorada de forma mais intensa, o que perdura durante toda sua duração. O suspense é totalmente pautado nessa ambiguidade da narrativa, uma atmosfera onírica é posta em prática e a narrativa vai adicionando cada vez mais pistas para aumentar a ambiguidade do roteiro, algo que beira o exagero, mas que consegue se segurar, pelo menos por boa parte.

A sutileza é algo necessário para construir a trama de maneira eficaz, mas muitas vezes a atmosfera e os acontecimentos parecem estar se esforçando para nos apresentar pistas e nos deixar confusos, o que acaba com a sutileza que sendo manuseada com eficácia, traria um resultado muito mais inteligente.

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Pecando em certas sutilezas, o filme se apoia bastante na incerteza narrativa e na maneira como o longa é filmado, planos que nos aproximam do rosto do protagonista e que o distanciam de uma realidade imparcial é usada a todo momento, também são poucas as vezes que vemos o personagem principal em um mesmo plano que outros personagens, o que inconscientemente o distancia também daquela realidade. Essas são formas mais detalhadas de como o longa trabalha também sua ambiguidade.

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Sam Worthington tem o importante papel de levar a narrativa inteira consigo, e é algo que felizmente o ator entrega com consistência, suas instabilidades e sofrimento psicológico são bem realizados pelo ator, não há nenhum grande destaque, mas sim uma boa competência. Lily Rabe também entrega uma boa performance como Joanne Monroe, que mesmo aparecendo pouco, consegue entregar uma atuação que contribui para a atmosfera duvidosa e onírica do longa.

Escalando seus acontecimentos, o 3 ato nos leva a uma sequência quase que caótica, mas que ainda funciona em sua proposta por conseguir manter o espectador cada vez mais curioso e instigado.

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Sua conclusão é quando o diretor se joga da corda bamba onde permaneceu por todo o longa, as “sutilezas pouco sutis” de antes são totalmente esquecidas para explicar ao espectador exatamente o que aconteceu no fim. Desperdiçando a chance de usar uma boa sutileza para induzir o espectador, ou até uma interpretação, o longa prefere subestimar a inteligência de quem está assistindo e entregar detalhadamente sua conclusão.

No fim, Fratura é um suspense psicológico que apesar de pecar em aproveitar todo seu potencial e desperdiçar sua conclusão, consegue entregar o que propõe durante sua duração.

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Avaliação: 3 de 5.

Mediano

O Poço – Uma Alegoria Visceral Sobre a Natureza Humana e Sua Sociedade

Dirigido por Galder Gaztelu-Urrutia, o novo longa Espanhol da Netflix, O Poço, nos traz um suspense sufocante e visceral que não se limita apenas em sua atmosfera, mas se aprofunda até uma camada de mensagem subjetiva.

Aproveitando que o longa se passa boa parte basicamente em apenas um ambiente com poucos personagens, sua atmosfera sombria e desolada pega o espectador em cheio nos trazendo até aquele cenário de uma maneira muito eficaz.

A fotografia sombria e que incorpora o cenário desconfortável está sempre nos mostrando com perfeição a experiência da qual os personagens vivem, assim como a palheta de cores que alterna dependendo do horário do dia e da intensidade da cena.

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Toda a situação e diálogos de início fazem muito em instigar o espectador, para o mesmo observar mais atentamente e descobrir mais sobre o que está acontecendo e como está acontecendo.

O ritmo do longa também é excepcional em prender o espectador para o que está por vir, o suspense escala de maneira segura por toda sua duração, apresentando novos elementos a cada vez que avança, como por exemplo sua violência e visceralidade.

De início não temos nada relacionado a gore, mas quando o filme escala com seus acontecimentos, a violência vai ficando cada vez mais intensa e sufocante, junto a atmosfera e a evolução do personagem principal, interpretado por Iván Massagué.

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Iván Massagué como Goreng.

É difícil não notar que em toda essa precisa direção que constrói com êxito uma atmosfera sufocante e desconfortável, há um grande ensaio com mensagens subjetivas e quase diretas à natureza humana e sua sociedade com o capitalismo.

Toda a idéia do poço, das pessoas em cima e embaixo, da comida, das escolhas que as pessoas fazem perante a situação que são colocadas em meio ao sistema, o próprio sistema em si, até o preconceito é ferramenta essencial para a alegoria. Tudo aqui é uma releitura da sociedade humana focada em explorar todo seu desequilíbrio e instabilidade, o que acaba por levar a um banho de sangue.

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Emilio Buale como Baharat e Ivan Massagué como Goreng.


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Há muitas interpretações e teorias para diversas coisas da trama, principalmente para a sua conclusão, que pode não agradar à quem espera uma resposta mais direta sobre o que é aquilo tudo, mas que dentro de sua proposta é executada de maneira excelente, nos fazendo levar o longa conosco para pensar e discutir depois de assistir, coisa que só uma boa trama faz.


No fim, O Poço é um suspense instigante e violento que não se limita apenas a sua atmosfera e trama eficazes, mas que eleva tudo isso à uma alegoria social.

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Avaliação: 5 de 5.

Excelente.

Mesmo diabético, Tom Hanks anuncia estar melhorando do Coronavírus

Usando suas redes sociais, Tom Hanks atualizou o público sobre seu estado relacionado ao COVID-19, do qual ele e sua esposa tiveram testes positivos para a doença do Coronavírus. Com o teste liberado dia 11 de Março, o casal deixou o hospital 5 dias depois para seguir com a quarentena em sua casa, na Austrália.

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Foto postada no Instagram do ator para fazer o anúncio.

‘Olá, pessoal. Duas semanas após os nossos primeiros sintomas e nós estamos nos sentindo melhor. Ficar em casa funciona tipo assim: Você não contamina ninguém – Você não é contaminado por ninguém. Bom senso, né? Vai demorar um pouco, mas se cuidarmos uns dos outros, nos ajudarmos onde pudermos e dermos algum conforto, isso também deve passar. Nós vamos dar um jeito nisso.” , Escreveu o ator.

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I Am Not Okay With This – Só mais uma série adolescente? | Review

Mais conhecido pelo seu trabalho em “The End of the F***ing World“, Jonathan Entwistle nos apresenta sua nova obra em parceria com a Netflix, I Am Not Okay With This, que é a adaptação de uma HQ de mesmo nome e acompanha uma fase estranha e conturbada da vida da jovem chamada Sydney Novak.

A premissa também envolve o conhecido clichê da jovem personagem principal se descobrindo com seus novos poderes aparentemente sobrenaturais, e é claro que isso pode desinteressar a quem já está cansado desse tipo de história, mas o que pretendo abordar é se mesmo em meio a essa onda de histórias com uma vibe e premissa parecidas, I Am Not Okay With This pode trazer algo de interessante.

Sendo uma série pequena, ela não se prende em formatos normalmente vistos de por exemplo cinquenta minutos por episódio, nos entregando cerca de vinte e cinco minutos no máximo a cada episódio, o que faz a história não ficar presa ou arrastada além contada de uma maneira objetiva e eficaz. O ritmo que não desanda, obviamente não é só um mérito da duração da série, pois o diretor e a produção (Shawn Levy, do qual trabalhou em Stranger Things) que estão familiarizados com os temas e abordagens que pretende executar, fazem isso de maneira muito segura, a atmosfera e a vibe da obra são algo que Jonathan Entwistle evidentemente sabe fazer.

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Sydney e sua melhor amiga Dina interpretada por Sofia Bryant

A protagonista Sydney é interpretada por Sophia Lillis que vem de seu último trabalho, um tanto morno, em Maria e João. Mas aqui com um roteiro bem mais articulado, a atriz entrega com verdade sua personagem até nas menores nuances exigidas. Sydney é uma personagem complexa, e a entrega de Sophia no papel é a prova de que a atriz ainda pode chegar muito longe.

Wyatt Oleff também é faz um papel de destaque na série, Stanley Barber, personagem com nome quase semelhante ao seu último grande papel em It: A Coisa e It: A Coisa Capítulo 2. Oleff também entrega seu personagem de maneira segura e cativante, mesmo sem nuances complexas como a de Sydney, performance é eficaz e verdadeira.

As questões abordadas no roteiro com a mescla de mistério sobrenatural com problemas pessoais são, mais uma vez, com certeza algo já visto nesse tipo de mídia, porém, a autenticidade do diretor é algo muito interessante de se acompanhar.

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Sydney e sua mãe interpretada por Kathleen Rose Perkins .

A trilha sonora é muito bem utilizada e condizente, a montagem é inteligente e direta, a fotografia é simples e sempre engloba boa parte do ambiente com seus personagens no centro, tudo estilizado para passar uma atmosfera jovial, mas ainda sim, muito autoral.

Com classificação indicativa de 16 anos, a série pode enganar por boa parte de sua duração por conta da narrativa que mesmo tocando em assuntos delicados, não chega ao ponto de chocar ou pesar para alguns, porém ainda sim é intensa e forte da sua própria maneira.


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I Am Not Okay With This é uma série que em meio a um clichê conhecido, tem seu valor, sua autoralidade e sua própria identidade, e mesmo que não agrade totalmente alguém que já está enjoado desses temas, é uma história que não é só muito bem contada, mas que também vale a pena contar.

Avaliação: 4 de 5.

Ótima

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Resident Evil 7 Vale a Pena?

É inegável que a Capcom está em uma ótima fase na indústria atualmente, com seus grandes lançamentos como Devil May Cry 5, Monster Hunter e os tão pedidos Remakes de Resident Evil, todos tem sido muito bem aceitos pelo público.

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O mais recente lançamento será Resident Evil 3 Remake.

Mas no início dessa “reerguida” que a Capcom fez na indústria e com seus fãs, sua aposta foi Resident Evil 7, que prometia entregar o que os fãs pediam a tanto tempo, um Resident Evil de Survival Horror como seus clássicos antecessores.

Algo que gerou uma grande controvérsia por não ser exatamente o que pediam. O jogo apostava em uma visão em primeira pessoa para se aprofundar na vibe de jogos de terror atuais, rendendo até comparações com o famigerado Outlast. Apesar de em primeira vista essas comparações fazerem sentido, posso afirmar depois de uma boa jogatina de Resident Evil 7 que essas comparações não são justas.

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Um dos inimigos mais comuns no game, conhecidos como “Mofados

Resident Evil é uma saga que sempre muda, evolui e apresenta novas formas de se experienciar a saga, já passamos por Survival Horror, Ação e aventura, Coop online, e o que aconteceu em Resident Evil 7 é muito semelhante ao que aconteceu quando recebemos Resident Evil 4. Uma grande controvérsia por mudanças na experiência de se jogar RE foi causada na comunidade que se esquece a mudança faz parte na história de Resident Evil.

Os fatos a se considerar é se as mudanças que foram feitas são competentes, e o que posso afirmar aqui é que Resident Evil 7, é um RE em sua essência.

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Resident Evil original de PS1.

Acompanhamos a história de Ethan que ao receber um vídeo misterioso de sua desaparecia namorada, vai em busca de respostas no último lugar que tinha conhecimento sobre ela ter estado. De início somos apresentados a uma gameplay bastante semelhante a jogos de terror atuais, explorando um cenário misterioso, assustador e sem nenhuma maneira de se defender.

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Mas depois de uma boa exploração, somos apresentados as primeiras mecânicas mais conhecidas da franquia. Como as famosas Salas Seguras e inimigos peculiares que são difíceis de derrotar.

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Boss Fight contra Marguerite.

Toda essa experiência de Survival Horror em Resident Evil é trazida com maestria para essa visão em primeira em primeira pessoa. A RE Engine traz gráficos belíssimos que fazem a ótima ambientação se engrandecer muito mais.

Um dos pontos mais altos do game é verdadeiramente a atmosfera e ambientação. A visão em primeira pessoa eleva certas sensações como a urgência e a aflição de andar pelos corredores sujos da Casa Baker, a trilha sonora existe aqui de maneira sutil e eficaz nos fazendo ficar alertas quando há uma ameaça real ou não, mesmo que seja muito fácil levar um susto com algum barulho aleatório da casa rangendo ou com seus próprios passos.

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Entrada da Casa dos Baker.

O roteiro parece fraco de início, inimigos cativantes mas com personagens principais pouco interessantes junto a uma narrativa que soa fraca e apelativa para surfar na onda de histórias de horror atuais, como por exemplo o clichê da criança assustadora. Porém quanto mais jogamos, mais presenciamos densidade nos personagens e no roteiro, tudo arquitetado com coerência e eficácia nos temas abordados por Resident Evil.

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Umbrella Corporation marcando presença no game.

O universo de RE vai ficando cada vez mais palpável durante a jogatina, e tudo isso leva a um desfecho que nos deixa curiosos pelo que está por vir, sem falar das DLC’S.

DLC Not a Hero com Chris Redfield, que está disponível gratuitamente.

Em meio aos novos e aclamados remakes, uma dúvida pode surgir para quem deixou RE 7 passar, “Será que vale a pena?”.

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Não só vale a pena, como também é indispensável para quem é um bom fã da franquia, revivendo sentimentos já sentidos anteriormente na saga e ainda sim nos apresentando uma experiência totalmente nova na franquia, sendo assim, como eu disse antes, um Resident Evil em sua essência.



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Homem Invisível – Uma orquestrada tensão perturbadora | Review

Após abandonar a empreitada de criar um universo compartilhado com seus remakes de filmes sobre os monstros em seu catálogo, a Universal Pictures agora aposta na visão individual de um diretor para recontar essas histórias clássicas com uma nova cara.

O que acabou por ser uma sábia decisão, ao colocar Leigh Whannell para dirigir o novo longa, que nos entrega uma excelente obra de terror.

O filme começa com uma acertiva sequência que nos apresenta um pouco da tensão que sentiremos ao longo do desenrolar da trama, depois de um pouco de respiro ao fim do primeiro ato, são pouquíssimas as vezes que conseguimos parar pra respirar, junto da personagem principal interpretada por Elisabeth Moss.

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Impecável em seu papel, a atriz carrega a trama quase inteiramente sozinha e com segurança, nos entregando a perturbadora experiência vivida constantemente pela personagem com muita verdade.

Com a ajuda de uma ótima atuação principal o longa consegue unir um terror mais trabalhado para a atmosfera e tensão com um terror mais intenso e imediato, felizmente resultando em um ótimo e equilibrado resultado.

A tensão e paranóia não só da personagem principal, mas do espectador são testadas a todo instante. Tendo em pauta que existe uma ameaça invisível, o diretor aproveita inteligentemente todos os ambientes em cena, como por exemplo as sequências onde a câmera caminha de lado a lado calmamente em um cômodo nos deixando incertos do que o filme quer que vejamos, ou se realmente há algo para ver ali, ou deixando silhuetas e uma profundidade sugestiva nos cenários deixando tudo ainda mais tenebroso e passível de inquietação.

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A incerteza é trabalhada de diversas formas aqui, visualmente e no roteiro. A visual é a de terror físico e atmosférico que vemos para a construção de toda a tensão que existe na narrativa, já a incerteza narrativa é quando o roteiro aborda a questão do terror psicológico, como por exemplo “Será que tal personagem está realmente ficando louca?”, porém essa ideia é minimamente aproveitada, sendo praticamente abandonada depois do primeiro ato para investir em uma atmosfera mais tensa e inquietante. Mas ao meu ver, foi um sacrifício necessário para que realizassem com maestria sua proposta de terror escolhida.

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Os famosos sustos de filmes de terror existem aqui, dos quais são poucos e sempre são executados de maneira interessante, seja com silhuetas ou barulhos feitos acidentalmente por personagens mas que apresenta um real perigo.

Cenas das quais não esperamos que nada demais aconteça são realizadas inteligentemente, pois quando acontece, é como um soco no estômago de qualquer um que esteja assistindo.

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A trilha sonora tem um papel tão crucial quanto a fotografia para ambientação aqui, sequências de terror e suspense são orquestradas e elevadas ao máximo com a trilha sonora maestral que perturba e inquieta na medida certa, sempre deixando tudo mais perturbador e intensificado. As vezes a escolha de não usar uma trilha para cenas onde são apresentados momentos de alívio poderia ter sido mais usada, porém não chega a incomodar.

No último ato somos apresentados a um ritmo mais agitado com o que pode se considerar algumas pitadas de ficção científica, mas tudo na medida certa, sem extrapolar ou tirar o espectador do foco da trama principal.

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No fim, Homem Invisível nos entrega uma excelente experiência de terror e suspense, com um roteiro consistente e uma direção habilidosa, que não só instiga e perturba com a paranoia de diversas formas, mas também traz um reflexo importante sobre abusividade.

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Avaliação: 4.5 de 5.

Excelente

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Maria e João – Um Rico Visual Para Uma Rasa Narrativa | Review

Dirigido por Oz Perkins, Maria e João é um longa de horror que adapta o conto original conhecido como “João e Maria“, sendo assim, parte da mesma premissa de dois irmãos que saem de casa a procura de um futuro farto e logo depois encontram uma casa misteriosa porém bastante atraente onde vive uma idosa também misteriosa que os acolhe e os alimenta.

É difícil não conhecer o conto de João e Maria, sendo assim é muito difícil não saber o plot por trás da história da qual consiste na idosa que acolheu os irmãos ser uma bruxa que quer comê-los, e é claro, não vou dizer aqui se essa adaptação segue ou não em suma todo o conto original, mas é necessário que minha argumentação seja guiada por um fator importante que é a tentativa de autoralidade da direção.

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O roteiro nos apresenta a mesma premissa do conto original mas com uma direção que aposta em dois tipos de horror, o mais comum conhecido como terror imediato, do qual é usufruído pelos grandes blockbusters de terror do cinema atualmente, e o terror psicológico que aposta mais em construção de atmosfera do que propriamente assustar o espectador. O que poderia ser uma mesclagem interessante, acaba por levar a uma narrativa com tons esquizofrênicos na sua maneira de se contar e tentar vender sua proposta.

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A direção é excelentemente eficiente em sua parte técnica, a fotografia que nos sufoca junto aos personagens que estão sempre incertos do que exatamente está acontecendo com a ajuda de uma iluminação rústica e ambiente, a trilha sonora que nos causa um desconforto contínuo ao acompanhar essa jornada de incertezas, a ambientação que eleva a solidão dos 3 personagens principais em uma dinâmica estranha e aflitiva. Tudo isso cria uma atmosfera horripilante de que algo sobrenatural existe ali, de que há sempre algo mau está pairando no ar.

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Infelizmente toda essa excelentíssima ambientação acaba por ser desperdiçada em uma narrativa que não nos apresenta um tom consistente, não sabe o que dizer e nem sabe para onde vai. A dúvida que ficamos em todo o longa é “Onde esse filme quer chegar?”, e sim, isso é algo válido e interessante de se ter em uma narrativa, mas aqui não é um desses casos a partir do ponto que você continua com as mesmas perguntas quando o filme acaba.

A turbulência causada pela instabilidade da narrativa deixa tudo menos interessante, as dúvidas causadas não cativam o suficiente, uma hora ou outra somos jogados em sequências de horror que não causam medo e não levam a lugar nenhum, tudo isso contribui para deixar a experiência mais cansativa e sem propósito.

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Sendo assim o toque de autoralidade do longa foi uma tentativa que foi por água abaixo, tendo em mente o quantas possibilidades existem a partir desse clássico conto que já é bem bizarro por si só.

O elenco principal não carrega a trama para lugares mais profundos, assim permanecendo na superfície do que é contado. Tendo em vista de que isso é um problema maior do roteiro e da direção, Sammy Leakey e Alice Krige são os que conseguem apresentar um pouco mais de densidade a seus personagens, o mérito de Sammy sendo um ator estreante é destacável, mas principalmente Alice que é a responsável por boa parte do estranhamento e dúvidas causadas no público com sua personagem peculiar e excêntrica.

Sammy e Alice em cena.

No fim, Maria e João é um longa de horror que hora tenta ser mais autoral, hora tenta assustar com um terror mais imediato, tendo um visual belíssimo mas que nunca sai do lugar e nunca chega a lugar nenhum.

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Avaliação: 2.5 de 5.

Mediano

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O Segredo de Marrowbone – Uma visita cheia de incertezas

O Segredo de Marrowbone é um terror dramático que não foi muito falado quando saiu, estranhamente, pois tem um elenco que chama atenção (Prova disso é que só ouvi falar sobre o filme agora em 2020). Portanto a minha maior dúvida após ver os trailers era se esse anonimato tinha um motivo na qualidade do longa, na verdade é algo que se pergunte normalmente.

Dirigido por Sergio G. Sánchez, o longa conta a história de uma família de irmãos que se começa a viver na antiga casa da família de sua mãe para tentar fugir e esquecer de seu traumático passado em família.

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Família Marrowbone.

Sinopse de O Segredo de Marrowbone

“Quatro irmãos, devastados com a morte trágica da mãe, decidem se refugiar em uma localidade rural, temendo ser separados pelo serviço social. No entanto, o local esconde um obscuro e perigoso segredo que desafiará a união e sobrevivência dos quatro.”

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O Segredo de Marrowbone é um filme misterioso, esse mistério em si é vendido durante toda sua duração, porém uma característica interessante desse mistério é que cada vez mais somos apresentados a possíveis temas e acontecimentos, sempre de maneira subjetiva, nunca direta.

A incerteza montada durante a trama é diversificada, de uma maneira que deixa o espectador confuso sem saber que caminho o filme está querendo trilhar, e sim, isso feito de forma mal planejada poderia acabar em uma maré de confusões rítmicas, mas não é o que acontece aqui.

O ritmo é bem arquitetado de maneira que realmente instiga por boa parte do tempo, mas sempre nos fazendo se perguntar “Afinal, essas ameaças são sobrenaturais? Físicas?” O que o suspense faz é usufruir de convenções de gêneros como terror e suspense, assim trabalhando uma incerteza em cima deles.

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Acontecimentos que passaram durante o tempo atual em que assistimos a história são pulados e omitidos ao espectador, como se realmente o longa estivesse escondendo segredos de nós. O que funciona bastante e realmente nos faz se questionar mais ainda sobre “Qual o segredo da família Marrowbone?”.

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Veja também Kursk – A Última Missão | Review

Esse vai e vem se mantém consistente até boa parte da trama, mas pode se tornar cansativo de se acompanhar em uma primeira vez. Sim, Marrowbone é uma obra que se assistida uma segunda vez se torna uma experiência completamente diferente, não só pela reviravolta do longa mas é assim que podemos ver com outros olhos tudo que assistimos anteriormente, e o que foi cansativo uma vez se torna bem mais coerente.

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Claro, é sim um demérito da produção de tornar sua experiência um tanto cansativa após um tempo de duração por investir bastante em suas incertezas e em sua atmosfera misteriosa sem parecer que está avançando em respostas para o espectador, mas na verdade o longa está sim progredindo.

Não posso me aprofundar tanto para não estragar surpresas do longa, mas o que posso adiantar é que tudo é bem amarrado para as reviravoltas finais, sendo todas coerentes e o maior mérito é serem realmente inesperadas, são poucas as pistas que conseguimos pegar para interpretar o que está por vir, quem dirá adivinhar. Pois apesar do significado do plot e de toda sua aura misteriosa, muito do universo apresentado no filme sempre aparenta “pé no chão”, e sim, mesmo com as possibilidades sobrenaturais.

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Em meio a isso tudo, somos colocados na pele de personagens quando vemos as coisas por suas perspectivas, por exemplo a criança que não sabe de muito e fala como se tivesse certeza de algo, sendo assim uma informação direta entregue ao espectador porém sempre incerta.

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O elenco é bem consistente e entrega tudo que é requisitado por seus papéis, mas o destaque mesmo vai para o protagonista que é interpretado por George MacKay, que leva seu personagem até extremos de maneira sólida.

George MacKay como Jack Marrowbone.

No Fim, O Segredo de Marrowbone é um terror dramático que merece sua atenção, mesmo não sendo excepcional como poderia ser, ainda é muito eficiente e traz uma ótima experiência com um toque emocional genuíno não só para quem gosta de um suspense, mas também para quem gosta de reviravoltas impactantes.

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Avaliação: 4 de 5.

Muito bom

Aves de Rapina – Arlequina e o seu fantabuloso protagonismo | Review

Mesmo com os fãs receosos de uma nova produção envolvendo os personagens de Gotham City, a nova aposta da Warner e da DC é “Aves de Rapina: Arlequina e Sua Fantabulosa Emancipação“. E o que eu tenho a dizer? A Arlequina de Margot Robbie chegou para ficar.

Não é novidade que Margot Robbie é uma atriz talentosíssima e que sua Arlequina já era uma das únicas coisas decentes em Esquadrão Suicida, é claro, tirando toda sua sexualização barata que felizmente foi deixada de lado em Aves de Rapina.

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Margot Robbie como Arlequina em Aves de Rapina.

A atriz demonstra estar segura no papel e conhecer muito bem sua personagem, mas aqui em Aves de Rapina, existe um foco bem maior na personagem da Arlequina (que é a protagonista dessa vez) e o trabalho não só de Margot mas do roteiro é fazer a personagem carregar toda a trama, e no fim isso é executado muito bem.

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Não só carregando a trama, os acontecimentos e o quem o filme tem de mais carismático, Mas contando a história a partir da personalidade da personagem, e dando a tudo um “brilho” a mais.

O que quero dizer com isso é que toda a atmosfera, estilização, palheta de cores e trilha sonora, são todos voltados à personalidade da personagem. O que rende também ótimas saídas narrativas, por exemplo com as quebras de quarta parede enquanto somos contextualizados pela personagem de algumas coisas necessárias para a trama de maneira super divertida (Sem contar as quebras de quarta parede por puro charme).


É claro que esse recurso utilizado de má forma e em excesso acabaria ficando pouco original e sem graça, mas aqui é tudo em uma boa medida e sempre apresentando algo novo de interessante.

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O ritmo do longa vai alternando entre essa narrativa não linear, o que rende um ritmo rápido mas muito equilibrado com humor, ação e momentos até mais sérios. As cenas de ação aqui usufruem muito também da personalidade da protagonista, e não só na presença da personagem, mas como dito antes, no quesito de estilização e atmosfera das sequências, com invencionices coloridas e bizarras. Um belo exemplo é a sequência de ação na casa de horrores abandonada.

Mesmo tendo um clima colorido e de humor, o filme não limita a violência e os assuntos mais sérios. É evidente a seriedade de certas situações que as personagens são colocadas e o quão importante é o que o filme está tentando mostrar para o público. O que torna toda experiência não só divertida, mas digna de um filme de anti-heroínas.

A partir disso tudo, Arlequina sendo a protagonista do longa, é quem acaba por unir os arcos das respectivas personagens que irão formar o grupo Aves de Rapina.

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Porém as personagens tem muito menos tempo de tela do que a protagonista, o que é de se esperar, mas mesmo assim todas elas tem muita presença em cena quando aparecem, todas com suas peculiaridades exploradas até de maneiras sutis durante o desenrolar da trama principal e com arcos bem explorados e muito bem encaixados.

Mary Elizabeth Winsted é destacável por sua Caçadora ser a mais interessante e carismática dentre as com menos tempo de tela, e dentre todo o elenco além de Margot Robbie, também é passível de destaque Ewan McGregor como o vilão Máscara Negra que está ótimo.

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Aves de Rapina reunidas.

No fim, Aves de Rapina é divertido, engraçado, colorido, frenético e bem executado. Tudo que Esquadrão Suicida sonhou em ser, só que ainda mais relevante.

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Avaliação: 4 de 5.

Ótimo

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A caoticidade de Jóias Brutas | Review

Os irmãos Safdie nos recebem, mais uma vez, com tensão e caos em Jóias Brutas , a dupla que trouxe o renomado Bom Comportamento estrelado pelo bastante recém comentado Robert Pattinson também é recheado de caos urbano e de personagens que tentam fugir ao mesmo tempo que resolver com urgência seus problemas, porém com um toque a mais de adrenalina.

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Robert Pattinson em Bom Comportamento.

Jóias Brutas segue essa estética urbana e caótica das cidades grandes que os irmãos Safdie aparentemente gostam bastante de trabalhar. Aqui somos levados de maneiras sufocantes e intensas junto com seu personagem principal à todos os seus problemas, vendo cada passo e cada ação se concretizar, cada possibilidade que aquilo poderá desencadear, é sempre bastante tenso.

É claro que a direção habilidosa da dupla faz isso tudo acontecer, pois é possível notar que eles tem conhecimento da atmosfera que querem usufruir, da história que querem contar e do ritmo que querem manter, mas tudo isso não seria tão consistente sem a brilhante performance de Adam Sandler.

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Adam Sandler como Howard Ratner.

Jóias Brutas pode ser visto na Netflix

Sim, a Jóia Bruta tanto falada do longa é Adam Sandler em uma de suas performances mais completas de sua carreira, se não a mais completa. Totalmente despido de si mesmo, constrói todo o personagem não só a partir do jeito de falar e de maneirismos, mas até de improvisos que a direção deu liberdade para Sandler adicionar e enriquecer seu personagem por si mesmo.

Tudo é muito orgânico e verossímil, nos faz sentir pena de um personagem que é bem passível de ser detestável, e mesmo que escrachado em certos momentos (não de uma maneira ruim) consegue nos dar um vislumbre do mais humano e subjetivo em seu personagem.

A brilhante atuação de Sandler se completa com a caótica atmosfera que é proposta pelo longa, fazendo a direção da dupla ser sempre precisa.

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É fácil se sentir sufocado em uma cena onde há mais de três personagens falando ao mesmo tempo, se sobrepondo uns aos outros, ações acontecendo ao mesmo tempo, acontecimentos aparecendo sob outros acontecimentos, escalando como uma grande bola de neve de caos.

Veja tambem Jojo Rabbit – Dançando sob o terror | Review

O jeito como somos manipulados em meio ao caos da vida do personagem de Sandler e como são os breves momentos para respirar de alívio é sempre muito bem executado e arquitetado, nossa tensão e aflição é elevada mas nunca ao extremo, sempre preparando tudo para o ato final.

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No final, a direção junto de Adam Sandler nos leva nessa angustiante, porém extremamente bem executada, rotina caótica urbana.

Avaliação: 5 de 5.

Excelente

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Armadura de Nilfgaard será alterada na segunda temporada de The Witcher

Embora a série do bruxo tenha caído nas graças do grande público, nem tudo agradou a todos, alguns de seus elementos foram criticados por boa parte dos fãs da franquia. Mais especificamente em relação à armadura usada por soldados de Nilfgaard, cujo design divergia muito das obras originais em que os fãs estavam acostumados.

 De acordo com a showrunner Lauren S Hissrich, a segunda temporada pode trazer mudanças drásticas ao visual dos trajes.

Sobre seu trabalho em The Witcher, a roteirista e produtora afirmou que o processo tem sido de grande aprendizado e uma nova temporada proporciona a chance de “olhar para os nossos erros no primeiro ano e fazer melhor”. “Você tem a oportunidade de retornar e planejar uma correção de curso, se quiser”.

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Margot Robbie ainda quer explorar a relação entre Arlequina e Hera Venenosa nos cinemas

A atriz Margot Robbie em uma recente entrevista para o Comic Book, afirmou que ainda gostaria que ainda deseja explorar a famosa relação entre Hera Venenosa e Arlequina nas telonas. A atriz disse:

“Venho tentando essa reunião com Hera Venenosa há um bom tempo, porque, obviamente, as duas têm um relacionamento realmente incrível nos quadrinhos. Adoraria explorar isso de alguma maneira. Enquanto fazia minhas pesquisas para esse novo filme, me apaixonei pela Caçadora, e foi esse sentimento que fez com que ‘Aves de Rapina’ se tornasse uma ideia concreta. Pensei, ‘Uau, existem tantas ótimas personagens da DC que poucas pessoas conhecem! Então, e se tivéssemos uma plataforma para apresenta-las e fazer com que o grande público criasse essa mesma empatia?’ Senti que com Sereias de Gotham, seriam apenas três personagens, e todas já são populares. Com Aves de Rapina, podemos explorar um grupo mais diverso, e que está nos quadrinhos há um bom tempo.”

A última vez que vimos Hera Venenosa nas telonas, foi em Batman e Robin, a qual foi interpretada por Uma Thurman.

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Jojo Rabbit – Dançando sob o terror | Review

Taika Waititi vem nos cativando consideravelmente nesses ultimos tempos, e sua recente obra Jojo Rabbit tem conquistado bastante espaço na temporada de premiações, dessa vez conquistando até uma indicação para melhor filme ao careca dourado.

Jojo Rabbit conta a história de um inocente menino de 10 anos chamado Jojo (Não, não o Bizarres Adventure) que cresce na Alemanha em plena guerra sob um governo nazista. Sendo assim, o menino cresceu dominado de ideologias nacionalistas e desenvolveu um melhor amigo imaginário totalmente baseado em Adolf Hitler.

Tal amigo é interpretado pelo próprio diretor do longa, Taika Waititi, que dá sempre um show quando aparece, roubando a cena e trazendo uma ótima sátira do ditador que rendem ótimas piadas e momentos super divertidos, nos fazendo até esquecer momentaneamente quem realmente é seu personagem por conta de sua caracterização amigável e acertiva.

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Taika caracterizado como amigo imaginário de Jojo, Adolf.

A estranheza de Taika é algo a se destacar, sempre uma sutileza engraçada, estranha ou aleatória é acrescentada ao universo de seus personagens ou a seu próprio personagem (Podemos facilmente lembrar do unicórnio de Hitler).

O longa é assumidamente uma comédia dramática, sendo assim ele é equilibrado entre um drama e uma comédia que contém uma atmosfera mais séria da qual temos consiência de existir em volta do personagem.

Esse equilíbrio é executado muito bem do ponto que o filme inteiro se passa da perspectiva de uma criança à tudo aquilo, sua inocência é posta a prova a todo instante, tendo em vista que era um tempo bastante difícil de que “o próprio pensar” fosse encorajado.

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Roman Griffin carrega a narrativa de maneira adorável e cativante, a jornada de autodescoberta do personagem não é só engraçada mas também é entregue pelo ator mirim com excelência. Todas suas nuances exigidas para nos aproximar do personagem estão lá, e estão muito bem.

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Roman caracterizado como Jojo.

Scarlett Johansson mais uma vez dando um show e dividindo os olofotes com Griffin quando aparece, a atriz está excelentíssima no papel onde interpreta a genuina boa mãe de Jojo Betzler, Rosie Betzler.

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Scarlett como Rosie e Roman como Jojo.


A fotografia e a montagem fazem um excelente conjunto com a trilha sonora proporcionando uma jornada mais simpática do que estamos acostumados em longas que retratam o período da segunda guerra, e isso não só faz muito sentido como é cativante e muito bem executado.

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Apesar de ter um excelente elenco e um ótimo equilíbrio entre os gêneros, seu ritmo pode parecer um tanto arrastado em meio ao segundo ato, mas logo volta aos trilhos sem cambalear muito.

No fim, somos levados a uma verdadeira dança em meio a todo esse terror da segunda guerra em uma fofa e engraçada história de auto descobrimento sob o ponto de vista de uma criança, explorando toda a inocência sendo manipulada por um ódio infundado e com todas as nuances cruéis e boas de se viver em tempos assim.

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Avaliação: 4 de 5.

Ótimo

“Não gosto de trabalhar” explica autor de The Witcher ao não participar em adaptação da Netflix

Andrzej Sapkowski é conhecido por escrever a famosa série de livros “The Witcher” que vem conquistando um grande público com sua adaptação para os games e agora para a TV.

Porém, o autor não participou da produção da série, e foi bem direto em uma entrevista ao io9 sobre porque preferiu não se envolver.

Não me envolvi muito, a meu próprio pedido. Eu não gosto de trabalhar muito ou por muito tempo. A propósito, eu não gosto de trabalhar. “Quem estiver sem pecado que atire a primeira pedra.” João 8: 7.

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Além disso, ao ser perguntado sobre o que achava ao saber que seus livros estavam recebendo 500 mil reimpressões após o lançamento da série da Netflix, ele respondeu:

Como você espera que eu responda a essa pergunta? Que eu me desesperei? Que me debulhei lágrimas? Que considerei o suicídio? Não senhor. Meus sentimentos sobre isso são bastante óbvios e não excessivamente complexos.

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Sex Education e sua delicada densidade

Gostando ou não do famoso subgênero de séries “Teen“, é inegável que Sex Education é em suma uma ótima obra. Criada por Laurie Nunn, ao longo de duas temporadas acompanhamos esse grupo de jovens, que no início são apresentados como possíveis esteriótipos, os famosos dentro desse tipo de história, como por exemplo o protagonista “Nerd Desajustado” e o Valentão da escola.

Mas isso serve apenas como um aquecimento, uma superfície para tudo que a série vai nos proporcionar. De maneira super orgânica, cada vez mais esses personagens vão se enriquecendo, ficando interessantes e sendo cuidadosamente desenvolvidos, com um tempo de tela equilibrado para fazer todas as tramas e subtramas se manterem relevantes e cativantes.

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Connor Swindells à esquerda interpreta Adam, superficialmente o bully da escola, porém muito mais do que apenas isso, e à direita Ncuti Gatwa interpreta Eric, superficialmente o personagem “gay e divertido“, mas também muito mais do que apenas isso.

A profundidade que até a mais inocente personagem recebe com uma atenção minuciosa do roteiro que interliga a trama principal à secundária é para fazer qualquer um se apegar e não largar mais.

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Aimee Gibbs interpetrada por Aimee Lou Wood vai de uma personagem secundária adorável à uma personagem profunda e bem desenvolvida com uma delicadeza na medida certa. (E continua adorável)


Em Sex Education somos levados ao íntimo do ser humano e principalmente, do jovem. Assuntos atuais que infelizmente são considerados tabus para muitas pessoas são postos em pauta na maioria das vezes de maneira descontraída e divertida de se assistir.

Sexo e assédio são algumas das pautas abordadas com tanta delicadeza e verossimilhança que é perceptível que quem escreveu tudo aquilo sabe muito bem sobre o que está falando.

Sendo uma comédia dramática, não temos apenas descontração e divertimento. Como mencionei antes, a densidade em cada personagem e sua relativa situação não causa só simpatia mas também identificação, e isso vai além do que apenas adolescentes.

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É muito fácil assistir a obra e se sentir representado por algum personagem, mesmo o mais secundário seja, o roteiro faz todo aquele universo ser palpável e todos os personagens terem uma personalidade única, os explorando em situações pensadas de maneira inteligente e executadas com uma excelente eficácia onde sempre algo relevante é acrescentado ao universo da série, sempre a enriquecendo cada vez mais.

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Mauren Groff interpretada por Samantha Spiro recebe mais camadas na segunda temporada.


Sendo uma série adolescente, que na teoria aborda a adolescência e crescimento, ela não se limita somente a isso. E o que recebemos é uma obra mega relevante em diversos aspectos, não apenas sobre a juventude, mas sobre a vida e seus relacionamentos humanos contemporâneos junto a uma delicadeza que outras obras sonhariam em ter. Posso te dar 13 motivos para assistir?

Não só para quem gosta de um bom drama recheado de substância e uma ácida comédia bem planejada, mas Sex Education é melhor ainda para quem gosta de refletir e agregar em sua vida pensamentos sobre a obra que está consumindo.

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Eric e Otis mostram como uma boa amizade é indiferente à sexualidade.

Ameaça Profunda – Um claustrofóbico horror tentando explorar o medo do desconhecido | Review

Ameaça Profunda é intenso e claustrofóbico. Direto ao ponto, assim como sua abertura.

Logo de início somos arremessados em um estado de desespero, sem enrolação ou muito tempo para respirar, situações difíceis e críticas já começam a ser exploradas a partir de seu início.

Logo depois somos apresentados a cada personagem, dos quais vão sendo desenvolvidos durante a quase impossível missão de sair vivos do enorme bunker submarino do quão estavam trabalhando. O longa nos bota em uma atmosfera de sobrevivência e logo após vai expandindo com o suspense sendo guiado até o horror, logo depois todos esses gêneros se mesclam em uma atmosfera sufocante e aterrorizante.

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A trama de Ameaça Profunda foca em seus personagens, que são apresentados sem muita informação, apenas sobre suas personalidades, e em meio ao decorrer da trama, cada um vai sendo desenvolvido até com pequenas sutilezas, o suficiente para simpatizar com eles e torcer por suas vidas, o que nos aproxima dos personagens de maneira positiva para o suspense poder acontecer.

Kristen Stewart estrela o longa e está condinzente com seu papel, quase que sendo ela mesma, onde é uma personagem não tão aprofundada assim com um rosto preocupado, alguns personagens mesmo sendo secundários tem mais profundidade que a protagonista. Isso no fim não é algo que nos tire da trama, a personagem de Kristen mesmo não sendo a mais densa, ainda é sim passível de simpatizar, e o que temos é o necessário para que toda atmosfera e trama do filme funcione, nada mais, nada menos.

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Temos personagens até com um certo alívio cômico, que é o papel de T.J Miller onde nos entrega um personagem estranhamente fofo, e que feizmente não nos tira da atmosfera séria da trama.

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Enquanto acompanhamos os personagens tentando sobreviver, temos uma atmosfera de ficção científica que remete um tanto ao famoso “Alien” e uma interessante exploração do famoso “Medo do Desconhecido“, que foi consagrado no gênero do horror pelo escritor H.P Lovecraft com seus contos.

Como eu disse, temos essa atmosfera de sobrevivência e urgência a quase todo momento, mas que vai sendo elevada um horror até certo ponto fantasioso. Cenas claustrofóbicas dentro de escombros e sequências em primeira pessoa nos mostrando a vasta escuridão das profundezas onde os personagens caminham, são exemplos de idéias que funcionam pois são bem executadas, além de ser um sufoco à mais aos claustrofóbicos ou a quem tem medo de oceanos.

Cenas mais rápidas e intensas são bem movimentadas, como em ataques subaquáticos ou em fugas dentro de bunkers, geralmente é usado a técnica da câmera que balança, mas em um ritmo que não nos faz perder o que o diretor quer que vejamos, nos deixando tensos e apreensivos em tais situações.

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Explorando essas diversas situações intensas, o filme nos transmite muito bem o sufoco dos quais os personagens estão submetidos, e as vezes nos fazendo ficar na ponta da cadeira. O longa em certos momentos tenta subverter as expectativas, o que acontece poucas vezes, sendo assim alguns sustos podem acontecer, mesmo sendo coesos, acabam caindo em um certo clichê que pode desagradar boa parte do público.

Ameaça Profunda trabalha muito com o CGI, nos trajes dos personagens, nas criaturas submarinas que os rondam, em maior parte do ambiente aquático, e tudo sempre parece muito orgânico. Criaturas e ambientes bem palpáveis e complexos. Pode acontecer um estranhamento ao ficar reparando no rosto dos personagens dentro de seus trajes aquáticos, o que pode vir a ser apenas uma frescura minha desde a cabeça flutuante do Stark em Guerra Civil.

O longa tem deslizes no roteiro para chegar ao terceiro ato, pois parece que não sabiam muito o que fazer com os personagens após um certo acontecimento, o que faz as próximas sequências ficarem sem muito propósito. Mas logo depois tudo volta aos trilhos nos entregando uma revelação e conclusão bem satisfatórias de se assistir.

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No fim, Ameaça Profunda é um sufocante suspense de ficção científica que vez nos faz ficar na ponta da cadeira, e vez pode ser previsível, mas que entrega toda sua proposta em uma medida agradável, nem demais e nem de menos, o suficiente para ser uma experiência satisfatória.

Avaliação: 3 de 5.

Bom

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Confira outras análises de filmes, séries e animes no nosso site.

The Nightingale – A crueldade e a humanidade sob a mesma lente | Review

The Nightingale é um filme australiano dirigido por Jennifer Kent, que caminha sob os gêneros do suspense e o drama. A narrativa acompaha Claire, uma mulher que vai atrás de vingança após atos brutais cometidos contra sua família.

O longa conta uma história dura, pesada e sensível, algo que para se contar é preciso ter um bom tato. Depois de várias controvérsias e polêmicas em exibições de festivais por conta de cenas contínuas e as vezes detalhadas de estupros e assassinatos, uma escolha da direção que abre um leque de discussões.

As polêmicas causadas são compreensíveis, tendo em vista que é sim um filme duro de se assistir, mas acredito que toda atmosfera crua do filme é complementada com a brutalidade mostrada, nos apresentando um mundo cruel, brutal e hostil diretamente dos olhos de seus personagens, nos fazendo sentir mais intensamente cada acontecimento e também nos fazendo ansiar mais e mais para uma resolução.

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A dramatização das cenas de estupro, por exemplo, é algo que acontece mais de uma vez e que se torna recorrente no longa, o que se torna a decisão mais controversa da direção, que por um lado acrescenta em sua atmosfera brutal intensificando as sensações de desconforto ao assistir, mas por outro lado, é algo que ainda sim poderia ser abordado de outra forma.

É preciso ter estômago para digerir toda a narrativa.

O ritmo do longa se mantém controlado e intrigante por boa parte de sua duração, com a intensidade de seu primeiro ato o longa parece desandar em ritmo depois disso, porém é apenas uma impressão momentânea, pois seu ritmo desanda mesmo em seu terceiro ato.

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Aqui é onde encontramos a parte mais problemática do longa, onde seu ritmo acaba sendo ratardado pelas decisões do roteiro de jogar os personagens para cá e para lá sem tanto propósito, apenas apresentando idéias que acrescentam sim à seu universo, mas que poderiam ser retiradas sem muita falta, os levando a uma resolução um tanto anti climática.

Isso apenas cansa, porém não tira todo o mérito da direção e do roteiro em suas competências. O roteiro é algo simples, porém executa um desenvolvimento de personagens de maneira excelente, um ótimo exemplo é personagem do garoto que aparece apenas na metade da trama, e até o fim consegue ter um excelente desenvolvimento com densidade.

Aisling Franciosi interpreta a personagem principal, que passa por processos traumáticos e intensos, tudo é executado de maneira convincente e impactante, o único estranhamento que ocorre é quando a direção escolhe não mostrar seu rosto em algumas cenas de choro, mas nada que o tire da trama.

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Todo o elenco é competente e entrega performances convincentes, por exemplo Sam Claflin com seu personagem denso e extremamente odiável.

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Tudo isso nos é mostrado sob uma resolução de 35 mm, uma escolha estética da direção que enriquece o universo de época.

A fotografia prioriza as paisagens e o ambiente de forma estranhamente relaxante em meio a tanta brutalidade, o que contribui muito para a dualidade apresentada na atmosfera do longa. A brutalidade é explorada lado a lado com a humanidade, nos dando um vislumbre de uma época sombria e dura da sua própria maneira.

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Usufruindo de seu universo pautado na realidade, os reflexos históricos abordados aqui nos dão um vislumbre duro sobre uma época desumana em que os personagens viviam, explorando as diferenças culturais, o preconceito e a supremacia dos privilegiados.

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Sua resolução apesar de anti-climatica, consegue nos render um forte aperto no coração, o que é um estranho suspiro de alívio após tudo que seus personagens passaram. Sendo assim, algo que o longa se compromete em nos entregar, tendo em vista não só retratar brutalidades sem propósito.


No fim, The Nightingale é um duro e brutal drama de época que exige um estômago forte para ser digerido, que pode se perder em meio a idéias mas se encontra de maneira estranha, e que passa bem mais do que apenas uma cruel realidade histórica.

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Avaliação: 3.5 de 5.

Ótimo

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Por que não assistir a “Don’t F**k With Cats”, novo documentário criminal da Netflix

O que aqui seria uma crítica, veio a se tornar uma espécie de aviso.

É um fato que em nossa sociedade contemporânea, existe um certo fascínio por mentes criminosas e explorar isso na arte, principalmente os famosos serial killers. A partir desse ponto, há muitos tópicos a se discutir, como por exemplo até onde isso é saudável ou realmente necessário. E é em meio a essa discussão que chegamos à glamurização de serial killers, e é esse um dos pontos mais importantes a não se chegar.

A cultura americana com toda as suas grandiosas produções cinematográficas internacionais acabou criando esse tipo de fascínio em um público meramente curioso, o exemplo mais recente é o filme “Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal“, que retrata o famoso assassino como um galã estiloso com intelecto avançado, é claro, quem conhece o caso de Ted Bundy sabe que ele ser considerado um “galã” é parte importante de seu caso, e é de fato uma característica de serial killers do gênero serem manipuladores e sedutores, porém o problema está na abordagem, em como você conta essa história e expõe assuntos sensíveis para um grande número de pessoas de milhares de bolhas sociais diferntes.

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A direção do longa que faz todo aquele processo doentio do personagem parecer estiloso e maneiro, é só mais um exemplo de como não tratar tais assuntos.

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À esquerda temos Zac Efron interpretando Ted Bundy em seu longa, à direita temos o próprio Bundy.

O que acontece aqui em Don’t F**k With Cats é quase o mesmo problema, porém de uma maneira mais descarada. Sim, eu não poderia usar o termo “irresponsável”, porque o que se dá a acreditar é que os produtores da série documental sabiam o que estavam fazendo, e mesmo assim, fizeram.

O documentário acompanha o caso de Luka Magnotta, um psicopata que divulgava vídeos macabros na internet assassinando gatinhos, dos quais causaram uma grande comoção online fazendo surgirem milhares de pessoas tentando descobrir quem era o criminoso e onde ele se localizava. O assassino ganhava fama e seu nome era cada vez mais conhecido após ele planejar e liberar informações seletas sobre seus crimes e sua identidade na internet, tudo para conseguir exatamente isso, fama.

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Narcisista em extremo, ele publicava fotos falsas com seu rosto editado em outras pessoas na internet, criava páginas fakes de fãs, tudo para alavancar cada vez mais seu nome e “entreter-se” com seus perseguidores tentando o descobrir. O que aparentemente não o satisfez tanto assim, o levando a cometer um assassinato humano, também o gravando e disponibilizando na internet.

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Um dos entrevistados que fazia parte do grupo de internautas que tentavam descobrir o psicopata.

O que antes era apenas uma caçada virtual com milhares de internautas procurando um doente de um vídeo, se tornou um caso internacional de investigação atrás do homicida, que vivia como um andarilho viajando entre países e mudando de identidade. Sendo assim, ele se tornou alguém muito instigante para mídia, conseguindo cada vez mais e mais atenção, saindo da internet para os noticiários internacionais.

E depois que foi preso, o fator crucial para ser considerado culpado foi seu fascínio com filmes hollywoodianos. Suas mentiras e farsas foram desmascaradas como cópias de falas, personagens e comportamentos de filmes que o mesmo idolatrava. “Catch me if you can” e “Instinto Selvagem” foram fatores importantes para sua condenação.

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Em resumo o que temos aqui é alguém com disturbios mentais narcisistas que foi altamente influenciado por certas obras que tratam de certos assuntos específicos, o levando a cometer atos brutais e acabar com a vida de pessoas inocentes, diretamente e indiretamente. E não me entenda mal, não estou dizendo que o erro seja em si dessas obras citadas, mas sim da mente deturpada que foi exposta a um tipo de conteúdo do qual não foi capaz de ser assimilado de forma madura.

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Psicopata Americano também é um dos filmes citados na investigação, mesmo sendo uma obra que retrata com inteligência o transtorno da psicopatia em uma pessoa.

E após toda essa história sobre narcisismo, alimentar a fama e visibilidade de psicopatas na mídia e perseguições, o que decidem fazer? Sim, um documentário. Apenas a idéia de fazer um documentário sobre o caso não é errônea, mesmo se tratando de um caso delicado onde poderiam derrapar e abordar de forma errada, e bem, é exatamente isso que acontece.

A espetacularização dos atos brutais do assassino é recorrente em todos os episódios da minissérie, enquanto a narrativa é traçada para nos instigar e nos fazer ficar cada vez mais curiosos, revelando acontecimentos como se fossem twists em um roteiro, com isso, elevando cada vez mais a aura de “gênio louco” que é vendida a todo momento ao assassino.

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Dando os holofotes ao assassino, o documentário desanda de diversas maneiras, uma das mais inquietantes é com Jun Lin.

Lin era homossexual e se encontrou a noite com Magnotta através do site Craiglist para uma noite de sexo casual, e logo depois se tornou a primeira vítima humana de assassino. A minisséria exprime uma comoção muito grande com o ato de brutalidade à animais (sem falar que seu título já conta principalmente com esse tema), o que não teria problema se não ofuscasse o espaço que Lin merecia ter aqui.

O pouco tempo que entrevistam o melhor amigo de Lin, falam sobre sua família e sua vida é simplesmente absurdo, um tempo inteiramente jogado para espetacularizar o caso de Magnotta, dando mais holofotes ao assassino e deixando a vítima em segundo plano

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Dedico essa parte para dizer que espero que os devidos respeitos sejam dados à memória de Lin e a sua família.

Não posso deixar de citar que ainda tentam acusar o telespectador de ser cúmplice dessa espetacularização. Sim, isso acontece. Como se já não bastasse fazer os entrevistados assistirem aos vídeos cruéis e macabros que os atormentou por tanto tempo durante suas investigações, temos mais um absurdo para fechar com chave de ouro. Quando um dos entrevistados insinua tal coisa diretamente para câmera, por pura encenação exigida para o documentário, nos deixando no limbo da curiosidade e da dúvida.

Não há quase nada de correto no documentário, mas existe sim uma maneira correta de se assistir. Saber assimilar informações, os erros e acertos dentro da proposta de uma obra, dentro da relação dela com a realidade, é disso que você precisa para poder assistir a minissérie, mas de verdade, não há nenhum bom motivo para assisti-la, por isso não avisei sobre spoiler algum e poupei vocês contando tudo aqui no texto.

Don’t F**k With Cats é uma minissérie traiçoeira, não há mensagem passada aqui, não há sensibilidade, não há boa intenção, tudo é montado para contar a trajetória do assassino e sua perseguição da maneira mais espetacularizada que puderam, tirando o espaço de quem merece, e dando o espaço para quem não deve, bem como ele queria. E ainda sim, tentam botar uma culpa duvidosa em cima do telespectador.

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Contato Visceral – Um potencial não elevado ao máximo |Review

O longa de terror psicológico da Netflix lançado esse ano (2019), acompanha o dia a dia de Will, um homem que aparenta ter uma vida tranquila e bem resolvida enquanto tenta descobrir mais sobre um estranho e intrigante telefone que foi esquecido em seu bar.

O longa é dirigido por Babak Anvari que é também conhecido pelo filme anglo-jordaniano-qatariano, Sob a Sombra.

Pelo primeiro ato do longa somos apresentados aos personagens,  seus relacionamentos e afins de maneira fluída. Tudo parece ser bem resolvido e estável quando somos apresentados aos personagens, Will interpretado por Armie Hammer parece ser uma pessoa sem complicações na vida e despreocupada, algo que é trabalhado em cada personagem durante o desenrolar da trama.

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Mas aqui, o foco é inteiramente em Will, personagem de Hammer. O ator nos entrega uma performance que abraça o papel como necessário, o desenvolvimento de seu personagem é marcado por suas nuances, mudanças de comportamento e de estado físico, não tão intensas, mas ainda sim essas mudanças físicas existem.

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Will interpretado por Armie Hammer

Após sermos apresentados aos personagens, é aí que o terror psicológico começa a dar seus primeiros sinais. O longa trabalha muito toda sua atmosfera com o desconforto e a dúvida. Como é de se esperar, no terror psicológico temos uma construção mais planejada para a aflição e a curiosidade do que para o terror imediato, vulgo momentos de correria e jumpscare.

O diretor executa essa construção com maestria, se mostrando bastante habilidoso para construir uma atmosfera que nos deixa cada vez mais curiosos e desconfortáveis. A câmera inquieta acompanhando o personagem de Hammer pelas suas costas nos dá uma sensação inquietante de que o mesmo está sendo observado, a escuridão usufruída com o recurso da imaginação, nos fazendo ficar tão duvidosos que vemos coisas onde no fim não há nada demais, os cortes bruscos quando há uma visão perturbadora acontecendo nos passando um ar ainda maior de desespero.

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É assim que o filme é montado, com detalhes e nuances que vão construindo todo esse aspecto desconfortável e intrigante da trama, nos fazendo questionar mais e mais, nos fazendo ansiar pelo que está por vir.

Por outro lado, tudo que poderia ser aproveitado ao máximo esses elementos, acaba por ser subaproveitado, com um roteiro que quando começa a derrapar, não para mais. Quando nos são dadas dúvidas, apenas parte delas é resolvida.

É claro que não é necessariamente obrigatório uma explicação direta para todas as dúvidas apresentadas, o problema aqui é que mesmo as dúvidas respondidas por interpretação, metáforas e também com o paralelo ao livro original do qual o filme foi base, The Visible Filth, não são o suficiente para sustentar todas as informações as quais fomos expostos durante sua duração.

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Algumas idéias subaproveitadas são ponto chave de como o roteiro desanda, como por exemplo o mistério relacionado ao grupo de jovens que, enquanto muito bem construído pelos primeiros atos, tende a acabar sem uma conclusão a altura do que foi construído até então, deixando um gosto de “cadê o resto?” na boca.

Esse gosto amargo acaba ofuscando muito do desenvolvimento do longa, o que faz toda a direção bem executada e construída se perder em idéias subdesenvolvidas que se acham resolvidas.

Todos os personagens secundários existem em torno do personagem de Hammer, que é o foco da narrativa. Dakota Johnson interpreta a namorada de Will, Carrie, que por estar tão próxima ao personagem principal também tem um desenvolvimento mais atencioso. A atriz leva seu papel com segurança, nada a se destacar

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Zazie Beets está como de costume, convincente e sua performance, entregando uma personagem secundária cativante o suficiente para estar a altura do que seu roteiro propõe, uma personagem chave para a trama.

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Dakota Johnson e Armie Hammer.

Toda a atmosfera do longa é trabalhada no desenvolvimento do personagem principal, para nos comunicar uma das idéias principais por trás da trama, assim como diz o título do livro do qual o longa foi baseado, A Sujeira Invisível pode estar em quem menos esperamos, pois a toxidade não pode ser vista a olho nu.

No fim, Contato Visceral é um terror psicológico muito bem conduzido pelo diretor, que faz o trabalho com maestria, nos instigando e desconfortando cada vez mais ao passar do tempo, mas que deixa muito a desejar no quesito roteiro, que acaba subdsenvolvendo boa parte das idéias apresentadas.

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Avaliação: 3 de 5.

Bom

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Porta dos Fundos: A Primeira Tentação de Cristo – Uma divertida sátira de natal para assistir em família | Review

O novo especial de Natal da equipe Porta dos Fundos: A Primeira Tentação de Cristo , dirigido por Rodrigo Van Der Put, não foi lançado pelo YouTube como tradicionalmente, agora o média-metragem foi lançado no serviço de streaming Netflix.

Acho importante deixar claro que o título é irônico, tirando pela parte de ser divertido.

Em A Primeira Tentação de Cristo, Jesus está completando seus 30 anos e voltando para casa após ficar 40 dias no deserto, enquanto sua família o espera para dar a notícia de que ele não é filho de José, e sim de Deus, Jesus tem que lidar com questões de descobrimento pessoal e decidir seu futuro.

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O média-metragem é uma clara sátira, e ele não tenta ser mais do que isso. Seus personagens são bobos e geralmente estabanados, muitos são caricatos do seu próprio jeito. É essa caricatura que constrói a personalidade de cada personagem, pois nenhum é aprofundado com densidade, Jesus que é interpretado por Gregório Duvivier é o único que tem um desenvolvimento com densidade na trama, por assim dizer.

A obra não tem nenhum comprometimento com personagens sólidos ou afins, é puramente uma sátira, e como eu costumo dizer, comédia é relativa. A sátira parte não só de piadas bobas e fáceis mas também de críticas ácidas em cima de tudo que a obra se baseia. Tendo isso tudo em mãos, podemos concluir se o humor funciona ou não. E aqui posso afirmar que sim.

Os personagens são releituras  bíblicas bidimensionais para servirem de sátira, muitos deles tem todas suas características e acontecimentos tirados da bíblia para enriquecer a comédia da narrativa, como por exemplo os 3 reis magos. A narrativa não tem um momento de respiro no humor, tem sempre algo bizarro ou bobo acontecendo, e isso não ver a ser um problema  justamente pela duração curta que o faz ser um média-metragem sendo bem fácil de se “degustar”.

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A produção conta com caracterizações de época e cenário bem realizadas e críveis o suficiente para crermos em todo aquele universo satírico, alguns cenários poderiam ser facilmente usados para uma releitura realista sobre tais histórias.

O destaque de atuação vai mesmo para Fábio Porchat, que aproveita sua caricatura de maneira segura, coerente, divertida, e quando precisa extrapolar, extrapola bem. Gregório como Jesus não tem muita exigência em seu papel, mantendo o personagens com suas nuances de costume mas com segurança.

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No fim, A Primeira Tentação de Cristo é uma sátira bíblica boba e divertida, com um humor ácido que não só critica muito do que se baseia, mas que diverte em ótima dose alguém que esteja a procura de uma releitura bíblica com um ar de churrasco em família.

Avaliação: 3.5 de 5.

Bom

Porta dos Fundos é uma produtora de vídeos de comédia veiculados na internet, sendo atualmente o terceiro maior canal brasileiro no YouTube.

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Em parceria com o site de humor Kibe Locoe a produtora Fondo Filmes, foi criada a Porta dos Fundos, iniciado em março de 2012, com o primeiro programa sendo lançado em 6 de agosto desse mesmo ano. Em 6 meses, a marca de 30 milhões de visualizações no site de compartilhamentos de vídeos YouTube foi alcançada. A maior parte de seu público possui idades entre 20 a 45 anos.

Originalmente o grupo era formado por um elenco fixo, composto por Antônio Tabet, Clarice Falcão, Fábio Porchat, Gregório Duvivier, Gabriel Totoro, João Vicente de Castro, Júlia Rabello, Letícia Lima, Luis Lobianco, Marcos Veras, Marcus Majella e Rafael Infante; porém, o grupo foi sofrendo alterações, conforme alguns integrantes foram saindo e outros entrando, dissipando a formação original.

O Porta dos Fundos se tornou o maior canal brasileiro no YouTube em abril de 2013, tendo sido ultrapassado pelo canal do Whindersson Nunes em outubro de 2016.

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Apesar do sucesso, os integrantes afirmaram em 2012 que não pensavam em migrar para a televisão, mas em 2014 o grupo assinou um contrato com a emissora de televisão à cabo FOX Brasil para a criação de alguns seriados.

Para mais informações sobre A Primeira Tentação de Cristo e outros assuntos, acompanhe nossa página no Facebook.

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História de Um Casamento – Não há nada mais humano do que se adaptar | Review

O novo longa da Netflix dirigido por Noah Baumbach é a aposta mais forte do serviço de streaming para os oscars, já que vem ganhando espaço e popularidade em outras premiações no momento. O filme evidencia um processo de divórcio onde o casal, Charlie (Adam Driver) e Nicole (Scarlett Johansson), precisa se adaptar a toda essa nova idéia de separação e cuidar de seu filho pequeno.

O longa abre com uma atmosfera otimista para nos apresentar aos personagens e conseguirmos compreender os bons momentos que já passaram. Digamos que a cena de abertura tem o mesmo intuito da carta que escreveram um para o outro, assim recordando como já se sentiram uma vez. Com a narrativa já começando a ser contada a partir do divórcio decidido, todo esse ar otimista da primeira cena é cortado para algo mais frio quando somos trazidos para o momento da qual a história se passa.

A atmosfera apesar de mudar rapidamente, se torna totalmente crível, trabalhando por toda a duração do longa com algo mais sensorial. Os sentimentos dos personagens são muito mais evidenciados pela sensoralidade do que por palavras, porém, palavras não deixam de ser importantes, o que deixa tudo mais humano e sensível.

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Um exemplo de diálogo memorável é a cena da discussão de Nicole com Charlie, onde são levados de maneira crescente até eclodirem em palavras desnecessárias um para o outro, algo que infelizmente é humanamente comum.

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Cena da discussão

Todos esses momentos sensoriais e de diálogos são construídos perfeitamente com uma atmosfera “Desconfortavelmente confortável”, onde sabemos que há algo a ser dito, há algo sendo sentido, mas nada sendo expressado. O tom pastel da palheta de cores dá uma sensação ainda mais crível e cotidiana para a narrativa, que é pautada exatamente em uma realidade cotidiana.

Esse é um longa que depende de seu elenco principal para ser carregado. Com isso, claramente podemos evidenciar que toda a atmosfera não é apenas meticulosamente guiada por Noah, mas também pela dupla protagonista Adam Driver e Scarlett Johansson.

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Aqui não há um se sobressaindo ao outro, mesmo que o longa diminua o tempo de tela de Scarlett mais para o terceiro ato as duas atuações são excepcionais não apenas por si só, mas como um conjunto, as duas se completam com uma sinergia contagiante e encantadora, que nos faz torcer pelo casal até mesmo quando parece não ter esperança.

Scarlett como Nicole e Adam como Charlie

A sutileza tem atenção especial quando se trata de uma abordagem sensorial das situações, algo que é carregado com excelência pela dupla principal, trazendo do mais sutil até o mais explosivo que seus personagens exigem.

A montagem de certa forma nos induz a torcer pelo casal, mas também aceitar a situação em que estão, nos colocando em planos mais frios quando contracenam em momentos burocráticos, e mais sensoriais e sensíveis quando contracenam a sós. É claro, cada um desses elementos está presente em todos esses momentos, mas é evidente o destaque de atmosfera em cada situação.

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Laura Dern que também apresenta uma excelente atuação junto a Scarlett.

A falha aqui estaria na diminuição do tempo de tela de Scarlett Johansson no terceiro ato, o longa é proposto como o processo de ambos os personagens, e é evidente que Adam tem mais tempo de tela a partir de um certo tempo, mas isso ainda sim não diminui a complexidade e profundidade já construídas e abordadas pela personagem de Scarlett, que se mantém tão consistente quanto o personagem de Driver.

Apesar do tom frio em boa parte do longa, ele mantém um ritmo cheio de energia, com cortes que alternam totalmente de atmosfera em contraste com o estado de um personagem em relação ao outro, com momentos que evocam até uma trágica comédia que enriquece muito a trama do filme, nos fazendo gargalhar, se emocionar e se sentir reconfortados.

É isso que História de Um Casamento faz, nos reconforta e nos destrói, nos faz rir e nos faz chorar, assim como a vida. Um filme que transborda humanidade até em seus momentos mais frios. Mostrando que as vezes o melhor não é torcer para que o bem passado volte, mas sim trabalhar no presente para que sua agonia atual se adapte em um novo bem.

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No fim, História de Um Casamento é um maduro estudo humano sobre adaptação e suas relações, guiando isso junto a seu excepcional elenco principal com atuações super orgânicas e relacionáveis, com uma montagem cativante e um tom cotidiano, que leva tudo a ser o mais humanamente crível e tocante possível.

Avaliação: 4.5 de 5.

Ótimo

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Metacritic libera lista com os 50 melhores games da década

O famoso site de críticas Metacritic, que é conhecido entre a comunidade gamer por reunir as principais análises de games, assim mostrando qual a média é dada pela imprensa, liberou nessa sexta (6), uma lista com os 50 jogos mais bem avaliados da década.

É importante ressaltar que a lista apenas considera jogos com mais de 15 análises registradas, veja a lista abaixo junto a plataforma, data de lançamento e média recebida:

1. Super Mario Galaxy 2 (Wii, 2010), nota média: 97

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2. The Legend of Zelda: Breath of the Wild (Switch, 2017), nota média: 97

3. Red Dead Redemption 2 (PlayStation 4, 2018), nota média: 97

4. Grand Theft Auto V (PlayStation 4, 2014), nota média: 97

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5. Super Mario Odyssey (Switch, 2017), nota média: 97

6. Mass Effect 2 (Xbox 360, 2010), nota média: 96

7. The Elder Scrolls V: Skyrim (Xbox 360, 2011), nota média: 96

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8. The Last of Us (PlayStation 3, 2013), nota média: 95

9. The Last of Us Remastered (PlayStation 4, 2014), nota média: 95

10. Red Dead Redemption (Xbox 360, 2010), nota média: 95

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11. Portal 2 (Xbox 360, 2011), nota média: 95

12. God of War (PlayStation 4, 2018), nota média: 94

13. Batman: Arkham City (Xbox 360, 2011), nota média: 94

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14. The Legend of Zelda: Ocarina of Time 3D (3DS, 2011), nota média: 94

15. BioShock Infinite (PC, 2013), nota média: 94

16. Pac-Man Championship Edition DX (Xbox 360, 2010), nota média: 93

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17. Divinity: Original Sin II (PC, 2017), nota média: 93

18. Super Mario 3D World (Wii U, 2013), nota média: 93

19. Starcraft II: Wings of Liberty (PC, 2010), nota média: 93

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20. Persona 4 Golden (PlayStation Vita, 2012), nota média: 93

21. Persona 5 (PlayStation 4, 2017), nota média: 93

22. Mass Effect 3 (Xbox 360, 2012), nota média: 93

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23. Metal Gear Solid V: The Phantom Pain (PlayStation 4, 2015), nota média: 93

24. The Legend of Zelda: Skyward Sword (Wii, 2011), nota média: 93

25. Rock Band 3 (Xbox 360, 2010), nota média: 93

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26. Uncharted 4: A Thief’s End (PlayStation 4, 2016), nota média: 93

27. Super Smash Bros. Ultimate (Switch, 2018), nota média: 93

28. INSIDE (Xbox One, 2016), nota média: 93

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29. Forza Horizon 4 (Xbox One, 2018), nota média: 92

30. God of War III (PlayStation 3, 2010), nota média: 92

31. Uncharted 3: Drake’s Deception (PlayStation 3, 2011), nota média: 92

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32. Bloodborne (PlayStation 4, 2015), nota média: 92

33. Celeste (Switch, 2018), nota média: 92

34. Super Street Fighter IV (PlayStation 3, 2010), nota média: 92

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35. The Witcher 3: Wild Hunt (PlayStation 4, 2015), nota média: 92

36. Undertale (PC, 2015), nota média: 92

37. Fire Emblem: Awakening (3DS, 2013), nota média: 92

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38. Divinity: Original Sin II – Definitive Edition (PlayStation 4, 2018), nota média: 92

39. Super Smash Bros. for Wii U (Wii U, 2014), nota média: 92

40. Journey (PlayStation 3, 2012), nota média: 92

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41. Xenoblade Chronicles (Wii, 2012), nota média: 92

42. Mario Kart 8 Deluxe (Switch, 2017), nota média: 92

43. The ICO & Shadow of the Colossus Collection (PlayStation 3, 2011), nota média: 92

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44. The Witcher 3: Wild Hunt – Blood and Wine (PC, 2016), nota média: 92

45. LittleBigPlanet 2 (PlayStation 3, 2011), nota média: 91

46. Overwatch (PC, 2016), nota média: 91

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47. Bayonetta 2 (Wii U, 2014), nota média: 91

48. Forza Horizon 3 (Xbox One, 2016), nota média: 91

49. Final Fantasy XIV: Shadowbringers (PC, 2019), nota média: 91

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50. Dragon Quest XI S: Echoes of an Elusive Age – Definitive Edition (Switch, 2019), nota média: 91

Você pode conferir a lista no site clicando aqui.

E você, concorda com a lista?

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Little Monsters – Uma agradável surpresa em meio ao saturado subgênero de Zumbis | Review

Com direção de Abe Forsythe, Little Monsters, ou como eu traduziria, Pequenos Monstrinhos, conta a história da adorável e calorosa professora Miss Caroline (Lupita Nyong’o), que acaba precisando proteger seus alunos de um repentino ataque zumbi enquanto tenta preservar a sua inocência, tudo isso ao lado de uma inesperada companhia, o tio de um de seus alunos, o frustrado Dave (Alexander England)

Lupita como Miss Caroline com sua turma.

Little Monsters não é um longa exclusivamente de horror, na verdade, longe disso. O filme caminha por vários gêneros e subgêneros, explorando idéias em meio a eles e construindo assim uma narrativa não só divertida com o seu gênero mais presente sendo a comédia, mas também adorável e violenta. E seria errado deixar de citar como o humor sutil e as gags funcionam aqui, algo que tenho que confessar, sempre me conquista em uma boa comédia.

Em tais momentos, há uma impressão de que a narrativa não sabe para qual gênero seguir, onde se manter ou como equilibrar certos momentos, mas são poucos, e quando acontecem, são derrapadas bem leves o que realmente não atrapalha na imersão da obra, e o que recebemos é uma ótima exploração das idéias propostas.

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Horda de zumbis característicos.

Mesmo sendo um filme com um ar fofo e engraçado, Little Monsters ainda é um filme de zumbis, com direito a sangue, tripas e muita violência. O que temos de diferente aqui é a sua abordagem, já que compreendemos a seriedade da situação mas também vemos aquilo tudo pela lente da inocência das crianças, o que é fator central para trama do filme. Um roteiro simples eu diria, mas que cativa com sua abordagem.

E é claro que isso tudo não seria possível sem um ótimo elenco. Lupita Nyong’o excelente como de costume, com um ar doce e caloroso até a dúvida mais desesperadora de ter que esconder uma verdade cruel de inocentes crianças, Alexander England entrega com segurança um personagem frustrado e com atitudes questionáveis e vai nos revelando camadas durante o desenrolar da trama, sem falar do ótimo elenco mirim com destaque a Diesel La Torraca como Felix, ou devo dizer, Darth Vader.

Alexander England como Dave e Lupita Nyong’o como Miss Caroline.

Com essa ideia ousada que nem sempre dá certo de juntar gêneros e subgêneros um tanto diferentes um do outro em uma só obra, Little Monsters entrega com segurança um filme não só divertido e fofo, mas também intenso e visceral. Com ótimas atuações e um ritmo que não te tira da imersão na trama, é uma ótima pedida para alguém que gosta de zumbis mas está enjoado da mesmice, ou até mesmo para quem quer dar umas boas risadas enquanto assiste à tripas expostas.

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Little Monsters ainda não está disponível diretamente no Brasil, apenas no serviço de streaming Hulu.

Morto Não Fala – E nem descansa em paz | Review

O longa nacional de horror dirigido por Dennison Ramalho e baseado num conto de Marcos de Castro conta a história de Stênio, homem que possui um dom, ou maldição, de de conversar com os mortos.

Somos apresentados a uma atmosfera sangrenta, devido ao fato do protagonista trabalhar como médico legista em um necrotério, costurando cadáveres e também conversando com eles. Atmosfera essa que permanece durante todo o longa, assim como o cheiro de sangue e cadáver fica em Stênio após sair do trabalho.

Fazer filmes de gênero em solo nacional é algo um tanto difícil pela falta de visibilidade, mas que felizmente vem crescendo e enriquecendo as possibilidades do nosso cinema nacional. Morto Não Fala se utiliza de convenções do gênero do terror e horror para explora medos locais e cotidianos.

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Stênio com um cadáver no início do longa

As sequências mais sangrentas vão além dos exames no necrotério, que são mostrados com detalhes junto da utilização de bonecos, próteses e maquiagem, o que funciona muito bem e acrescenta um ar visceral para as cenas.

O longa utiliza de CGI para algumas sequências, não só as de horror e sustos, como a mudança de um rosto para outro ou uma cabeça solta conversando, situação em que o uso de CGI é mais necessário, mas também para recriar o rosto de atores nos cadáveres de seus personagens.

Acredito que seja uma decisão com seus prós e contras, mas principalmente contras, pois realmente não vejo a necessidade de usar um CGI que peca em ter semelhanças reais com os atores e é facilmente perceptível pelo aspecto plástico, enquanto poderia se usar atores com maquiagem durante esses momentos de conversação com os cadáveres. Mesmo que a utilização de atores nesses momentos aconteça, é bem pouca, mas ainda sim rende closes mais profundos no olhar e expressões mais verossímeis.

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O filme funciona como uma crescente, desde o início já somos apresentados a realidade bizarra em que o personagem principal vive com seu dom, algo que não é proposto a ser explicado e sim explorado para o avanço da trama. Quanto mais a trama avança, mais características do terror e horror vão aparecendo e sendo construídos.

O longa tem sim os famosos “jumpscares” e truques das convenções do gênero, mas Dennison Ramalho tem um ótimo controle na construção de sequências tensas que conseguem nos deixar na ponta da cadeira e impactados com tudo aquilo. Sem falar do interessante modo que o roteiro explora o sobrenatural, utilizando de medos relacionáveis com nosso senso comum e construindo a narrativa junto a isso.

Daniel de Oliveira protagoniza o longa, carregando a maior parte dramática com seu conflituoso personagem Stênio, tudo isso feito com segurança nos entregando uma performance crível e complexa. Fabíula Nascimento e Bianca Comparato também estão excelentes nos entregando performances que não só exploram personagens mais identificáveis no cotidiano brasileiro, mas que também exploram os extremos de personagens das convenções do gênero do horror e terror.

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A camada social do filme não é algo muito profundo, mas acredito que a proposta realmente não era essa, e fora isso, o longa pode ser aproveitado inteiramente sem dificuldades, pois suas camadas são de fácil entendimento para serem exploradas.

No fim, Morto Não Fala é um belo exemplo de filme nacional de gênero, explorando medos cotidianos e do senso comum brasileiro para construir uma realidade bizarra e sangrenta, que vai de um complexo drama familiar urbano até o mais conhecido do horror e terror.

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O Rei – Um brutal drama histórico | Review

O novo longa que é a possível aposta da Netflix para a temporada de premiações estrelado por Timothée Chalamet, conta a história do Rei Henrique V e de sua trajetória pelo reinado de uma maneira um tanto intimista.

O Rei funciona também como um Épico, mas eu diria que é um pouco de cada coisa. Um Épico Drama Histórico. O longa é contado quase inteiramente sob a perspectiva do personagem de Timotheé, que lida com as responsabilidades de ser um novo rei jovem que carrega o peso das decisões duvidosas do reinado anterior de seu pai.

É impossível falar de O Rei sem falar da atuação de Timotheé como Rei Henrique, não só por ser excelente, como esse é um longa que depende de uma ótima entrega de seu protagonista para fluir de maneira crível e profunda. O roteiro estabelece certas coisas que podemos esperar do personagem de Timotheé, mas não é tudo, o que acaba o tornando um personagem deveras imprevisível pelos primeiros atos do filme.

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Mas todas essas lacunas que o roteiro deixa em especulação, a entrega de Timotheé não só nos aproxima do personagem, como nos faz compreender e sentir cada uma de suas ações e situações. Cada momento de silêncio que observamos de seu personagem transmite uma profunda sensação de dúvida, raiva, tristeza, enquanto ao mesmo tempo tenta manter sua postura como Rei. Com tudo isso posso afirmar, o Oscar de Timotheé está cada vez mais perto.

Timotheé como Rei Henrique V

Não é apenas a atuação de Timotheé que ajuda a carregar o longa, mesmo que seja o mais justo a se destacar. O elenco coadjuvante entrega uma excelente performance como por exemplo Joel Edgerton como um dos conselheiros do Rei e principalmente Robert Pattinson, que mesmo com o pouco tempo de tela que tem, rouba a cena com seu personagem excêntrico, cruel e cativante.

Pode ficar a impressão de que ele seja caricato, por ser apenas seria mais um exemplo de personagem com comportamento excêntrico, só que aqui o diferencial mesmo é a excelente atuação de Pattinson que nos deixa com um grande gostinho de quero mais.

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Robtert Pattinson como Príncipe da França

O pouco tempo de tela de Pattinson acaba se tornando um problema quando ele é vendido como o grande vilão do longa, com destaque em trailers e até quando aparece roubando a cena, para no fim seu tempo de tela ser resumido a bem menos coisa do que poderia se esperar.

Toda a atmosfera crua e realista do longa é feita para nos aproximar de uma história real fazendo-a ficar o mais verossímil possível, sendo realizada com a junção de todo o elenco, junto ao roteiro que estabelece um ar de desconfiança em toda interação criada pela narrativa, junto a palheta de cores acinzentada e morta com a trilha sonora e fotografia contemplativa às dúvidas de seus personagens e a guerra.

Palheta de cores predominantemente acinzentadas

As cenas de batalha e guerra aqui são sufocantes. Não há uma coreografia de batalha épica e emocionante, a batalha aqui é a mais brutal e crua que se teve em tempos medievais. As longas e sufocantes sequências de batalha com personagens se perdendo em meio ao chão escorregadio e ao peso de suas armaduras, tantos homens amontoados que mal conseguem se mexer, é tudo muito bem realizado e verossímil, nos fazendo compreender toda a dificuldade e tensão da batalha que estamos assistindo.

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Uma das cenas de batalha

O longa mantém um bom ritmo como drama histórico e épico de guerra, caminhando por esses dois gêneros de maneira orgânica e interessante. O que acredito ser o diferencial nesse filme em meio a tantos filmes de guerras medievais (além das sequências de batalhas).

No fim, O Rei da Netflix é um ótimo drama histórico e épico de guerra medieval, que peca em não saber aproveitar certas possibilidades e personagens em sua narrativa que o levariam para um patamar ainda mais memorável, mas que entrega muito bem as outras de suas propostas com atuações excelentes, o fazendo ser uma experiência satisfatória.

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Zumbilândia: Atire Duas Vezes – O apocalipse continua divertido | Review Sem Spoilers

Para a alegria dos orfãos de uma continuação da história de Columbus, Tallahasse, Wichita e Little Rock, finalmente chega aos cinemas Zumbilândia: Atire Duas Vezes.

A maior dúvida inicial sobre o filme é se vai ser melhor que o primeiro, ou tão bom quanto, e agora eu posso dizer com tranquilidade que esses 10 anos de espera valeram a pena, não só pelo fofo agradecimento de Columbus, mas por termos recebido mais uma hora e meia das matanças mais criativas de zumbis que você vai ver.

O roteiro continua com uma estrutura simples assim como o primeiro filme, e usufrui disso para entregar uma narrativa super divertida de se acompanhar. A direção tem um incrível controle e equlíbrio sobre seu drama e sua comédia que caminham de mãos dadas durante a narrativa, mesmo que, quem prevaleça seja de fato a comédia. Do humor mais sutil até o mais escrachado, das sátiras até as piadas com o próprio fato de terem demorado 10 anos para terem feito essa continuação, todos eles funcionam de maneira orgânica e que não te tiram nunca da trama, tanto como os momentos dramáticos.

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Little Rock que está mais crescida e Wichita.

Simples obviamente não é sinônimo de ruim, mas o roteiro tem sim algumas fragilidades, como por exemplo o tempo de tela e desenvolvimento de Little Rock, mesmo que a trama gire quase que toda em torno de suas ações.

O elenco conta com mais adições enriquecendo ainda mais o universo de Zumbilândia e suas interações, como por exemplo a personagem de Zoey Deutch, que foi escrita para ser irritantemente burra, mas que consegue cativar de certo modo e divertir bastante não só com sua “tapadisse”.

Zoey como Madison.

É claro, não foi só o humor e grande química entre os protagonistas que voltou, e sim a matança de zumbis. A violência continua sendo nojenta e grotesca, porém fica ainda mais divertida e criativa junto da adição de mais elementos ao universo tais como novos tipos de infectados.

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Isso tudo também rende ótimas sequências de ação misturadas com humor super divertidas de se assistir, e é claro, não posso deixar de citar o ótimo plano sequência que nos entrega tudo isso junto, enquanto a câmera caminha por todo ambiente de maneira inteligente. Uma cena que posso considerar como uma das minhas preferidas dentre os dois filmes, junto á cena final.

Tallahasse fazendo o que faz de melhor.

Zumbilândia: Atire Duas Vezes junta um carismático elenco, um criativo e divertido desenrolar com muito sangue e matança, tudo o que seu antecessor fez, mas com novas idéias a se explorar, no fim das contas sendo uma ótima sequência que com certeza chega aos pés de seu antecessor.

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Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro – Um “Terror Light”

Com o nome de Guillermo del Toro destacado em sua divulgação, o longa dirigido por André Øvredal nos entrega um estilo de terror mais leve.

Por ser mais leve, não quero dizer que seja infantil, e sim que há menos violência e contendo mais fáceis de se digerir.

O longa segue a famosa fórmula sobre um grupo de jovens tentando resolver um mistério, que nesse caso é sobrenatural, mesmo com uma explicação rasa de como tuda aquela mitologia funciona, essas informações e situações são apresentadas de maneira crível o suficiente para conseguirmos entender o que se passa. Mas o que chama a atenção, e o que chamou a atenção das pessoas para o filme, são os peculiares monstros que vimos nos trailers e teasers do filme, todos baseados nas artes clássicas do livro original que marcou ume geração pelos EUA.

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“Jangly Man”

De longe o visual peculiar e único de cada criatura é a melhor coisa do filme, os efeitos práticos misturados com CGI funcionam fazendo aquilo tudo ser mais palpável e bizarro, seguindo assim, a fórmula do roteiro nos faz seguir a idéia de que a cada história, um novo tipo de criatura, assim instigando o telespectador o fazendo esperar ansiosamente pela próxima história e criatura. O problema seria se essa fórmula ficasse repetitiva ou cansativa, mas não é o que acontece, com cada situação podendo ter um fim diferente, temos uma ameaça verdadeira á vida dos personagens, e não só isso como também em cada momento que essa fórmula é usada, ela constrói mais certos personagens fazendo não só o roteiro mas como a mitologia do filme enriquecer.

O elenco principal é competente e entrega o requisitado para cada personagem, seus problemas mesmo estão no roteiro. No quesito de desenvolvimento, alguns personagens quase não saem do lugar, mesmo que o filme tente fazer. Alguns até mesmo com uma história mais explorada há de serem pouco cativantes, e os que cativam de certa forma são utilizados de forma menor no longa, apenas para fazer a trama continuar andando. E quem sabe para um gatilho de continuação.

Veja o elenco completo clicando aqui.

O terror no filme, como eu disse anteriormente, pode ser considerado mais “light”. Com pouca violência gráfica, o filme aborda assuntos sérios e a serem pensados após a sessão, mas nada que precise de esforço, até porque o filme faz questão em nos dizer certas coisas em diálogos expositivos ou que parecem realmente premeditados. Mas sim, o terror que eu chamo de “imediato”, que procura assustar ou desconfortar com perseguições ou sustos, e o horror que procura nos desconfortar ou causar repulsa, funciona aqui. São momentos bem dirigidos, aterrorizantes em sua proposta e as vezes sufocantes de se assistir, mantendo um ritmo agradável, mesmo não sendo á toda hora que isso é feito corretamente.

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Em certos momentos, senti falta de uma trilha sonora, como por exemplo uma perseguição que prefere usar os sons ambientes, mas é algo que no fim não agrega em nada especial.

No fim, Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro é um bom filme de terror e horror que nos entrega criaturas peculiares e bizarras de maneira cativante junto a personagens principais não tão cativantes assim, com um ar mais leve que o comum dentre os filmes adultos de terror, funciona e consegue aterrorizar em sua proposta, mesmo não saindo do lugar comum.

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Coringa – Adentrando em uma mente perturbada | Review

Chocante, forte e intenso, são boas palavras para se descrever Coringa.

Dirigido por Todd Philips, o novo longa do Palhaço do Crime não é só um envolvente drama de origem, como também um profundo estudo de personagem.

Coringa já é um dos filmes mais polêmicos do ano por seus temas complexos e abordagem facilmente interpretáveis de maneira equivocada. Mas em sua síntese, Coringa é um complexo estudo de personagem que nos faz mergulhar em uma mente que é constantemente abalada não só pelo mundo ao seu redor, mas pela sua natural propensão a insanidade.

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Os temas sociais abordados aqui são totalmente debativeis e relevantes até hoje, e sabendo das ações radicais de seu protagonista a mercê desses temas e situações, junto a uma representação antissistema que o personagem claramente vive na trama, o roteiro não se propõe a nenhum tipo de exaltação ou reprovação de suas atitudes, e sim vislumbrar o desenrolar da narrativa através dos olhos do protagonista. O que vemos, ouvimos e experienciamos, vem diretamente da mente perturbada de Arthur, e a partir disso é de nossa responsabilidade que saibamos assimilar isso.

Movimento social do qual faz parte do desenrolar da trama

O longa pode pecar em perder o potencial de construção de certos personagens secundários que por exemplo não tem muita voz ativa no longa, e também as vezes parecer simplista na sua ilustração de problemas sociais reais, porém essa impressão é aceitável a partir do ponto que temos consiência de que acompanhamos diretamente a visão deturpada de Arthur.

A atmosfera sombria e pessimista do filme se mostra como reflexo da visão de Arthur no mundo em que vive, algo que é construído de maneira meticulosa e cuidadosa para nos apresentar que não só as coisas a volta de Arthur são difíceis e complexas, mas sua própria mente.

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A excelência da qual Joaquin Phoenix nos entrega no papel de Arthur Fleck, não só nos choca e desconforta (de maneira positiva), como também nos cativa de uma maneira profunda e complexa. O ator que está quase esquelético, junto as suas crises de risadas seguidas de uma clara expressão de sofrimento, consegue manejar todas as emoções complexas e conflituosas do personagem, trazendo um resultado magnífico. Algo que na minha opinião não deve passar em branco na temporada de premiações.

O filme não se limita a uma atmosfera sombria, usufruindo de um irônico humor inteligentemente relacionado a mitologia de seu personagem, junto a momentos chocantes que são como um soco no estômago. Assim sendo, as explosões de Arthur são espetaculares e chocantes, da direção que nos deixa apreensivos com a aura bizarra e imprevisível do personagem até a atuação excepcional de Phoenix.

Sua trilha sonora eleva toda a tensão e intensidade das sequências além de criar uma atmosfera mais clássica e irônica, trabalhando excelentemente em conjunto com a construção de momentos chave do longa, sem falar da belíssima fotografia que rende enquadramentos contemplativos com planos longos que nos fazem digerir de maneira mais crua cada situação e acontecimento.

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Belíssima cena da escada

De acordo com o diretor, a intenção não era fazer uma adaptação de quadrinhos, mas sim um filme próprio, e sim, ele é, mas é óbvio que muito da mitologia do personagem foi inserida diretamente dos quadrinhos, mesmo que de forma adaptada, e isso não se limita só a sua caracterização e acontecimentos, mas até o mundo a sua volta como por exemplo a história de Gotham e Bruce Wayne.

No fim, Coringa usufrui de sua famosa mitologia para integrar um roteiro bem escrito e executado, sendo não apenas um excelente thriller dramático, mas um profundo estudo de personagem que precisa de consciência para ser assimilado.

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Midsommar – Adentrando a uma perturbadora naturalidade | Review

O novo longa de Ari Aster, diretor do bem comentado horror/terror Hereditário, chega com sua grande autoralidade, bizarrices, cultos e idosas nuas.

Midsommar não é um filme para qualquer um, e acredito que seja um filme mais difícil até do que Hereditário, pois mesmo com o diretor entregando um filme com toda sua autoralidade conhecida e direção meticulosa, é um filme mais longo e mais difícil de acompanhar.

Isso não é necessariamente um detalhe ruim, o que o longa faz é construir toda a história aos poucos calmamente, amarrando acontecimentos, nos mostrando possibilidades, aprofundando seus personagens e desenvolvendo a narrativa, tudo feito da maneira mais clara até a mais sutil.

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Os artificios usados pelo diretor para contar a história são muito mais do que só seu roteiro pela superfície, ao adentrarmos as simbologias e prestarmos atenção nos mínimos detalhes conseguiremos chegar nas outras camadas que o filme precisa para uma compreensão completa, chegando assim à alegorias, metáforas e interpretações que servem para enfim uma experiência completa. Tudo isso existe em Hereditário, porém aqui é de uma maneira mais agressiva.

O diretor apresenta todas as simbologias e alegorias usufruindo de sua grande habilidade e noção cinematográfica, aqui temos um espetáculo audiovisual nas suas questões técnicas, onde o filme consegue nos provocar, desconfortar, atordoar e amedrontar, tudo isso utilizando apenas as ferramentas da fotografia, trilha sonora, do enquadramento e da montagem. Não há jumpscares ou algum terror imediato para assustar o espectador, o horror e terror aqui são explorados de uma maneira eu diria, antropológica.

Pintura simbólica local apresentada durante o longa

Com as sequências perturbadoras e situações desconfortáveis que o longa nos faz vivenciar, nos passa não só essas alegorias e metáforas mas também um estudo que serve para reflexão sobre humanidade e costumes. Um vislumbre disso é a comunidade sueca retratada com costumes totalmente diferentes do “comum” na sociedade em que vivemos, sendo ela um tipo de culto que naturaliza todos os atos de abuso e violência que cometem para benefício próprio. O ponto que quero chegar é que o longa não demoniza ou condena a comunidade desde o princípio, e sim nos dá um reflexo de como no mundo existem milhares de culturas diferentes umas das outras, onde atos condenáveis como os do longa são algo comum.

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Cena da “dor coletiva”

As vezes os acontecimentos e sequências parecem beirar o ridículo, e acabar arrancando risadas do espectador, porém é tudo pelo fato de não estarmos naturalizados com nada daquilo que é apresentado (e ainda bem, diga-se de passagem).

Toda essa mistura é perfeitamente conduzida pelo habilidoso diretor com elenco que nos entrega caracterizações sólidas e com camadas. Os personagens secundários tem suas personalidades e motivações bem apresentadas e construídas de maneira orgânica nos fazendo se aproximar de cada um. Florence Pugh que interpreta Dani, a personagem principal é a mais passível de destaque junto a Jack Reynor que interpreta seu namorado Christian, ambos nos entregando todos os extremos de seus personagens de maneira estupenda.

Vilhelm Blomgren como Pelle, Florence Pugh como Dani, Jack Reynor como Christian, William Jackson Harper como Josh e Will Poulter como Mark

No fim, Ari Aster nos entrega mais um filme que utiliza meticulosamente todos os recursos visuais e narrativos a seu dispor para nos contar uma história, a desenvolver com camadas, nos perturbar, desnortear e horrorizar, com uma narrativa de gênero fora do comum e que com certeza merece ser revisitada.

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Ad Astra – Aprisionado em si mesmo | Review

Ad Astra conta a história de um astronauta renomado e habilidoso que recebe a missão de encontrar seu pai que estava supostamente morto para salvar seu sistema solar que estava cada vez mais em perigo.

O longa de ficção científica se passa maior parte fora da terra, ou seja, com seus personagens no espaço, onde todo o roteiro trabalha de uma maneira o mais próximo da nossa realidade possível, em um futuro distópico, porém, crível. Todas as diferenças dessa distopia com a nossa realidade são apresentadas no filme de maneira orgânica e despretenciosa, para assim nos situarmos e abraçarmos o máximo daquele mundo que o filme pode nos entregar.

Como sua maior parte se passa no espaço, outros planetas ou em naves, o filme é ótimamente atmosférico em cada uma de suas sequências, seu maior sentimento tende a ser o sufoco de toda a situação do personagem e o ambiente em que se encontra, também com lindos planos para nos apresentar as imensas paisagens pelo espaço afora. Além disso, tudo aqui é visualmente belísimo, não só a belíssima fotografia que rende ótimos takes inteligentes, mas também os efeitos visuais que são estupendos e fazem uma experiência em IMAX se tornar realmente única. E é claro que a trilha sonora também contribui para isso fazendo nosso coração apertar.

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Takes do longa

Toda essa imersão ajuda em como o longa foca de maneira introspectiva no personagem de Brad Pitt, que nos entrega uma excelente atuação e nos entregando todo conflito de seu personagem de maneira sólida conseguindo nos fazer sentir o sufoco que seu personagem passa ao ficar meses dentro de uma nave por exemplo. E eu gostaria de apostar aqui uma indicação aos oscars.

Apesar de alertar sobre problemas da vida real e falar sobre a humanidade no geral, Ad Astra também é um estudo interessante de personagem, pois tudo aqui é visto do ponto de vista de Roy McBride, nosso personagem principal, de maneira introspectiva onde literalmente podemos ouvir seus pensamentos. Acredito que nesse quesito o roteiro derrape com falas expositivas demais em coisas que poderiam ter acontecido apenas com um breve silêncio, mas na maior parte do tempo isso tudo funciona não só para construir o personagem, mas para nos aproximar dele.

Brad Pitt como Roy McBride

A trama também serve para mostrar como o peso de se sentir aprisionado em si mesmo pode cair até sobre os ombros dos mais sábios e habilidosos possíveis, para completar, deixo uma fala do próprio Brad Pitt sobre a tal masculinidade abordada de forma indireta no filme:

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“Crescemos com esta ideia de que a masculinidade consiste em ser forte, não mostrar fragilidade, que não te faltem o respeito. Mas essa ideia é uma prisão que impede você de aprender com os seus passos em falso, suas zonas mais frágeis, em uma barreira que impede você de se abrir ao que ama”

Ad Astra nos entrega não só uma ficção científica sufocante e misteriosa, como também um introspectivo drama duro e perturbador sobre a solidão e nossa humanidade.

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Verão de 84 – O clássico suspense jovem oitentista com uma nova abordagem

A clássica e velha história de amigos que vivem em um subúrbio americano e que se junta para desvendar um mistério ou enfrentar algo em plena década de 80. Verão de 84 parte dessa mesma fórmula que pode ser algo já sem graça e saturada para muitos, porém para outros é uma proposta que desperta o interesse (eu estou incluso nesses outros). A direção composta por um trio que já dirigiu outros 2 longas, sendo eles Anouk Whissell, François Simard e Yoann-Karl Whissell, sendo que quem já viu outros de seus trabalhos sabe que costumam entregar um resultado competente.

Não há nada de excepcionalmente novo em Verão de 84, mesmo que o filme se mostre mais pesado do que o costume no gênero (Com excessão de It: A Coisa), contém clichês até fora da proposta, com tensão construída por uma música tensa para ser cortada em um susto bobo, porém o filme aproveita tudo o que tem, de toda sua proposta considerada clichê para nos entregar um longa atmosfericamente oitentista, que pode ser visto também como uma celebração desse estilo.

Outro ponto positivo, é que o filme não se prende somente a isso e nos apresenta algo interessante de se assistir até mesmo para quem já viu diversos filmes do tipo (tirando para aqueles que só não aguentam mais). O suspense aqui pode ser comum, mas é eficaz e na medida certa, pois o roteiro constrói sua atmosfera para não chegar a uma conclusão chata ou tão previsível, e mesmo quando chegamos a uma conclusão, temos mais para ver até onde aquilo tudo vai chegar.

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O grupo de jovens que protagoniza a trama mostra um retrato comum do jovens masculino dessa época e tem um desenvolvimento sólido até certo ponto, o suficente para torcermos por eles e acreditar em sua amizade, porém o roteiro peca em certos pontos com seus personagens, como por exemplo a básica explorada que fazem pelo personagem de Caleb Emery, apresentando algo em sua vida pessoal fora do grupo de amigos, assim nos aproximando mais do personagem, poré após esse desenvolvimento ser apresentado não vemos mais nada sobre essa possível subtrama.

Graham Verchere como Davey Armstrong, Judah Lewis como Tommy Eaton, Caleb Emery como Dale Woodworth e Cory Gruter-Andrew como Curtis Farraday

O mesmo acontece com os outros jovens do grupo, mas a diferença é que o filme não propõe em nenhum momento se aprofundar muito em cada um dos personagens individualmente, com excessão do personagem principal de Graham Verchere e do personagem de Caleb que é quem sofre com esse desenvolvimento “interrompido”, pois essa é a impressão que causa.

A trilha sonora de época, toda a reconstrução de um pequeno subúrbio nos anos 80 é bem atmosférico e obviamente nos remete a todos os clássicos nesse gênero, fazendo o longa ser não só um suspense divertido de se assistir, mas uma ótima revisitada a esse tipo de longa que marcou tanto a história do cinema.

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Freak Show – Um voto para “aberração” dentro de você | Review

Dirigido por Trudie Styler, Freak Show nos trás um importante reflexo de nossa sociedade atualmente em relação á pessoas Queer, ou seja, “todas as pessoas fora do modelo tradicional de orientação sexual ou identidade de género”, junto a um comum trama adolescente.

Estar fora dos moldes dos padrões da sociedade felizmente é um assunto muito recorrente atualmente, pois isso não só ajuda a desmentir ou desconstruir o famoso senso comum, mas também abre uma oportunidade de transformar nossa tradicional tradição, em uma nova tradição de inclusão, respeito, tolerância e empatia. Não apenas isso, mas mostrar e dizer ao mundo que está tudo bem ser quem você é, não importa o quão extravagante você seja.

Alex Lawther interpreta Billy Bloom, um garoto que claramente não se encaixa nos moldes comuns da sociedade e sofre constantemente não só internamente, mas com as pessoas ao seu redor. Alex confortável em seu estilo de personagem, nos entrega uma performance digna de Billy Bloom expressando sua “estranheza” de forma fenomenal a fazer qualquer pessoa “comum” estranhar.

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O longa apesar de passar uma mensagem forte com seu personagem, peca em outros aspectos ao seu redor, como por exemplo o cenário escolar onde as vezes é tentado desconstruir esteriótipos de “estudantes em filmes” e ir para um caminho diferente, porém acaba voltando para uma linha mais rasa ou não se aprofundando em certos assuntos com a sutileza necessária levando até a alguns retratos caricatos. O acerto aqui é irregular, enquanto o roteiro peca em tais personagens, acerta em outros como o pai de Billy (Larry Pine) e seu amigo Flip Kelly (Ian Nelson) que mostram um desenvolvimento bem construído o suficiente para ser relatável e representativo.

Billy e seu ambiente escolar

Seu ritmo conta também com uma “estranheza”, porém nem sempre de uma forma boa, pois as vezes sua montagem não intercala os acontecimentos de maneira muito orgânica fazendo as vezes certas resoluções ficarem mais fáceis e rasas. Mas a maioria do tempo, o longa flui em um ritmo gostoso de assistir enquanto nos faz torcer por Billy, junto a uma trilha sonora muito bem inserida (da qual eu já salvei na minha playlist).

Freak Show é um estranho filme adolescente feito sob moldes de comuns filmes adolescentes, desconstruindo e construindo seus clichês narrativos, nos trazendo uma mensagem forte e relevante não só sobre a sociedade em si mas também sobre nós mesmos.


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It : Capítulo 2 – Um épico do Horror | Review

A conclusão da adaptação cinematográfica da obra de Stephen King nos apresenta a volta do Clube dos Otários depois de 27 anos enfrentando seus antigos traumas, incluindo seu maior de todos, o palhaço Pennywise, junto a um conto de horror épico.

Assim como seu antecessor, a continuação executa seus primeiros minutos com um clima sombrio e pesado, porém além da cena ter como objetivo de nos mostrar uma parte bárbara e horrenda da humanidade, tem de nos apresentar A Coisa pela primeira vez no filme, porém o acontecimento retratado na cena é pesado o suficiente para ofuscar a aparição de uma entidade que se alimenta de crianças, o fazendo se apagar muito facilmente para alguns.

A partir desse ponto, temos a volta do Clube dos Otários sendo reunidos novamente, com o roteiro e a montagem nos inserindo a vida e a situação de um a um por vez, nos situando e lembrando de momentos passados de suas vidas. Lembrar é algo que o filme costuma fazer, aproveitando da narrativa do livro onde alguns acontecimentos só são revelados em momentos futuros da história, aqui se usa esse artifício e se mantém assim para a progressão do roteiro.

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Após a apresentação de cada Otário e seu reencontro, o filme divide o tempo de tela para cada um novamente, em consequência do roteiro e também para dar tempo de desenvolvimento para cada personagem, algo que para alguns pode parecer cansativo e longo, mas para outros não, pois o pró dessa progressão dividida dos personagens é que cada um apresenta uma situação diferente, o que faz o espectador esperar curiosamente para saber o que será dessa vez, criando mais sequências bizarras com diversas aparições diferentes.

Uma coisa a se ressaltar aqui são os cortes belíssimos e inteligendes que o diretor faz, mesclando uma cena a outra com objetos e lugares diferentes, o que é usado bastante e pode parecer repetitivo, porém sempre de uma maneira diferente e repito, belíssima.

Eu particularmente sou um fã de terror psicológico, porém It nos leva excelentemente para uma viagem de horror físico e visual belíssima de se assistir, e que com certeza teve minha atenção me levando a ansiar pela sua continuação, e felizmente aqui não foi diferente. Como já sabemos, A Coisa pode assumir diversas formas diferentes, algo que é explorado ainda mais nessa sequência, com diversos monstros, bizarrices e momentos aterrorizantes de se assistir.

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Pennywise com seu belo sorriso

Cenas com construção de jumpscare acontecem, o que pode fazer alguns torcerem o nariz, porém a direção as vezes tenta te enganar de alguma forma, como por exemplo construindo a cena de uma forma diferente ou tentando nos fazer desacreditar que algo irá acontecer em tal momento, o que na maioria das vezes funciona, porém não em todas, o que acaba transformando essas poucas sequências em algo “mais do mesmo” em questão de terror.

O claro aumento do uso de CGI felizmente não afeta a performance de Bill Skarsgård como Pennywise, que também tem um aumento de cenas sem o uso do CGI com sua excelente interpretação sendo explorada de maneira mais cru.

Bill Skarsgård como Pennywise


O ótimo elenco ajuda a nos manter ligados aos personagens dos quais nos apegamos no primeiro filme, não só com o roteiro interligando passado e presente de uma maneira interessante e inteligente, mas até com a semelhança do elenco adulto com o juvenil, são semelhanças peculiares entre cada um que eu acho digno de ser citado aqui (clique aqui para ver a lista do elenco com os atores juvenis e adultos).

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A química entre eles flui muito bem assim como em seu antecessor, porém aqui a montagem peca consideráveis vezes fazendo tudo ficar inconsistente e sofrendo com sua fragmentação de personagens em tela, o que faz tudo ficar novamente mais um pouco cansativo.

Isaiah Mustafa, Bill Hader, James Mcavoy, Jessica Chastain e Jay Ryan

É interessante algumas metáforas que o filme faz com a realidade, sobre o autor (Stephen King) e sua obra original que é o livro, não sei vocês, mas o que eu vi ali era claro, ainda mais com as mudanças feitas no filme.

Felizmente o diretor argentino Andy Muschietti consegue driblar as maiores dificuldades de adaptar a conclusão épica de It nos entregando uma conclusão digna de seu antecessor, um horror épico de conclusão para uma obra tão grandiosa dentro do próprio gênero e até na cultura pop, com excelentes momentos de horror usufruindo bem mais do poder do CGI, que está estupendo, momentos divertidos e emocionantes, pecando em certos momentos de terror e derrapando em sua inconsistência, porém concluindo tudo de maneira satisfatória.

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Bacurau – Explorando contradições em meio a necessidade de resistir | Review

Bacurau, o novo longa brasileiro dirigido pela dupla Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles que está nos holofotes e vem chamando bastante atenção após ganhar em Cannes e Munique, apresenta uma mistura de gêneros junto a óbvias reflexões sobre questões sociais e políticas relevantes principalmente na atualidade adentrando principalmente em suas contradições e retratando a invisibilização.

O longa não foca em um protagonista físico apenas, Bacurau, a pacata cidadezinha fictícia situada em Pernambuco no Nordeste, é a protagonista do longa. Somos apresentados a certos personagens mais importantes da trama, mas nenhum tem um momento muito grande de profundidade, seus desenvolvimentos vem a partir da comunidade em que vivem, do coletivo, de Bacurau. O que nos faz se importar e principalmente para quem se sentir representado, se relacionar com esse grupo de pessoas humildes e ricas em cultura local. Cada acontecimento com a comunidade, mesmo sem conhecer tão a fundo certo personagem, sua morte trás peso dramático suficiente para comover.

Comunidade de Bacurau


Desde o início é construída uma ambientação bem climática com o gênero Western (Faroeste), que pode se chamar aqui de Faroeste Nordestino, e é o que mais predomina durante toda sua duração, porém o filme caminha um pouco por diversos gêneros, de terror, suspense até um tanto de ação, e felizmente essa mistura funciona, pois cada gênero é inserido de acordo com o momento e acontecimento, muitas vezes nos fazendo enxergar do ponto de vista da comunidade de Bacurau, fazendo todo o longa não ser definido em apenas um gênero e resultando em algo orgânico.

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Silvero Pereira como Lunga

A fotografia, trilha sonora e montagem nos remete a algo bem estilizado e Western também, com transições alá Star Wars contendo os famosos fade, trilha sonora bem climática e parada e uma fotografia paisagista da região Nordestina.

O roteiro é simples em sua superfície mas aborda questões mais complexas e atuais na sociedade, porém, com o roteiro tendo críticas e posicionamentos mais claros, muito de sua proposta trabalha na contradição e em retratar uma possível realidade, para nos fazer pensar e refletir sobre a situação, assim não se posicionando diretamente em algum argumento, apenas deixando um retrato para o telespectador refletir e tirar suas conclusões.

Pode-se considerar Bacurau um filme de resistência dentro de uma indústria que faz parte de todo sistema do qual eles criticam, enquanto criticam invisibilização, violência e americanização, usufrui de gêneros originalmente americanizados e de violência gráfica para isso, fazendo disso não uma hipocrisia, mas uma contradição proposital espelhada no retrato de seu roteiro mais uma vez passível de reflexão.

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Bacurau é um filme brasileiro de gênero, ou melhor, gêneros, que não é de simples ingestão, onde propõe reflexões contraditórias propositalmente sobre questões sociais para o espectador pensar por sí só, junto a uma história de Bang Bang e resistência situada no Nordeste.

Parasite – O porquê de não se fazer planos | Review

Parasite, longa de comédia dramática que vem ganhando mais atenção após ganhar em Cannes seu prêmio máximo, o Palma de Ouro, traça um espirituoso e leve humor com uma profundidade político-social, nos dando um vislumbre sobre o comportamento do ser humano perante a sociedade em que vive, sendo conduzido a invisibilização social e ressignificando a moralidade.

Seu roteiro nos embarca com uma ingenuidade esperançosa e rotineira, nos fazendo cair em cada situação absurda que a familia vive, e sentindo tudo de forma tão surreal quanto. Reviravoltas não são suavizadas, com o diretor Bong Joon-ho nos manipulando por seu controle absoluto de tempo e espaço, equilibrando todos os gêneros em que o longa caminha, assim sentimos graça quando é para sentir, ficamos tristes quando é para ficar, nos chocamos quando é para chocar, tudo meticulosamente articulado em duas horas de longa.

A família que faz a metáfora de “Parasite” ou “Parasita” que são organismos que vivem em associação com outros dos quais retiram os meios para a sua sobrevivência prejudicando o organismo hospedeiro, tem uma grande química e desenvolvimento nos dando um vislumbre do que é ser humano, junto do reflexo da desigualdade social.
Mesmo com eles sendo considerados éticamete errados, não há bom e mau em “Parasite”, o que temos são seres em processos diferentes de vida e que são confrontados pelo acaso, revogando todos os seus planos.

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Choi Woo-Shik, Song Kang-Ho, Hyae Jin Chang e Park So-Dam

A trilha sonora é silenciada em reviravoltas de maneira a nos aflingir ao máximo, e quando é usada, nos dá uma contemplação perfeita de cada momento, junto a uma montagem sagaz que nos faz entender ações e consequências sem uso de explicações no roteiro.

A naturalidade aflitiva e a comicidade sagaz leva Parasite a ser uma obra completa, que nos mostra o ser humano em processos diferentes de vida enfrentando o absurdo do acaso de uma forma maestral.


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Era uma Vez em… Hollywood – Recontando uma história ao estilo Tarantino | Review

O novo e esperado longa de Quentin Tarantino finalmente chegou aos cinemas, e fomos presenteados com uma proposta um tanto diferente do que estamos acostumados do diretor, com ele fazendo uma releitura de fatos reais ao seu próprio estilo.

A história se passa no ano de 1969, ano que marcou Hollywood pelo trauma do assassinato da atriz Sharon Tate que ficou marcada na história sendo até considerada uma das mulheres mais lindas do mundo na época, a mesma se encontra no filme interpretada pela excelentetíssima Margot Robbie, porém a trama não foca em sua história e desenvolvimento ,e sim no mundo ao redor dela, com o foco em personagens fictícios inventados pela mente de Tarantino.

O longa mistura ficção com realidade, enquanto acompanhamos o dia a dia de dois amigos, um ator que sofre com sua insegurança e necessidade de se sentir o máximo, Rick Dalton, com uma atuação estupenda de Leonardo DiCaprio, nos entregando um personagem com várias camadas, sendo um galã de cinema dos anos 60 e ao mesmo tempo tendo suas crises e inseguranças, e Cliff Booth interpretado excelentemente por Brad Pitt, do qual é um dublê de cinema que acaba se tornando o “faz tudo” de Dalton, porém sua atuação não é baseada em se aprofundar em camadas e expor o personagem, e sim manter o ar de mistério sobre sua aparência boa pinta e atitude gentil junto com seu passado obscuro e sua clara tendência para violência que nos deixa um grande ar de dúvida.

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Brad Pitt e DiCaprio como Cliff e Rick


Quando eu digo que acompanhamos o dia dia dos dois personagens, é o dia a dia mesmo, como por exemplo coisas mais banais como andar de carro pelas ruas de LA com cenas contemplativas e belíssimas executadas pela direção de arte para nos imergir mais ainda naquele universo de época. Tirando o fato de ser visualmente belíssimo e ter me ajudado a imergir em todo o universo, isso pode causar o efeito reverso em boa parte do público, podendo ser visto até como perda de tempo ficar vendo tais personagens andando de carro por minutos, o que eu compreendo e concordo que possa ser uma faca de dois gumes para alguns.

Rick Dalton gravando um comercial

A imersão também é elevada com a aparição de personalidades icônicas da época como Bruce Lee interpretado por Mike Moh que tem uma cena bem divertida e ajuda a enriquecer todo aquele universo.

Mike Moh como Bruce Lee

Como maior parte do longa é contado a partir do ponto de vista de Dalton e Cliff, a narrativa os interliga com a história de Sharon de forma indireta, porém o filme nos mostra a atriz de uma forma mais contemplativa e sem muito desenvolvimento, apenas a retratando fazendo coisas banais como festejar e ir ao cinema, porém as vezes com certos detalhes que enriquecem as cenas e a personagem dentro do longa e principalmente para quem conhece sua história real.

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Margot Robbie como Sharon Tate em uma de suas cenas cotidianas

O maior problema do filme é sua dependência da história real para uma experiência completa, o fato é, que se você ver o filme sem saber da história real de Sharon Tate e todo os acontecimentos em volta disso, você tende a perder boa parte das idéias propostas por Tarantino, então minha recomendação é pesquisar sobre o caso e depois assistir ao longa.

Mesmo sendo o filme do Tarantino mais diferenciado, ainda é clara a autoralidade do diretor, ainda sim sendo um filme bem Tarantinesco, mesmo escalando até o terceiro ato para enfim entregar algo que já estamos acostumados do diretor.

Com um elenco estelar e cativante, Era Uma Vez Em… Hollywood é uma proposta diferente, interessante e eu diria que até genial de se fazer uma releitura sobre uma história real, porém que pode ter a experiência prejudicada por depender da história verdadeira fora do longa para toda sua idéia e proposta ser compreendida e apreciada.

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Anna – O Perigo Tem Nome | Review

Conhecido pelos longas de ação com mulheres protagonistas como Lucy (2014) e Nikita (1990), o diretor Luc Besson nos entrega mais um filme nesse seu estilo, junto a elementos com um quê de John Wick misturado com espionagem.

Sasha Luss interpreta Anna, uma letal e calculista espiã que age como precisa de acordo com as situações em que é posta, e nos entrega um bom resultado, mas quem rouba a cena aqui são os coadjuvantes que tem nomes de peso, como o agente da CIA por Cillian Murphy, o agente da KGB por Luke Evans e principalmente Helen Mirren como Olga que comanda as missões de Anna e também move boa parte da trama dando ainda mais seriedade e peso ao universo do longa.

Mirren, Luss e Evans

Sua montagem não segue uma passagem de tempo contínua, o filme é montado como um quebra cabeça com momentos do passado e do presente de Anna, assim intercalando seu desenvolvimento com o que o diretor quer que vejamos primeiro para depois tentar nos pegar de surpresa com alguma reviravolta.

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Reviravoltas aqui são recorrentes, o que poderia deixar tudo saturado, porém acaba sendo na verdade interessante, pois Anna é a base para as viradas de roteiro, e como ela é uma espiã letal, fria e calculista, alguém que não se deve confiar, sempre nos é entregue alguma reviravolta em torno de si mesma mudando tudo o que acreditavamos estar acontecendo durante o longa, nos fazendo sempre esperar por alguma outra reviravolta, porém essa espera não quebra seu impacto, pois mesmo com o público prevendo que irá ter outra virada de roteiro, todas são executadas de maneiras diferentes, o que enriquece a personagem ainda mais e contribui para a montagem não cronológica do filme.

O filme se divide em trhiller de espionagem e ação, com boas sequências frenéticas de tiroteio e perseguição bem coreografadas, e é na ação que acredito que venha inspiração do famoso e atual John Wick, principalmente na em que Anna tem um alvo no restaurante. (Não vou dar mais detalhes para não entregar certos momentos)

Seu roteiro sofre de certas derrapadas com personagens ficando de escanteio e sem muito propósito na trama, como a namorada de Anna interpretada por Lera Abova, mas no fim é uma conhecida fórmula de espionagem que pode ser mais do mesmo para quem já viu muitos filmes do gênero, mas acredito que ainda sim diverte independente do público e nos entrega um prato cheio.

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Sintonia – A realidade conflituosa do jovem da periferia | Review

A nova produção brasileira da Netfix chegou ao catálogo, dirigida pelo famoso produtor de funk Kondzilla, a série conta a história de 3 jovens amigos que vivem na periferia enquanto tentam viver suas vidas e objetivos.

Dentre os 3 amigos, estão Jottapê Carvalho como Doni, Christian Malheiros como Nando e Bruna Mascarenhas como Rita, e todos entregam um bom trabalho em cima de seu roteiro, mas os maiores destaques são de Bruna e Christian, ambos entraram naquela realidade e viveram seus personagens com uma ótima veracidade.

Nando, Rita e Doni

Kondzilla se mostra aqui um diretor eficaz, mesmo pecando na construção de certos diálogos e cenas fazendo aquilo tudo as vezes parecer mecânico e falso, consegue manter uma montagem dinâmica dividindo bem o tempo de tela entre os personagens, uma ambientação excelente da periferia paulista com uma fotografia climática e imersiva junto a uma trilha recheada de funk, a música mais familiar em periferias e que nos dá maior imersão aquela realidade, ainda sim, nesse quesito peca em repetições demais, o que pode deixar saturado, porém a trilha consegue ser muito enriquecedora para a trama.

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A série apresenta um número de mensagens sobre a vida de pessoas na periferia, sobre sonhos em conflito com a realidade e sobre preconceitos, mas acredito que o roteiro e a edição deixaram a desejar um pouco nesse quesito nos apresentando situações e ideias de maneiras confusas, as quais nos deixam sem saber qual mensagem aquilo quer passar, sem uma direção exata, um exemplo é a cena de Rita na igreja onde ela vê a circulação do dinheiro lá dentro, algo que é apresentado propondo alguma reflexão e depois é deixado de lado.

O roteiro caminha bem desde o início, mas comparado ao ritmo da série, é o que mais decai, junto dessas idéias e mensagens que tenta passar, perde oportunidade de aprofundar outros personagens interessantes da trama, e também peca na coerência do universo estabelecido, com situações mais fáceis de resolver apenas para levar personagens a seus objetivos, principalmente em seu episódio final.

É claro, há coisas que ficaram em aberto para talvez uma segunda temporada, mas como não da pra saber, e tendo em vista que a primeira temporada termina com um episódio fraco, não se pode afirmar muita coisa.

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Sintonia é promissora, com uma ótima produção e uma realidade brasileira importante de ser vista, tem tudo para uma segunda temporada recheada, mesmo pecando em certos aspectos.

Rainhas do Crime – Retomando o poder sobre si mesmo | Review

The Kitchen, traduzido no Brasil para Rainhas do Crime, se baseia em uma hq de mesmo nome da qual conta a história de 3 mulheres, todas esposas de mafiosos que acabaram sendo presos, com isso, ficam a mercê de um mundo perigoso do qual elas eram impedidas de fazer parte.

Entre as 3 são Kathy, interpretada por Melissa McCarthy, Ruby por Tiffany Haddish e Claire por Elisabeth Moss, todas entregam uma atuação digna de seu papel, com uma química interessante de se assistir enquanto estão juntas, porém acredito que pouco explorada em seu potencial máximo, a relação de amizade que elas tem é pouco aprofundada mantendo um nível raso apenas se baseando nas situações que passam, mas felizmente não peca nesse aspecto sendo o suficiente para nos apegarmos a cada uma delas. McCarthy e Haddish eram mais conhecidas pelos seus papéis cômicos, então é interessante vê-las com uma faceta dramática em um thriller de gângster e adoraria ver mais delas nesse tipo de gênero.

Domhnall Gleeson também serve para destacar aqui, com seu peculiar e interessante personagem Gabriel.

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Haddish, Moss e McCarthy

O longa distribui bem o tempo de tela para cada uma das personagens e mantém um ritmo gostoso de se assistir, ao contrário da relação das personagens juntas, cada uma delas tem sua narrativa própria mais aprofundada. Já a montagem é eficiente em manter o ritmo, porém há acontecimentos no roteiro que perdem peso dramático por conta da montagem não fazer algo fora do já visto anteriormente no filme.

O longa caminha em um ótimo ritmo de se assistir para infelizmente chegar a uma conclusão morna. Quando a sessão acaba, não ficamos decepcionados, mas o sentimento de que poderia ser mais paira no ar.

A trilha sonora com grandes hits dos anos 70 casa muito bem com a montagem, amplificando cenas e mantendo uma bela atmosfera de época.

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A realidade que o filme mostra, mesmo que o longa seja baseado em uma hq, é importante de ser vista, retratando a década de 70 onde o preconceito era muito mais presente na sociedade, ainda se mantendo um assunto atual, importante e forte a ser assistido. A batalha das personagens não é só para pagar suas contas, é contra o sistema do qual foram postas, contra todos que as subestimaram e as subjugaram, contra a própria crença de que não podem fazer algo.

No fim, Rainhas do Crime é um thriller de gângster que fala sobre assuntos importantes e atuais, com uma trama interessante que pode derrapar algumas vezes, mas se mantendo firme até a morna conclusão.

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Apóstolo – A sanidade religiosa posta a prova | Review

Apóstolo, lançado em 2018 no serviço de streaming Netflix, chegou após um marketing onde era vendido como um filme de terror e horror, algo muito semelhante ao que vimos em A Bruxa, porém o que recebemos é algo um tanto diferente.

É claro que não é bom assistir a uma obra com expectativas próprias sobre o que você gostaria que fosse, mas quando isso acontece por culpa da própria produção e distribuição do filme, é algo mais complicado a se evitar.

O longa tem claros elementos de terror, porém não é sua atmosfera principal. Na verdade, o filme caminha por vários gêneros de maneira irregular o que acaba deixando sua narrativa não muito orgânica e desconfortável de acompanhar, como por exemplo seu primeiro ato que é arrastado e focado em um suspense que quase não progride tendo pequenas pitadas de terror em meio a isso, para depois ir direto ao horror, o que faz parecer que você está assistindo a um outro episódio de uma série.

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Essa irregularidade poderia ser melhor digerida se o roteiro não pecasse em sua construção e desenvolvimento de personagens. O protagonista Thomas interpretado por Dan Stevens é sem sal e não nos cativa, o ator entrega a atuação sem muitas camadas somente com o que o roteiro pede, o que seria basicamente um homem amargurado com religião e com o objetivo de salvar sua irmã. O longa propõe também uma profundidade sobre a ilha e a comunidade que vive lá, mas peca nesse aspecto com seu primeiro ato arrastado e conclusão frenética, e no fim, acabamos não se importando com quase nenhum personagem, e as excessões são fruto de uma empatia por vermos os mesmos passando por brutalidades e afins, sendo apenas um fruto do instinto humano.

Protagonista Thomas e o Profeta da comunidade

O filme funciona também como uma metáfora de histórias bíblicas das quais não irei entrar em detalhes, e também presta críticas sobre obsessão religiosa e a corrupção do ser humano, e faz isso de maneira eficaz até certo ponto, pois não sairia tão prejudicado por consequência de todos os aspectos que citei.

A violência gráfica é bem horrorizante e desconfortável de se assistir assim como deve ser, os aspectos técnicos são bem positivos e fazem você se inserir naquele embiente, como a ambientação da época e da ilha sendo muito bem executadas, takes inteligentes de câmera fazendo ligação com simbolismos do próprio longa, e os efeitos gráficos bem palpáveis. A falha pra mim aqui está na trilha sonora, que é boa a primeira visa, mas usada de maneira extrapolada pelo diretor o que acaba acabando com momentos que poderiam ser bem mais sufocanes e desconfortáveis.

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Só esse take já da um nervosinho, né?

No fim, Apóstolo acaba derrapando em muito do que propõe, com críticas, metáforas, gêneros diferentes, tudo flutuando de maneira não orgânica, porém com algumas ressalvas que possam valer seu tempo para assistir e refletir sobre.

Scape Room – Um quase Jogos Mortais sem o “gore” | Review

Baseado nas atuais famosas Scape Rooms, salas nas quais você entra se imergindo em uma história para desvendar seus enigmas e sair, Scape Room desenvolve essa proposta inserindo personagens diversos em uma dessas salas, até os fazerem questionar se aquilo é realmente só um jogo inofensivo.

O longa desenvolve seus personagens já com a consicência de que eles tem o objetivo de decifrar enigmas para sair de onde estão, enquanto a relação e personalidade dos personagens são desenvolvidas, alguns um tanto clichês, a dúvida sobre aquilo ser real ou não paira no ar desde o início. Toda sua atmosfera misteriosa se junta aos acontecimentos levando você ao mesmo lugar dos personagens e as situações em que se encontram.

Cena da cabana

Um acerto do filme é isso, o filme nos convida a participar da trama e desvendar os enigmas juntos dos personagens, todo o processo de mistério, investigação e descoberta é guiado para o espectador pensar e acompanhar o processo, mesmo que algumas resoluções fiquem fáceis de se prever, o longa recompensa com ótimas sequências de tensão sufocante e investigação.

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Algumas cenas merecem destaque como a da sala do bar invertido, que rendem uma das melhores sequências de tensão do longa, junto a enquadramentos que te deixam desnorteado e confuso sobre a posição dos personagens, assim como eles também estão.

Cena do bar

O elenco no geral é competente, e entrega o que seu papel pede, Jay Ellis como Jason Walker tem um interessante desenvolvimento de personalidade ou Logan Miller com seu personagem de mesmo sobrenome, Ben Miller, que tem um bom roteiro e expressa bem as sensações conflituosas de seu personagem.

Um problema do desenvolvimento de personagens é que cada um tem parte de sua história contada durante o desenrolar dos acontecimentos de forma previsível, e em certo momento até parece jogada. A junção de idéias a partir das salas com seus personagens é uma boa idéia (já vista em Jogos Mortais) mas é desperdiçada pela conclusão do longa.

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É daí que vem o maior erro do filme, onde um acontecimento conclusivo se sobrepõe a outro, e depois a outro, e assim vai, tudo tentando dar uma resolução coerente para tudo aquilo e falhando em todas as tentativas. O que poderia ser um bom final para uma futura franquia (que é o que claramente planejam), optam por um final forçadamente sujestivo interligado com personagens que já poderiam ter sua trama encerrada nesse mesmo longa.

Scape Room é uma ótima pedida para quem quer passar o tempo com uma boa tensão um tanto sufocante, porém esteja avisado, sua conclusão vai te deixar com um gosto amargo da boca de decepção.


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Greta – Porque todo mundo precisa de um amigo | Review

O suspense dramático dirigido por Neil Jordan, que foi traduzido aqui no Brasil como “Obsessão”, conta uma história exatamente sobre o tema. Até onde poderia ir a obsessão de uma pessoa? A que a solidão pode ser dura as vezes.

A história se constrói a partir da relação de France (Chloë Grace Moretz) com Greta (Isabelle Huppert), com o roteiro já consciente de que o telespectador poderia antecipar algo de estranho nas ações de Greta, estabelecida pelo título do filme como o centro da trama, o longa vai desenvolvendo e apresentando seus sinais de estranheza moderadamente e de maneira orgânica até o segundo ato, a partir daí é onde tudo explode, mas não de uma maneira ruim.

Greta

O filme vende um universo realista desde o início, então aceitamos que aquilo tudo é pautado na realidade cotidiana, com coisas críveis que podem acontecer no dia a dia, o que torna um pouco difícil para alguns conseguirem “engolir” algumas decisões do roteiro, principalmente as ações de Greta, mas acredito que depois de uma reflexão quase tudo é passível de aceitação, o que difere bastante de pessoa pra pessoa.

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Como eu disse anteriormente, não é tudo que é passível de aceitação, pois o longa sofre com derrapadas de roteiro como personagens agindo de maneira um tanto desprevenida mesmo estando ciente da situação em que se encontram ou esbarrando nos clichês do gênero deixando algumas de suas situações previsíveis.

Moretz

Isabelle compõe uma doce viúva, mas com um lado desconhecido e aparentemente sombrio, fazendo isso com maestria, fazendo sua personagem ser cativante e estrondosa. Moretz em seu segundo trabalho após ficar um tempo fora dos olofotes de Hollywood compõe uma jovem tímida e gentil que demonstra seu sutil desconforto até seu maior desespero com segurança.

France e Greta

Partindo do interesse de Greta em piano e música clássica, a trilha sonora é muito bem utilizada, conseguindo as vezes guiar as cenas e elevar o nível de intensidade das mesmas. (Minha ênfase aqui é para a cena do restaurante)

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No fim, para os fãs de suspense que já tem uma bagagem cheia, pode ser apenas mais do mesmo com uma abordagem diferente que cativa até certo ponto, e para quem quer passar um tempo com um suspense divertido, é uma boa pedida.



Shaft – Quem o James Bond gostaria de ser | Review

Distribuido pela Netflix depois de ter sido lançado nos cinemas americanos, Shaft é uma continuação direta do último filme da franquia. Para quem não sabe, a franquia é composta de 5 filmes iniciada nos anos 70 levando o subgênero blaxploitation para os holofotes. Imagine você, negro nos anos 70 que estava cansado de ser representado como um coadjuvante enquanto todos os heróis cinematográficos de referência não te representavam, é daí que surge Shaft (1971).

Pôster do primeiro filme da franquia

Shaft (2019) continua a história de John Shaft II que agora tem um filho, que é o ponto de partida da trama. JJ Shaft foi criado apenas pela mãe, nunca tendo algum contato direto com o pai, porém quando um amigo próximo morre de maneiras suspeitas, JJ vai atrás de sua ajuda. É criado a partir daí uma dinâmica de tiras parceiros bastante conhecida, porém nesse caso falamos de pai e filho, com JJ sendo um mauricinho criado pela mãe e Shaft sendo do estilo “machão” que resolve tudo com as mãos, bebe e não da a mínima para o sistema.

John Shaft II e JJ Shaft

O longa é descaradamente uma comédia de ação, portanto, seu humor não advém apenas da dinâmica da dupla, mas sim de toda atmosfera do filme bastante oitentista com músicas de época, fotografia bem urbana e colorida, principalmente a noite, e com direito a ótimas cenas de ação em câmera lenta. Porém algumas sequências de ação perdem oportunidades de serem mais do que o treme-treme com cortes de costume, mas muitas conseguem se sobressair com ótimas tiradas. O longa também não se prende apenas a essa atmosfera e aproveita a também os tempos atuais, que é onde o longa foi produzido, para criar uma dinâmica muito divertida entre Shaft e a atual geração, podendo-se dizer que JJ é a personificação dessa geração e Shaft representa a clássica geração de acordo com o que o filme passa.

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Cena noturna em um clube

Samuel L. Jackson volta para seu antigo papel de John Shaft II roubando a cena, seu carisma é inegável sendo super divertido e trazendo as camadas dramáticas na medida certa para seu personagem, o mesmo contracena com Jessie Usher que faz seu filho JJ Shaft que mesmo com Jackson roubando a cena não chega a ser ofuscado, entregando um personagem digno de nosso apego e merecedor do legado de Shafts.

O roteiro é um tanto fraco e apenas faz a história andar enquanto a dinâmica principal e os personagens secundários nos carregam pelo caminho (Regina Hall e Alexandra Shipp), e quando tenta aprofundar sua camada dramática enquanto haviam sequências super descontraídas os levando para aquele momento, o que não acontece com naturalidade com poucos desses momentos sendo salvos por mais ótimas tiradas.

Shaft tem sido pouco falado após o lançamento na Netflix, mas com certeza diverte e vale seu tempo, principalmente para quem gosta de uma ação ou algo ainda mais descontraído. E caramba, foram muitos Shafts.

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Homem-Aranha: Longe de Casa – A fórmula clássica do MCU com o melhor do cartunesco | Review

Encerrando a fase 3 do Universo Cinematográfico Marvel, Homem-Aranha: Longe de Casa chega nos apresentando Peter Parker lidando com as consequências dos mais recentes acontecimentos no UCM (Mais dirertamente Endgame) e tentando seguir com sua vida. Não só Peter, mas também temos um vislumbre da sociedade lidando com as consequências após Endgame, e principalmente seus efeitos nela. Tudo é apresentado se propondo a explicar coisas que no último filme do universo foram deixadas de maneira corrida, além de acrescentar mais peso e camadas a Peter Parker.

O humor do longa é na maior parte direcionado ao núcleo de amigos de Peter, onde também fica a parte do drama adolescente do filme. Peter apesar de tudo, ainda é um jovem que tem o desejo de viver sua vida mais normalmente, conquistar a garota que gosta e acabar com uns crimes na sua cidadezinha. Tom Holland entrega um equilíbrio perfeito como um jovem que sofre por causa do peso de suas responsabilidades e desejos, sua evolução e conforto no papel é notável aqui. Zendaya Maree faz MJ, o interesse amoroso de Peter, e nos entrega uma personagem mais interessante e com mais camadas do que seu roteiro exigia.

Peter Parker e MJ

Um dos pontos mais altos do longa é Mysterio, o vilão da vez. Jake Gyllenhaal nos entrega uma performance digna do personagem das hqs, apresentando sua silhueta quase paterna e confiável durante o primeiro ato, e depois evoluindo junto a construção de Mysterio, de seu momento mais sereno até o mais descontrolado. O vilão rende ótimas sequências de ação em proveito de seus “poderes” que elevam o cartunesco do longa de uma forma coesa e interessante, além de ser um baita fan service.

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Jake Gyllenhaal como Mysterio

É perceptível o aumento de qualidade do CGI desde Homecoming, a transição do Aranha em carne e osso para seu CGI é natural e geralmente imperceptível, também conseguem misturar com efeitos práticos e a habilidade de Tom para fazer seus Stunts, rendendo sequências de ação super divertidas e criativas.

Peter com seu novo traje

A resolução de situações as vezes acabam dando derrapadas, como por exemplo a explicação extremamente expositiva de Mysterio sobre seu plano para um grupo de seguidores logo após conseguir realizar sua maior parte, algo que funciona para explicar a reviravolta que é um tanto cartunesca comparado ao que o longa havia nos entregando durante o primeiro ato, mas faz isso de uma maneira simplista e preguiçosa.

O filme não tenta se arriscar e fazer algo mais diferenciado do que estamos acostumados, por isso ele sofre com um certo desgaste. Esse desgaste não vem de dentro do próprio filme, que é divertido e coerente além de ser bom, mas vem do recente mega evento que foi Endgame e a leva de filmes da Marvel, é como se mal tivessemos digerido o que aconteceu no último longa do universo, mas já querem nos empurrar mais. Eu particularmente não me importaria de esperar alguns meses a mais pra finalmente receber esse longa do Aranha.

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Homem-Aranha: Longe de Casa é mais um filme com a fórmula do universo cinematográfico Marvel, nos dizendo mais sobre sua próxima fase, evoluindo personagens e elevando seus potenciais narrativos, divertindo e misturando diversas referências e características do Teioso em um só, porém acaba sofrendo com essa dificuldade para empolgar.

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Annabelle 3: De volta para casa – E para mais um filme | Review

 O mais novo capítulo do universo de Invocação do Mal chegou, nada mais, nada menos que Anabelle em sua terceira “aterrorização”.

 Acredito que a maior das dúvidas entre o público e os fãs da franquia era se mais um longa renderia algo bom, e sim, rende, mas não passa disso. Quando o filme acaba, o sentimento de que “era só isso?” paira no ar com uma resolução fraca, deixando o espectador com a sensação de que há algo faltando. Desse jeito, é claramente perceptível a comerciabilidade do filme, que existe apenas para não só enriquecer mais o universo de Invocação, mas como também sua produtora. Eles só precisaram encontrar algum momento na linha do tempo de seu universo para encaixar o longa.

 O lado bom é que não é feito um trabalho ruim aqui, o diretor Gary Dauberman executa o que lhe foi prosposto de forma coerente. O longa aposta na clássica atmosfera dentre os filmes desse universo, algo sufocante e sombrio, tendo um terror baseado na fórmula clichê de construção de tensão até o susto. Mesmo com o clichê existindo aqui, algumas sequências tem seu valor próprio com uma construção mais instigante de se observar e que não nos leva ao clássico jumpscare, e poucas vezes até brinca com a expectativa de um.

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 Tomando liberdade para incluir novos seres malignos para enriquecer o universo de Invocação do Mal, o longa nos entrega um bom horror e terror gráfico, sendo esse seu ponto mais alto. As sequências de perseguição ou aparições se manifestando em sua forma física são asfixiantes, mas mesmo que as vezes dependam de personagens tomando atitudes tapadas, o roteiro consegue não deixar tudo tão forçado, assim tornando as situações mais aceitáveis.

Uma das entidades do filme chamada de “A noiva”

Mckenna Grace que faz Judy Warren, filha do casal Ed Warrem e Lorraine Warren, nos entrega uma garotinha que está ciente das possibilidades e do perigo que está a sua espreita sendo condizente com o roteiro. Já o casal aparece apenas para inteligar os acontecimentos e apresentar sua situação, não participando de todo o processo principal da narrativa.

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Lorraine Warren e Annabelle, imagem retirada do site Entertainment

No fim, Anabelle 3 é um filme de terror pipoca feito para render sustos e mais dinheiro. Porém não faz um trabalho ruim com o que tem e apresenta boas cenas de horror e também de terror, mas que nem sempre fogem dos clichês do gênero.

Toy Story 4 – O mundo é muito mais do que o que você vê | Review

Para sua quarta aventura, os brinquedos do Andy estão de volta, digo, da Bonnie. Uma grande dúvida pairava entre o público de se haveria mais fôlego ou história para contar depois do final um tanto conclusivo no último longa da franquia. E assim a Pixar responde todas essas dúvidas em uma bela tacada que é Toy Story 4.

Sim, ainda há muito fôlego e história pra contar. O longa explora todo novo cenário que foi estabelecido no último longa de forma interessante e cativante e apresenta ainda mais, a nova aventura de Woody e companhia os levam a vários lugares antes não explorados pela franquia consequentemente apresentando novos personagens e novas idéias.

Boa parte de seus personagens de longa data não tem um papel importante na trama, porém o filme consegue ter fôlego suficiente para que isso não o diminua em nada, muito pelo contrário, tudo é engrandecido por saberem apresentar e desenvolver novas idéias. A não ser que você queira algo específico baseado nesses personagens, pode se decepcionar nesse quesito.

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Personagens clássicos como Rex e Sr.Cabeça de Batata tem pouco tempo em tela

Tudo aqui é cativante e coerente, aproveitando para abordar assuntos mais profundos, explorar idéias e perspectivas, seus novos personagens são todos interessantes, carismáticos e se encaixam na trama como uma luva, em destaque o Garfinho que é um dos pontos cruciais do filme e apresenta uma idéia interessante que ainda pode ser explorada pela franquia, e também a dupla de brinquedos “siameses” Patinho e Coelinho que são um dos maiores alivios cômicos do longa e que me fizeram sair da sala de cinema querendo ter um deles em casa. A volta de personagens, no caso, personagem, Betty que foi deixada de lado durante a franquia, explica acontecimentos em aberto estabelecidos anteriormente pela saga além de ser envolvente na medida certa trazendo uma nova perspectiva para o desenrolar de seu universo.

Coelinho, Patinho, Buzz, Woody e Betty

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A animação também conta com uma tremenda evolução de qualidade visual desde seu último filme da franquia, já a Pixar havia mostrado seu selo de qualidade no recente Os Incríveis 2. Há cenas em que a beleza da animação e a fotografia fazem um trabalho fenomenal juntas rendendo cenas de cair o queixo e ainda amolecer o coração. É de se esperar que muitas das cenas ali se tornem belos quadros de parede. A volta da clássica trilha sonora “You’ve got a friend in me”, conhecida no brasil como “Amigo estou aqui” para quem cresceu acompanhando a franquia é de bater aquela nostalgia gostosa e reconfortante.

Comparação feita pelo Insider

O que acredito ser questionável aqui é sua conclusão, onde o roteiro faz escolhas que considero questionáveis. Após todas as aventuras e construção de personagens pela franquia, o final pode parecer meio corrido e na minha opinião, forçado. De fato, o terceiro ato é lindo e qualquer um vai se emocionar, mas ao mesmo tempo que meu coração era destruído (de uma forma bonita) uma impressão de forçação de barra pairava sobre mim.

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Betty mostra como nunca a força das meninas da franquia

Toy Story 4 supera expectativas, dando um novo horizonte para a franquia que se mostrou muito bem vívida e com muitas possibilidades. Sua conclusão pode parecer premeditada e resolvida na correria, mas acredito que possa ser bem aceita e até explorada futuramente.

Mistério no Mediterrâneo – Adam Sandler em seu formato clássico | Review

O novo filme estrelado pela famosa dupla Adam Sandler e Jennifer Aniston mistura a clássica comédia que já vimos bastante dos dois, com uma trama de mistério e assassinatos.

O ponto forte do longa é a química entre os dois atores que fazem o casal Nick e Audrey Spitz, duas pessoas humildes que se envolvem em confusões internacionais. Os dois carregam o longa junto do nosso interesse pela trama com seu toque cômico e funcional de costume. O roteiro também encaixa personagens diferentes entre si e divertidos que funcionam quase como que personagens do jogo de tabuleiro Clue, onde ocorre um assassinato em uma mansão, existe um número de suspeitos peculiares ,você deve descobrir quem cometeu o crime e o porque. Um personagem secundário que pode ser destacado é Charles interpretado por Luke Evans,que entrega o principal suspeito com boas tiradas cômicas.

Charles, Nick e Audrey

O roteiro não propõe se aprofundar em cada um dos personagens secundários, isso da espaço para o foco no casal principal e em resolver o mistério, o que com certeza os levou a vários clichês, principalmente para quem já assistiu filmes do estilo e também os de Adam Sandler, mas o longa ainda consegue se sustentar tendo tiradas divertidas, bem encaixadas e com seu roteiro nos fazendo alternar constantemente de suspeito junto dos os protagonistas, algo que é feito de maneira pouco complexa e de certa forma previsível, porém, isso só seria totalmente um demérito se o filme vendesse apenas o mistério, o que não acontece aqui pois o longa é assumidamente um besteirol.

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O filme também presta homenagem aos clássicos mistérios de Agatha Christie, os referenciando no roteiro e até visualmente. O novo “Filme do Adam Sandler” é uma comédia sessão da tarde para passar o tempo com seu estilo clássico, e não peca nesse quesito. Gosto sempre de ressaltar que humor é relativo, eu particularmente não ri tanto com o filme, mas me diverti durante toda a descontraída aventura.

Fim do Mundo – O clichê juvenil de ficção científica elevado ao máximo | Review

O primeiro pensamento que tive após assistir ao trailer foi algo como “Tudo bem, essa mesma premissa de sempre, mas até que pode sair algo legal disso.” E após assistir tive minha resposta, logo não, não saiu algo legal disso.

O longa de ficção científica juvenil dirigido por McG (Joseph McGinty Nichol) nos apresenta a velha premissa sobre um grupo de crianças tentando salvar o mundo, que atualmente é muito conhecida como uma idéia vinda de “Stranger Things”, geralmente por pessoas que tem menos bagagem em meio a cultura pop.

Não é necessário fazer uma comparação com outras obras do tipo para ver que as coisas não funcionam em Fim do Mundo. O grupo de amigos formado durante o longa reune Alex (Jack Gore) um nerd tímido que tem medo de altura, Zhen-Zhen (Miya Cech) uma garota asiática e quieta, Dariush (Benjamin Flores Jr.) um adolescente filho de pais ricos e Gabriel (Alessio Scalzotto) que é meu chará e também um “criminoso”. A partir daí o roteiro tenta desenvolver cada um dos personagens que são afogados nos esteriótipos e clichês de seus papéis do início ao fim, mas falha em todos. Diversas vezes a dinâmica e laço entre os personagens é exagerada e mal construída, por exemplo o grupo de jovens se considerando uma família após terem sobrevivido uns 2 dias juntos, sem falar dos motivos fracos e bobos que o roteiro propõe para o desenvolvimento emocional de cada personagem, o que chega a ter algo a apresentar é apenas o protagonista Alex, já uma personagem que chega perto de ter algo para apresentar é Zhen-Zhen, mas esse potencial é completamente inutilizado.

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Dariush, Zhen-Zhen, Alex e Gabriel

A narrativa também não emplaca, trazendo sequências de ação como fugas e perseguições movidas por atos e consequências estúpidas, dilemas e conflitos mal executados chegando até a serem artificiais. Alguns diálogos conseguem encaixar em certos momentos e se mostram inteligentes fazendo piadas com assuntos contemporâneos, mas as vezes que isso acontece não são muitas comparadas ao que fica forçado e sem graça. Como sabemos, humor é relativo, mas quando ele é utilizado de forma errada e também em momentos não adequados, toda imersão ou até o potencial da cena são quebrados. Alguns podem dizer que tamanhas bobeiras ou coisas fracas utilizadas na construção dos personagens se dá ao fato de serem jovens, mas sinceramente, não dá. O clichê, o esteriótipo e a forçação de barra se mantém quase que do início ao fim.

Seu ritmo e cadência de acontecimentos são na maioria previsíveis e sem originalidade, oferecendo poucas sequências onde ficamos tensos com a situação dos personagens em cena ou chegamos a ter empatia por eles. Com um baixo orçamento e idéia ambiciosa, poucas vezes entrega algum cgi sólido, tendo a maioria dos seres e objetos com aparência plástica e irreal.

Uma das criaturas do longa

O que o longa entrega é em suma a junção das partes ruins de um filme de ficção científica juvenil, ou pode-se dizer as partes ruins de um filme sessão da tarde.

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Black Mirror 5º temporada, o futuro ainda é tão assustador? | Review

A nova temporada de Black Mirror chegou, mas uma grande dúvida é: Ainda sobraram boas idéias?

Strinking Vipers: O episódio abre a temporada com um clima sóbrio e menos sombrio que o de costume, o foco aqui não é a tecnologia em si, e sim como aquilo afeta seus personagens e os faz se questionarem trazendo questões comportamentais, psicológicas e emocionais na sociedade contemporânea. A tecnologia central usada no episódio é um game de realidade virtual inspirado em “Street Fighter” do qual seu título nomeia o episódio. Anthony Mackie interpreta o personagem principal que é o centro dos questionamentos apresentados pela trama, dos quais seus processos de construção são geralmente bem executados, mas o decorrer da narrativa sofre ficando um tanto arrastado e a relação com sua esposa que é sempre mostrada como algo que pesa em si, algo que não parecia ter futuro, o que diverge da idéia final do episódio. Com um final interessante de se ver na mídia atual, algo que é visto com “olhos tortos” por muita gente, começa abrindo a temporada com o clima um tanto morno.


Anthony Mackie e Yahya Abdul-Mateen II em Striking Vipers

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Smithereens: Uma tragédia sobre os tempos contemporâneos. Andrew Scott estrela o episódio com seu estranho personagem que nos instiga mais e mais ao passar da trama, o suspense por trás de seus motivos paira no ar desde o desencadeamento de suas ações, que nos mantém presos se perguntado o porque daquilo tudo, já antes disso ficamos instigados com a estranheza de seu personagem que parece estar com um contínuo desconforto. Durante o passar do episódio ficamos não só curiosos como aflitos com a situação que é muito bem executada, enquanto parte de sua história é contada pelos arcos de investigação. O final pode parecer forçação de barra certo momento, mas ele não decepciona nos dando um bom “final black mirror” e assim sendo o destaque dessa nova temporada. (Recomendo não ler a sinopse da Netflix, pois ela entrega o primeiro arco que é bem legal de se assistir sem saber de nada).


Andrew Scott em Smithereens

Rachel, Jack e Ashley Too: Talvez o episódio mais fraco de toda série. A história sobre a jovem que idolatra seu ídolo é promissora mas sua execução é ladeira abaixo, com personagens tomando atitudes forçadas pelo roteiro sem muita coerência. A idéia de uma inteligência articial criada a partir de um cérebro existente já foi usada na série e de um modo bem melhor. O episódio tenta estabelecer duas tramas centrais, a de Ashley O (Miley Cirus) que aborda temas importantes sobre a indústria musical e a trama da jovem Rachel (Angourie Rice), onde sua proposta é completamente esquecida quando as duas histórias se encontram, além desse encontro não ser nada cativante. E a presença de Cyrus aqui é o que posso chamar de dispensável.

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Miley Cirus em Rachel, Jack and Ashley Too


Black Mirror realmente nos mimou, nos fazendo se surpreender e logo depois querer mais e mais, mas quando não faz isso, o valor de seus episódios é ofuscado pela expectativa inconsiente de quem acompanha a série.

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X-Men: Fênix Negra não decepciona, mas também não surpreende | Crítica

Encerrando o ciclo de quase 20 anos de filmes dos X-Men concebidos pela Fox, Fênix Negra chega aos cinemas, trazendo consigo algumas dúvidas sobre o futuro da Marvel nos cinemas.

O longa se passa 9 anos após os eventos de X-men: Apocalipse, e nos apresenta a maior ameaça da equipe até então. Bom, isso de acordo com o que nos é informado. Fênix Negra tenta vender a ideia, e até apresenta elementos de grandiosidade, mas nem tudo proposto é apresentado.

A ameaça construída pela trama tem um bom ritmo, não fica arrastado e é funcional apesar do citado em cima, com acontecimentos que cada vez mais vão desumanizando Jean Grey, personagem que é excelentemente dominada por Sophie Turner, a imponência procedural de sua personagem que vai de uma jovem insegura para um ser super poderoso que se conhece mas ainda tem medo, é executado com segurança pela atriz. O elenco de peso já conhecido pelos dois últimos filmes dos X-Men está de volta, James McAvoy em mais um filme com sua cabeça raspada traz um ótimo Charles junto de Michael Fassbender como Magneto e Nicholas Hoult como Fera.

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Jessica Chastain faz a verdadeira vilã do longa, que é uma personagem não muito interessante, mas a atriz entrega o que deve. A outra parte do elenco faz bem seu papel, não há o que destacar. Noturno que é interpretado por Kodi Smit-McPhee tem ótimas cenas de ação mas sua atuação também não se destaca por conta da maquiagem e por não ter tanto tempo de tela.

Sophie Turner e Jessica Chastain

Hans Zimmer retorna aos filmes de super herói fazendo uma ótima trilha, que contribui muito no clima sombrio que é presente em boa parte do filme.
As cenas de ação divertem, onde são usufruidos com criatividade os poderes de cada mutante (ou não mutante) em cena.

O longa se conclui com uma resolução coerente, mas esteja avisado, se espera alguma ligação repentina com o universo de filmes da Marvel/Disney, pode se decepcionar. No fim das contas X-Woman, digo, X-Men: Fênix Negra não decepciona, mas também não surpreende, sendo uma conclusão não tão conclusiva, mas satisfatória para a equipe da Fox nos cinemas.

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Charles, Scott, Noturno e Tempestade


X-Men Fênix negra estréia 6 de junho nos cinemas.

A Gente Se Vê Ontem, o tempo e seu inevitável sistema| Review

Dirigido por Stefon Bristol e com o toque da produção de Spike Lee (diretor de Infiltrado Na Klan) o longa funciona como um retrato duro e real sobre o racismo constitucional, usufruindo de sua fantasia sci fi não só para entreter, mas também para propor uma reflexão sobre os assuntos.


Claudette ‘CJ’ e Sebastian

A dupla de jovens protagonistas ,Claudette ‘CJ’ (Eden Duncan-Smith) e Sebastian (Danté Crichlow), entregam uma atuação condizente com seus papéis, trazendo uma dinâmica divertida e envolvente de se assistir que funciona durante toda a narrativa, CJ com sua personalidade impulsiva carrega muitos dos acontecimentos do roteiro, já Sebastian é o polo mais analista dentre os dois. Os demais personagens servem para enriquecer a trama, um dos mais destacáveis aqui é o irmão de CJ (Brian Vaughn Bradley, mais conhecido como o rapper Stro) que é o ponto de início para os conflitos do roteiro, e que entrega um jovem que carrega os pesos de suas responsabilidades, mas sendo carinhoso e amigável quando precisa.

Sua viagem no tempo é bem construída e compreensível, a partir de convenções do subgênero cria suas próprias regras simples e coerentes, o que foi feito também para funcionar como uma interpretação social da luta contra os preconceitos (principalmente raciais) do sistema em que vivemos. É daí que parte a conclusão do longa, que pode ser questionável para alguns, e que de fato enfraquece a trama básica. O ritmo do longa é agradável e nos mantém entretidos durante todas as viagens no tempo e situações onde já sabemos o que pode acontecer, em meio ao Brooklyn retratado com sua diversidade racial e a realidade de seu dia a dia. Seu design de produção é colorido e fantasioso, com os apetrechos tecnológicos usados pelos jovens bem característicos de suas próprias personalidades.

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O longa também aproveita para prestar homenagem a outras obras do subgênero de viagem no tempo, preservando seu legado (gostaria de ressaltar aqui a participação de um ator em específico que foi muito legal, mas acho que a surpresa assim como foi para mim é mais legal).

O filme está está disponível para assinantes da Netflix.

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