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Fim do Mundo – O clichê juvenil de ficção científica elevado ao máximo | Review

O primeiro pensamento que tive após assistir ao trailer foi algo como “Tudo bem, essa mesma premissa de sempre, mas até que pode sair algo legal disso.” E após assistir tive minha resposta, logo não, não saiu algo legal disso.

O longa de ficção científica juvenil dirigido por McG (Joseph McGinty Nichol) nos apresenta a velha premissa sobre um grupo de crianças tentando salvar o mundo, que atualmente é muito conhecida como uma idéia vinda de “Stranger Things”, geralmente por pessoas que tem menos bagagem em meio a cultura pop.

Não é necessário fazer uma comparação com outras obras do tipo para ver que as coisas não funcionam em Fim do Mundo. O grupo de amigos formado durante o longa reune Alex (Jack Gore) um nerd tímido que tem medo de altura, Zhen-Zhen (Miya Cech) uma garota asiática e quieta, Dariush (Benjamin Flores Jr.) um adolescente filho de pais ricos e Gabriel (Alessio Scalzotto) que é meu chará e também um “criminoso”. A partir daí o roteiro tenta desenvolver cada um dos personagens que são afogados nos esteriótipos e clichês de seus papéis do início ao fim, mas falha em todos. Diversas vezes a dinâmica e laço entre os personagens é exagerada e mal construída, por exemplo o grupo de jovens se considerando uma família após terem sobrevivido uns 2 dias juntos, sem falar dos motivos fracos e bobos que o roteiro propõe para o desenvolvimento emocional de cada personagem, o que chega a ter algo a apresentar é apenas o protagonista Alex, já uma personagem que chega perto de ter algo para apresentar é Zhen-Zhen, mas esse potencial é completamente inutilizado.


Dariush, Zhen-Zhen, Alex e Gabriel

A narrativa também não emplaca, trazendo sequências de ação como fugas e perseguições movidas por atos e consequências estúpidas, dilemas e conflitos mal executados chegando até a serem artificiais. Alguns diálogos conseguem encaixar em certos momentos e se mostram inteligentes fazendo piadas com assuntos contemporâneos, mas as vezes que isso acontece não são muitas comparadas ao que fica forçado e sem graça. Como sabemos, humor é relativo, mas quando ele é utilizado de forma errada e também em momentos não adequados, toda imersão ou até o potencial da cena são quebrados. Alguns podem dizer que tamanhas bobeiras ou coisas fracas utilizadas na construção dos personagens se dá ao fato de serem jovens, mas sinceramente, não dá. O clichê, o esteriótipo e a forçação de barra se mantém quase que do início ao fim.

Seu ritmo e cadência de acontecimentos são na maioria previsíveis e sem originalidade, oferecendo poucas sequências onde ficamos tensos com a situação dos personagens em cena ou chegamos a ter empatia por eles. Com um baixo orçamento e idéia ambiciosa, poucas vezes entrega algum cgi sólido, tendo a maioria dos seres e objetos com aparência plástica e irreal.

Uma das criaturas do longa

O que o longa entrega é em suma a junção das partes ruins de um filme de ficção científica juvenil, ou pode-se dizer as partes ruins de um filme sessão da tarde.