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Maria e João – Um Rico Visual Para Uma Rasa Narrativa | Review

Dirigido por Oz Perkins, Maria e João é um longa de horror que adapta o conto original conhecido como “João e Maria“, sendo assim, parte da mesma premissa de dois irmãos que saem de casa a procura de um futuro farto e logo depois encontram uma casa misteriosa porém bastante atraente onde vive uma idosa também misteriosa que os acolhe e os alimenta.

É difícil não conhecer o conto de João e Maria, sendo assim é muito difícil não saber o plot por trás da história da qual consiste na idosa que acolheu os irmãos ser uma bruxa que quer comê-los, e é claro, não vou dizer aqui se essa adaptação segue ou não em suma todo o conto original, mas é necessário que minha argumentação seja guiada por um fator importante que é a tentativa de autoralidade da direção.

Maria e João

O roteiro nos apresenta a mesma premissa do conto original mas com uma direção que aposta em dois tipos de horror, o mais comum conhecido como terror imediato, do qual é usufruído pelos grandes blockbusters de terror do cinema atualmente, e o terror psicológico que aposta mais em construção de atmosfera do que propriamente assustar o espectador. O que poderia ser uma mesclagem interessante, acaba por levar a uma narrativa com tons esquizofrênicos na sua maneira de se contar e tentar vender sua proposta.

A direção é excelentemente eficiente em sua parte técnica, a fotografia que nos sufoca junto aos personagens que estão sempre incertos do que exatamente está acontecendo com a ajuda de uma iluminação rústica e ambiente, a trilha sonora que nos causa um desconforto contínuo ao acompanhar essa jornada de incertezas, a ambientação que eleva a solidão dos 3 personagens principais em uma dinâmica estranha e aflitiva. Tudo isso cria uma atmosfera horripilante de que algo sobrenatural existe ali, de que há sempre algo mau está pairando no ar.


Infelizmente toda essa excelentíssima ambientação acaba por ser desperdiçada em uma narrativa que não nos apresenta um tom consistente, não sabe o que dizer e nem sabe para onde vai. A dúvida que ficamos em todo o longa é “Onde esse filme quer chegar?”, e sim, isso é algo válido e interessante de se ter em uma narrativa, mas aqui não é um desses casos a partir do ponto que você continua com as mesmas perguntas quando o filme acaba.

A turbulência causada pela instabilidade da narrativa deixa tudo menos interessante, as dúvidas causadas não cativam o suficiente, uma hora ou outra somos jogados em sequências de horror que não causam medo e não levam a lugar nenhum, tudo isso contribui para deixar a experiência mais cansativa e sem propósito.

Sendo assim o toque de autoralidade do longa foi uma tentativa que foi por água abaixo, tendo em mente o quantas possibilidades existem a partir desse clássico conto que já é bem bizarro por si só.

O elenco principal não carrega a trama para lugares mais profundos, assim permanecendo na superfície do que é contado. Tendo em vista de que isso é um problema maior do roteiro e da direção, Sammy Leakey e Alice Krige são os que conseguem apresentar um pouco mais de densidade a seus personagens, o mérito de Sammy sendo um ator estreante é destacável, mas principalmente Alice que é a responsável por boa parte do estranhamento e dúvidas causadas no público com sua personagem peculiar e excêntrica.

Maria e João
Sammy e Alice em cena.

No fim, Maria e João é um longa de horror que hora tenta ser mais autoral, hora tenta assustar com um terror mais imediato, tendo um visual belíssimo mas que nunca sai do lugar e nunca chega a lugar nenhum.

⭐⭐⭐

Mediano