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A Miss Marvel da nova geração

Ser adolescente é algo completamente confuso, você é grande demais pra umas coisas e não velho o suficiente para outras. E ser herói? Será que tem uma faixa etária para salvar o mundo? Não.

Estamos acostumados com personagens mais velhos sendo o centro das atenções, já os mais novos são apenas sidekicks ou até mesmo heróis mal compreendidos. Temos dezenas de heróis jovens e isso é algo muito importante, não só pela representatividade de um público, mas também pela realidade que esses personagens passam.

Temos equipes de adolescentes em ambas as principais editoras. Temos os Jovens Titãs (DC Comics) que marcaram uma geração com seus poderes e senso de justiça, mas também temos os Jovens Vingadores (Marvel) que vieram dispostos a romper com qualquer tipo de preconceito e sem contar com a grande responsabilidade de carregar o nome de uma das maiores equipes de super heróis.

A fase da adolescência é realmente um período muito conturbado, seja quando se trata de hormônios mas principalmente a parte de readaptação, coisas que podem fazer e coisas que não podem. É como se nessa faixa etária, nós adolescentes achássemos que nada de ruim poderia acontecer conosco, que estamos imunes as drogas e outros vícios, mas infelizmente somos seres humanos como qualquer outros.

Uma face da confusão que um adolescente passa é a Kamala Khan ou melhor conhecida como “Miss Marvel”. Kamala é paquistanesa-americana, seus pais se mudaram para os Estados Unidos com a ideia de que iriam fugir dos bombardeios e do caos de onde moravam, mas isso não foi nem um pouco simples. São hábitos culturais muito fortes, Kamala não consegue seguir todos eles da mesma forma que seus pais seguem tradicionalmente e isso faz dela uma menina rebelde, quando na verdade ela só está procurando o seu lugar.

De todas as revistas em quadrinhos que eu já li, certamente a história da Kamala é a que mais me mostrou essa visão distorcida que a sociedade tem dos jovens, começando pelo fato do vilão principal ter o intuito de convencer jovens de que eles são o motivo de uma suposta “super lotação” do planeta. Com toda essa história a gente consegue perceber que muitos adultos ainda mantem essa visão de que adolescentes são escravos de aparelhos e que são totalmente manipuláveis, porém ao final da história a nossa heroína faz o seguinte discurso:

“Vick e os outros precisam de mim. Nakia precisa de mim. Até Dentinho precisa de mim. Por que ganhei meus poderes de gigantar? Por que não podia ter os poderes de estar em três lugares ao mesmo tempo? Vinatos e Medusa estavam certos. Isto é grande demais para uma pessoa só. Pensei que pudesse resolver sozinha…mas querer resolver e realmente resolver são duas coisas diferentes. Todos os heróis que já amei trabalham em equipes. Agora entendo o motivo. Até a pessoa mais gigantada precisa de ajuda às vezes. Porque ninguém pode ser tudo pra todo mundo.”

Assim percebemos que por mais independente que nós jovens queiramos ser, a gente sempre vai precisar de alguém para ajudar. Kamala é como eu ou até como você, então a resposta para a primeira pergunta é definitivamente não. Todos nós podemos ser super heróis.