Anúncio Publicitário

O Cristal Encantado: Era da Resistência | Review

Saudações, senhoras e senhores leitores do 1 Real a Hora. Meu nome é Márcio, sou novo por aqui e minha missão inicial é a de trazer até vocês minha opinião sobre os desdobramentos do fenômeno que agraciou nossos serviços de streaming nessa última sexta-feira.

“Mas qual fenômeno seria esse?”, você deve estar se perguntando. Claro que estou falando do lançamento simultâneo de duas séries de fantasia inéditas: “O Cristal Encantado: Era da Resistência” e “Carnival Row”, lançadas na Netflix e na Amazon Prime Video, respectivamente. Naturalmente, abri mão completamente da minha vida social (se é que posso dizer que eu tinha alguma) durante os últimos dois dias para assistir a íntegra de ambas as séries e, assim, trazer a vocês os melhores reviews possíveis.

Nesta primeira análise, vamos falar sobre Era da Resistência, produção conjunta da Netflix com a Jim Henson Company.

Essa nova série é uma “prequel” para o filme O Cristal Encantado, lançado em 1982 e dirigido pelo saudoso Jim Henson, e conta a história do planeta Thra, um mundo que orbita três sóis onde toda a vida é atrelada ao Cristal da Verdade. Os guardiões desse Cristal, seres de outro mundo chamados Skeksis, passaram a extrair sua essência para prolongar a própria longevidade, e esse uso irresponsável do Cristal fez surgir uma praga sombria que pode acabar com todas as criaturas vivas em Thra a menos que seja feito algo a respeito.

Ao contrário do filme original, que apresenta Thra como uma terra devastada, o mundo que vemos em Era da Resistência é um lugar próspero ainda dando os primeiros passos que o levarão à sua inevitável destruição. Nesta trama de 10 episódios, somos levados a uma imensa variedade de locais exuberantes habitados por criaturas igualmente diversas, e tudo construído com uma combinação impecável de marionetes e CGI.

Sim, a série é feita com marionetes (se você sabe quem é Jim Henson, provavelmente não se surpreendeu) e um pouco de CGI para ajudar. Essa abordagem em 2019 é algo raríssimo de se ver e eu sinceramente me pergunto por que não vemos isso com mais frequência, porque cada frame é algo lindo de se ver. Uma produção nesse estilo normalmente corre risco de acabar se assemelhando a um teatrinho de bonecos, mas a direção de Louis Leterrier toma cuidado especial em fazer com que cada frame pareça o mais verossímil possível.

Voltando à trama: o enredo é protagonizado por três Gelflings (criaturas similares a duendes) chamados Rian (Taron Egerton), Brea (Anya-Taylor Joy) e Deet (Nathalie Emmanuel), que embarcam nas próprias jornadas ao descobrir que seus senhores e guardiões do Cristal da Verdade, os Skeksis, não são tão bonzinhos quanto pareciam. Cada um dos protagonistas tem uma história de vida completamente única, e uma visão distinta a respeito da estrutura social de sua espécie.

Ao longo da história, essa estrutura social é bastante explorada, assim como temas bastante atuais de desinformação, corrupção e revisionismo histórico, que são bastante incomuns para uma série destinada primariamente ao público infanto-juvenil. Além de temas bem maduros, Era da Resistência possui alguns momentos grotescos que se tornam ainda mais sombrios pelo contraste com as marionetes bonitinhas que são frequentemente vítimas desse sofrimento. Os responsáveis por infligir tal dor, no entanto, não são nada bonitinhos.

Os Skeksis são os vilões da série, e inegavelmente as estrelas do espetáculo. Cada cena estrelada por esses urubuzões é uma delícia de se ver, desde as interações cômicas até os momentos mais sombrios, graças ao elenco insano que foi escalado para dublá-los: Mark Hamill, Jason Isaacs, Simon Pegg, Akwafina e Andy Samberg são apenas alguns dos excelentes atores que emprestam o melhor de seus talentos para interpretar esses personagens tão extravagantes. Gostaria de dar um destaque à atuação de Pegg como o camareiro SkekSil, que em seu arco próprio protagonizou algumas das melhores cenas de toda a temporada.

A alternância entre diversas perspectivas no desenrolar da trama, explorando as motivações antagônicas dos personagens e lidando com os temas “adultos” já mencionados, dá a Era da Resistência um quê de Game of Thrones, então acho que posso dizer com segurança que os órfãos da recém-finalizada produção da HBO provavelmente vão se divertir bastante com essa nova série.

Pra finalizar, gostaria de compartilhar uma observação: ao final dessa temporada, que mesmo sendo um pouquinho mais arrastada do que deveria foi uma experiência sensacional, acabei sendo dominado por uma mistura conflitante de emoções. Ao mesmo tempo que Era da Resistência me deixou com um gostinho de “quero mais” e torcendo pelo sucesso dos protagonistas, o conhecimento dos eventos ocorridos no filme original dá à série um ar melancólico, pois mesmo com lampejos de esperança, Era da Resistência faz questão de lembrar que sua trama na verdade é uma tragédia esperando para acontecer.