Qualquer um que já viu alguma obra do diretor Darren Aronofsky sabe que seus filmes brincam muito com o surrealismo e tratam sobre o questionamento de dogmas ou comportamentos de nossa sociedade de maneiras, muitas vezes, chocantes. Em Mãe! isso não é diferente.

Jennifer Lawrence vive tranquilamente a reformar sua linda casa, onde vive com seu marido (Javier Bardem), um poeta que busca inspiração em sua jovem esposa e em seu paraíso particular, na tormenta de seu bloqueio criativo. Contudo, a jovem tem tal tranquilidade lentamente despedaçada a partir do momento que seu companheiro convida um estranho senhor (Ed Harris) e sua esposa (Michelle Pfeiffer) para ficarem em sua casa.

Com a chegada dos desconhecidos, um pequeno inferno é instaurado na casa, sempre com mais gente aparecendo e se envolvendo na vida do casal central e sempre com o personagem de Javier demonstrando adorar e sendo grato por todo “amor” que seus leitores têm por ele. Em meio a tudo isso, vivemos a crescente angustia de sua esposa. Longas 2h de angústia e desespero sentidos de perto graças a brilhante atuação da atriz Jennifer Lawrence.

Aliás, angustia e desespero é o que não falta no filme. Principalmente porque, no momento em que você começa a achar que o enredo não vai passar de uma atmosfera de muita tensão e que a personagem principal esta louca, o filme da um salto na violência e apresenta cenas verdadeiramente fortes. Eu mesmo não esperava que o terror fosse aumentar tanto ao ponto de uma cena de gore acontecer. Isso me incomodou muito na hora. E é exatamente o que o diretor quer passar.

Para ser sincero, assim que saí da sala de exibição, estava completamente chocado e desgostoso com as cenas desconexas e sem sentido que havia visto em tela. Somente 20 minutos depois que o filme acabou, enquanto me dirigia ao ponto de ônibus mais próximo do cinema e falava ao telefone sobre como o enredo era sem sentido, foi que compreendi a a grande alegoria que conduz a obra. A ficha caiu, tudo fez sentido em minha mente e senti que fui feito de bobo pelo diretor. Depois de percebida essa alegoria, todo o sofrimento e violência representados se justificam e toda a história se faz clara. Também é importante dizer que nenhum personagem tem nome próprio citado no longa. Acredito que o processo de se descobrir o tema por trás de toda a loucura mostrada em tela seja parte da experiência de ver o filme, por isso não vou tratar dela aqui.

Por fim, todo elenco está incrível. Ao lado da já citada atuação de Jennifer Lawrence, merecem destaque Michelle Pfeiffer, que esta tirando grandes elogios da critica afora, e Javier Bardem, que entrega divinamente o homem controlador e entorpecido pela adoração que os forasteiros têm por ele.

Mãe! é um filme denso, cheio de detalhes mas que não é particularmente complicado de se compreender após a descoberta de seu tema central. É chocante, tenso, violento e brilhante. Tem direção e roteiro de Darren Aronofsky, está com estreia no Brasil prevista para a próxima quinta-feira, dia 21 e conta com Ed Harris, Michelle Pfeiffer, Jennifer Lawrence e Javier Bardem no elenco.