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A Coisa Mais Linda é o poder da sororidade e da música. | Review

| Tiago Amorim |

Atenção: Crítica contém pequenos spoliers

Eu já imaginava que escrever sobre a série Coisa Mais Linda poderia ser difícil pra mim. Apesar de ser carioca e amar minha cidade, a série de certa forma não conta uma história feita pra mim e nem sobre mim. A nova produção nacional da Netflix conta o enredo de Maria Luisa (Maria Casadevall), uma paulista herdeira de uma tradicional família rica de São Paulo que sofre um golpe de seu noivo. Ela tem todo seu dinheiro roubado por ele, e fica sozinha com o filho do casal. Malu, mesmo que abatida pela situação resolve seguir em frente com os planos que tinha com seu ex-noivo de abrir um restaurante na capital do país. Porém, dessa vez na frente de tudo e priorizando o seu sonho, que é transformar o local em um ambiente de música. Tudo isso em um cenário bastante peculiar, o Rio de Janeiro de 1959. Além da protagonista e sua história, há destaques para mais 3 personagens dentro da trama: Adélia (Pathy Dejesus), Lígia (Fernanda Vasconcellos) e Thereza (Mel Lisboa).

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Visto tais informações, posso comprovar que eu estava certo. É difícil falar sobre a produção. Mas, não pelo os motivos que eu imaginava, porque a série felizmente consegue muito bem conversar com qualquer pessoa, graças a um dos grandes fatores do enredo: O principal vilão da trama.
Coisa Mais Linda, conta como grande antagonista de Maria Luisa e suas amigas a sociedade brasileira do final dos anos 50. Se hoje, em 2019 sabemos e falamos que o machismo é enraizado na nossa comunidade e ele ainda existe e é um grande problema nela, quem dirá há exatos 60 anos atrás. A série consegue trazer em cada capítulo um turbilhão de reflexões sobre a nossa sociedade e sua desigualdade, e isso é mais do que essencial para a narrativa que ela está querendo exibir. O roteiro ponto forte da produção. Há situações na trama que podem deixar a grande maioria dos telespectadores -até mesmo aqueles mais “conservadores”-  enojados e indignados da maneira de como a mulher era tratada durante aquele tempo. O que de certa forma, traz um alívio ao saber que aquilo é passado, e as coisas estão diferentes e melhores, embora ainda não tenhamos chegados no ponto ideal de igualdade.

Ainda sobre o roteiro, é perfeitamente nítido a evolução e construção dos personagens. O amadurecimento de Maria Luisa e suas relações com os demais personagens são feitos de maneiras excelentes e naturais, fazendo com que a construção do roteiro seja a melhor possível. Só não digo que é perfeito pois algumas coisas soam mal construídas como por exemplo a relação das personagens com o Orixá Iemanjá que aparece de forma recorrente entre os episódios, mas que não é explicado de maneira profunda ou explorada. E também a relação da Adélia com Capitão (Ícaro Silva) que durante os 7 episódios muda de semblante umas 3 vezes. Além do furo, qual Malu consegue comprar um apartamento de frente à praia e Adélia, sua sócia qual possui os mesmos lucros, continua morando na favela. Todavia, são fatores que não comprometem tanto com o andar da série no final das contas.

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Quanto à atuação, há mais pontos positivos do que negativos. Todas as atrizes e atores estão no ponto com seus personagens. Podemos perceber o sentimento que tem que ser passado na maioria das cenas de forma natural e espontânea, o que ajuda demais na reflexão instantânea que temos em cenas mais densas relacionada às problemáticas sociais. Para mim, o grande destaque fica com Fernanda Vasconcellos que está excelente do início ao fim no papel de Lígia, uma das personagens que mais crescem com o decorrer dos episódios, além de ter surpreendido com sua voz.
No entanto, talvez o maior ponto negativo nas atuações seja por consequência da direção. Que por sua vez, não é um mal trabalho como um todo. Só comete alguns deslizes, principalmente nos primeiros episódios. Por exemplo, havia algumas cenas onde Maria Casadevall quando colocada ao lado de Phaty Dejesus, parecia que estava sendo extremamente caricata e forçada. Mas também, haviam outras cenas que o efeito era reverso, Pathy que parecia não estar tão bem quando Maria. Porém isso foi superado logo após a cena que até viralizou nas redes sociais onde ambas as personagens durante um dramático diálogo discutem sobre suas realidades, talvez o maior ato dessa temporada.

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Por fim, Coisa Mais Linda é uma obra mais do que necessária para os dias atuais, uma ótima surpresa que deveria ser vista por todos. É uma sorte termos ela de forma bem feita e, de certa forma, acessível. Uma obra com qualidades gritantes e defeitos minúsculos quando comparados ao conjunto completo. A produção cumpre com perfeição sua missão, que é  mostrar uma realidade tão triste e revoltante, mas que deixe a esperança através da reflexão, principalmente para as mulheres, que juntas e com sua própria força podem superar essas dificuldades e vencê-las. Além de reforçar que o único saudosismo possível que podemos ter desses tempos deva ser nas roupas ou na música.

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