O que nós realmente somos? Por que nós possuímos a tal da identidade? O que te molda? O que te faz humano? Esses são alguns pensamentos que pipocam em sua cabeça quando você assiste a animação de Ghost In The Shell, te colocando num mix filosófico de melancolia e realização sobre a vida, fazendo com que você mergulhe fundo no que faz você humano. No que te deixa diferente de um robô super projetado e que possui todos os atributos de um humano. Sendo uma das maiores obras de animação da história, Ghost In The Shell acabou ganhando uma adaptação ocidental esse ano, estrelada por Scarlett Johansson, no Papel de Motoko Kusanagi, ou Major. O filme, visualmente falando, é um deleite para os fãs de Cyber Punk e aos fãs do anime e do Mangá. Apesar de todo a treta do whitewashing feito para cima da Major Kusanagi, Scarlett Johansson capta a essência da personagem e o principal, a essência da obra original.

No quesito visual, a fidelidade em personagens como Batou é gritante. A preocupação em trazer tudo para próximo da obra original, espanta em Ghost In The Shell. Enquanto muitos esperavam algo completamente diferente do anime, o filme se mostra bem empenhado em passar o mesmo sentimento e a mesma mensagem que a animação de 1995 e suas sequências também passam. Esse é um dos motivos que faz esse filme muito bom no que ele se propõe, que é passar para o grande público a essência do anime. Todo o sentimento de procura que nós temos no Puppet Master no filme de 1995, é transportado para a Major, que vive o filme num eterno dilema se ela é realmente humana ou se ela é somente uma arma, um instrumento da Sessão 9.  E isso que é o importante nesse filme e a mensagem que ele passa. O que nos define como humanos? É o nosso corpo? é o nosso sentimento de individualidade, é a forma como lidamos com nossas vidas? Por que nós somos todos ligados por esse sentimento invisível de que todos somos diferentes em nossas essências? Todas essas dúvidas são pregadas no filme, mostrando que apesar de tendo que ter cenas de ação e uma trama um pouco mais leve no quesito filosófico, a ideia principal se mantém, que é discutir a identidade de uma pessoa e o que define ela como humana.

E é isso que Ghost In The Shell, quer te passar. O que nos torna humanos? São nossas lembranças ou simplesmente a forma que nós agimos na sociedade. Do que adianta ter um corpo humano se muitas vezes somos vazios por dentro? Até onde que a humanidade pode se aperfeiçoar e continuar sendo, em sua essência, humana? Ter um braço mecânico, um órgão sintético, isso te transforma em algo menos humano? Ou o que importa para ser humano é se você se sente humano, se suas atitudes mostram a sua singularidade como pessoa. Não adianta nada não ter nada implantado em você, se você não consegue mostrar a sua humanidade, se fechando e não mostrando o quão complexa é sua vida, sua humanidade. Todos buscamos algo para nos tornar mais humanos, mas esquecemos o que realmente nos transforma em humanos, que é a nossa consciência. Enquanto tivermos controle de nossas ações, de nossa personalidade, nós continuaremos humanos, não importa o quão máquina nós formos. E isso que se faz valer em Ghost In The Shell, e o que vai te fazer ir no cinema.

Lembre-se, sua humanidade não depende do seu corpo, e sim da sua alma. E é isso o que importa.

Igor Pontes