O Poço – Uma Alegoria Visceral Sobre a Natureza Humana e Sua Sociedade

Dirigido por Galder Gaztelu-Urrutia, o novo longa Espanhol da Netflix, O Poço, nos traz um suspense sufocante e visceral que não se limita apenas em sua atmosfera, mas se aprofunda até uma camada de mensagem subjetiva.

Aproveitando que o longa se passa boa parte basicamente em apenas um ambiente com poucos personagens, sua atmosfera sombria e desolada pega o espectador em cheio nos trazendo até aquele cenário de uma maneira muito eficaz.

A fotografia sombria e que incorpora o cenário desconfortável está sempre nos mostrando com perfeição a experiência da qual os personagens vivem, assim como a palheta de cores que alterna dependendo do horário do dia e da intensidade da cena.

O Poço

Toda a situação e diálogos de início fazem muito em instigar o espectador, para o mesmo observar mais atentamente e descobrir mais sobre o que está acontecendo e como está acontecendo.

O ritmo do longa também é excepcional em prender o espectador para o que está por vir, o suspense escala de maneira segura por toda sua duração, apresentando novos elementos a cada vez que avança, como por exemplo sua violência e visceralidade.

De início não temos nada relacionado a gore, mas quando o filme escala com seus acontecimentos, a violência vai ficando cada vez mais intensa e sufocante, junto a atmosfera e a evolução do personagem principal, interpretado por Iván Massagué.

Iván Massagué como Goreng.

É difícil não notar que em toda essa precisa direção que constrói com êxito uma atmosfera sufocante e desconfortável, há um grande ensaio com mensagens subjetivas e quase diretas à natureza humana e sua sociedade com o capitalismo.

Toda a idéia do poço, das pessoas em cima e embaixo, da comida, das escolhas que as pessoas fazem perante a situação que são colocadas em meio ao sistema, o próprio sistema em si, até o preconceito é ferramenta essencial para a alegoria. Tudo aqui é uma releitura da sociedade humana focada em explorar todo seu desequilíbrio e instabilidade, o que acaba por levar a um banho de sangue.

O Poço
Emilio Buale como Baharat e Ivan Massagué como Goreng.


Há muitas interpretações e teorias para diversas coisas da trama, principalmente para a sua conclusão, que pode não agradar à quem espera uma resposta mais direta sobre o que é aquilo tudo, mas que dentro de sua proposta é executada de maneira excelente, nos fazendo levar o longa conosco para pensar e discutir depois de assistir, coisa que só uma boa trama faz.


No fim, O Poço é um suspense instigante e violento que não se limita apenas a sua atmosfera e trama eficazes, mas que eleva tudo isso à uma alegoria social.

Excelente.