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Cidade Invisível | Conheça mais sobre as criaturas da série

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No dia 5 de fevereiro foi lançado pela Netflix a série Cidade Invisível, produção nacional que mostra uma trama que envolve as criaturas do folclore brasileiro mesclado com uma narrativa de investigação.

Apesar de termos um folclore bem rico em questão de história, não possuímos tantas produções grandes que envolvem essas lendas, se restringindo praticamente somente ao famoso e clássico “Sítio do Pica Pau Amarelo” e ao underground “Turma do Pererê”.

Inspirado em toda badalação que a série vem tendo, resolvemos aqui no site falar um pouco sobre as criaturas mostradas na série, que apesar de serem bem apresentadas, não tiveram tanta profundidade assim em suas histórias.

Ps: O presente artigo terá breve revelações sobre a trama da obra, caso você seja sensível com spoiler, recomendo que veja a série antes de querer ler isto aqui.

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Série
Foto Reprodução: Metrópoles

Saci-Pererê

Interpretado pelo ator Wesley Guimarães, na série ele é um garoto malandro que vive zanzando pelas ruas do Rio de Janeiro pregando peça com as pessoas, como é dito pela própria lenda da criatura, mas em uma versão urbana. O seu “nome social” da série é Isac, pois é um anagrama para a palavra Saci.

O saci teve várias versões de sua origem com o passar do tempo. A primeira que foi registrada foi durante o período colonial, quando diziam que o Saci era um ser travesso que arrumava várias trapaças contra os índios que ousassem destruir a floresta.

Contudo, a série adaptou a roupagem que deram durante o período da escravidão no Brasil, quando os escravos começaram a fazer a versão deles da lenda, usando o Saci como símbolo para aqueles que fugiam para os Quilombos e, que no caso, fazia trapaças contra os capitães do mato que fossem ir atrás dos escravos fugitivos na floresta.

Nessa adaptação, a origem do Saci veio por conta dele ter sido um escravo que teve uma perna cortada por tentado fugir das senzalas. Por isso ele é mostrado como alguém negro nas imagens mais conhecidas dele.

Monteiro Lobato popularizou ele colocando um toque mais infantil, como o fato da armadilha do Saci que fica preso na garrafa, fato esse que é satirizado em certo momento na série.

Tutu Marambá

O Tutu, personagem que na série foi interpretado pelo ex-vocalista da banda Matanza Jimmy London, trouxe muita confusão para os espectadores da série, pois poucos sabiam que lenda ele tava representando, além de ser o único que não foi apresentado com o seu nome social.

Tutu Marambá é um bicho fantasma da “família” dos Papões” junto da Cuca, Bicho-Papão e o Boi da Cara Preta. Ele é uma criatura que originalmente é toda negra, sem ter nenhuma forma discernível. De acordo com o especialista em folclore brasileiro Câmara Cascudo, seu nome é originado do termo africano “Quitutu” que em tradução livre significa ogro ou papão.

Ele possui uma cantiga de ninar bastante conhecida em algumas regiões, sendo cantada assim:

“Tutu Marambá não venhas mais cá Que o pai do menino te manda matar. Durma nenem, que a Cuca logo vem Papai está na roça e Mamãezinha em Belém Tutu Marambá não venhas mais cá Que o pai do menino te manda matar”

Iara

Vivida pela atriz Jessica Cores, tendo Camila como seu nome social, a Iara é um ser do nosso folclore que lembra bastante as lendas das sereias europeias.

Na lenda original, Iara é uma criatura que vive no rio Amazonas e canta uma melodia que consegue ser capaz de atrair e seduzir os homens, porém, quem fica atraído por ela jamais aparecem novamente.

Boto Cor-de-Rosa

Vivido pelo ator Victor Sparapane e mais conhecido na série pelo apelido “Manaus”, o Boto Cor-de-Rosa é um dos primeiros personagens que aparecem na série, além de ter uma conexão importante com um dos personagens principais.

Segundo a lenda, na região da amazônia, durante o período da festa junina. um boto-cor-de-rosa surgi da profundeza dos rios, durante uma noite muito estrelada.

Ele se transforma em um homem de pele rosada, a criatura ainda rouba algumas roupas do varal de cada vilarejo e se disfarça com uma roupa popular daquela região e um chapéu cobrindo o rosto para esconder seu nariz grande.

A lenda ainda fala que o boto é uma espécie de vigilante que auxilia os pescadores durante o período de pescaria.

Curupira

Interpretado pelo ator Fábio Lago, o eterno “Baiano” de Tropa de Elite (2007), a série mostra ele como um personagem cadeirante e alcoólatra que vive na rua.

A lenda dele é uma das mais antigas que existem, ele foi relatado pelas anotações do Padre José de Anchieta no ano de 1560. Segundo uma explicação feita pelo pesquisador, jornalista e doutor em folclore brasileiro, Andriolli Costa:

“Ele é um protetor das matas, não seu dono – afinal o sentido de propriedade é muito colonial. Exige respeito e cumpre a função reguladora: se você mata mais do que precisa pra comer, mata fêmeas grávidas, e uma série de outros interditos que promovem a regulação da relação do homem com a mata, ele castiga”

Ele é uma criatura difícil de se capturar, pois além de ser muito poderoso, seus pés virados para trás faz com suas pegadas enganem aqueles que tentam chegar nele sendo guiado pelas pegadas.

Corpo Seco

Na série, o Corpo Seco é uma espécie de “espírito possessor capaz de roubar almas, ou seja, um corpo seco sem corpo”, ao invés da lenda original que se trata de uma criatura humanoide.

Segundo a lenda, ele foi um homem muito ruim que vivia prejudicando os outros, chegando as vezes maltratar e bater até em sua própria mãe. Depois da sua morte, ele conseguiu a proeza de ser rejeitado tanto por Deus quanto pelo diabo. Até o local onde ele foi enterrado chegou expulsar seu corpo de lá.

Ficando com seu corpo em estado de decomposição, ele acabou saindo de seu túmulo. Começou a viver como vagante, grudando em troncos de árvores, que quase sempre secavam. A partir disso, ele acabou passando a assombrar as pessoas pelas estradas à noite.

Cuca

A Cuca, que na série é chamada também pelo nome de Inês, é interpretada pela atriz Alessandra Negrini. Contudo, diferente do que estamos acostumado a ver, aqui ela não é representada na figura de um jacaré humanoide.

Como já mencionado anteriormente, a Cuca faz parte da família dos “Papões” e, por conta disso, não possui uma forma física. Na lenda original, ela é a sétima filha após seis outras mulheres, que na adolescência acaba desenvolvendo a maldição. Elas podem conseguir assumir inúmeras formas de bichos, entre as mais populares são a de borboleta ou mariposa.

A Cuca em forma de jacaré que temos em nosso imaginário popular só surgiu com as histórias do Sítio do Pica-Pau Amarelo, onde o escritor Monteiro Lobato criou a lenda de que a Cuca dorme uma vez a cada sete anos e a descreve como um jacaré com traços humanoides.

Fontes utilizadas neste artigo: Jovem Nerd, Adoro Cinema, Fantasia Fandom, Interativa Viagens, Sua Pesquisa

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