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A Fantasia e o Nome do Vento

| Tiago Amorim |
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A fantasia foi um gênero literário, cinematográfico e televisivo que sempre foi muito abordada. Com um nascimento muito forte nos mitos gregos, nórdicos e de outras mitologias ocidentais e orientais, a ideia do paranormal agir coeso com uma humanidade ou de mundos inventados que transmitem significados grandiosos e histórias próprias sempre encantou diversas pessoas. A fantasia não gira em torno somente de O Senhor dos Anéis de Tolkien ou das jornadas épicas de Thor, mas também de fábulas primordialmente essenciais para essa criação histórica e literária, desde Alice no País das Maravilhas até O Mágico de Oz. A fantasia nasce no passado com toda uma carga mitológica, embala em um ritmo insano e então firma seus pés trazendo toda um sentimento medieval para seus conceitos, J.R.R. Tolkien cria esse movimento da fantasia fantástica e essa literatura grandiosa com a Terra Média, é inegável notar os vários aspectos criativos de Tolkien como a criação das várias línguas, passagens históricas, geografia, povos e culturas, e prossegue com vários pequenos nomes e volta ao embalo novamente com Bernard Cornwell, que encanta mesclando o misticismo a realidade, em seus mitos Arthunianos e também engradece com George R.R. Martin, trazendo a criação de um mundo a mercê de uma realidade metafísica, um mundo que vive a mercê de fantasia, mas é sombrio, realista, acima de tudo político e que uni as relações humanas com a política local.

Harry Potter também é um grande nome na fantasia, mas de certa forma inaugurando a urbanização dela que é essas histórias em grande parte juvenis onde o protagonista desvenda um mundo mágico e fantástico e que até então vivia em um mundo simplista, é a famosa fantasia urbana onde esses indivíduos que se acostumaram com o humano e normal se vê a mercê de um universo fantástico e grandioso, uma descoberta geográfica, mística e a sua própria descoberta.

E o Nome do Vento é tudo isso e mais um pouco, as histórias de Patrick Rothfuss que misturam elementos de uma fantasia do passado no maior estilo de Tolkien, mas de uma ambientação realista de Martin e uma grandiosidade de personagem como o mito heroico de Harry Potter formulam uma história única, avassaladora e repleta de originalidade.

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Definir uma sinopse inicial para o Nome do Vento é uma tarefa árdua, mas vamos lá. Kote é um homem enigmático, a história gira em torno dele. Kote é dono da pousada Marco do Percurso, uma adorável taverna onde viajantes vem e vão. A mística inicial é muito bem colocada, principalmente pela maneira que o autor narra o silêncio e logo somos apresentados ao Cronista, um viajante que conhece as lendas que giram em torno de Kote. É nesse momento que conceitos como a magia e a ambientação fantástica começam a se diferenciar de uma magia tradicional, como encantamentos que jorram fogo ou gritos que ecoam supersônicos, O Nome do Vento baseia-se em uma premissa mágica, mas muito mais similar a realidade, trazendo alguns conceitos da Astrologia, Alquimia, e formas de evocar essas magias como a simpatia, a nomeação e afins. Também tem uma ênfase medieval muito forte, como o dinheiro, os aparelhos, a descrição acima de tudo é muito interessante e climática e então somos mergulhados nesse encontro. O Cronista quer saber a história de Kote, escrever um livro sobre isso. E então com bastante relutância, Kote inicia a narrativa de sua história, mas tem uma condição, a história toda custará 3 dias para narrar.

Sendo o primeiro volume da trilogia A Crônica do Matador do Rei, O Nome do Vento então discorre em duas narrativas, a de Kote em sua pousada em diálogo com o Cronista e alguns mistérios que rondam a região e Kvothe, antigo nome de Kote (É, uma porrada de nomes) desde sua infância em uma trupe itinerante até os perigos de sua juventude. Grande parte do livro é realmente essa jornada de Kvothe que logo te fascina, é narrado em primeira pessoa e acompanhamos essa jornada de vida como a nossa, desde criança Kvothe teve uma infância gentil e então sua família é assassinada pelo misterioso grupo Chandriano, pode parecer clichê essa colocação da morte da família, mas a partir daí temos tons muito fúnebres, misteriosos e maduros para a criação e evolução do garoto. Kvothe deseja aprender magia a todo custo, esse desejo de vida nutre de uma espécie de guia pela magia quando criança, o velho Ben. Kvothe deseja aprender essa magia de nomeação das coisas, é uma curiosidade presa dentro dele e então a narrativa no momento da morte dos pais, nessa jornada de ajuda e compreensão do mundo e de entrar na Universidade, notória instituição onde ensina-se magia é esplendorosa.

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Universidade? Epa! Eu já vi isso antes, não? De certa forma até sim. O escritor americano Orson Scott Card fez uma similaridade de O Nome do Vento com Harry Potter, porém extremamente madura e obscura. Há poucos momentos que você se depara com algo parecido, mas Patrick Rothfuss carrega um medo do normal, do padrão e quebra todos eles. Fantasia foi um gênero que pode ter sido excessivo, histórias fantásticas vem e vão, mas O Nome do Vento é de ficar. A criação desse mundo original, mas que vive a mercê de uma realidade do nosso mundo é muito bem abordada pelo autor e o poder narrativo e descritivo é exemplar, nunca havia lido algo tão imersivo, contemplador e deleitoso a um fã de RPG. De certa forma o personagem Kvothe não é caricato e essa jornada de ajuda, vingança é muito presente nas múltiplas facetas que ele cria, vilão ou herói? Kvothe é um jovem, ele irá passar por problemas assim como a presença de amantes, amores e obviamente o desejo de ser mais. O Nome do Vento não é só fantasia jogada, pelada e obscura, é uma jornada humana também, é de como os seres humanos chegam a crescer.

Os personagens de O Nome do Vento não são difusos, confusos ou inimagináveis, o autor faz um trabalho muito bem descrevendo tanto a aparência como suas psicologias vistas ao ponto de vista do personagem e nos traga com um mistério grandioso, personagens misteriosos que rondam perguntas e um clima muito obscuro principalmente nos momentos de busca sobre a magia, toda uma ambientação meio outonal e fim da Idade Média ronda o período de O Nome do Vento e esse clima casa perfeitamente com os dramas e as alegrias de Kvothe.

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A presença dos nomes também é significativa no livro, afinal, o que são nomes? O nome de Kvothe, dos objetos, locais, a própria magia são aspectos significativos para criar esse mistério em relação a nomeação, em relação ao porquê daquilo e o autor de forma mestra desvenda esses mistérios, inclui mais climas e mistérios e nos deixa com fome. Se o protagonista fosse um personagem de RPG, Kvothe seria um bardo, a presença do elemento musical (Não com músicas) presente no livro também ajuda a buscar sentimentos RPGistas, das queridas tavernas, das músicas que rondam as rabecas e violas e que tanto encantam os jogadores, O Nome do Vento é uma mistura de tudo.

É raro encontrar um ponto negativo nessa história, tanto em termos literários como termos de roteiro. A história de Kvothe nos dá um pontapé inicial grande (O livro é até grandinho) e que nos empurra para aquela história, terminamos cansados, mas ainda queremos mais e com várias perguntas a serem respondidas, e afinal temos mais. O Temor do Sábio é o nome do segundo título dessa trilogia que planeja ter um desfecho com um livro ainda não lançado.

O Nome do Vento é um banquete para fãs de fantasia, de literatura ao todo e de uma história poderosa, nominável e afável de se ler, estonteantemente belo.

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