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Desculpe o transtorno, preciso falar da Marvel.

Conheci ela no cinema. Essa frase pode parecer romântica se você imaginar uma menina de 12 anos empolgada para assistir o primeiro filme do Capitão América. Mas o filme em questão era realmente algo novo, eu fiquei boquiaberta como aquilo envolvia a história, o nazismo e o patriotismo americano –achei que tinha assistido o melhor filme de heróis. Ela fazia filmes engraçados. Minha irmã também adorava. Eu não conhecia o universo da Marvel. Ela estava lá. Supostamente adaptando. Nunca vou me esquecer: a cena era o Capitão América pulando de uma grade para a outra em meio a explosões.

Quando as meninas chamavam o Chris Evans de gostoso, eu ficava impressionada com as cenas de ação. Quando iam chorar na cena em que o Steve beija a Peggy, eu estava encantada com o Caveira Vermelha. Quando a Marvel decidiu competir com a DC, trombava com ela de modo que as notas dos filmes da DC caíam. Os filmes, sempre engraçados e com piadas de tio bêbado, deixavam claro que ela não fazia ideia do que estava fazendo. Foi paixão à primeira vista. Só pra mim, acho.

Passamos algumas madrugadas lendo “Homem-Aranha: 99 problemas” ao som do tema de Avengers. De lá, começamos a ler “Caveira Vermelha: Encarnado”. Do Caveira Vermelha fomos para o Guerra Civil, do Guerra Civil pra suposta adaptação como filme, do filme Guerra Civil pro fundo do poço.

Conheci ela quando eu tinha 12 e ela 71, mas parecia que a vida começava ali. Vi todos os filmes e séries. Algumas várias vezes. Fiz de tudo para defendê-la de todas as críticas existentes na internet. Critiquei algumas vezes pois não aguentaria o mesmo estilo de filme sempre. Deixei de lado o universo cinematográfico e me afundei nas HQs. Pensei diversas vezes em atores e atrizes para interpretarem personagens que ainda não estavam sendo adaptados, fui otária quando achei que a Marvel adaptava seus quadrinhos, logo percebi que ela apenas pega títulos importantes e faz seu próprio filme. Fiz uma dúzia de amigos novos por causa da Marvel, pena que todos são fanboys da DC. Gastei mais de 500 reais só com ela—acabei de contar. Sofremos com os haters, rimos com os marvetes. Viajamos o mundo dividindo o encadernado com todas as edições do Deadpool. Das dez HQs que mais gosto, sete são dela. As outras três foram adaptações de suas histórias feitas pela Turma da Mônica. Aprendi o que era ser herói e também o que era ser mutante, quebra de quarta parede, inumanos, Guerras de outras galáxias e outras coisas que o Word tá sublinhando de vermelho porque o Word não teve a sorte de ter lido as HQs dela.

Um dia, pensei em deixá-la. E não foi fácil. Chorei mais que no final de “Jessica Jones”. Mais que no começo de “Guardiões da Galáxia”. Até hoje, não tem um lugar que eu vá em que alguém não diga, em algum momento: você ainda é Marvete? Parece que, pra sempre, ela vai fazer parte de mim. Se ao menos a gente tivesse tido um filme bem adaptado, eu penso. Ela teria muito mais fãs.

Essa semana, pela décima vez, vi o filme da equipe que ela rejeitou —não por acaso a maior equipe da editora. Achei que fosse chorar tudo de novo. E o que me deu foi uma felicidade muito profunda de ter visto os X-Men sendo adaptados de forma linda. E de ter esse filme guardado —entre tantos vídeos, músicas e crônicas. Não falta nada.