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Bacurau – Explorando contradições em meio a necessidade de resistir | Review

Bacurau, o novo longa brasileiro dirigido pela dupla Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles que está nos holofotes e vem chamando bastante atenção após ganhar em Cannes e Munique, apresenta uma mistura de gêneros junto a óbvias reflexões sobre questões sociais e políticas relevantes principalmente na atualidade adentrando principalmente em suas contradições e retratando a invisibilização.

O longa não foca em um protagonista físico apenas, Bacurau, a pacata cidadezinha fictícia situada em Pernambuco no Nordeste, é a protagonista do longa. Somos apresentados a certos personagens mais importantes da trama, mas nenhum tem um momento muito grande de profundidade, seus desenvolvimentos vem a partir da comunidade em que vivem, do coletivo, de Bacurau. O que nos faz se importar e principalmente para quem se sentir representado, se relacionar com esse grupo de pessoas humildes e ricas em cultura local. Cada acontecimento com a comunidade, mesmo sem conhecer tão a fundo certo personagem, sua morte trás peso dramático suficiente para comover.

Comunidade de Bacurau


Desde o início é construída uma ambientação bem climática com o gênero Western (Faroeste), que pode se chamar aqui de Faroeste Nordestino, e é o que mais predomina durante toda sua duração, porém o filme caminha um pouco por diversos gêneros, de terror, suspense até um tanto de ação, e felizmente essa mistura funciona, pois cada gênero é inserido de acordo com o momento e acontecimento, muitas vezes nos fazendo enxergar do ponto de vista da comunidade de Bacurau, fazendo todo o longa não ser definido em apenas um gênero e resultando em algo orgânico.

Silvero Pereira como Lunga

A fotografia, trilha sonora e montagem nos remete a algo bem estilizado e Western também, com transições alá Star Wars contendo os famosos fade, trilha sonora bem climática e parada e uma fotografia paisagista da região Nordestina.

O roteiro é simples em sua superfície mas aborda questões mais complexas e atuais na sociedade, porém, com o roteiro tendo críticas e posicionamentos mais claros, muito de sua proposta trabalha na contradição e em retratar uma possível realidade, para nos fazer pensar e refletir sobre a situação, assim não se posicionando diretamente em algum argumento, apenas deixando um retrato para o telespectador refletir e tirar suas conclusões.

Pode-se considerar Bacurau um filme de resistência dentro de uma indústria que faz parte de todo sistema do qual eles criticam, enquanto criticam invisibilização, violência e americanização, usufrui de gêneros originalmente americanizados e de violência gráfica para isso, fazendo disso não uma hipocrisia, mas uma contradição proposital espelhada no retrato de seu roteiro mais uma vez passível de reflexão.

Bacurau é um filme brasileiro de gênero, ou melhor, gêneros, que não é de simples ingestão, onde propõe reflexões contraditórias propositalmente sobre questões sociais para o espectador pensar por sí só, junto a uma história de Bang Bang e resistência situada no Nordeste.