1 Real Recomenda: 10 animes excelentes na Netflix que você (provavelmente) não assistiu ainda

Não é segredo que o popular serviço de streaming Netflix dispõe de um imenso acervo de animes. Esse catálogo, que abrange desde clássicos como Cavaleiros do Zodíaco e Street Fighter II Victory até verdadeiras obras-primas contemporâneas como Fullmetal Alchemist Brotherhood e Hellsing Ultimate, sem falar nas produções do Studio Ghibli que foram recentemente adicionadas à plataforma, proporciona centenas de horas de entretenimento para qualquer fã da animação nipônica.

Com uma variedade tão absurda de conteúdo, é bem comum que algumas obras menos conhecidas acabem passando batido para muitos usuários da Netflix. Apesar de esse fenômeno ser uma consequência lógica da natureza das plataformas de streaming, é bem lamentável vê-lo afetando animes que, na minha opinião, merecem mais reconhecimento.

Como um esforço para atrair mais atenção para tais produções injustiçadas disponíveis a um clique de distância, apresento a vocês essa lista (sem ordem de classificação específica porque sou péssimo nisso) de animes sensacionais na Netflix que você (provavelmente) nunca assistiu.

Nota: As sinopses em itálico são traduzidas e adaptadas a partir dos textos contidos na página principal de cada anime no portal MyAnimeList.

Confira essas jóias que encontramos lá nos confins da Netflix:

1. Mobile Suit Gundam: Iron-Blooded Orphans (2 temporadas, 50 episódios)

joiasdanetflix01 7

Cerca de trezentos anos se passaram desde a Guerra da Calamidade, um grande conflito entre a Terra e suas colônias espaciais. Agora a Terra é dominada por quatro grandes blocos econômicos, com a organização militar Gjallarhorn encarregada de manter a paz. Marte, por sua vez, é fortemente dependente da economia terrestre.

Horrorizada pelas precárias condições de vida com que os habitantes de Marte devem lidar, Kudelia Aina Bernstein, uma jovem aristocrata da Região Autônoma de Chryse, se envolve no movimento de independência do Planeta Vermelho.

Ela contrata os serviços da companhia paramilitar local Chryse Guard Security (CGS) para escoltá-la em uma jornada até a Terra para negociar condições econômicas com o bloco terráqueo que controla a região. A Terceira Divisão da CGS — composta por Mikazuki Augus, Orga Itsuka, e muitas outras crianças e adolescentes que foram obrigados a trabalhar como mercenários por diversos motivos — é designada para proteger Kudelia.

Quando a Gjallarhorn ataca o quartel-general da CGS para assassinar a jovem revolucionária que ameaça seus interesses, Orga e seus companheiros devem impedir os agressores de cumprir seu objetivo — na verdade, as ações da Gjallarhorn podem acabar sendo acidentalmente a fagulha que levará as crianças da Terceira Divisão a tomarem as rédeas do próprio destino.

Uma das minhas paixões desde a infância são robôs gigantes, assim como as histórias que podem ser exploradas com esse conceito. A fenomenal série animada Mobile Suit Gundam: Iron-Blooded Orphans está logo abaixo do filme Pacific Rim na lista de coisas que eu mostro para os meus amigos quando tento explicar o porquê de eu amar tanto esse subgênero, e a inclusão da mesma na Netflix vai facilitar muito o meu trabalho.

Assim como o título sugere, Iron-Blooded Orphans é parte da franquia seminal Mobile Suit Gundam, porém não exige qualquer conhecimento prévio pois é situada em uma ambientação inédita. A série foi criada como uma colaboração entre o diretor Tatsuyuki Nagai e a roteirista Mari Okada (a dupla que nos trouxe as aclamadas Toradora! e Ano Hana), e a sensibilidade característica de ambos é aplicada de forma impecável aqui.

O que esperar desse anime? Uma narrativa envolvente que não tem medo de abordar temas bastante sombrios, sem medir nenhum esforço ao fazer isso. O elenco da série é gigantesco e todos os personagens são carismáticos e dotados de profundidade, convicções e histórias próprias que afetam a forma como cada um enxerga o mundo à sua volta. O fato de Mari Okada estar encarregada do roteiro também entrega que Iron-Blooded Orphans é repleto de momentos capazes de fazer você chorar horrores.

2. Hi Score Girl (2 temporadas, 24 episódios)

joiasdanetflix02

O ano é 1991, e jogos de fliperama são a última moda. Se tornar um gamer profissional é um sonho bem distante em uma indústria que ainda tem de espalhar sua influência. Ainda assim, esse é o rumo que o pré-adolescente Haruo Yaguchi quer para sua vida. Sua aptidão para videogames o tornou respeitado em fliperamas locais e lhe rendeu confiança e orgulho, até que ambos foram destroçados quando sua colega de classe Akira Oono o derrota facilmente em Street Fighter II.

Akira é rica, linda e inteligente — o mais próximo possível de uma garota perfeita. Mas Haruo nunca ligou para essas coisas pois, apesar de seus múltiplos defeitos como pessoa, sua supremacia em videogames era, em sua cabeça, incontestável. Então, agora que apareceu alguém que pode fazer frente com ele, parte de Haruo não pode evitar odiá-la. Outra parte dele , no entanto, morre de vontade de ter alguém com quem possa competir em pé de igualdade, e Akira é mais do que capaz de cumprir esse papel.

E vamos de comédia romântica para o próximo item dessa lista que, como vocês podem ver, não tem nenhuma consistência! Hi Score Girl é uma adaptação do mangá homônimo de Rensuke Oshikiri produzida pela J.C. Staff em parceria com a Netflix, e acompanha o relacionamento entre os dois personagens principais ao longo de vários anos.

A parte que mais chama atenção é o pano de fundo para essa inusitada história de amor e ódio: a cena competitiva de fliperamas na década de 90. Ao longo da série são mostradas de forma precisa e realista as diversas etapas da evolução dessa era tão querida por muitos. Desde o primeiro Final Fight até o revolucionário Darkstalkers, vários clássicos dos fliperamas têm a oportunidade de brilhar.

O que esperar desse anime? Uma experiência divertida e cativante, que certamente vai causar um surto de nostalgia para qualquer um que viveu nessa época. A atenção para os detalhes conferida a cada um dos jogos verídicos retratados na série é excepcional, e dá um ar de realismo para essa história que não seria tão eficaz se não fossem pelos floreios estilísticos que apenas um bom anime pode proporcionar.

3. Guerras de Verão (filme, 114 minutos)

joiasdanetflix03

OZ, um mundo virtual conectado à internet, se tornou extremamente popular ao redor do mundo como um ponto onde as pessoas podem engajar em uma grande variedade de atividades, como esportes ou fazer compras, através de avatares criados e personalizados pelo usuário.

OZ também possui uma segurança quase impenetrável graças à sua forte criptografia, assegurando que quaisquer dados pessoais transmitidos pelas redes se mantenham seguros para proteger aqueles que a usam. Devido à variedade e conveniência proporcionada, a maioria da sociedade passou a depender dessa realidade simulada.

Kenji Koiso, um gênio matemático de 17 anos que trabalha meio-período como moderador da OZ, é convidado por sua amiga Natsuki Shinohara — por quem ele tem uma queda — para uma viagem de verão. No entanto, sem que ele soubesse, essa pequena aventura vai exigir que Kenji finja ser o noivo de Natsuki para a família da garota.

Pouco após chegar nas terras do clã Jinnouchi (do qual a família Shinohara faz parte), onde todos estão se preparando para o aniversário de 90 anos da bisavó de Natsuki, o celular de Kenji recebe uma estranha mensagem de um remetente desconhecido, que o desafia a solucionar um código criptografado. Kenji consegue facilmente decifrar a charada, mas mal sabia ele que seu talento em matemática acabou de colocar a Terra em grande perigo.

Todo mundo conhece os talentosos cineastas nipônicos Hayao Miyazaki e Makoto Shinkai, mas infelizmente não se fala tanto sobre o igualmente sensacional Mamoru Hosoda. Ele esteve envolvido na criação da primeira encarnação do amado anime Digimon Adventure, e chegou inclusive a dirigir os dois primeiros filmes da franquia (que foram localizados no ocidente como os primeiros dois segmentos de Digimon: O Filme). Não é como se ele não tivesse feito parte das nossas infâncias, então por que ele não recebe tanto reconhecimento quanto os demais?

Guerras de Verão, lançado em 2009, é o segundo longa-metragem onde Hosoda teve um maior controle criativo, e o primeiro com uma história que não é baseada em nenhuma outra propriedade intelectual existente. Para quem não conhece o trabalho do Hosoda, esse filme é uma ótima amostra do estilo visual e narrativo que ele emprega em todas as suas obras.

O que esperar desse anime? Apesar de estruturalmente semelhante ao excelente Digimon Adventure: Our War Game (dirigido por Hosoda), Guerras de Verão enriquece a fórmula de techno-thriller adolescente com um comovente drama familiar e alguns elementos de comédia romântica que se integram organicamente à narrativa.

A trama de Guerras de Verão tem diversas camadas interligadas, e um senso de urgência permeia todas elas à medida que o conflito principal do filme desdobra. Mesmo nos momentos mais silenciosos e introspectivos (uma especialidade de Hosoda), o enredo não para de se mover. É uma montanha-russa de emoções digna do seu tempo, e um dos melhores longas não-ghibli disponíveis na Netflix.

4. Kujira No Kora – Filhos das Baleias (1 temporada, 12 episódios)

joiasdanetflix04

Em um mundo coberto por um mar de areia sem fim, há uma ilha viajante conhecida como Baleia da Lama. Dentro dela há uma antiga cidade, onde a maioria de seus habitantes são “Marcados”, uma característica que os dá poderes sobrenaturais a custo de uma morte prematura.

Chakuro, o jovem arquivista do vilarejo, é um rapaz curioso que passa seu tempo documentando a descoberta de ilhas recém-avistadas. No entanto, cada ilha é igual à anterior — completamente vazia, salvo as ruínas de quem quer que as tenha abandonado muito tempo atrás.

Pela primeira vez em seis meses, uma nova ilha cruza o horizonte e então Chakuro e seus amigos se juntam aos batedores. Durante a expedição, eles encontram vestígios de uma civilização arcaica e, em meio a essas ruínas, Chakuro se depara com uma garota que mudará seu destino e abalará as fundações de seu mundo na Baleia da Lama.

Kujira No Kora – Filhos das Baleias é um daqueles animes que eu consigo recomendar com tranquilidade apenas baseado na direção de arte. Baseado no mangá homônimo de Abi Umeda, trata-se de mais uma parceria entre a J.C. Staff e a Netflix, e é sem dúvida uma das produções mais lindas que eu já assisti.

O que esperar desse anime? Admito que a trama exige certa paciência para funcionar, visto que Kujira No Kora não tem tanto interesse em movimentar seu enredo quanto o tem em comunicar suas ideias a respeito de emoções e vínculos que as pessoas formam entre si. Felizmente, essa premissa é entregue como parte de um verdadeiro banquete audiovisual, com um estilo de arte que remete a pinturas em aquarela e uma trilha sonora atmosférica e cativante.

5. Carole & Tuesday (2 temporadas, 24 episódios)

joiasdanetflix05

Fazem 50 anos desde que a humanidade começou sua migração para Marte, onde vivem sob o conforto proporcionado por inteligências artificiais. Carole vive na metrópole de Alaba City, trabalhando em meio-período pelo dia e tocando teclado durante a noite. Enquanto isso, Tuesday fugiu de sua casa em Hershell City para escapar da pressão sufocante de sua família rica, e espera seguir uma carreira musical com seu violão.

Após um fatídico encontro, Carole e Tuesday decidem compôr e apresentar juntas. Fazendo frente aos artistas auxiliados por IA que dominam a cena musical, as duas acreditam que juntas elas conseguem comunicar seus sentimentos através de suas canções. Será que trabalho duro e sorte serão o suficiente para a dupla criar o maior milagre já visto em Marte?

Me dói a alma precisar incluir um trabalho do Shinichiro Watanabe (que dispensa introduções) na lista de “animes que você provavelmente não viu”, até porque a simples participação desse mestre deveria bastar para fazer de qualquer anime um sucesso instantâneo, mas é necessário nesse caso.

Carole & Tuesday é uma co-produção original da Bones (o mesmo estúdio que nos deu Fullmetal Alchemist e Boku No Hero) junto à Netflix e também foi um dos meus primeiros trabalhos aqui no site, então estava precisando de uma desculpa para falar sobre essa maravilha novamente.

O que esperar desse anime? Antes de tudo, preciso deixar claro que isso não é um anime tradicional. Assim como qualquer coisa que envolve o mestre Watanabe, Carole & Tuesday tem uma vibe bastante ocidentalizada que o torna uma experiência agradável até para alguém que geralmente não gosta de animes.

A estrutura de “musical diegético” adotada por Watanabe corria risco de tornar o anime apenas um idol qualquer nas mãos de criadores menos talentosos, mas a sensibilidade dele e de seu co-diretor Motonobu Hori (de Beck) é capaz de elevar a premissa e tornar Carole & Tuesday um anime diferente de tudo que você já viu antes.

6. Redline – Perigo Nas Pistas (filme, 102 minutos)

joiasdanetflix06

A cada cinco anos, uma emocionante corrida chamada Redline acontece, e a competição mais aguardada do universo tem apenas uma regra: não há regras. Todos os competidores são levados ao seu limite, e o audacioso piloto JP conhece muito bem essa sensação.

Recém-qualificado para participar na Redline, ele está ansioso para lutar contra os outros altamente habilidosos pilotos — especialmente Sonoshee McLaren, a bela estrela em ascensão e única outra humana que se qualificou.

Mas a próxima edição da Redline pode ser muito mais perigosa do que normalmente é — foi anunciado que ela seria situada no planeta Roboworld, uma distopia com forças militares violentas e criminosos dispostos a tirar vantagem da corrida.

No entanto, o perigo em potencial não impede os competidores; na verdade, isso só aumenta a emoção. Confiando apenas na velocidade de seu carro, JP se prepara para o evento que se aproxima, a fim de obter o primeiro lugar na maior corrida de sua vida.

Até meados da década passada, a Madhouse costumava ser um dos estúdios mais aclamados da indústria dos animes, sendo uma referência de qualidade quando se falava sobre animação e direção de arte. Em nenhum lugar essa qualidade é mais evidente do que no longa-metragem de 2009 Redline – Perigo nas Pistas.

Iniciado como um passion project de Takeshi Koike (um dos melhores animadores da indústria), Redline passou 7 anos inteiros sendo produzido e usou aproximadamente 100,000 quadros de animação. O resultado é uma das obras mais estilosas que já deram o ar da graça nos cinemas.

O que esperar desse anime? Trata-se de um filme projetado desde o início para sobrecarregar os seus sentidos. Não espere uma trama complexa ou temas profundos, mas fique tranquilo pois o elenco diverso de Redline transborda carisma e eleva o simplório enredo do filme. Vá com uma mente aberta, fique confortável na sua poltrona, ligue a Netflix e prepare-se para uma verdadeira experiência sensorial.

7. Vidas ao Vento (filme, 126 minutos)

joiasdanetflix07

Embora a miopia do jovem Jirou Horikoshi o impeça de se tornar um piloto, ele deixa sua cidade natal para estudar engenharia aeronáutica na Universidade Imperial de Tóquio com um simples objetivo: projetar e construir aviões assim como seu herói, o revolucionário aviador italiano Giovanni Battista Caproni.

Sua chegada à capital coincide com o Grande Terremoto de Kanto de 1923, durante o qual ele salva uma empregada que serve à família de uma garota chamada Naoko Satomi; esse evento trágico marca o início de duas décadas de agitação e mal-estar social que culminam na eventual rendição do Japão na Segunda Guerra Mundial.

Para Jirou, os anos que precedem a produção de seu infame caça Mitsubishi A6M Zero irá testar cada fibra de seu ser. Desde presenciar o crescente antissemitismo na Alemanha até fatidicamente se reencontrar com Naoko em uma colônia de verão, suas muitas viagens e experiências de vida só o impulsionam adiante — mesmo quando ele percebe tanto o papel de suas criações na guerra e a verdade sobre a saúde minguante de sua amada. Ao passo que o tempo marcha, ele deve confrontar uma questão impossível: a que custo ele está perseguindo seu maravilhoso sonho?

Todo ser humano que possui o mínimo de familiaridade com os animes conhece o trabalho do lendário Hayao Miyazaki, e as histórias trazidas à vida pela sensibilidade inigualável desse cara com certeza fizeram parte da infância de muitos de vocês. Vidas ao Vento, o último filme de Miyazaki antes de ele entrar na sua última “aposentadoria definitiva” que durou apenas cinco anos, não recebe tanta atenção quanto os clássicos do cineasta mesmo sendo uma das obras mais interessantes de sua filmografia.

O que esperar desse anime? Ao contrário dos outros filmes dirigidos pelo Miyazaki, que notoriamente escreve os roteiros enquanto está no processo de animação, Vidas ao Vento é a biografia de uma pessoa que realmente existiu. Eu diria que a forma como essa história foi contada é a melhor (e mais difícil) abordagem possível para se fazer um filme biográfico, e não consigo lembrar de nenhum outro filme que tenha sido bem-sucedido nessa abordagem com exceção de O Primeiro Homem, de Damien Chazelle.

A escolha da animação como o meio para narrar a trajetória de Jirou Horikoshi (1903-1982) dá ao cineasta total liberdade para dar vida não apenas aos eventos que aconteciam ao redor de Horikoshi, mas também ao que provavelmente se passava dentro da cabeça dessa figura histórica. A paixão de Miyazaki por aviação, assim como sua profunda reverência por Horikoshi, são visíveis em cada quadro de Vidas ao Vento, o que faz desse filme uma das produções mais íntimas do diretor.

8. Samurai 7 (1 temporada, 26 episódios)

joiasdanetflix08

No futuro distante, em um planeta que talvez já tenha sido chamado “Terra”, houve uma guerra entre samurais que mecanizaram seus próprios corpos. Após essa longa guerra, as pessoas aproveitaram uma modesta paz.

Encarando fome e sequestros nas mãos de temíveis bandidos mecanizados (Nobuseri), os fazendeiros da aldeia de Kanna fazem a perigosa escolha de contratar samurais para proteção.

A sacerdotisa da água do vilarejo, Kirara, sua irmã mais nova Komachin, e um aldeão de coração partido chamado Rikichi partem sem nada a oferecer além do arroz de suas escassas colheitas, na missão de recrutar samurais dispostos a ajudá-los.

Ao longo de perigosos confrontos e um pouco de sorte, sete samurais de diferentes especialidades e experiência são chamados para uma batalha épica contra os bandidos e os comerciantes que os influenciam.

O lendário filme Seven Samurai, de Akira Kurosawa, é uma das obras mais influentes na história de toda a mídia audiovisual. A narrativa dos sete guerreiros se juntando para proteger um vilarejo contra bandidos cruéis já foi remodelada de diversas formas, sendo os “remakes” semioficiais mais conhecidos o faroeste Sete Homens e um Destino e o longa-metragem de animação Vida de Inseto (eu estou falando sério, por incrível que pareça).

Apesar de o nome sugerir que Samurai 7 seria uma adaptação mais fiel do clássico em forma de anime, o caso aqui não é muito diferente dos outros “remakes” mencionados antes, no sentido de ser mais uma transposição da premissa básica do filme de Kurosawa para uma ambientação diferente.

O que faz dessa transposição em particular diferente das demais, no entanto, é o fato de que a ambientação futurista mantém a estética e o clima do Japão Feudal que eram predominantes no filme original, à medida que incorpora de maneira surpreendentemente verossímil elementos como tecnologia avançada e batalhas de robôs gigantes.

Sim, é um anime com samurais e robôs gigantes que por acaso também adapta a magnum opus do Akira Kurosawa. Parece bom demais para ser verdade, mas é real.

O que esperar desse anime? Primeiramente, essa é a única adaptação de Seven Samurai que consegue ser mais longa que o filme original (que tem mais de quatro horas de duração). Felizmente, esse tempo extra é muito bem gasto, pois a história de Samurai 7 é um ponto forte do anime. Cada personagem, seja ele um aldeão ou um dos sete guerreiros que dão o nome à série, recebe o devido espaço para desenvolver a própria personalidade e sua relação com os outros à sua volta.

Quem assistiu ao filme original não terá grandes surpresas no que diz respeito à progressão do enredo, mas recomendo de qualquer forma apenas pelo simples fato de se tratar de uma interpretação divertida e original de uma história atemporal.

9. Zankyou No Terror (1 temporada, 11 episódios)

joiasdanetflix09

Pintada em vermelho, a palavra “VON” é tudo que foi deixado para trás após um ataque terrorista em uma usina nuclear no Japão. O governo está devastado por sua incapacidade de agir, e a polícia desvairadamente busca por formas de encontrar e reprimir os autores do crime.

O público está sem noção do que acabou de acontecer — até que, seis meses depois, um estranho vídeo surge na internet. Nesse vídeo, dois garotos adolescentes que se identificam apenas como “Sphinx” diretamente desafiam a polícia, ameaçando causar destruição e caos por toda Tóquio.

Incapazes de conter o pânico em massa que rapidamente se espalha pela cidade e desesperados por qualquer pista em sua investigação, a polícia luta para agir de forma eficaz contra esses terroristas, e o Detetive Kenjirou Shibazaki é pego no meio de tudo isso.

A história gira em torno de Nine e Twelve, os dois rapazes que secretamente agem como as duas figuras mascaradas do grupo Sphinx. Eles não deveriam existir, mas ainda assim se mantêm fortes em um mundo de traições e segredos enquanto fazem a cidade desmoronar ao redor deles, esperando enterrar a verdade trágica por trás de si mesmos.

Zankyou no Terror é outro anime dirigido por Shinichiro Watanabe que não recebe o devido prestígio, e é produzido pelo estúdio MAPPA. Esse é um daqueles animes onde qualquer descrição mais aprofundada da minha parte pode caracterizar spoilers, então vou ser bem geral aqui.

O que esperar desse anime? Como de praxe, a sensibilidade do mestre Watanabe inspirada pelo cinema ocidental é algo que eleva qualquer anime onde ele estiver envolvido. No caso de Zankyou no Terror, o diretor quis emular a estrutura de um thriller político e usa tal estrutura como uma ferramenta na qual ele explora questões sociais que afetam diretamente o cotidiano nas grandes cidades japonesas.

Basicamente, esse é o anime perfeito para quem quiser uma experiência mais “cabeça” e tiver alguns dias livres para ficar refletindo sobre as ideias abordadas ao longo da narrativa.

10. Ergo Proxy (1 temporada, 23 episódios)

Ergo Proxy Netflix

Na cidade abobadada de Romdo vive uma das últimas civilizações humanas na Terra. Milhares de anos atrás, uma catástrofe ecológica global condenou o planeta; agora, vida fora dessas abóbadas é virtualmente impossível.

Para agilizar a recuperação da civilização humana, robôs humanoides chamados “AutoReivs” foram criados para auxiliar as pessoas em seu cotidiano. Contudo, AutoReivs começaram a contrair uma enigmática doença conhecida como “Cogito Virus”, que os dá auto-consciência.

Re-l Mayer, neta do governante de Romdo, é designada para investigar esse fenômeno junto a seu parceiro AutoReiv, Iggy, mas o que começa como uma investigação de rotina rapidamente escala para uma conspiração à medida que Re-l é confrontada pelos mais sombrios pecados da humanidade.

Em outro lugar de Romdo, um especialista em AutoReiv chamado Vincent Law também precisa enfrentar seus demônios quando eventos surreais começam a ocorrer ao seu redor. Re-l, Iggy, Vincent, e um AutoReiv criança chamado Pino, devem formar uma improvável aliança ao passo que eles lutam para desvendar os mistérios de Rondo e, finalmente, descobrir o verdadeiro propósito dos seres míticos conhecidos como “Proxies”.

Criado por Shukou Murase (que está atualmente encarregado de dirigir a trilogia de filmes Mobile Suit Gundam: Hathaway’s Flash), Ergo Proxy é um exemplar interessante do subgênero cyberpunk nos animes. Eu poderia dizer que o anime, devido à sua estética e à forma como explora os temas do gênero sob um viés muito mais sombrio e alegórico, está mais próximo de uma obra “cybergoth” (se é que isso existe).

O que esperar desse anime? Tanto visualmente quanto pela sua estrutura semi-episódica, Ergo Proxy é mais próximo das HQs norte-americanas do que de qualquer outro anime lançado na mesma época. O exemplo mais claro dessa pegada ocidental é o próprio design da protagonista, que foi claramente criada à imagem e semelhança da cantora Amy Lee — vocalista do Evanescence — na capa de Fallen, o disco de estreia da banda.

Embora Ergo Proxy seja uma série imperfeita e demore um pouco para estabelecer uma identidade própria no que diz respeito à narrativa e aos personagens, a sua paciência será recompensada com uma obra que torra os seus neurônios e te envolve com um mistério que se torna gradualmente mais interessante a cada episódio que passa.

Considerações finais

joiasdanetflixend

Se você chegou até aqui eu agradeço bastante, até porque é raro alguém ter paciência suficiente pra ler um texto de quase 4.000 palavras. Como falei no início, o acervo de animes da Netflix é bastante substancial, e havia várias outras obras que eu gostaria de ter colocado nessa lista porém não pude porque isso tornaria o texto ainda mais longo do que já está.

Fiz o possível para que o resultado final pudesse retratar a imensa variedade de conteúdo que você pode encontrar na Netflix se vasculhar um pouco mais a fundo no catálogo, não se contentando com o que as sugestões iniciais te oferecem.

Claro, a Netflix não é a única plataforma de streaming popular que dispõe de ótimos animes que acabam ofuscados por produções mais populares, mas isso é uma história para outro dia…