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Contato Visceral – Um potencial não elevado ao máximo |Review

O longa de terror psicológico da Netflix lançado esse ano (2019), acompanha o dia a dia de Will, um homem que aparenta ter uma vida tranquila e bem resolvida enquanto tenta descobrir mais sobre um estranho e intrigante telefone que foi esquecido em seu bar.

O longa é dirigido por Babak Anvari que é também conhecido pelo filme anglo-jordaniano-qatariano, Sob a Sombra.

Pelo primeiro ato do longa somos apresentados aos personagens,  seus relacionamentos e afins de maneira fluída. Tudo parece ser bem resolvido e estável quando somos apresentados aos personagens, Will interpretado por Armie Hammer parece ser uma pessoa sem complicações na vida e despreocupada, algo que é trabalhado em cada personagem durante o desenrolar da trama.

Mas aqui, o foco é inteiramente em Will, personagem de Hammer. O ator nos entrega uma performance que abraça o papel como necessário, o desenvolvimento de seu personagem é marcado por suas nuances, mudanças de comportamento e de estado físico, não tão intensas, mas ainda sim essas mudanças físicas existem.

Will interpretado por Armie Hammer

Após sermos apresentados aos personagens, é aí que o terror psicológico começa a dar seus primeiros sinais. O longa trabalha muito toda sua atmosfera com o desconforto e a dúvida. Como é de se esperar, no terror psicológico temos uma construção mais planejada para a aflição e a curiosidade do que para o terror imediato, vulgo momentos de correria e jumpscare.

O diretor executa essa construção com maestria, se mostrando bastante habilidoso para construir uma atmosfera que nos deixa cada vez mais curiosos e desconfortáveis. A câmera inquieta acompanhando o personagem de Hammer pelas suas costas nos dá uma sensação inquietante de que o mesmo está sendo observado, a escuridão usufruída com o recurso da imaginação, nos fazendo ficar tão duvidosos que vemos coisas onde no fim não há nada demais, os cortes bruscos quando há uma visão perturbadora acontecendo nos passando um ar ainda maior de desespero.

É assim que o filme é montado, com detalhes e nuances que vão construindo todo esse aspecto desconfortável e intrigante da trama, nos fazendo questionar mais e mais, nos fazendo ansiar pelo que está por vir.

Por outro lado, tudo que poderia ser aproveitado ao máximo esses elementos, acaba por ser subaproveitado, com um roteiro que quando começa a derrapar, não para mais. Quando nos são dadas dúvidas, apenas parte delas é resolvida.

É claro que não é necessariamente obrigatório uma explicação direta para todas as dúvidas apresentadas, o problema aqui é que mesmo as dúvidas respondidas por interpretação, metáforas e também com o paralelo ao livro original do qual o filme foi base, The Visible Filth, não são o suficiente para sustentar todas as informações as quais fomos expostos durante sua duração.

Algumas idéias subaproveitadas são ponto chave de como o roteiro desanda, como por exemplo o mistério relacionado ao grupo de jovens que, enquanto muito bem construído pelos primeiros atos, tende a acabar sem uma conclusão a altura do que foi construído até então, deixando um gosto de “cadê o resto?” na boca.

Esse gosto amargo acaba ofuscando muito do desenvolvimento do longa, o que faz toda a direção bem executada e construída se perder em idéias subdesenvolvidas que se acham resolvidas.

Todos os personagens secundários existem em torno do personagem de Hammer, que é o foco da narrativa. Dakota Johnson interpreta a namorada de Will, Carrie, que por estar tão próxima ao personagem principal também tem um desenvolvimento mais atencioso. A atriz leva seu papel com segurança, nada a se destacar

Zazie Beets está como de costume, convincente e sua performance, entregando uma personagem secundária cativante o suficiente para estar a altura do que seu roteiro propõe, uma personagem chave para a trama.

Dakota Johnson e Armie Hammer.

Toda a atmosfera do longa é trabalhada no desenvolvimento do personagem principal, para nos comunicar uma das idéias principais por trás da trama, assim como diz o título do livro do qual o longa foi baseado, A Sujeira Invisível pode estar em quem menos esperamos, pois a toxidade não pode ser vista a olho nu.

No fim, Contato Visceral é um terror psicológico muito bem conduzido pelo diretor, que faz o trabalho com maestria, nos instigando e desconfortando cada vez mais ao passar do tempo, mas que deixa muito a desejar no quesito roteiro, que acaba subdsenvolvendo boa parte das idéias apresentadas.

⭐⭐⭐

Bom