Homem Invisível – Uma orquestrada tensão perturbadora | Review

Após abandonar a empreitada de criar um universo compartilhado com seus remakes de filmes sobre os monstros em seu catálogo, a Universal Pictures agora aposta na visão individual de um diretor para recontar essas histórias clássicas com uma nova cara.

O que acabou por ser uma sábia decisão, ao colocar Leigh Whannell para dirigir o novo longa, que nos entrega uma excelente obra de terror.

O filme começa com uma acertiva sequência que nos apresenta um pouco da tensão que sentiremos ao longo do desenrolar da trama, depois de um pouco de respiro ao fim do primeiro ato, são pouquíssimas as vezes que conseguimos parar pra respirar, junto da personagem principal interpretada por Elisabeth Moss.

Homem Invisível

Impecável em seu papel, a atriz carrega a trama quase inteiramente sozinha e com segurança, nos entregando a perturbadora experiência vivida constantemente pela personagem com muita verdade.

Com a ajuda de uma ótima atuação principal o longa consegue unir um terror mais trabalhado para a atmosfera e tensão com um terror mais intenso e imediato, felizmente resultando em um ótimo e equilibrado resultado.

A tensão e paranóia não só da personagem principal, mas do espectador são testadas a todo instante. Tendo em pauta que existe uma ameaça invisível, o diretor aproveita inteligentemente todos os ambientes em cena, como por exemplo as sequências onde a câmera caminha de lado a lado calmamente em um cômodo nos deixando incertos do que o filme quer que vejamos, ou se realmente há algo para ver ali, ou deixando silhuetas e uma profundidade sugestiva nos cenários deixando tudo ainda mais tenebroso e passível de inquietação.

A incerteza é trabalhada de diversas formas aqui, visualmente e no roteiro. A visual é a de terror físico e atmosférico que vemos para a construção de toda a tensão que existe na narrativa, já a incerteza narrativa é quando o roteiro aborda a questão do terror psicológico, como por exemplo “Será que tal personagem está realmente ficando louca?”, porém essa ideia é minimamente aproveitada, sendo praticamente abandonada depois do primeiro ato para investir em uma atmosfera mais tensa e inquietante. Mas ao meu ver, foi um sacrifício necessário para que realizassem com maestria sua proposta de terror escolhida.

Homem Invisível

Os famosos sustos de filmes de terror existem aqui, dos quais são poucos e sempre são executados de maneira interessante, seja com silhuetas ou barulhos feitos acidentalmente por personagens mas que apresenta um real perigo.

Cenas das quais não esperamos que nada demais aconteça são realizadas inteligentemente, pois quando acontece, é como um soco no estômago de qualquer um que esteja assistindo.

A trilha sonora tem um papel tão crucial quanto a fotografia para ambientação aqui, sequências de terror e suspense são orquestradas e elevadas ao máximo com a trilha sonora maestral que perturba e inquieta na medida certa, sempre deixando tudo mais perturbador e intensificado. As vezes a escolha de não usar uma trilha para cenas onde são apresentados momentos de alívio poderia ter sido mais usada, porém não chega a incomodar.

No último ato somos apresentados a um ritmo mais agitado com o que pode se considerar algumas pitadas de ficção científica, mas tudo na medida certa, sem extrapolar ou tirar o espectador do foco da trama principal.

Homem Invisível

No fim, Homem Invisível nos entrega uma excelente experiência de terror e suspense, com um roteiro consistente e uma direção habilidosa, que não só instiga e perturba com a paranoia de diversas formas, mas também traz um reflexo importante sobre abusividade.

Excelente