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Ad Astra – Aprisionado em si mesmo | Review

Ad Astra conta a história de um astronauta renomado e habilidoso que recebe a missão de encontrar seu pai que estava supostamente morto para salvar seu sistema solar que estava cada vez mais em perigo.

O longa de ficção científica se passa maior parte fora da terra, ou seja, com seus personagens no espaço, onde todo o roteiro trabalha de uma maneira o mais próximo da nossa realidade possível, em um futuro distópico, porém, crível. Todas as diferenças dessa distopia com a nossa realidade são apresentadas no filme de maneira orgânica e despretenciosa, para assim nos situarmos e abraçarmos o máximo daquele mundo que o filme pode nos entregar.

Como sua maior parte se passa no espaço, outros planetas ou em naves, o filme é ótimamente atmosférico em cada uma de suas sequências, seu maior sentimento tende a ser o sufoco de toda a situação do personagem e o ambiente em que se encontra, também com lindos planos para nos apresentar as imensas paisagens pelo espaço afora. Além disso, tudo aqui é visualmente belísimo, não só a belíssima fotografia que rende ótimos takes inteligentes, mas também os efeitos visuais que são estupendos e fazem uma experiência em IMAX se tornar realmente única. E é claro que a trilha sonora também contribui para isso fazendo nosso coração apertar.

Takes do longa

Toda essa imersão ajuda em como o longa foca de maneira introspectiva no personagem de Brad Pitt, que nos entrega uma excelente atuação e nos entregando todo conflito de seu personagem de maneira sólida conseguindo nos fazer sentir o sufoco que seu personagem passa ao ficar meses dentro de uma nave por exemplo. E eu gostaria de apostar aqui uma indicação aos oscars.

Apesar de alertar sobre problemas da vida real e falar sobre a humanidade no geral, Ad Astra também é um estudo interessante de personagem, pois tudo aqui é visto do ponto de vista de Roy McBride, nosso personagem principal, de maneira introspectiva onde literalmente podemos ouvir seus pensamentos. Acredito que nesse quesito o roteiro derrape com falas expositivas demais em coisas que poderiam ter acontecido apenas com um breve silêncio, mas na maior parte do tempo isso tudo funciona não só para construir o personagem, mas para nos aproximar dele.

Brad Pitt como Roy McBride

A trama também serve para mostrar como o peso de se sentir aprisionado em si mesmo pode cair até sobre os ombros dos mais sábios e habilidosos possíveis, para completar, deixo uma fala do próprio Brad Pitt sobre a tal masculinidade abordada de forma indireta no filme:

“Crescemos com esta ideia de que a masculinidade consiste em ser forte, não mostrar fragilidade, que não te faltem o respeito. Mas essa ideia é uma prisão que impede você de aprender com os seus passos em falso, suas zonas mais frágeis, em uma barreira que impede você de se abrir ao que ama”

Ad Astra nos entrega não só uma ficção científica sufocante e misteriosa, como também um introspectivo drama duro e perturbador sobre a solidão e nossa humanidade.