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I’m a gamer, always have been.

Anjos da Morte e o Sabor da Guerra

Generais reunindo suas massas

Assim como bruxas em missas negras

Mentes diabólicas que tramam destruição

Feiticeiros da construção da morte

Nos campos há corpos queimando

Enquanto a máquina de guerra continua girando

Morte e ódio à humanidade

Envenenando suas mentes esvaziadas, Oh Deus

Como War Pigs do Black Sabath narra, a guerra não é um campo onde homens e mulheres protegem suas nações, mas um campo de morte, onde interesses vem e vão guiados por seus líderes diabólicos. Com o Universo de Eduardo Spohr apresentado em A Batalha do Apocalipse e Filhos do Éden: Herdeiros de Atlântida, uma relação da Terra com as paisagens celestes e os anjos foi suplantada, a história da humanidade estava totalmente interligada com as viagens celestiais de anjos, demônios e divindades, e nada mais coeso do que nos presentear com uma história ambientada em um dos maiores conflitos humanos, não?

Anjos da Morte, o segundo volume da trilogia Filhos do Éden retrata a Segunda Guerra Mundial como nunca antes. No Spohrverso, temos a instalação de uma membrana mística, um tecido da realidade que separava nosso mundo mortal aos mágicos, a membrana está se desfazendo, como? A industrialização, o início desenfreado do uso das máquinas e o crescimento bélico fizeram isso. Agora o mundo místico estava cada vez mais longe do mundo mortal, Os Malakins, anjos estudiosos e sábios, incapazes de estudar o que acontecia na Terra pedem ajuda aos exilados, anjos há muito tempo na Terra para serem seus espiões, a partir desse momento esses Anjos da Morte iriam para todas as guerras. Desde os campos de extermínio Nazistas, até as montanhas geladas da URSS, do Dia D nas praias da Normandia até as florestas úmidas do Vietnã. Todas as guerras do Século XX deviam ser catalogadas e enviadas para esses estudiosos, estudando o que acontecia com a humanidade.

Mas Anjos da Morte não é um livro separado de sua saga, distante disso. O livro acompanha Denyel, personagem do livro anterior (Herdeiros de Atlântida) o mesmo soldado tinha feito parte do grupo dos Anjos da Morte e ao mesmo tempo nos leva a uma narrativa de Kaira e Urakin em sua busca por Denyel que desaparecera tragado pelo vórtice no término do livro anterior.

Anjos da morte e o sabor da guerra
Ilustração de André Ramos

Em um estilo diferente, Spohr nos traz uma linguagem quase jornalística, repleto de napalm, sangue, lágrimas e magia. Anjos da Morte é um típico livro que se fosse ao cinema iria atrair toda uma legião fã do gênero, uma hora é Bastardos Inglórios nas sinfonias de Apocalypse Now, com personagens durões tirados de Platoon e alinhados a um molho de Neil Gaiman e O Poderoso Chefão. O livro não retrata somente as guerras, tanto que Denyel inicia sua jornada no Dia D, mas logo move-se para o aspecto místico, a magia que girava em torno daqueles atos humanos e por fim chega a embarcar até mesmo nas seitas Nazistas místicas.

Separado em três partes, seu estilo narrativo lúcido permite com que o leitor de certa forma se caracterize junto com aqueles personagens e como o roteiro de um filme imaginasse cada ato com o seu decorrer. Desde o encontro com um demônio obeso, até o assassinato de diversas pessoas em uma Nova York cinzenta e sombria, mais no estilo de Táxi Driver e O Poderoso Chefão. Anjos da Morte é um compilado de tudo de bom, mas ao mesmo tempo é profundamente original ao ponto de essas pequenas moléculas só servirem pra construção climática de um livro extremamente bem composto e formado. São detalhes pequenos que transformam a obra em mais um excelente livro do escritor Eduardo Spohr e que parece ter sido invocado de uma sessão de RPG.

Anjos da Morte é totalmente poético e humano, te prende, fascina, excita e chega até a emocionar. Não é triste como um filme sobre o Holocausto, não é desafiador como Bastardos Inglórios, mas é pontual e sua característica mais deliciosa é a devoção do que o militarismo, a magia, como todos esses temas afligem a humanidade e como a presença do místico enaltecer nossos corações de importância ou não. Como antíteses, o livro é curioso por seu título em si.

Anjos, seres divinos, alados, que protegem, que resguardam, filhos da figura mais divina e sagrada possível.

E a morte, trazida por eles.

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