A animação nacional Lino – Uma Aventura de Sete Vidas, produzido pela StartAnima e coproduzido pela Fox Films, esteve presente durante a 25ª edição do Anima Mundi, em São Paulo. Fomos convidados para cobrir o painel do longa e tivemos a oportunidade de entrevistar Rafael Ribas, diretor de Lino – O Filme e de O Grilo Feliz e os insetos gigantes. Ele conversou com a gente sobre o processo de produção do filme, suas inspirações, dificuldades e muito mais.

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Confira:

  • De onde veio a inspiração para o filme Lino? A quanto tempo você teve essa ideia?

A inspiração para o filme veio quando terminamos O Grilo Feliz, que, inclusive, foi ideia do meu pai. O Grilo era um personagem infantil e o maior problema disso era que não atingia todos os públicos. Então a ideia foi ter uma história que atinja todos os públicos, para atrair mais gente e tudo mais. A ideia do personagem principal veio para brincar com o fato de, sempre que a gente fala que trabalhamos em animação, acham que a gente é animador de festa, ai eu falei: Vamos brincar com isso, vamos fazer um animador de festas que se transforma na fantasia. Eu tive essa ideia junto com algumas pessoas em 2009, fiquei com isso na cabeça e comecei a escrever o roteiro. Entre escrever o roteiro, conseguir mostrar pra Fox e lançar o filme, deram 7 anos. Uma outra inspiração que eu tive foi um amigo meu que fez um bico de animador de festa, quando eu era adolescente, ele se vestiu de Pantera-cor-de-rosa e me contou depois como foi judiado pelas crianças, que pisaram na cauda dele, bateram nele e tudo mais, aproveitei isso e coloquei no filme também.

  • Porque o Lino é um gato? O que levou a escolha do animal?

A gente começou com um coelho e teve um monte de opção antes de chegar na final. Vou te dizer o porque de um gato, a gente quando começa a criar acaba viajando muito e  sempre temos a tendência de fugir do que já foi feito. Então, na época a gente até chegou a pensar em fazer um ornitorrinco, pois eu queria que fosse o mais diferente possivel. Mas aí a gente começou a discutir, eu pensei muito e falei: Poxa, as vezes é até um erro tentar fazer uma coisa diferente quando o público tá acostumado com o mais comum, que agrada mais. Então fiquei entre gato e cachorro, e acho que gato tem aquele jeito mais desleixado, sabe? E como a fantasia era bem rasgada, bem zoada, a gente pegou um gato todo torto, todo vesgo e aí ficou decidico que seria um gato mesmo.

  • Você se inspira em animações como Monstros S.A., por exemplo?

Sem dúvida, sou fã da Disney e da Pixar. Isso tudo tá dentro da gente, toda essa bagagem dos filmes que já assisti, sem dúvidas tem até um pouco de Monstros S.A. aí. Coincidentemente, tem uma criança no filme, mas não foi mesmo, foi mais um elemento pro Lino se afeiçoar pois ele tem um problema com crianças e isso vai fazer ele gostar delas. Mas a Disney não deixa de ser uma inspiração, claro, a gente quer chegar neles, não temos esse dinheiro nem essa capacidade, mas a gente um dia chega lá.

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  • A gente sabe que tem muita dificuldade de fazer uma animação aqui no Brasil e tudo mais. Você pode comentar um pouco sobre as dificuldades que você teve para alavancar essa animação?

Vou te falar que dificuldades acontecem em todos os setores, desde escrever até conseguir dinheiro pra fazer o filme. Mas o maior problema mesmo foi a captação de recursos, pois animação demora, em média, dois ou três anos para fazer. As pessoas acham que a Disney faz rápido mas é porque ela tem umas três equipes ou mais trabalhando, enquanto uma está na pré-produção a outra está na produção e por aí vai. Então assim, eu ia pedindo dinheiro para as empresas e elas perguntavam: Quando vai ficar pronto? e eu respondia: Ah, se eu tivesse dinheiro hoje pra começar, daqui a uns três anos. E eles falavam que não ia dar, mandavam a gente voltar depois e tudo mais. Eu acho que o único jeito de resolver essa situação é o filme ir bem na bilheteria, gerar lucro, a distribuidora e o exibidor acreditarem pra depois o patrocinador pensar: Poxa, agora posso pensar em gastar o meu dinheiro aqui.

  • Como você pode comparar as experiências que você teve em O Grilo Feliz e os insetos gigantes com Lino?

Ah, a gente quando assiste O Grilo vê os defeitos que foram corrigidos nesse e a evolução que teve. Se a gente não tivesse feito um filme como aquele, não teriamos feito Lino. Eu devo tudo, primeiro ao meu pai, e segundo ao Grilo porque a gente não sabia nem se ia conseguir fazer e o Lino já sabíamos que ia rolar, só não sabíamos que ia ficar tão bom. Então, a diferença de qualidade foi enorme.

  • Você tem alguma dica para quem quer trabalhar no ramo da animação?

Tenho, e é muito fácil hoje em dia. Atualmente tem milhões de curso online, quando eu comecei, não tinha nada, mal tinha internet e tinha que ir em livro, era muito autodidata, sabe? Com os cursos que tem hoje em dia, dá pra qualquer um que tenha um pouquinho de talento ir em frente, tanto que na minha equipe tem um garoto que começou tem uns dois, três anos e é um dos melhores que eu já vi.

Confira Lino – Uma Aventura de Sete Vidas 7 de Setembro nos cinemas!

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Lino é um animador de festas muito azarado que não aguenta mais seu emprego, pois precisa vestir todos os dias uma horrorosa fantasia de um gato gigante e aguentar sempre a mesma rotina de maus tratos das crianças. Cansado de tudo e tentando se livrar da falta de sorte que o persegue, Lino resolve buscar a ajuda de Don Leon, um suposto “mago” não muito talentoso, que o transforma justamente no que ele mais queria se livrar: sua própria fantasia! Em sua jornada para reverter o feitiço, Lino será confundido com o “maníaco da fantasia” e passa a ser procurado pela polícia, dando início a uma grande aventura. Em cenas divertidas, dinâmicas e inesperadas, Lino descobrirá um novo amor pelo seu trabalho, pelas crianças e um novo sentido para sua vida.

 

José Victor
Segue ae!

José Victor

Estudante durante o dia, Redator Chefe do 1 Real de noite.
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