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A Queda da Torre Negra | Crítica

| Tiago Amorim |
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Um monstro chamado Hype

Quando vi as primeiras críticas acerca do filme A Torre Negra, baseado na obra homônima de Stephen King e com a direção de Nikolaj Arcel (Os Homens que não amavam as Mulheres), confesso que não acreditei em nenhuma delas. Certo, o diretor não era reconhecido pelos seus melhores trabalhos, tendo filmes ultrapassados e com pouco a se representar na história do cinema mundial. Ainda assim, era o meu sonho tornando-se realidade, vendo meu personagem favorito finalmente ganhar vida.

Em primeiro momento, fui contra a escalação de Idris Elba para o papel de Roland Deschain, o último pistoleiro do Mundo Médio, uma dimensão paralela à nossa onde o mundo simplesmente seguiu adiante. Falarei sobre este universo mais pra frente. No entanto, relembrei os filmes do ator e novamente meu peito inflou de esperança. Idris Elba como o Pistoleiro e Matthew Mcconaughey vivendo O Homem de Preto, Walter das Sombras, o grande antagonista? Como diabos este projeto poderia dar errado?

Vi críticos inexperientes no universo da Torre Negra, tal qual “O Globo”, que simplesmente escreveu baboseiras acerca do que nem mesmo compreendia, tachando o filme como cafona pelo motivo de termos um pistoleiro andando pelas ruas de Nova York nos dias atuais e Matthew Mcconaughey com o peito depilado e parecendo cantor de uma boyband. E assim, decidi assistir e fazer uma análise sobre o filme, sendo eu um fã da saga e de todos os livros do mestre King.

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CUIDADO, SPOILERS DOS LIVROS À FRENTE!

Um pouco sobre o Mundo Médio

Para quem leu os livros, sabe que existe um termo recorrente ali e que se trata, basicamente, do nome que Roland e todos os habitantes do Mundo Médio dão ao destino. Ka. Estas duas letras significam tanto para a história e enriquece a linha narrativa de forma que você se sente submerso nela em poucos segundos. “O Ka é uma roda” diz Roland logo no primeiro livro. O Ka, ou destino, ele controla tudo e todos e tem registrado cada passo que aquele mundo irá tomar. Não existe o livre arbítrio, pois o Ka é quem rege o universo e é o Ka quem verdadeiramente protege a Torre Negra.

Acompanhamos então Roland em sua perseguição ferrenha no primeiro livro para interceptar o Homem de Preto, Walter das Sombras. Este mesmo personagem é recorrente de outro livro de Stephen King, a Dança da Morte. Logo rola um embate, Roland pensa que venceu, mas se vê ainda mais enfiado no Ka, sabendo que a roda está somente girando. Logo ele vê que seu objetivo verdadeiramente é a Torre Negra, o que o leva aos outros seis livros. Assim, chegando ao final, Roland consegue salvar a Torre e entrar nela. E assim que ele vai subindo seus andares, o personagem vai entendendo o motivo do Ka já ter decidido tudo. A história toda já aconteceu. Os mesmos personagens já haviam passado pela vida do Pistoleiro e ele mesmo já havia adentrado a Torre Negra antes. O Ka é uma roda e nunca tem um fim. Assim, a última frase da série é também a sua primeira:

“O Homem de Preto fugia pelo deserto e o Pistoleiro ia atrás”.

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FIM DOS SPOILERS

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Então saiu a notícia de que o filme não seria a adaptação dos livros fielmente, mas uma espécie de continuação. Dá pra entender o que o diretor e os roteiristas quiseram fazer. O Ka continua girando e o Ka-tet (Um grupo unido pelo destino) novamente se reunirá para impedir a queda da Torre Negra…

E assim chegamos finalmente à parte mais importante: O filme.

A Grande Decepção

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O filme tem um começo interessante, mas que lança informações tão importantes para o futuro da saga e o diretor não tem a ânsia por explorar aquilo. Na realidade, Nikolaj pareceu bastante temeroso em desbravar qualquer sentido do filme. Ao tentar aprofundar a personalidade de Jake Chambers, vivido por Tom Taylor, o diretor fez com que a trama se arrastasse e que muitas informações necessárias para o entendimento do universo de Roland fossem trocadas por uma consulta do garoto ao psicólogo, às cenas com a família dele, takes demorados demais do menino olhando para a foto de seu pai… Isso sem falar numa cena que deveria representar um bullying, mas que é tão genérica e sem motivo que acabamos relevando dois segundos depois.

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Muitas das obras de Stephen King são referenciadas no filme, como a placa de cão raivoso (Cujo), o parque de diversões quebrado com o nome de Pennywise (A Coisa), e fica na boca o gosto de que o diretor tentou ganhar ali os fãs. Arcel então nota que, lá pelos quarenta minutos de filme, não acrescentou de nada ao Mundo Médio. Gilead, a terra onde Roland cresceu, é citada uma vez só. O Ka nem mesmo parece fazer parte daquele novo ambiente, sendo completamente esquecido pelos roteiristas. A Linhagem de Eld (vinda do próprio Arthur Pendragon, ou Arthur Eld no Mundo Médio) é reverenciada apenas uma vez no filme inteiro.

Temos cenas ainda mais genéricas como o estranho de outro mundo que está se acostumando à nossa cultura com piadas tão batidas que você as prevê antes mesmo delas serem feitas e o roteiro começa a parecer um queijo suíço de tantos furos. Uma dica que Stephen King passou aos escritores e os próprios roteiristas não entenderam: Se você vai falar de uma arma, é melhor usá-la mais pra frente. Significa que, ao colocar um elemento extraordinário na narrativa, use-o em algum momento da história para justificar o seu aparecimento para os leitores e telespectadores não se sentirem frustrados, esperando pelo motivo da câmera ter focado em uma arma, na esperança de que ela seja usada para matar alguém. E é exatamente o que acontece. Eu me senti frustrado ao perceber que muitos dos takes não precisavam estar ali e que foram usados somente para tentar acrescentar algo ao Mundo Médio. Citam muitas coisas, mas nenhuma delas é explicada. O roteiro te diz que Roland é imune às magias do Homem de Preto e você simplesmente tem que aceitar. O motivo? Bem, leia o livro e saberá. Se depender do filme, ficará no interesse.

No fim, o diretor e seus três roteiristas (sendo ele mesmo o quarto) tentam adiantar o que ficou pra trás. As cenas de ação são boas, mas não impressionam. Idris Elba se entrega ao personagem, porém Matthew Mcconaughey pareceu ter deixado pra trás o seu lado vencedor de Oscar para focar no dinheiro que o projeto iria lhe proporcionar. Uma atriz que merece ser reverenciada pela sua atuação é com certeza Katheryn Winnick, a Lagertha da série Vikings. Ela convence, mas ainda parece meio apática. Você pode levar em consideração o estado emocional dela como mãe de um filho possivelmente maluco, mas acaba abandonando um pouco a suspensão de descrença quando percebe que ela permite que seu novo namorado fale ameaçadoramente com Jake.

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A Queda da Torre Negra, o veredito

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Como podem perceber, A Torre Negra se preocupa demais em assuntos supérfluos, valoriza subplots e acaba por esquecer o principal foco da história. No desfecho, a solução é previsível, apesar de ser engenhosa. É uma pena, pois talvez tenhamos presenciado a morte de um projeto que poderia ter se tornado um ícone da Cultura Pop.

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