Blade Runner 2049 não é um filme qualquer, não é uma ficção que usa uma trama clichê e tenta se passar por ‘inovador’. O longa consegue resgatar tudo o que há de melhor em seu antecessor, ou seja, simplesmente tudo e ainda criar coisas novas. Se você espera um filme que seja apenas explosões e lutas, pode ser um filme que não vá lhe agradar tanto.

Resultado de imagem para Blade Runner 2049Um filme que consegue ser visualmente poético, com uma fotografia deslumbrante de Roger Deakins (Sicario) traz o ambiente já visto no seu primeiro filme, porém com uma evolução criada pelo diretor. Vemos mais do ambiente e a interação nele, o estilo cyberpunk consegue transformar o visual em uma chamativa e magnífica obra de arte. É possível ver em diversas cenas como a luz é muito importante, tanto para a beleza e como o filme decorre, tudo se encaixa como uma perfeita sinfonia. Uma direção e fotografia que fazem suspirar e querer fazer um quadro de todos os frames que passam na tela, é uma experiência e tanto para qualquer amante de cinema e fãs da saga. Para os fãs de carteirinha, podemos ver muitas cenas onde o diretor brinca com os quadrantes e planos do filme que fazem pontes com o original, como essa:

No roteiro criado por Hampton Fancher (Blade Runner, o Caçador de Androides) e Michael Green (Logan), é mostrado que após problemas com o Nexus 8, uma nova espécie de replicantes mais obedientes é criada por Niander Wallace (Jared Leto). Assim começa a história de K (Ryan Gosling), que é enviado para ‘aposentar’ os antigos replicantes ainda foragidos. No meio de sua missão, é necessário desvendar um mistério que pode desencadear uma guerra entre os replicantes e os humanos. A história é bastante complexa e consegue te prender do início ao fim, com reviravoltas e várias citações do passado, é um novo patamar que mostra como o longa é totalmente uma obra no mundo da ficção. (Optei não falar muito do enredo do filme, pois um dos pontos do filme é desvendar tudo, pouco a pouco. Não quero atrapalhar a experiência de ninguém.)

O que nos torna humanos? Essa é a moral e a dúvida introduzida no filme. O que diferencia os replicantes de humanos? A falta de uma alma? Os replicantes não querem mais se sentir excluídos por terem sido criados apenas para ser uma mão de obra, eles querem saber o que é sentir ter uma alma em si. A reflexão que o filme traz é intrigante e é a chave da trama, são esses detalhes que o tornam em si um filme tão poderoso.

Resultado de imagem para Blade Runner 2049A atmosfera criada pelos atores é ótima e harmoniosa, todos trabalham muito bem e conseguem mostrar realmente o papel de seus personagens, sendo ele humano ou replicante. As cenas de luta são muito bem coreografadas e dirigidas, mas conseguem se encaixar bem na trama. Você consegue sentir o peso de cada um na trama, se importar com uns e odiar outros. Conseguimos ver bastante a diferença dos protagonistas, o jeito de cada um de ver o mundo. Certos personagens podem ser mais mostrados no futuro, já que o filme está criado um universo próprio, que tem tudo para dar certo.

Os efeitos visuais conseguem ser incrivelmente realistas, um dos melhores pontos do filme. O diretor já havia dito que usaria bastante efeitos práticos, para deixar o mais real possível, e isso é algo que funciona. Por mais que você saiba que aquilo é ficção, é tão real que pode te confundir. É ótimo ver como eles trabalharam bastante em cenários reais, isso deu mais vida ao filme, assim como o CGI, é acerto atrás de acerto.

Resultado de imagem para Blade Runner 2049Uma coisa muito marcante no filme é sua trilha-sonora, que é de fazer arrepiar o corpo da cabeça aos pés. Hans Zimmer e Benjamin Wallfisch criam algo muito similar ao do primeiro filme, mas tem uma certa evolução na música, e tem a marca de Zimmer nelas. O som futurista continua e consegue entrar em perfeita sincronia com o filme, é simplesmente lindo. Temos a presença também de músicos antigos, o que me deixou bem contente. Você pode conferir o trabalho aqui:

Geralmente não costumo a gostar tanto assim de um filme, mas Blade Runner 2049 consegue me conquistar completamente, na minha opinião, Denis Villeneuve não fez um filme, e sim uma obra de arte, onde tudo é precisamente bem trabalhado, harmonioso e magnífico. Assim como seu antecessor, esse irá marcar a história do cinema, e merece mesmo ser lembrado como uma das primeiras obras de arte do século 21. Pode ter certeza que entrou para minha lista de filmes preferidos e que eu ainda irei escrever muito sobre ele, assim como o primeiro marcou uma geração, a continuação não será diferente.

Recomendo que vejam o filme em IMAX, e queria ressaltar que a dublagem do filme também ficou incrível, tendo os mesmos dubladores do longa original.

Blade Runner 2049 lançou dia 5 de outubro de 2017 e já está passando em todo Brasil.                                Confira o trailer do longa e logo abaixo sua nota.

 

Eduardo Kuntz Fazolin

Sou um cara que paga de cinéfilo mas adoro assistir altos blockbuster e filmes do Adam Sandler. Também adoro escrever sobre o que amo, tipo Ryan Gosling ou Ezra Miller. Minha santíssima trindade é Snyder, Renf e Villeneuve.