A primeira ideia do projeto começou há dez anos atrás, mas só Adi Shankar (produtor executivo), começou a tecer planos para a série animada em 2015. E o resultado ficou tão incrível que merece a atenção do grande público assinante da Netflix. Castlevania é uma revisita ao jogo de 1989, Castlevania III: Dracula’s Curse (Konami). Ainda que o espectador não tenha jogado nenhum jogo da franquia Castlevania, a história te compra desde o primeiro diálogo, que culmina numa cena que gera todo o conflito dessa história.

Quando se fala de Vlad, o Empalador, a primeira coisa que se vem à mente é a figura do Conde Drácula, o vampiro mais icônico de todos. Retratado em diversas mídias e com diversas tonalidades de humor e motivações. Nesta animação, temos um Vlad que já começa como uma lenda viva famosa. Um ser que mora num castelo descomunal e deixa seus inimigos empalados em seu próprio terreno, nos arredores do reino de Wallachia. Levada pelas histórias que rondam Drácula, uma camponesa chamada Lisa resolve adentrar em seus domínios para ter acesso aos conhecimentos ocultos do vampiro. O fascínio de Drácula por Lisa o faz acolhê-la em seu castelo e, com o tempo, os dois se apaixonaram, casaram e tiveram um filho.

O conhecimento passado a Lisa era considerado bruxaria pela Igreja e isso fez com que ela fosse capturada e condenada enquanto Vlad viajava pelas terras humanas – recomendação de sua esposa para que criasse tolerância em relação a humanidade. Após descobrir que sua amada fora queimada pela Igreja da cidade de Targoviste, Vlad se enfurece e lança uma maldição em todos ali presentes e que em um ano retornaria com um exército do inferno para acabar com todos os humanos.

Por ter apenas quatro episódios, não há muito no que se aprofundar na primeira temporada para não dar spoilers a quem estiver lendo este texto. Basicamente, a trama foca em Trevor Belmont, último descendente da casa Belmont e também a última pessoa que é capaz de combater as criaturas das trevas (por enquanto). Sua missão ganha mais significado ao conhecer um grupo de Oradores e uma figura vampiresca muito conhecida pelos fãs de Castlevania. A partir daí, começa a aventura para matar Drácula e tentar salvar um mundo mazelado tanto por criaturas infernais, quanto pelos próprios homens.

A fidelidade é algo que vai se destacar apenas para quem jogou Dracula’s Curse, pois se passa na mesma época, com os mesmos personagens e as mesmas motivações iniciais. Apesar de poucos episódios, o começo é quase igual o jogo. Isso é um ponto positivo para quem procura adaptações fieis às obras originais. Outra qualidade do anime é a trilha sonora, que faz qualquer cena se tornar empolgante e com aquele ar sombrio de uma boa história de dark fantasy medieval. Ainda que a arte e o estilo de animação não possa agradar os mais puristas, não há nenhuma pérola a ser destacada aqui e pessoalmente isso não me incomodou.

Castlevania é uma história de um mundo visceral e tomado por monstros, mas o que mais chama atenção são as críticas sobre a fé cega das pessoas e o comportamento humano, que muitas vezes agem de maneira absurda quando deixam instituições darem ordens sobre o que é bom e o que deve ser exterminado. Mortes sangrentas e muitos elementos gore não poderiam deixar de faltar aqui, já que é algo intrínseco da obra.

Neste semana (dia 04 de julho), no Anime Expo, os produtores da série revelaram que a segunda temporada já está pronta e será lançada em breve. A continuação contará com oito episódios e seu lançamento está previsto para 2018. O roteiro continuará sendo feito por Warren Ellis e todo o resto da composição da primeira temporada.

Nota: A dublagem brasileira ficou excelente e arrisco a dizer que até melhor que a original em inglês. Assinantes da Netflix devem estar bem satisfeitos e desejando que a continuação seja colocada no catálogo o mais rápido possível.

Tiago Amorim
Deus é top

Tiago Amorim

Responsável por não deixar a máquina do 1 Real a Hora parar. Atualmente tentando escrever o livro da HQ Trilhas Exemplares, porém a luta contra a procrastinação parece não ter fim. Amanhã ele termina...
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