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Ancine e Ministério da Economia querem extinguir meia-entrada nos cinemas

| Raul | | Deixe um comentário

Recentemente Ministério da Economia se manifestou a favor da extinção de todas as regras que garantem a meia-entrada para cinemas.

O argumento de Ancine é que quase 80% dos ingressos de cinema vendidos no Brasil em 2019 foram meia-entrada. A ideia é que a discussão continue até 13 de julho, mas será estendida para 13 de agosto. O próprio Ministério da Economia deixou claro que defende a extinção de todas as regras que garantem as meias-entradas.

 A análise da Ancine é baseada nos dados do Sistema de Controle de Bilheteria (SBC), que fornece informações de mais de 3 mil salas brasileiras desde 2017 em tempo real e mostra os números de vendas de ingressos por categoria, dia, horário e filme.

Pela legislação atual, estabelecimentos culturais são obrigados a oferecer ingressos pela metade do preço a estudantes, jovens de baixa renda, pessoas com deficiência e idosos. Outra categoria existente é a meia-entrada promocional, concedida a clientes de bancos ou cartões de crédito específicos, por exemplo. De acordo com a Ancine, ao todo 96,6 milhões de brasileiros têm direito ao benefício de alguma forma, o que representa quase metade da população. 

Bilheteria:

cinema

O Brasil tem há muitos anos essa prática de criar distorções, em que se oferece preço diferente a um certo grupo. Esse custo tem de ser coberto, e o preço cheio acaba ficando muito maior. Se todo mundo paga meia, a meia vira a entrada cheia“, diz o economista Marcos Lisboa. “Isso expulsa quem paga o preço cheio do mercado, e o preço tem de subir mais ainda. É um ciclo vicioso.

Argumentos da Consultoria Pública da Ancine

Segundo o que consta no documento, o objetivo de facilitar o acesso a bens culturais à camada da população menos privilegiada em termos sociais e econômicos não está sendo alcançado.

Para ser efetiva, a política de meia-entrada deveria beneficiar um menor número de pessoas, pois, a proporção de ingressos com meia-entrada vendidos é essencial para o alcance dos resultados. Quanto maior a proporção de ingressos vendidos sob meia-entrada, menor é o impacto real sobre a população beneficiada e maior é o valor do ingresso da categoria inteira. Dessa forma, recomenda-se a revisão dos critérios hoje adotados para a concessão do benefício da meia-entrada, de forma a deixá-los mais restritivos e focados em critérios que levem em conta majoritariamente a renda dos beneficiários“.

O documento também foca no mercado:

Partindo para o rol de custos, a política de meia-entrada limita as possiblidades dos exibidores de disporem sobre seus próprios preços. Restrições na estratégica de preços do agente privado tendem a limitar suas possibilidades de auferir maiores lucros. Para o exibidor, provavelmente a política de meia-entrada traz um resultado econômico pior em comparação a uma estratégia de preços puramente privada“.

Por fim, a Consultoria conclui o seguinte:

Outra opção de ação seria a extinção das regras sobre meia-entrada, essa opção suprime quaisquer barreiras às estratégias de precificação dos exibidores. O que possibilitaria a essas empresas corrigir eventuais ineficiências econômicas geradas pela política de meia-entrada, explorando de maneira mais eficiente seu próprio negócio, o que significaria aumento de público. Caso seja adotada essa opção, a Ancine poderia exercer regulação por informação, realizando estudos e divulgando dados que possibilitem ao exibidor estabelecer o melhor preço para seus interesses privados e para o interesse público“.

O secretário de Defesa do Consumidor e diretor do Procon-SP, Fernando Capez, é contra o fim da meia-entrada e diz que é o dever do Estado fomentar o acesso à cultura. “Isso é retirar um direito consolidado do consumidor. Não há garantia de que isso vai resultar em ingressos mais baratos.”

Parece que ainda existem pessoas com senso no meio dos porcos, e lembre-se de seguir o 1Real a Hora no FacebookTwitter Instagram!

(Via: Estadão, Canaltech, Olhar Digital)

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