Fratura – Uma Ambiguidade Que Se Esforça Para Ser Empolgante | Review

Fratura é um filme de suspense psicológico dirigido por Brad Anderson e distribuído pela Netflix.

O longa conta a história de Ray Monroe (Sam Worthington) e sua família após um acidente em meio a uma parada em uma viagem de carro. Logo de início somos colocados em uma atmosfera fria e sem vida, o que causa no telespectador um desconforto contínuo.

As cenas de conversação dentro do carro, as externas na estrada, o ambiente onde o filme se passa, todos são frios e passam uma sensação de desolamento contínuo. A atmosfera é pouco alternada durante a trama, mesmo quando os acontecimentos começam a desencadear e o filme propõe um respiro de alívio daquela atmosfera, esses momentos são poucos, porém oportunos e funcionam na proposta da narrativa.

Fratura
Lily Rabe como Joanne Monroe que entrega uma boa performance com seu desconfortável e contínuo olhar.

Apesar da atmosfera funcionar bem, há momentos em que a direção se mostra pouco habilidosa em causar impacto em acontecimentos importantes na trama. Esse impacto visual é completamente perdido em cenas que são executadas de maneira desleixadas e pouco eficazes. O maior exemplo que temos com esse problema é a cena do acidente com a filha de Ray (Lucy Capri).

Fratura

E é ao final do primeiro ato que temos a grande ambiguidade do longa sendo explorada de forma mais intensa, o que perdura durante toda sua duração. O suspense é totalmente pautado nessa ambiguidade da narrativa, uma atmosfera onírica é posta em prática e a narrativa vai adicionando cada vez mais pistas para aumentar a ambiguidade do roteiro, algo que beira o exagero, mas que consegue se segurar, pelo menos por boa parte.

A sutileza é algo necessário para construir a trama de maneira eficaz, mas muitas vezes a atmosfera e os acontecimentos parecem estar se esforçando para nos apresentar pistas e nos deixar confusos, o que acaba com a sutileza que sendo manuseada com eficácia, traria um resultado muito mais inteligente.

Pecando em certas sutilezas, o filme se apoia bastante na incerteza narrativa e na maneira como o longa é filmado, planos que nos aproximam do rosto do protagonista e que o distanciam de uma realidade imparcial é usada a todo momento, também são poucas as vezes que vemos o personagem principal em um mesmo plano que outros personagens, o que inconscientemente o distancia também daquela realidade. Essas são formas mais detalhadas de como o longa trabalha também sua ambiguidade.

Fratura

Sam Worthington tem o importante papel de levar a narrativa inteira consigo, e é algo que felizmente o ator entrega com consistência, suas instabilidades e sofrimento psicológico são bem realizados pelo ator, não há nenhum grande destaque, mas sim uma boa competência. Lily Rabe também entrega uma boa performance como Joanne Monroe, que mesmo aparecendo pouco, consegue entregar uma atuação que contribui para a atmosfera duvidosa e onírica do longa.

Escalando seus acontecimentos, o 3 ato nos leva a uma sequência quase que caótica, mas que ainda funciona em sua proposta por conseguir manter o espectador cada vez mais curioso e instigado.

Sua conclusão é quando o diretor se joga da corda bamba onde permaneceu por todo o longa, as “sutilezas pouco sutis” de antes são totalmente esquecidas para explicar ao espectador exatamente o que aconteceu no fim. Desperdiçando a chance de usar uma boa sutileza para induzir o espectador, ou até uma interpretação, o longa prefere subestimar a inteligência de quem está assistindo e entregar detalhadamente sua conclusão.

No fim, Fratura é um suspense psicológico que apesar de pecar em aproveitar todo seu potencial e desperdiçar sua conclusão, consegue entregar o que propõe durante sua duração.

⭐⭐⭐

Mediano