A Batalha do Apocalipse, de Eduardo Spohr

Literatura fantástica brasileira nunca foi tão ampla quanto hoje em dia. Uso essa frase com cada palavra, medindo cada período de tempo que eu acompanhei em torno da literatura brasileira, hoje em dia temos André Vianco, Raphael Draccon, Affonso Solano e outros excelentes escritores de fantasia brasileiros, mas esse mercado antigamente não era tão amplo como foi hoje. Esse contexto é de uma perspectiva extremamente americanizada, a nova geração brasileira é muito alimentada pelo conteúdo americano  e com isso nasce o apreço pela fantasia externa, desde Rowling, Collins até Martin. Esse fenômeno é totalmente normal e também abre portas para o mercado interno, afinal por que falar de A Batalha de Apocalipse?

Eu considero o marco de A Batalha do Apocalipse de Eduardo Spohr um dos grandes expoentes para o nascimento dessa literatura brasileira fantástica, é óbvio que temos escritores anteriores do best seller, mas é com Spohr e toda a sua magnífica história de publicação transformaram esse expoente da ficção em algo grandioso, padrão e uma leitura do dia a dia. Agora não é tão difícil entrarmos em livrarias e nos depararmos com fantasia brasileira, não devemos isso somente aos brilhantes escritores de fantasia que se empenharam para esses escritos saírem, mas também ás mídias sociais, ao avanço tecnológico a favor da literatura e às boas histórias.

Quando falamos do avanço da tecnologia pensamos em como os tablets, celulares e computadores irão substituir os livros. Uma geração futura temerá o pequeno objeto cheio de páginas… Ou não. Com o avanço das redes sociais e mídias do dia a dia temos um avanço de iniciação a leitura, temos um avanço de adentrarem no maravilhoso mundo da escrita e é claro desencadear uma reação imediata. Um jovem que vive nas redes sociais e lê seus amigos comentando sobre determinado livro pode ter um apreço em começar a leitura naquele livro, debates sobre capítulos, personagens e a criação de um fandom ao todo influenciam bastante nos gostos juvenis. Começar com Harry Potter, Percy Jackson, Jogos Vorazes ou outras sagas infanto juvenis não é um crime, até mesmo com os famosos livros dos youtubers. É através desses livros mais simples que a leitura flui, que a ficção chega a realidade e essas jovens mentes possam a ler clássicos monstruosos. A Batalha do Apocalipse teve uma influencia fortíssima assim, era o amigo da escola, da faculdade, do emprego, foram essas pessoas que tornaram o sucesso do livro se tornar verdade. É o hype criado pelo site Jovem Nerd e a grandiosidade narrativa de Eduardo Spohr que tornaram ABDA talvez um dos melhores livros de fantasia brasileira já escritos, e talvez futuramente um grande clássico.

A narrativa de A Batalha do Apocalipse gira em torno de uma toda mitologia criada por Spohr, mesclada a mitologia cristã. Temos a presença de Deus, que fundou o universo nos sete dias, mas como o conceito de dias para Deus é diferente o universo custou bilhões de anos para ser formado. Deus vivia com seus Arcanjos e no término do sétimo dia entrou em um estado de sono profundo. Miguel, o Príncipe dos Anjos se tornou  o líder das paisagens celestes e instalou um sistema ditatorial, se transformando em um temível ditador.

Movimentado por um espírito rebelde que beira a humanidade, o querubim Ablon junto com os Renegados luta contra a tirania de Miguel, mas acabam perdendo e são lançados a Terra. O livro então passa a girar em torno da vida de Ablon em sua vida na Terra, mesclando elementos de um passado a um presente. Ablon tem sua trama principal ocorrendo no atual, mas também como em Highlander temos passagens do passado, acompanhando Ablon desde a Torre de Babel, até a Muralha da China até os Castelos Medievais da Escócia.

A escrita de Eduardo Spohr não é um mínimo complexa, é uma narrativa épica que se assemelha a um roteiro cinematográfico, ele descreve os acontecimentos e segue com as falas dos personagens e Spohr nos presenteia com uma visão extremamente bem feita sobre a teologia cristã, modificando pontos chamativos e nos deleitando com uma mitologia própria. Extremamente similar a obras de fantasia cósmica como Gaiman, Spohr é rápido, usual, prático e extremamente bem narrado, é de uma riqueza literária e profunda que beira a universos mitológicos e fictícios criados extremamente americanizados.

A Batalha do Apocalipse é um livro único, singular e tem uma qualificação fictícia e mitológica muito aprazível, os tons misturados pelo autor, mantendo um caráter inspiratório, mas ainda nutrindo uma certa novidade padrão é encantadora.  Narrado de uma maneira sublime, literariamente falando rico e poderoso e em uma perspectiva nérdica deleitoso em diversos momentos, A Batalha do Apocalipse é uma viagem entre culturas, religiões, povos, RPGs e cultos. É cheia de momentos de ouro, é uma narrativa de ouro e inaugura essa nova fantasia brasileira. E que fantasia, amigos.