3% e seu potencial desperdiçado

| Tiago Amorim | ,

Acreditem, eu queria poder chegar aqui e falar muito bem de 3%. Em 2010 eu conheci a Websérie enquanto de bobeira no youtube, procurava produções independentes para fazer um post sobre no Facebook. O post nunca veio, mas conheci 3% ali.  Anos se passaram e depois de muito tempo, a Netflix anunciou que iria comprar os direitos e fazer a série. Empolgação, maravilha, até que enfim isso a série sairia do papel. Mas infelizmente, pelo jeito, o nome 3% deve ser da quantidade de pessoas que conseguiram levar a série até o fim. Eu pelo menos fui um desses e com muita dor no meu coração, eu achei a série péssima. E não, não é por ser uma produção brasileira, A Cura, por exemplo, que é uma séria da Globo, era incrível e nunca teve uma segunda temporada. A questão aqui é o nível de atuação fraca e dos roteiros clichês que nós vemos toda hora e muitas séries por aí.

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A única atuação pra mim convincente da série vem do ator João Miguel (Ezequiel), e ainda assim não é a das melhores atuações que vemos por aí. Atores fracos, porém uma excelente diversidade no casting. Mas ainda assim, a série peca ao não perceber os atores ruins que possui. A maioria dos candidatos são fracos, os textos são passados sem emoção e você não se importa com eles em nenhum momento da série, simplesmente só fica ali esperando pra ver o que vai acontecer. Você não sente pena dos personagens em nenhum momento, você não tem empatia pelo Fernando  (interpretado pelo ator Michel Gomes) e todo o seu drama com a cadeira de rodas. Você olha e simplesmente não consegue ver emoção sendo passada pelo personagem. Assim também como é no caso da atriz Vaneza Oliveira, que interpreta a Joana. Uma personagem que tem um background e uma personalidade escrita muito boa, porém com uma atuação PÉSSIMA da atriz. As falas não tem emoção, ela não consegue transmitir raiva, medo, nada, somente apatia. A única pessoa que tenta dar uma carga dramática nesse sentido é Bianca Comparato, nossa atriz principal e que interpreta a Michele. Mas nem ela consegue, e do meio pro final, você não se importa mais com tudo o que ela apresenta na série. É um caso que depois que todos os mistérios vão se resolvendo, todas as reviravoltas vão acontecendo, você para e pensa: “Ok, mas é SÓ ISSO? Gente, eu já vi isso em outros lugares“. 3% peca por não trazer nada de novo em sua narrativa, nada que dê um diferencial para ela de qualquer outra distopia que nós conhecemos. Ela é tão emaranhado de qualquer coisa que até mesmo copiar Star Trek com a questão das camisas eles copiaram (eu vi isso, Netflix. Eu vi.) o que acaba fazendo com que ela perca a originalidade que ela deveria ter desde o começo, o que a torna um pouco fraca, quebrada, parecendo que não tem potencial.

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Eu lembro o quanto eu achei que essa série poderia ser simplesmente sobre um sistema brutal e com caminho para um lugar melhor. A jornada importaria mais que o resto. Mas não é isso. Tentando criar conspirações, críticas a nossa sociedade, tentando mostrar através de um pano de fundo distópico como nossa sociedade é quebrada, injusta e como o mundo é ruim e cruel. Amigo, eu já sei disso tudo, me mostra algo NOVO. A série que vocês dizem que é tudo ela (MEU, ISSO É MUITOOOO BLACK MIRROR) faz isso usando temas bem melhores e de uma forma que é sim algo que faz um diferencial. Todos nós temos uma ficção científica preferida e talvez esse seja o problema para 3%. Para o público médio a série pode até ser inovadora ou genial, mas para quem está acostumado com o estilo e com Ficção Científica, fica difícil demais pegar uma série aonde nada nela é original e se apaixonar. Diferente de Stranger Things aonde suas referências são o forte, em 3% todas as referências são feitas para costurar uma trama fraca, que não tem impacto, que foca só em querer criticar nossa sociedade e nossa economia. A série acaba virando uma “Crítica Social Foda” em forma de série. Não adianta tentar impactar as pessoas usando um roteiro fraco e atuações fracas. Acaba parecendo que os atores nacionais não conseguem desenvolver atuações de qualidade e não conseguem se desvencilhar do padrão novela. É uma pena, até por que todo o potencial que existia vindo dos 3 episódios da Websérie, você acaba pensando que vai ter algo incrível, mas na verdade falta originalidade e qualidade de atuação. Não vou nem comentar a produção visual da série, que é fraca, parece digna de produções independentes e não de uma Netflix que sempre nos entrega algo incrível quando ela começa a fazer. Não parece uma série de um “canal” que nos deu Narcos, Demolidor e House Of Cards. É um produto genérico, ruim e sem qualidade de produção. Os ganchos pra segunda temporada são fracos e totalmente clichês dentro da ideia de fazer uma Crítica Social Foda em forma de série. Fica difícil desse jeito se empolgar ou achar que a série é boa. Não consigo nem escrever muito sobre a série sem dar nenhum spoiler, mas a questão é: Muita tentativa de tentar impactar, mas sem sucesso nenhum. Só se salva a fotografia da série, que essa sim consegue ser até Ok para os padrões brasileiros de produção. De resto, tudo fraco e bem aquém das expectativas. Que na Segunda Temporada eles melhorem isso.

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